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Fracasso?

Sejamos honestos: o dia de ontem marcou uma vitória para Bolsonaro. O vexame das carroças passeando por Brasília, a meia dúzia de gatos pingados nas ruas aplaudindo um bufão, a falta de apoio dos milicos (até o vice Mourão deu bolo) e a derrota da proposta do voto impresso são muito menos importantes do ponto de vista político do que os 229 votos que a estúpida proposta de Bolsonaro recebeu no plenário.

Isso tem um significado muito claro: se Bolsonaro pode pressionar, constranger ou ameaçar a ponto de receber a MAIORIA dos votos da casa para uma proposta esdrúxula e sem sentido – como é a troca às pressas de um sistema de votação de sucesso até agora – qualquer tentativa de colocar em votação um dos mais de cem pedidos de impeachment até agora será marcada pelo fracasso.

Com o congresso venal que temos, ainda reflexo da intensa campanha anti-esquerda, anti-PT e anti-comunista dos últimos anos (um trabalho conjunto do judiciário e da mídia) teremos que suportar esse governo até o final do próximo ano. Sou obrigado a concordar com o deputado Maia: colocar um pedido de impeachment para ser votado levaria ao fortalecimento desse governo homicida. Em verdade, funcionaria como o impeachment tosco a que Trump foi submetido – oferecer a ele respaldo e fôlego para a próxima eleição.

Alguns ainda dizem que o processo de impeachment por si só produziria o desgaste necessário, mas eu já não acredito mais nessa perspectiva. Vejo muito mais uma coesão do Centrão sobre seus interesses intestinos e também uma aliança com a extrema direita para o desmonte do patrimônio nacional e para alimentar a rapinagem do mercado.

A resposta, como sempre, sairá da união do povo nas ruas. É o nosso caminho.

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Política de estimação

É também curioso o malabarismo para criminalizar a política, como se os políticos fossem uma espécie diferente de ser humano e fossem corruptos em essência. Tratar os políticos todos como criminosos apenas abre as portas para ditaduras e “outsiders”, que se acham “gestores”, mas que fazem dissimuladamente política à direita do espectro ideológico.

É bem sabido o desastre que advém do descrédito com a política. Esse discurso produziu Berlusconi, Trump, Bolsonaro e poderia ter produzido Moro não fosse a Vaza Jato. A solução para os maus políticos é mais política, mais crítica, mais vigilância e um sistema mais justo.

Eu não cultuo”políticos” de estimação, mas por certo tenho uma POLÍTICA DE ESTIMAÇÃO.

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Partido único

Por certo que estamos diante de um plebiscito e a prova disso é que ninguém do lado dos democratas está querendo a vitória de Biden, mas a derrota de Trump. O problema é que Biden é senil, incapaz, frágil e um elemento ligado à indústria da Guerra. Muitos americanos falam do “Governo Kamala Harris que se aproxima”, exatamente porque não confiam na capacidade de Biden de levar adiante esta governança. Por outro lado, é fato que os governos democratas tendem a ser muito mais violentos, belicosos, imperialistas e mortíferos, basta ver o desastre do governo Obama e os 7 países destruídos por sua sanha por domínio. Portanto, o mundo que se cuidem com os democratas no poder…

Não consigo perceber nenhuma grande diferença entre os dois, até porque são do mesmo partido. Para mim é como ter no segundo turno Doria X Aécio… Ainda assim, espero que a vitória de Biden enfraqueça Bolsonaro, o neoliberalismo e a destruição corrente do Estado brasileiro. Essa é a única razão pela minha simpatia pela derrota de Trump. No mais, acho que a verdadeira vitória seria o povo americano perceber que sua democracia é um teatro e uma farsa, que não há escolha verdadeira, que os partidos são iguais em sua fé no império e no capitalismo e que o povo é um estorvo que a cada 4 anos precisa ser chamado para aplaudir a escolha que eles já fizeram.

