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Jean Wyllys

Em dezembro passado em grupo de soldados israelenses explicitamente gays, depois de destruírem um bairro inteiro no norte de Gaza, realizaram uma “parada gay” na praia para comemorar sua vitória contra os civis palestinos. Em sua marcha de escárnio e horror, devem ter passado por cima de corpos mutilados e carbonizados de mulheres e crianças enterrados sob os escombros. A vitória do “ocidente branco” e cristão sobre os “bárbaros” do leste muçulmano se expressa através dos seus símbolos, e nada melhor do que os gays, veganos e trans serem nossos melhores representantes.

Essa festa é o que mais claramente representa a insanidade do identitarismo: a vitória da identidade sobre todos os outros valores, inclusive a vida e a condição humana dos inimigos. A festa de horror incluiu entre os participantes muitos veganos, para quem o amor aos animais os faz calçar botas feitas de PVC, para não serem obrigados a usar produtos de origem animal. Em sua perspectiva os animais que protegem valem muito mais do que as crianças palestinas que bombardeiam. Também os soldados trans estiveram representados, mostrando a plena diversidade entre aqueles que promovem a carnificina em Gaza. Esta comemoração macabra, porém pedagógica, está descrita no minuto 18:50 dessa entrevista de Max Blumenthal.

Ao mesmo tempo em que este horror acontece em Gaza, Jean Wyllys, o sujeito cujo apoio a Israel causou uma onda de repúdio alguns anos atrás, agora decreta a aposentadoria de Lula, a posição subalterna do PT no cenário nacional e o lançamento de Simone Tebet como candidata à presidência, que deveria ser entusiasticamente apoiada pelo partido dos trabalhadores. Que ele um dia tenha sido ativista LGBT, e integrado o PSOL eu até entendo, pela sua postura identitária, mas ser aceito como filiado ao PT é um escárnio com a esquerda brasileira. Acho necessário que abandone o campo progressista e assuma sua posição na direita identitária, lugar que sempre foi o seu. Simone Tebet de presidente e Sílvio Almeida de vice foi a proposta de Jean Wyllys, e quando o entrevistador ficou abismado com a ideia de oferecer o protagonismo a uma representante da direita ruralista, Jean explicou: “Você pode dizer que ela é uma ruralista de direita, mas eu respondo que ela é uma mulher, e a gente precisa das mulheres no século XXI. Sílvio representa os antirracistas, que o mundo também necessita.” Eu fico impressionado como pudemos ser enganados por tanto tempo por este farsante. Jean é um ignorante político e uma fraude identitária.

Por outro lado, eu me senti de alma lavada. Essa fala atual mostrou que minhas falas anteriores contra Jean Wyllys – pela sua posição covarde e oportunista sobre Israel e o sionismo – estavam corretas e não foram exageradas. Jean Wyllys é o maior exemplo do estrago identitário nas esquerdas.

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Fracassos

“Somos o que resta de uma montanha de escombros”, já dizia meu amigo Max. Os fracassos, mais do que as conquistas, são o que nos moldam e aperfeiçoam. Esta semana tivemos a vitória esmagadora de alguém que representa o atraso, o machismo, a corrupção e a perversão na política para ser o chefe do legislativo federal, numa reprise macabra da eleição de Eduardo Cunha. Tivemos a queda das máscaras lacradoras no Big Brother e o fim do sonho autoritário e farsesco da Lava Jato.

Os ídolos com pés de barro, Moro e Dalanhol, caíram das alturas: um queria ser presidente, o outro desejava uma estátua. Ambos terão que se contentar com o esquecimento. Também vimos um partido à esquerda “cancelar” uma co-deputada de um mandato coletivo – sem direito a defesa – por discordar de um texto publicado nas mídias sociais, na mais escandalosa demonstração de amadorismo político e falta de preparo para as discordâncias naturais e o contraditório.

Se não soubermos aprender com estes fatos então teremos perdido uma oportunidade histórica de fazer a necessária depuração nos quadros da esquerda.

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Cusparada

Jean cuspindo

A cusparada de Jean Wyllys em Bolsonaro no plenário ontem demonstra os limites claros que ele, Jean Wyllys, tem em relação à vida pública. Se é verdade que Bolsonaro é um fascista abjeto, também é verdadeiro que no plenário sua voz amplifica o desejo de milhares de pessoas a quem representa. Cuspir em um parlamentar é desdenhar da representatividade e daqueles que lhe delegaram seu voto. A defesa que Jean divulgou hoje diz que ele cuspiu em Bolsonaro ao ser chamado por ele de “veado”, “boiola” e “queima rosca”. Ora… agora uma agressão torpe e infantil justifica outra? O congresso é uma casa política ou a hora do Recreio de uma escola primária? Jean, neste episódio, apenas demonstra que não tem preparo para suportar com nobreza estas provocações…

O episódio da visita a Israel e os destemperos contra Bolsonaro apontam para o fato de que as boas intenções, a retórica e a cultura de Jean não são suficientes para o tornar um grande parlamentar. O destaque às suas posturas seria fácil diante da imensa incompetência desse congresso, mas o próprio Jean destrói suas possibilidades.

Cuspir em Bolsonaro exalta a vítima e rebaixa o agressor. Se existem alguns que acham que isso o coloca como um nobre combatente pelas minorias e contra os fascistas eu vejo nisso fragilidade e incapacidade para encarar com serenidade e respeito o contraditório. Tais atitudes rebaixam o debate político e dão um péssimo exemplo de incivilidade, o que é lastimável quando parte de um defensor da democracia e dos direitos das mulheres e gestantes.

