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O Desprezo pelo Povo

Quando me submeti à entrevista para residência médica, há 35 anos passados, havia na sala de reuniões médicos contratados, professores e, representando os discentes, uma residente R3. Esta médica sempre foi para mim o paradigma das residentes do hospital: branca, loira, rica, de família de médicos, altiva, “chique” e uma típica representante da burguesia local. Estava terminando seu tempo no serviço e já tinha seu consultório montado na zona mais rica da cidade.

Eu sempre achei bizarro graduar médicos pela Universidade pública que, logo após formados, nunca mais atendiam a população carente. Estes profissionais centram seu trabalho nas classes mais abastadas, deixando os proletários nas mãos do serviço público, cada vez mais escasso em recursos. Sempre acreditei que deveria haver um sistema de reciprocidade obrigatório, que determinasse aos formados em universidades públicas o trabalho compulsório para a comunidade. Como um “serviço médico obrigatório”, a exemplo do serviço militar. Nunca vi nenhum projeto nesse sentido.

Minha entrevista foi protocolar e sem qualquer sobressalto. Perguntas óbvias e manjadas (o que faria se uma paciente solicitasse um aborto?) ou “pega ratões” tolos (estetoscópio ou esfigmo?) além de perguntas sobre banalidades obstétricas. Lembro apenas que me perguntaram se eu seria “ginecologista ou obstetra” e qual meu hobbie (respondi que era “cinéfilo”).

A entrevista estava terminando quando a colega residente perguntou algo sobre a assistência no serviço público. Não lembro exatamente o que era, e minha resposta hoje seria considerada banal. Ora, eu estava entrando no serviço público, em um hospital público e para atender pacientes do INAMPS – precursor do SUS. Como poderia falar mal de um hospital que me receberia de braços abertos e dos pacientes cujos corpos seriam a mim oferecidos para aprendizado?

Sim, eu sei, fui enfático em demasia nessa defesa. Expus com entusiasmo a honra de atender o povo, pois foi o povo que pagou meus professores, minha universidade, minha formação inteira e eu deveria, de alguma forma, devolver tamanho investimento na atenção aos que tanto se sacrificaram para a minha educação. Não só na Universidade, mas desde muito cedo, quando entrei na escola pública aos 6 anos de idade.

Logo percebi que a minha colega se incomodou com a resposta. Talvez porque ela mostrava o contraponto à postura que ela estava prestes a tomar: esquecer o povo mais pobre e se voltar às elites e à classe média alta. Olhou para mim e respondeu no limite da rispidez:

– Quem sabe então você deveria se dedicar a ser assistente social.

Fiquei em silêncio, pois sabia que não havia espaço para a resposta que gostaria de dar. Todos nós candidatos estávamos nas mãos daqueles julgadores e suas avaliações subjetivas. Há poucos anos havia escutado – pela voz do próprio professor – que ele havia dado “zero” para um candidato à residência de clínica médica por ser “demasiadamente efeminado”. Eu não queria ser mais uma vítima da crueldade de um julgador preconceituoso.

A entrevista se encerrou e alguns dias depois veio o resultado. Fui aprovado em 5o lugar, e três semanas depois fazia meu primeiro plantão como residente de GO naquele mesmo hospital. Mas nunca esqueci o desprezo daquela colega – a quem nunca mais vi – pelo simples fato de que reconheci uma dívida que nós, estudantes das escolas públicas, tínhamos para com o povo – povo este cujo esforço conjunto foi o suporte essencial para a nossa formação.

Quando vejo os velhos representantes da corporação se manifestando de forma tão cruel sobre a população mais necessitada – e contra o SUS – eu penso que eles são egressos dessa geração, onde o trabalho assalariado no serviço público era visto como fracasso.

Mas ainda acho que para mudar a prática da Medicina é preciso revolucionar o ingresso nas Escolas Médicas

Para saber mais sobre o tema, veja esta outra crônica escrita há alguns anos aqui

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Forcinha

Um amigo próximo, que trabalha como professor universitário, certa vez me contou que estava em sua sala conversando com um colega de faculdade quando o telefone tocou. Era outro professor, mais antigo, que queria lhe pedir um favor.

– E aí, tudo bem? Preciso lhe avisar que hoje à tarde meu sobrinho fará entrevista para a vaga de residência e você estará lá para entrevistá-lo. Gostaria de lhe pedir uma atenção especial. Sabe como é, uma forcinha.

Meu amigo perguntou, de forma reflexa, o que ele entendia por “atenção especial” e “forcinha”.

– Ora, disse ele, você sabe muito bem ao que me refiro. Não “sacaneia” ele, só isso. A gente sabe o quanto estas avaliações são subjetivas. Não faça perguntas difíceis e nem o coloque contra a parede. Você sabe como funciona: uma mão lava a outra. Não esqueça que você mesmo precisou de ajuda para chegar onde está agora.

