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Liberdade, valor maior

Desculpe se isso soar antipático, eu concordo com a frase, mas não com seu contexto. Sim, eu acho a liberdade um valor superior à vida. Se a vida fosse superior à liberdade nenhuma revolução teria acontecido, pois todas as lutas humanas por liberdade ocorreram às custas das vidas de muitos mártires. Não fosse pelas lutas daqueles que lutaram pela liberdade e pelo fim da opressão e ainda estaríamos vivendo no feudalismo, divididos entre senhores e vassalos. Afinal, quem se arriscaria a morrer lutando contra esse sistema arriscando a própria existência?

Existem, sim, lutas que são superiores à nossa vida particular. São temas tão importantes para a humanidade que valem a pena o risco que se corre, até de perder a vida. A luta contra a opressão sempre ocorre no limite da nossa própria segurança.

E eu NÃO estou me referindo ao contexto da fala do ministro. Não quero debater o tema da obrigatoriedade ou dos passaportes aqui, mas estou falando em tese: existem lutas que são mais importantes que a nossa vida pessoal. Aceitar que viver é mais importante do que lutar contra a escravidão e a opressão é aceitar que nossa mera existência biológica é superior aquilo que nos torna humanos: a pulsão pela liberdade.

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Delete

Aprendi isso a duras penas quando há 10 anos comecei a criticar um certo grupo de direitistas infiltrados na esquerda. Tomei pedrada e fui queimado vivo pelos reacionários das mais variadas cores e gostos. Mas garanto que isso é libertador. Fazer o papel de agradar seu “eleitorado”, escravizando-se à sua visão de mundo e dançando a música que eles tocam é uma prisão insuportável.

Não reclamo dos meus múltiplos cancelamentos. Tenho a certeza que estas pessoas estão bem melhor sem a minha presença incômoda e eu me sinto muito mais livre sem seu catecismo e suas imposições.

Saravá!!

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Censura

Hoje o debate no Facebook sobre riscos, eficiência, vantagens e benefícios de vacinas está banido. Canais no YouTube estão sendo excluídos e todas as vozes dissidentes estão sendo silenciadas. Censurados, em nome do bem geral, da saúde pública, para o “greater good”, decidido por algumas poucas pessoas que pensaram por nós, decidiram por nós, falaram por nós e apertaram o botão “delete” para milhões no mundo todo.

Não, este post não é sobre vacinas, é sobre a liberdade de debater e conhecer todas as faces da verdade.

Peço paciência para uma analogia. Fiz todo o meu transcurso pela escola médica e na época da residência em ginecologia escutando a exaltação das mamografias, Elas eram exames de baixíssima periculosidade, boa acuidade e poderiam fazer diagnósticos de tumores ainda abaixo da possibilidade de palpação e a tempo de se fazer uma cirurgia curativa. Quem poderia ser contrário a este tipo de milagre da tecnologia? Quem poderia questionar os resultados positivos de mulheres que foram operadas e recuperaram a saúde após a descoberta de um minúsculo tumor na mama?

Pois houve gente que, mesmo diante deste aparente sucesso, teve desconfianças e resolveu investigar a fundo o difícil campo dos riscos e benefícios de irradiar uma mama de forma rotineira e periodicamente para descobrir tumores escondidos nos tecidos mamários. O trabalho iconoclástico do meu herói pessoal, Peter Gotzsche, vai exatamente nesse sentido.

Suas conclusões foram impactantes. Para alguns este exame deveria ser banido. Para outros ele não deveria ser usado de forma rotineira e, muito menos, com tamanha frequência.

Agora imagine que há alguns poucos anos o debate sobre mamografias tivesse sido banido, por diminuir a taxa de pacientes submetidas a este escrutínio e, portanto, teoricamente aumentado o número de pacientes não diagnosticadas precocemente. Jamais teríamos descoberto que as vantagens das mamografias rotineiras nem de longe produzem o resultado que imaginávamos produzirem.