Bolsonaro sai engrandecido desse episódio, mais uma vez, ao espertamente provocar as reações histriônicas de Jean Wyllys. Este precisa aprender a não se colocar como escada para que fascistas, racistas e canalhas possam subir perante a opinião pública.

Mas acho curioso esse tipo de defesa que fazem. Aliás, já escrevi e falei muito sobre isso. É aquela antiga tese: um cara matou um sujeito numa discussão. A polícia o prende e tortura. Ou mata. Ou espanca. Ou nega atendimento jurídico. Aí um tolo e legalista como eu diz: “”.

A resposta que sempre recebo: “ahhh, então tem que ser civilizado com um criminoso que matou a sangue frio?“. Outra muito comum: “Mas deveria ter pensado antes de matar. Agora sofra.” Ou então “Esse torturador – do criminoso preso – me representa.” Também se lê “Se fosse eu, faria pior“. Todos que assim atuam igualam-se aos criminosos que condenam.

Isto é: muitos acreditam que a simples vingança (cometer contra o agressor o mesmo crime do qual ele é acusado) é uma forma de justiça. Para mim, quem assim pensa e age, mostra que está muito mais perto do criminoso do que pensa. A diferença, muitas vezes, é apenas circunstância e oportunidade.

Infelizmente muitas pessoas caem na tentação de interpretar a minha crítica à atitude tola e imatura do Jean como um apoio ao facínora do Bolsonaro. Na verdade é o contrário. Percebi que o elogio ao Ustra foi premeditado por ele de forma cuidadosa para provocar os despreparados… e fiquei morrendo de raiva ao perceber que o estratagema (de novo) funcionou.

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As Regras Sujas do Jogo

O mesmo discurso ingênuo que o PT usava nos anos 80 eu vejo agora sendo utilizado pelo “outro lado”, com as mesmas características de exclusão e essencialismo. Na época os integrantes do PT chamavam a todos os “não PT” de “eles”, os outros, os que “não são como nós”. Quando um deputado do PT enfureceu-se com uma manifestação violenta e antidemocrática e convocou os petistas para “sair na porrada com os coxinhas” eu li de um colega de direita a expressão: “Olha como se comporta essa gente”.

“Essa gente”, uns irresponsáveis, baixo nível. Petistas, petralhas e corruptos.

Mais uma vez a diferença “essencial”. Essas pessoas são diferentes de nós. Suas veias carregam outra coisa, seus sonhos são diferentes, seus objetivos diversos dos nossos. Essa gente bagaceira, sem nobreza e sem valor.

Esta semana escutei outra pessoa me dizendo: “Já fui fã do PT, mas ele sujou as mãos. Não voto neles nunca mais, mas também não voto nos miseráveis da direita. Minha simpatia agora é com o PSOL“.

Pronto, o PSOL passou a ser a “virgem da vez”. Luciana passa a ser a impoluta representante dos éticos, honestos e corretos. Continuamos com a mesma retórica ilusória do futebol: “Bom mesmo é o Zezinho: não errou nenhum passe e não perdeu nenhuma bola. Bem verdade que não jogou também; estava no banco assistindo a partida”.

Mas, pasmem, as pessoas que compõe o PSOL (ou o PSTU, PCO, PMN…) são feitas da mesma carne, os mesmos vícios, o mesmo sangue e linfa que constitui a todos nós. Estivessem agora no poder e o dilema seria o mesmo:

“Se eu me mantiver puro não governo e apenas permito que os corruptos, os que se sujam, os canalhas e aproveitadores, continuem no poder. Posso me manter fiel aos princípios e fracassar em alguns meses. Porém, posso me sujar como TODOS fizeram, e tentar impor um pouco do meu estilo, minhas ideias, meus desejos e meus valores. Mas para isso precisarei me sujar na mesma lama que emporcalha a vida pública do país há séculos. Precisarei do dinheiro dos poderosos, e será necessário selar alguns compromissos com o demônio. O que fazer?”

Qualquer um tem o direito de, arrogantemente, exclamar: “Eu nunca sujaria as minhas mãos. Só “eles” fazem isso. Nós somos éticos.” Pois eu também tenho o direito de duvidar de tamanha prepotência. Ora, o poder embriaga a todos e, mais do que isso, as regras desse jogo estão aí para serem jogadas. “Não quer cair do balanço não desce pro play“, já dizia a turma do bullying. O jogo da política – como o conhecemos na atualidade brasileira – é SUJO em essência e qualquer partido que tenha a possibilidade de ascender ao poder usará todos os recursos para conquistar a maioria no congresso e fará isso da maneira que for possível. Comprará votos, ameaçará, pressionará, boicotará e todos os outros recursos – éticos ou não. Não existem “nós” ou “eles” quando as regras dadas são estas.

Não, é um erro acreditar que eu defendo uma complacência com os erros do PT. Digo o mesmo que a presidente Dilma se esforça por repetir: “Se há erros que sejam punidos exemplarmente“. O equívoco é imaginar que tirando o PT do governo teríamos todos os problemas resolvidos, como se o PT fosse um cancro, uma agremiação que concentra a podridão e a corrupção no país. A história nos mostra que não, e a própria ascensão deste partido ao poder nos anos 80 se deu para combater a corrupção galopante da época. A história apenas se repete, ou “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”, como diria meu caro amigo Karl.

Trocamos os jogadores, mas mantivemos as mesmas regras pútridas. O resultado é que boas intenções (como as que reconheço no PT) acabam sendo manchadas pelas falcatruas que ocorrem pelo próprio transcorrer de um jogo com cartas marcadas.

A reforma política é a saída, mas será que desejamos mesmo que algo mude? Ou seremos apenas pobres corruptos menores aguardando a nossa chance na fila das vantagens indevidas?

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