Meu amigo ficou sem saber o que dizer, mas lembrou ao seu colega que não havia recebido nenhuma ajuda para alcançar seu posto. Pelo contrário, não tinha parentes acadêmicos que pudessem interceder por ele nem mesmo para pedir uma “forcinha”. Foi admitido por seus méritos, concurso e um currículo construído com muito esforço.

Isso deixou o velho professor ainda mais indignado.

– Olha, eu não inventei as regras. Todo mundo sabe como estas coisas funcionam, desde que o mundo é mundo. Não estou lhe pedindo nada demais, apenas um favor pessoal, um cuidado especial com um sobrinho meu. Um dia poderemos estar em posições opostas e você poderá precisar de uma ajuda minha. Custa alguma coisa ter um pouco de coleguismo?

Meu amigo não sabia o que dizer. Despediu-se do velho professor com a promessa de não “pegar pesado” e comentou o caso com seu colega ao lado. Este, abriu a pasta dos candidatos, pegou a avaliação do pretendente à vaga, coçou a cabeça e disse, quase sussurrando:

– Bem, se a nota da entrevista for máxima, somando com o currículo e a nota da prova, daí…

Meu amigo interrompeu bruscamente a fala do seu colega e exclamou:

– Não tenho saúde para mais de uma decepção ética por dia. Não ouse insinuar isso, por favor.

Ele guardou as avaliações de volta na pasta e não mais falou desse caso. Meu amigo conta até hoje que por “sorte” as notas do rapaz eram fracas e nem mesmo uma nota excepcional e irreal faria o jovem se classificar. Entretanto, para esse amigo este dia ficou marcado como a primeira de uma série de frustrações em sua carreira acadêmica.

Minha ingenuidade me fez perguntar se não havia como denunciar, ao que ele sorriu e explicou que isso significaria dar adeus à sua vida na Academia. Ninguém acreditaria em sua palavra contra a versão de um velho catedrático e sua denúncia seria inútil.

Lembrei da negativa de atendimento à uma urgência obstétrica feita por uma anestesista e concordei pois, também nesse caso, a única pessoa que poderia ser punida por denunciar seria eu mesmo.

Resta a tristeza e a impotência de ver que estas condutas ainda estão longe de serem consideradas “coisas do passado”

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Imprensa e miséria

O Brasil tem mesmo um jornalismo miserável. Quando o Queiroz refugou ao dizer o nome do hospital em que estivera internado um jornalista de verdade perceberia a manobra e pularia imediatamente no seu pescoço para colocá-lo em contradição. Com duas ou três perguntas faria ele gaguejar e se perder. Ele se entregaria sozinho, apenas com a exposição de suas mentiras.

O que fez a entrevistadora? Nada, deixou passar. Apenas disse “ok”…

Aliás, todo mundo sabia de antemão que a desculpa oferecida por Queiroz seria furada e mentirosa. Todo mundo brincava com a versão que seria apresentada, mesmo que todos saibam que é uma fraude para acobertar a “rachadinha”, manobra típica do baixo-clero

Certamente que o judiciário – como Moro já sinalizou – deixará por isso mesmo e aceitará como verdadeira a versão. Por que haveríamos de duvidar da palavra de Queiroz? Se ele diz que foram carros então está encerrado o caso. Talvez pague uma multa por sonegar, mas é certo que diante do “grande acerto nacional” – com o supremo, com tudo – nada será feito para ir adiante nas investigações.

No fim teremos mais uma farsa grosseira para colorir o grande golpe aplicado contra a democracia

Pior, ainda nossa imprensa chapa-branca acovardada não irá atrás dos carros vendidos e comprados, dos recibos e dos supostos compradores e não investigará um por um os funcionários do gabinete.

Nosso jornalismo de grande imprensa é uma fraude.

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Entrevista

Tv interview

ENTREVISTA PARA O JORNAL EXPERIMENTAL ENFOQUE VICENTINA

Repórter Virginia Machado

Entrevistado: Dr. Ricardo Herbert Jones

Formação e tempo de atuação na área

Trabalho atendendo partos há 32 anos, mas sou formado há 30. Terminei minha residência médica há 28 anos, em 1987, no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Já atendi por volta de 2 mil partos dentro do modelo humanizado. Faço parte da ReHuNa – Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – no Brasil, e sou apoiador de várias instituições em nível nacional e internacional de defesa do parto humanizado.

Doutor, quais as principais dúvidas que uma mulher tem quando entra em seu consultório?

