Arquivo da tag: manifestações

Críticas

Estariam os críticos do espiritismo pegando pesado demais nas avaliações das questões mediúnicas? Por que existem analistas que desempenham um papel tão desctrutivo quanto aquelas feitas pelo Padre Quevedo, uma fugura caricata dos anos 90? E mais intrigante ainda, qual a razãode espíritas estarem fazendo estes “ataques”, comportando-se como verdadeiros “cavalos de Troia” a minar a confiança dos seguidores de Kardec, a ponto de não ser possível acreditar que ainda se consideram espíritas? Não deveríamos equilibrar o teor da crítica, não caindo na descrença absoluta e nem na aceitação acrítica das manifestações?

Talvez a resposta para este importante questionamento esteja contida em sua própria indagação: é provavel que a melhor escolha seja uma posição equidistante entre o ceticismo estéril que inválida a própria adesão do sujeito ao espiritismo e o ufanismo espiritista quem em tudo crê – nas mensagens e suas autorias, nas reencarnações “planejadas”, na autoridade do médium, etc – e de forma entusiasmada, empolgada em demasia e crédula, deixando de lado a necessária postura crítica. Entretanto, qualquer ciência para assim afirmar-se precisa ser falsificável. Esses sujeitos, um tanto descrentes da mediunidade, prestam um relevante serviço de depuração do fenômeno espírita. Não é raro vermos no espiritismo toda sorte de enganações, algumas até politicamente motivadas. Não raro aparecem mensagens exaltando a ditadura militar ou personagens menos nobres da política (e do judiciário) nacional vindas de médiuns que usam de sua autoridade para fortalecer estas ideias. Seriam elas verdadeiramente de outro plano?

Meu pai, que foi um conhecido pensador espírita, diante desse tipo de provocação, usava uma ferramenta bem prática, a qual considero válida neste e em outros campos do conhecimento. Dizia ele que, os personagens que conhecemos no plano material não se transformam radicalmente após o desenlace físico. Por isso mesmo, é possível reconhecer traços de personalidade, o estilo, o modo de escrita, as ideias e as manias inseridas em um texto psicografado. Além disso, estes espíritos não se tornam toti-conscientes após o desencarne. Talvez digam besteiras e asneiras do lado de lá também. Os erros reconhecidos nas obras espíritas – em especial as fantasias de vidas nos planetas do sistema solar – deveriam nos mostrar que esses erros podem ocorrer. Talvez sejam até a regra, não a exceção

Em função disso, sua regra era simples: escute a mensagem mediúnica como se ele tenha sido dita por um encarnado, um amigo mais velho e experiente, nada mais do que isso. Não há como oferecer estatuto de verdade a algo apenas por ter surgido de uma manifestação espiritual e distinta dos conselhos cotidianos. Espíritos são gente, apenas invisíveis. Assim, ele aplicava semprecessa máxima: se a mensagem fizer sentido e for útil, então ela tem valor; caso contrário ela carece de importância e relevância. Conheci sociedades espiritualistas onde o líder espiritual da casa governava de forma despótica seus seguidores por meio das mensagens supostamente espirituais que recebia, usando a mística da manifestação das almas para lhes garantir autoridade e poder. Por certo que ninguém ousava questionar a origem da mensagem e o fenômeno em si, pois isso significaria romper o sistema de autoridade e hierarquia da casa. Este não me parce um modelo livre pensador no qual o movimento espírita laico poderia se inspirar.

Por fim, não creio que o excessivo ceticismo de alguns espíritas com certos fenômenos mediúnicos deva nos assustar ou incomodar, pois eles estão a testar continuamente nossa hipótese. E, como afirmava Kardec, o espiritismo precisa ter condições de encarar a razão – e a ciência – em qualquer época da humanidade. Afinal, se ela for uma quimera, acabará desaparecendo inexoravelmente. Entretanto, se o espiritismo contém porções de verdades ele florescerá mais cedo ou mais tarde, a despeito de qualquer crítica ou descrédito. Não acredito que o espiritismo proponha uma “nova ciência”, tão somente um novo objeto. Ciência é fundamentalmente método. O método científico pode ser aplicado aos fenômenos espíritas, adaptando-se a necessidade de avaliar fenômenos carregados de subjetividade. O mesmo se aplica à psicanálise ou à homeopatia, mas não podemos permitir que nosso desejo de acreditar seja mais forte que nosso saudável ceticismo.

