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Simplismos

A ideia simplista de que “O Problema” do Brasil é a corrupção – que alimenta tanto os sonhos da direita – é tão tosca que não suporta sequer o debate mais superficial. Bastaria para isso lembrar o discurso de Jânio Quadros e Collor, ou Carlos Lacerda contra Getúlio para ver como é velha a argumentação de que vamos “acabar com os corruptos”, “vamos passar uma vassoura”, “vamos limpar o mar de Lama” enquanto se mantinha o mesmo sistema político representativo baseado no dinheiro (limpo ou sujo) do empresariado. Tolice e perda de tempo, mas que serve aos interesses de pessoas que não querem enxergar que o drama é outro, mas permanecem procurando soluções simplórias e HISTORICAMENTE ERRADAS ao culpar um partido (o PT) ou uma comunidade específica (os judeus) ou mesmo os refugiados (sírios e islamitas) pelos problemas complexos de uma nação.

No fundo o que desejam é que continue TUDO COMO ESTÁ, mas que os trabalhadores organizados nunca tenham uma representação. Mas… achar que Moro representa o “novo”, a Batalha Final contra a corrupção, quando só tentar atingir Lula e jamais ataca o seu próprio partido? Ora, isso já é exagerar na fantasia…. Pense bem, porque ninguém mais acredita na Lava Jato? Por causa do subproduto que ela criou: procuradores alucinados e um juiz que deseja ser protagonista fazendo política partidária.

“As pessoas no mundo virtual acham que os “bandidos” condenados pelo tribunal da imprensa ou de suas próprias consciências não merecem defesa e nem mesmo alguém que escute sua versão dos fatos e os apoie, o advogado. Errei feio ao dizer que isso era medieval; na idade média já se tinha ideia da ampla defesa. O que se propõe é a volta à pré-história da humanidade, algo bem antes do início da civilização.”

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Carnaval e mídia

Não sei quanto a vocês – e reconheço que não tenho autoridade nenhuma para falar desse tema – mas eu perdi totalmente a vontade de ver os desfiles das escolas de samba, e isso há muitos anos. E não tem nada a ver com as gambiarras que são feitas com os carros alegóricos e nem com as antigas conexões das Escolas de Samba com a contravenção e o “jogo do bicho”.

O que eu curtia era o espírito de carnaval que transformava o pobre favelado em artista, permitindo a ele uma noite de sonho, como passista, porta-bandeira ou maestro supremo de uma bateria. O sonho se tornava mais incrível quando na quarta feira a carruagem se transformava em ferro velho, as roupas de príncipe em roupão da fábrica, os vestidos de lantejoulas em uniforme de gari e todo mundo voltava às suas vidas duras e difíceis.

Hoje em dia vejo o desfile de gente branca em carros alegóricos e as câmeras da TV focando nos artistas profissionais que trabalham nas novelas da TV, nos turistas estrangeiros que pagam para desfilar ou nos jogadores dos times cariocas. O desfile não é mais do povo e o que resta a ele é a figuração. Quem vale mesmo é o artista global, que nem sabe onde fica a comunidade, mas recebe um email com a letra do enredo para ensaiar em casa.

Assim profissionalizado o carnaval perdeu todo o encanto que poderia ter.

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Mídia inconsequente

amor a vida

“Se vc tem “Amor à Vida” não faça uma cesariana sem justificativas, pois ela aumenta a sua chance de assistir a próxima novela no céu…”

Que desastre…

Preparem-se para mais uma “Campeã de Porcaria” da Rede Globo.
A cena da novela de hoje vai retratar um “parto que deu errado”, causando a morte da mãe e do bebê. A “tecnologia salvadora” foi usada “tarde demais”…

A Globo investe mais uma vez na estratégia de enaltecer a assistência tecnológica, cara e de pífios resultados em detrimento de uma visão mais abrangente e respeitosa com as mulheres. As mortes de mulheres continuam a ser retratadas como a “insistência de apostar em um corpo defeituoso de mulher”, ao invés de entregá-las à ação salvadora das tecnologias

Pois é! Mais uma vez os roteiristas de novela fazem um trabalho negativo para a saúde brasileira, ajudando a aumentar o fosso que nos separa das nações desenvolvidas no que diz respeito à prevenção de danos à saúde. O que mais uma vez aparece é uma mídia mitológica e interessada em cativar anunciantes (como as grandes instituições hospitalares) ao invés de esclarecer, orientar e dissipar ideias errôneas. É por esta razão – entre outras – que o Brasil amarga a vergonhosa marca de campeão mundial de cesarianas.

Para cada mulher que poderia sofrer o que a novela insinua, DEZENAS acabam morrendo por causa de cesarianas, com suas consequências cirúrgicas, infecciosas, hemorrágicas e anestésicas. Isto não é opinião: é evidência científica, corroborada por instituições idôneas e comprometidas com a saúde das mulheres.

A TV Globo consagra a mentira que a gente escuta todos os dias: de que o parto normal é o culpado sempre pela morte, como sinônimo de negligência, e quando ocorre o óbito de uma criança ou de sua mãe em decorrência de uma cirurgia a sociedade ingenuamente se resigna, e vemos as pessoas balançando as cabeças e dizendo que “foi feito de tudo para salvá-los”. Ledo engano, brutal equívoco.

É quase impossível melhorar a atenção ao parto no Brasil enquanto grandes corporações de TV disseminam desinformação e criam, no imaginário feminino, conceitos preconceituosos e equivocados sobre uma pretensa fragilidade feminina e sobre uma falsa defectividade na forma de parir.

O que me deixa triste e desanimado é que, se era realmente importante criar um “viúvo”, marcar um personagem com as cicatrizes da morte trágica de sua família, porque não o fizeram como consequência de uma cesariana???? Porque não se alinharam às recomendações da Medicina Baseada em Evidências? Quais os determinantes obscuros para – mais uma vez – se juntarem àqueles que desejam que as taxas vergonhosas de cesariana permaneçam no mesmo lugar? Qual a verdadeira intenção da Rede Globo? Será apenas burrice dos roteiristas? Falta de informação ou imaginação? Será que esse clichê maldito ainda não se esgotou nos dramalhões tupiniquins? “Senhor Alberto Roberto, teremos que escolher entre sua esposa ou seu filho. O senhor terá que decidir…” Ora, que cafonice, que falta de respeito com o telespectador, que ausência de senso crítico e atualização!!

Eu creio que o fracasso da última novela, que foi considerada como a pior novela daquela autora, forçou os diretores e a cúpula da Vênus Platinada a apostar nos dramas maniqueístas e nas tramas moralistas mais antiquadas. Só isso, ou uma teoria por demais persecutória, pode explicar tamanha bobagem da Rede Globo.

As pessoas que lutam pela liberdade de escolha e recusas informadas no parto não descansarão até que tais mentiras sejam esclarecidas, até que parem de retratar os partos como ruins e negativos, e que deixem de oferecer a falsa ideia de que a intervenção tecnológica no nascimento é melhor do que os recursos que a natureza nos ofereceu.

E que Deus nos perdoe por mais este crime contra o parto natural, que poderá produzir um estrago nas intenções do governo brasileiro de diminuir a mortalidade materna e as cifras alarmantes de cesarianas…

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