As pacientes que nos procuram para atenção ao parto normalmente têm dúvidas quanto aos significados do modelo “humanizado”. Muitas ainda confundem este tipo de atenção com parto domiciliar. Para tanto eu costumo dizer que a humanização do nascimento se assenta sobre um tripé conceitual:

  1. O protagonismo restituído à mulher, sem o qual estaremos apenas “sofisti­cando a tu­tela” imposta milenarmente pelo patriarcado.
  2. Uma visão integrativa e interdisciplinar do parto, retirando deste o cará­ter de “processo bi­oló­gico”, e alçando-o ao patamar de “evento hu­mano”, onde os aspectos emocionais, fisiológicos, sociais, culturais e espirituais são igualmente valorizados, e suas específicas necessi­dades atendidas.
  3. Uma vinculação visceral com a Medicina Baseada em Evidências, dei­xando claro que o mo­vimento de “Humanização do Nascimento”, que hoje em dia se espalha pelo mundo in­teiro, funciona sob o “Império da Razão”, e não é movido por crenças religio­sas, ideias místicas ou pres­supostos fantasiosos.

Com isso a maioria das dúvidas fica atendida, pois elas percebem que não há uma relação necessária entre o conceito de “parto humanizado” e o local onde ele será realizado. Isto é, o parto pode ser humanizado ou não, independente se for no hospital, numa casa de parto ou no domicílio. Como afirmamos há mais de 20 anos, a humanização do nascimento é uma ATITUDE de respeito ao protagonismo da mulher, à visão integrativa e interdisciplinar e à medicina baseada em evidências. Para maiores esclarecimento leia em https://orelhasdevidro.com/2015/04/21/coincidencias/

O senhor como médico, percebe um aumento do número de mulheres jovens grávidas?

Não, exatamente o oposto. A idade da primeira gestação está por volta dos 30 anos. Hoje em dia são raras as pacientes de classe média que engravidam antes dos 30 anos. A imensa maioria das minhas pacientes de consultório se encontram na “quarta década”, entre 30 e 40 anos.

Quais as principais mudanças que o corpo feminino sofre durante a gravidez? E quais as principais mudanças psicológicas?

Todo o organismo da mulher – a mente e o corpo – se prepara para a gestação. Suas mamas aumentam, a circulação se altera, a quantidade de glóbulos vermelhos aumenta, o sangue circulante aumente por volta de 50% (principalmente o soro, o que produz uma “anemia fisiológica”), a bexiga fica mais sensível, os pés incham pelo aumento de líquido, o intestino fica mais lento pela ação dos hormônios e as mamas podem começar a produzir “colostro”, que é um precursor do leite extremamente rico em nutrientes, e que alimentará o bebê nos primeiros dias de vida. Para além dessas alterações fisiológicas ocorrem várias modificações gerais como sensibilidade aos cheios e gostos, alterações na temperatura corporal, sensações diferentes, desejos alimentares estranhos e muita sensibilidade emocional. Todas estas alterações são heranças de milênios de transformações adaptativas das mulheres ao período gravídico, e devem ser encaradas como fenômenos normais que as ajudam a superar os desafios das mudanças rápidas de seu corpo e suas emoções.

Qual a importância do parto normal para a mãe?

Diminuição dos riscos para a mãe e o bebê e uma preparação de ordem física, emocional, psicológica e espiritual para os desafios da maternagem. Como dizia a antropóloga Bárbara Katz Rothmann, “Parir não é apenas fazer bebês, mas fazer mães fortes e capazes para suplantar os desafios da maternagem”. Para além disso, o parto normal mantém a mulher na rota da fisiologia, o que a capacita a amamentar seu filho com mais facilidade. Esta atitude – amamentação livre – é o maior indicador de saúde para a criança na primeira infância. Se não fosse útil para tantas coisas, o parto normal já seria suficiente apenas por estimular um dos maiores elementos positivos de prevenção de doenças jamais criado: o leite materno.

Para o senhor como médico, porque acha que muitos profissionais optam pela cesárea?

A opção pela cesariana sem justificativas de ordem clínica ou psicológica produzem muitos problemas no mundo inteiro. Como pode ser visto pelas pesquisas relacionando morbimortalidade das alternativas – parto normal x cesariana – as cesarianas sempre produzem números piores. Além disso elas amplificam os problemas da saúde da mulher, em especial as questões relativas à sua saúde reprodutiva. Evitar o abuso de cesarianas é uma questão de saúde pública.

As discussões sobre parto humanizado se tornaram mais comuns, principalmente após a modelo Gisele Bündchen ter o filho dentro de uma banheira. Em casos de mulheres de comunidades carentes, como debater o parto humanizado?

