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É proibido…

Não concordo com a proibição dos jogos. Por questões de coerência, quem é contra a criminalização das drogas não poderá aceitar a proibição do jogo, mesmo reconhecendo que se trata de vício, e muito destrutivo. Jogo, para algumas almas mais frágeis, é um vício, tão perigoso para a saúde quanto algumas drogas poderosas. Sou contra qualquer jogo de azar, mas assim como proibir as drogas não funciona, e não funcionou com as bebidas há 100 anos (lei seca), o único resultado certo a partir da proibição dos jogos será o ressurgimento dos jogos ilegais e irregulares. Isso é pior do que jogo legalizado. A proibição da venda e comercialização de bebidas nos Estados Unidos deveria ter nos ensinado algo sobre este tipo de medida. A chamada Lei Seca (Prohibition) nos Estados Unidos vigorou nacionalmente de 1920 a 1933, a partir da 18ª Emenda e do Volstead Act, proibindo a fabricação, venda e transporte de bebidas alcoólicas. Embora tenha provocado inicialmente uma forte redução do consumo — estimativas econômicas indicam queda para cerca de 30% do nível anterior, seguida de recuperação para 60–70% ainda durante a proibição —, a medida criou um vasto mercado clandestino, com contrabando, bares ilegais (speakeasies) e expansão de organizações criminosas que lucravam com a produção e distribuição de álcool.

Como se pode ver, mesmo que a ação inicial seja uma diminuição nos jogos, a reação do público acaba trazendo as taxas de consumo para muito próximo dos níveis anteriores à lei. Mas, se não for pela simples proibição, qual poderia ser a solução? Bem, podemos encarar de várias maneiras, sendo a mais efetiva o fim do capitalismo. Mas, antes disso, podemos restringir ao máximo o acesso aos jogos. É possível, por exemplo, colocar o imposto muito alto (como no cigarro, que chega perto de 80%), estabelecer um controle máximo de gastos pessoais por CPF, impedir jogo para menores de 21 anos, impedir publicidade ostensiva, etc. E, acima de tudo, educar as pessoas para que entendam o real sentido do jogo.

Essa é a peça mais importante. Nos jogos de azar o que se comercializa é a ilusão de ganhar dinheiro sem trabalhar, a ideia de enriquecer por um ato de sorte. Mais do que o problema na economia doméstica, a falência, as dívidas e a dissolução de famílias, a disseminação do jogo estimula as pessoas a acreditarem no ganho fácil, pela graça divina, sem ter o trabalho e o esforço pessoal como fundamentos. Quem apoia o trabalho, o salário ganho com o suor do rosto, não pode apoiar essas armadilhas liberais. Sim, eu sei do efeito deletério que as apostas têm sobre o futebol e outros esportes. Sei o quanto a jogatina desenfreada pode colocar a disputa honesta em perigo. Ainda assim, mesmo sabendo que mais escândalos podem ocorrer, sou obrigado a reconhecer que proibir é uma péssima – e inefetiva – solução.

“Proibicionismo é a política de proibir legalmente a produção, venda, posse ou consumo de determinadas substâncias ou práticas, geralmente com o objetivo de reduzir seu uso e seus efeitos sociais“. O termo é usado sobretudo em relação às drogas, mas também pode se referir à proibição do álcool, jogos de azar, prostituição etc. Porém, a história das legislações restritivas nos permite afirmar que a simples proibição dos jogos virtuais não vai vais funcionar – mais uma vez. O proibicionismo, sobre qualquer tema – prostituição, drogas, cigarro, jogo, partidos políticos – é um fracasso em todas as épocas da humanidade. Bebida foi proibida, o Partido Nazista foi cancelado e os abortos severamente restringidos. E todos eles estão aí, ilegais ou legais. Não se combate proibindo, mas educando.

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Drogas

Sempre foi minha ideia de que não se faz bom combate ao uso de drogas com proibição. Isso se chama “proibicionismo” e não funciona no nível subjetivo. Não funciona agora – mesmo com todo dinheiro investido – assim como não funcionou há 100 anos com a “lei seca” nos Estados Unidos, que só criou “mercado paralelo” e produziu milionários (como os Kennedy) que exploravam o tráfico. Teve que ser abandonada logo depois. Da mesma forma proibir maconha é inútil e só serve para eliminar pretos e pobres e para enriquecer traficantes e políticos corruptos.

Outra coisa: não é a droga que vai fazer uma criança fracassar na vida, é o contrário. É uma vida fracassada e cheia de dores morais que vai levar um sujeito às drogas. Droga não é a origem do mal… É CONSEQUÊNCIA. A guerra às drogas é o ato desesperado de “tirar o sofá da sala”, trocando o resultado por sua causa. Este tipo de ato não produz nenhum benefício social. Não interrompe o uso e só coloca jovens pobres na cadeia onde farão a faculdade do crime. Em suma: uma perda de tempo e recursos que poderiam ser usados na prevenção.

É qual a prevenção? A resposta curta é acabar com o capitalismo, um sistema econômico que sobrevive do consumo de inutilidades (ou produtos para o desejo infinito, e não para reais necessidades) e que torna doentes e fracassados aqueles que não podem consumir. A droga se torna uma válvula de escape natural.

A resposta mais longa é parar com o estímulo à todas as drogas – sim, os remédios inclusive – dos quais as sociedades atuais se tornaram dependentes. Hoje se morre MUITO mais de ansiolíticos e antidepressivos do que de maconha e cocaína. MUITO MAIS. Por ano são 200 mil pacientes que morrem pelos efeitos colaterais de remédios prescritos, apenas nos Estados Unidos, e isso é muita gente!!! Essa medicina tecnocrática, drogal e intervencionista já é a terceira causa de morte entre os americanos, atrás apenas de doenças cardíacas e câncer.

Precisamos combater a CULTURA DA DROGA, que nos faz acreditar que a cura da angústia se vende em pílulas ou injeções. Qual a possibilidade de um adolescente não se drogar se desde a mais tenra infância ele é ensinado de que “para cada sintoma corresponde uma droga que se compra na farmácia”?

Ora… quando a adolescência e suas dúvidas e angústias começarem a doer de verdade (quem já não sentiu na pele essas dores?) ele vai procurar uma droga que lhe produza alívio; na farmácia ou na esquina. Como convencê-lo a não se drogar se a sua vida inteira houve estímulo para colocar nas drogas a solução dos dilemas????

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