O que é “desinformação” hoje pode não ser amanhã. Existe muita pesquisa sendo feita para mostrar problemas relativos às vacinas, de boa, excelente e até de péssima qualidade. Banir todas elas com a desculpa de “proteger as pessoas” é uma atitude totalitária. Eu lembro da unanimidade em relação às mamografias há 20 anos, e a fúria contra qualquer médico que resolvesse questionar sua validade. Cesarianas a mesma coisa. Enteroviofórmio idem. Se alguém quisesse questionar o uso de raios X nos primeiros anos do século XX, seria tratado como um retrógrado, inimigo da ciência.

Poucos lugares do conhecimento merecem e necessitam tanto de iconoclastia como a medicina. Poucos são mais necessários do que aqueles que se contrapõem às posturas hegemônicas. Esses sujeitos – como Peter Gotzsche – são essenciais.

Bem sei o que a direita tem feito com essa questão, adicionando misticismos, mentiras e fraudes sobre achados científicos. Entretanto não se retiram os dedos por infecções nas unhas. Não há como ressuscitar a censura com a desculpa de “proteger pessoas”. Lembre que o macartismo se guiava por este mesmo norte. A liberdade de pesquisar e divulgar dissidências dos conhecimentos hegemônicos deve ser sempre garantido. Existe boa ciência entre aqueles que questionam vacinas e, como eu disse, muita bobagem, mas em qualquer campo existe algo parecido. Que às pessoas seja garantido o direito de decidir. E veja… aqueles que se contrapõem à avalanche de informações favoráveis às vacinas são ratinhos lidando contra elefantes, mas também o era Galileu ao dizer “eppur si muove”.

Outras coisa perigosa é “entre os pares”. O debate científico tem pressupostos rígidos do debate e da pesquisa, mas não são os cientistas que devem pautar a vida cotidiana. A propósito… que horror seria uma vida coordenada por cientistas!!! Portanto, esse debate DEVE obrigatoriamente verter para a discussão pública, para que as pessoas, os governos, as sociedades e os grupos possam decidir com os argumentos que as ciências lhes oferecem, e não pela IMPOSIÇÃO do debate secreto e fechado entre pares. É por isso que os cientistas divulgam seus achados na imprensa, para provar ou negar achados para gente comum, como nós.

Agora pensem… apesar de ser doloroso ter que aguentar posições que agridem nossas convicções mais profundas a censura é uma tragédia para o conhecimento, a liberdade e o próprio avanço das ciências. A facilidade como as pessoas aceitam este tipo de proibições (em especial na esquerda festeira identitária) é uma tragédia social. Parece que vamos precisar reinventar os princípios básicos da civilização, baseados na liberdade de expressão, novamente, partindo do zero. Nunca as palavras de Evelyn Beatrice Hall, erroneamente atribuídas a Voltaire, fizeram tanto sentido: “Discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Ainda haverá no mundo paixão suficiente para a defesa destes princípios?

Veja AQUI o trabalho de Peter Gotzsche publicado no Lancet.

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A Paixão de Cristo

A sexta feira é da PAIXÃO!!!

Sim, da paixão, essa chama indócil que nos arremessa para destino incerto, mas sempre em direção à vida. A força motriz de toda realização humana, o motor de nossas ações, das mais nobres às mais brutais, mas que “desacata a gente, que é revelia“. A paixão que nos mostra o que, em verdade, é ser humano.

“Paixão” deriva de passus, particípio passado de patī “sofrer”, é um termo que designa um sentimento muito forte de atração por uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é intensa, envolvente, um entusiasmo ou um desejo forte por qualquer coisa. Mas para entender a “sexta feira da paixão” é preciso aceitar que a paixão de Cristo ultrapassava os limites do mero objeto de desejo, e se espalhava por todo o seu povo, na sua busca por igualdade, justiça social e autonomia.

O Jesus que eu conheço é o Messias, o ungido, o escolhido para liderar seu povo para a liberdade. O Cristo que enfrentava os senhores da lei, o mesmo que chicoteou os vendilhões do templo e aquele que deixou claro que veio trazer a espada, não a paz. O Jesus ativista, líder dos explorados. O Mestre corajoso, que entregou-se com bravura aos seus algozes por amor aos seus ideais. Um Jesus de coragem, fibra, destemor e LUTA.