E viva a ciência!

Deixe um comentário

Arquivado em Religião

Hegemonia das Ruas

Essa foi a manifestação do professor Luis Felipe Miguel da UnB, sociólogo da esquerda liberal: “Há setores da esquerda que são presas de um tipo de machismo discursivo que equivale “violência” e “revolução”. Os neostalinistas ficam nas palavras, o PCO vai às vias de fato. Mas não tem nada de revolucionário nesta violência. É só uma compensação psicanalítica vulgar pela própria impotência.”

Desta vez estou em pleno desacordo.

O PCO – um partido diminuto e marxista – ganhou as manchetes do Brasil inteiro por fazer o que deveria ter sido feito em 2013: expulsar a direita das manifestações. Precisou ser feito por um grupo de corajosos que não se deixaram seduzir pela ideia de “frente ampla”. Existe uma confusão bem clara aqui: tirar a direita golpista das manifestações NÃO É o mesmo que afastá-la institucionalmente dos debates no congresso e no senado.

Que os líderes do PSDB se juntem nas votações pelo impeachment, tudo bem, mas não podemos permitir que eles sejam a VOZ DAS RUAS. O que estava em jogo era a HEGEMONIA das passeatas, e a infiltração da direita foi claramente planejada. Basta ver que foram às ruas fazendo provocações apenas grupos LGBT do PSDB, para colocar na esquerda a pecha de “homofóbicos”.

E mais: quanto tempo ainda vamos cair na falcatrua dos “black blocks”. Algumas fotos mostram claramente a incompetência dos farsantes de mimetizar um ativista. Usando botas da polícia e incapazes de fazer um simples símbolo de anarquia? Sério que vamos insistir em dar palanque para este tipo de armação velha, antiquada e espertinha, que visa apenas insuflar o terror no povo mais ignorante para colocá-los contra os movimentos de esquerda?

Acreditar que vamos fazer DE NOVO a mesma conciliação de 2013 e esperar resultados diferentes é ridículo. Pensem como seriam recebidos os grupos de direita nas manifestações do Chile ou da Colômbia. O PSDB é a fonte de onde surgiu o golpismo do Brasil, ou esquecemos todos do emblemático discurso de Aécio Neves negando a possibilidade de Dilma governar? Tudo começou com o PSDB, e ainda hoje eles apoiaram 92% das pautas apresentadas por Bolsonaro!!!! Como podemos aceitar a BASE DE APOIO de Bolsonaro como protagonista deste tipo de manifestação?????

Quem pode aceitar que o movimento das RUAS permita a infiltração de golpistas – que só estão lá para que esqueçamos a sua participação nos golpes e para posarem de “moderninhos” e democratas? Acha mesmo que é possível dialogar com os mesmos fascistas que espancam estudantes, professores, alunos e que roubam o dinheiro da merenda? Que tipo de civilidade subserviente é essa? Quantos tapas na cara é preciso que a gente tome até se dar conta que pedir para que parem não basta? Sim, precisamos ser “estratégicos e racionais” e retirar das ruas os grupos que tentam roubar o protagonismo das manifestações. Precisamos expulsar das manifestações os grupos que querem excluir o nome de Lula e levar o verde e amarelo dos conservadores para manchar a hegemonia vermelha. Precisamos retirar de nossas marchas os grupos que querem passar pano para as votações de desmonte do Estado que protagonizam no Congresso. Este sim é o exemplo mais claro de ENERGIA e RACIONALIDADE na construção de um movimento de rua forte e coeso.

Agora a esquerda liberal decide que temos que “juntas esforços” para derrubar Bolsonaro, como se ele fosse o problema!!! Bolsonaro é o SINTOMA de um golpe da direita para o desmonte do estado brasileiro e a manutenção do país como quintal do império. A infiltração da direita nos movimentos lhes garantiria legitimidade para colocar-se contra Bolsonaro e poder impulsionar o fascistinha do Leite, Dória, Huck ou mesmo Moro. E isso sendo feito pela nossa covardia em delimitar territórios.

Sobre a frase usada pelo cientista político Luis Felipe Miguel chamando as manifestações do PCO de “compensação psicanalítica vulgar sobre a própria impotência”…. talvez fosse mais justo dizer que os discursos que tentam normalizar e justificar a impotência e/ou a inação sejam, em verdade, a compensação discursiva e psicológica da covardia e da incapacidade de agir.

Deixe um comentário

Arquivado em Política