Americanos são incapazes de enxergar seu próprio sistema. Não esqueça que os americanos chamam o campeonato nacional de Baseball de “World Series”. A questão é que a propaganda maciça sobre os partidos reforça uma diferença que simplesmente se faz nos detalhes, e jamais na essência. A essência do bipartidarismo americano é uma farsa, porque AMBOS tem a mesma visão de sociedade. É assim em Israel, onde TODOS os partidos são sionistas e nenhum deles vai resolver a questão palestina. Para os americanos o imperialismo e o capitalismo não são questões de governo; são questão de Estado, e não existe possibilidade de mudança dentro desse modelo.

Percebam o que aconteceu com Bernie Sanders. Se ele estivesse no Brasil ganharia a eleição, bastando sair do “PT” e ir para o “PSOL”. Mas Bernie – um social liberal dos mais frouxos – é IMPEDIDO de concorrer pelo boicote interno do partido democrata, apenas porque arranha suavemente a lataria do capitalismo predador e excludente dos Estados Unidos. E fora desses partidos não existe vida política representativa nos Estados Unidos.No mais…

FREE PALESTINE

FREE ASSANGE

FORA BOLSONARO

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Bad choices

That’s how Americans can be stupid to their bones. That would be the same if, to fight Bolsonaro, we decide to compliment Temer.

You must be kidding. For sure Trump is a psychopath and unfit for the presidency, but Obama is one of the most prominent killers and murderers of the White House. SEVEN countries heavily bombed during his time as “commander in chief”. Thousands of women and children killed in search for cheap oil. Entire countries like Iraq (where he continued and maintained the warfare), Libia, Yemen, Syria, Afghanistan and many others were turned into ashes. Millions of lives were destroyed.

So the fact that he didn’t cheat on his wife (and you don’t really know if that is true) make him a good president? Seriously? So…. keep in mind that a month ago Jerry Falwell was such a noble and devoted Christian.

Obama was a total failure if we consider his weakness to stop the Empire to destroy lives, countries and the idea of a peaceful world.

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Sustentação

O que me entristece e preocupa não é o fato de que Bolsonaro seja racista, machista, homofóbicos e um completo incompetente, mas o fato de que tantas pessoas parecem não se importar com isso, sequer com o flagrante nepotismo da indicação de seu filho para a embaixada nos Estados Unidos. Para além disso, o que me espanta é o número de cidadãos que reconhecem a corrupção de Moro, Dalanhol, Gebran, Dodge, Fux, Barroso e até Toffoli, mas parecem não dar a menor importância para o fim da democracia. Pelo contrário, até celebram sua morte insidiosa.

Bolsonaro um dia deixará de ser presidente, assim como essas figuras do judiciário que dão suporte legal ao arbítrio; todavia, as pessoas comuns que apoiam o desmonte civilizatório no Brasil continuarão por aqui. Assim, fica claro que todos os gritos e marchas contra a corrupção que marcaram o país desde 2013 eram tão somente uma gigantesca cortina de fumaça a esconder nossas verdadeiras motivações inconfessas.

O que motivou essa população branca e de classe média contra os governos anteriores e seu desejo de “renovação” na política foi a ideia compartilhada com os votantes de Trump: “queremos nosso país de volta”. Um país onde todos saibam seu lugar, como sempre foi. Empregados e patrões. Ricos e pobres. Um país onde negro é negro, branco é branco, família é pai e mãe, meninos vestem azul e meninas rosa. Essas ilusórias certezas diante de um mundo de fronteiras incertas são as verdadeiras motivações que nos jogam nos cultos à personalidade e nas seitas, que são a melhor definição para o trumpismo e o bolsonarismo.

Assim como nos Estados Unidos somos herdeiros de uma nação cuja fratura formativa é a escravidão. Ela se manifesta de forma dissimulada na interação social, mas continua sendo a base de onde tiramos os nossos conceitos. Não é à toa que a “direita chucra” (para usar a expressão de Reinaldo Azevedo) costuma chamar os petistas e membros do MST de “vagabundos” , com o mesmo tipo de desprezo que tinham pelos negros escravos. Sem a cura dessa ferida seremos eternamente condenados a um destino violento, dividido e injusto.

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