Esse Messias é agora esquecido, em nome de um líder cheio de amor e paz. Um Jesus domado, constrangido, bonzinho, que coloca criancinhas no colo. Um Messias para os opressores, loiro e de olhos azuis. Um Jesus que se mesclou com os poderosos para ser aceito, a ponto de perder sua face revolucionária. Um Cristo para o paladar dos conservadores. Vendido por Paulo aos romanos, virou a imagem da docilidade, da submissão, do amor incondicional e da bondade, mas sua origem miserável, rodeado por analfabetos, pescadores, prostitutas e ladrões nos mostra que ele era do povo, da luta, da navalha e do confronto. Sua paixão era pela liberdade.

Que a nossa paixão seja pela mudança, pelo enfrentamento e pela consciência de classe. Não podemos permitir que o legado de um marceneiro negro, oprimido pelo poder absoluto e despótico de Roma seja transformado na imagem do cordeirinho loiro e bonzinho que aceita a iniquidade, as injustiças, o racismo e a violência sem reclamar e sem esboçar reação

Não esqueçamos que não é hora de chorar.

“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”

(Ijuca pirama – Gonçalves Dias)

Era a poesia que minha mãe recitava quando eu era menino…

FELIZ SEXTA FEIRA DA PAIXÃO…

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Abolicionismo

*Bota na cadeia e joga fora a chave!!!*

Peço humildemente que pensem um pouco sobre o uso dessa retórica para se referir às personalidades das quais discordamos no cenário atual. Creio que é importante que troquemos esse discurso agressivo de exigir a prisão dos nossos adversários. Não importa quem sejam; ninguém precisa ir para a prisão e perder seu bem mais valioso: a liberdade.

Nenhum criminoso se cura numa prisão e a sociedade não melhora quanto mais construímos cadeias e presídios. Presídios são como avenidas: abri-las não melhora o tráfego, pois convida mais motoristas a dirigir por elas. Presídios apenas produzem a reciclagem de criminosos, que são o produto inexorável de uma sociedade intrinsecamente injusta.

Vamos deixar de lado por um breve instante os assassinos cruéis e os perversos, que são muito menos do que 0.1% dos prisioneiros, e focar na grande massa de apenados que lá estão pelo apartheid social e racial do nosso planeta. Sobre estes sujeitos – cujo afeto foi destruído por vivências precoces catastróficas – precisamos descobrir alternativas que não se choquem com os direitos humanos, mas que protejam a sociedade.

Mandar “prender, matar e arrebentar” é o discurso de personagens como Moro e Dalanhol e de boa parte da blogosfera nazifascista. É o discurso fascista travestido de “justiça depurativa”. Essa é a fala da direita punitivista – botar os maus na cadeia para sobrarem apenas os “cidadãos de bem” – invariavelmente brancos e de classe média. Nós da esquerda progressista precisamos oferecer uma alternativa humanista, solidária e compreensiva melhor do que esta.

E isso não tem NADA a ver com abrir mão da necessária indignação com o estado de coisas contemporâneo!!! Se me permitem a audácia, peço que comecemos a nos expressar de uma forma mais justa e em sintonia com nossa visão de mundo. Precisamos exigir que as pessoas que destroem nosso país “sejam responsabilizadas“, que “paguem pelo seu erro“, ou que “ofereçam o devido ressarcimento à sociedade pelo mal que fizeram“, mas sem continuar incluindo em nosso discurso os métodos desumanos e medievais que não representam os ideais de solidariedade e fraternidade que trazemos ao debate com nossas propostas e ideias.

Não se associar ao discurso malévolo da direita fascista e dos punitivistas racistas é uma ferramenta fundamental para mudar a narrativa de forma global e, assim, mostrar o quanto a violência gera apenas mais violência e não nos oferece nenhuma solução para os dilemas sociais.

Uma sociedade sem prisões é uma utopia da esquerda – solidária, humana e justa. Cabe a nós devolvermos toda essa violência com uma postura superior e acolhedora.

Abolicionismo penal já!!
Por um mundo SEM prisões!!

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