Casas de Parto em São Paulo e Rio de Janeiro que pertencem ao Sistema Único de Saúde possuem piscinas próprias para aa atenção ao parto na água. Portanto, não existe nenhuma relação entre condições econômicas e partos humanizados (na água ou não) que não sejam ultrapassadas com criatividade e poucos recursos. Muito mais importante do que isso é vontade política, pressão social e força de vontade para imprimir as necessárias mudanças.

Uma das minhas entrevistadas foi maltratada por uma médica após se negar a lavar o cabelo depois de ter feito cesariana. Quais os principais mitos que as mulheres têm em função da gravidez?

Os mitos são explicações de causalidade que surgem em função de fatos cuja causa é de difícil explicação. Quando faltam palavras para determinar a origem de um fenômeno, os mitos são chamados para ocupar este lugar. Por outro lado, os mitos não são eternos; eles se modificam à medica que o conhecimento avança, dando lugar a novas mitologias que nos aliviam a tensão e a angústia do desconhecido. Os mitos de Deuses e Demônios deram lugar às mitologias contemporâneas ocidentais, como a “transcendência tecnológica”, que acredita que qualquer ação comandada pela tecnologia é superior e mais segura do que uma determinada pelo humano. Assim cabe à razão e à ciência desfazer lentamente os mitos que povoam ainda o imaginário social. Entre os mitos que existem na gravidez a maioria é feita por curiosidades, como o formato da barriga e o sexo do bebê, as azias e a criança “cabeluda”, as luas e o desencadeamento do trabalho de parto. Entretanto, alguns se mantém sem nenhuma clara evidência, como as proibições de lavar o cabelo depois do parto, pois estaria ligado à loucura. Esta mitologia era muito comum há 40 anos, mas hoje pouco se houve falar nas pacientes de classe média, com amplo acesso à informação. Portanto, desfazer os mitos é também função dos profissionais, sempre respeitando os referenciais e crenças de suas clientes.

Como o senhor acredita ser possível combater a violência obstétrica?

Com informação e justiça. Pacientes devem ter livre acesso às ouvidorias dos hospitais e aos conselhos profissionais para que possam relatar casos em que sua autonomia, liberdade e protagonismo foram ofendidos, assim como os casos de maus tratos ou desobediência às leis, como a negativa de aceitar acompanhantes no percurso do parto. Informação e disseminação de conhecimento sobre os direitos reprodutivos é o único caminho, mesmo sendo o mais longo e trabalhoso.

Uma pesquisa, divulgada em 2010 pela Fundação Perseu Abramo, apontou que uma em cada quatro mulheres já sofreu violência obstétrica. Porque o senhor acha que isso acontece no Brasil?

Falta de conhecimento de seus direitos básicos como cidadão e como pessoa em situação vulnerável, como uma grávida em trabalho de parto no hospital. Uma certa arrogância histórica de profissionais com formação que é insuficiente e falha – muitas vezes – nas questões da ética e uma complacência do setor público com as violências cometidas em instituições com poucos profissionais e excesso de clientes.

Quais principais dicas/conselhos o senhor daria para mulheres que estão grávidas, principalmente aquelas cuja gravidez não foi planejada?

Informe-se. Procure seus direitos. Encontre outras mulheres que estão gestantes e crie grupos de discussão e debate em sua comunidade: na Igreja, na escola, no clube de mães ou no posto de saúde. Procure profissionais ou hospitais que tenham assumido um compromisso PÚBLICO e explícito com a humanização do nascimento. Converse com médicos, enfermeiras e doulas sobre as possibilidades de parto humanizado na sua cidade, bairro ou distrito. Fale com o(a) vereador(a) da cidade (ou os deputados e senadores, em um contexto mais estadual e nacional) para a implementação de LEIS de estímulo à humanização do nascimento, como fiscalização do direito ao acompanhante, lei que protege as doulas, leis sobre violência obstétrica, etc.

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DEBATE – Debra Pascali-Bonaro

DOULAS AND ACTIVISM

Bilingual Version

Ok.. a quick response, I am in a very very busy time, so not the best to write all I would like to as my statement are in no way selling the doula short or in support of dis-respectful, or  bad practices.  Always the doula supports the woman to have her voice, to advocate for a safe, satisfying and I would add pleasurable birth, but she does this with respect.  Like water, it is very gentle one drop at a time, but it can also be a very strong force.  Water finds it’s path, sometimes going under, around, through the cracks, as doulas we find the way to help the woman advocate in many creative ways.  I find that a doula can be gentle, yet powerful in her support at the same time helping the woman to navigate in peace and love.  

We want women to be surrounded by the energy of harmony and peace.  To bring our activism to someone’s birth does not serve the woman or the team if we create negativity.  The Doula’s role is: To hold the space for every woman to have respect, dignity, and fully informed decision making, this is powerful!  We help the woman to advocate for herself.  We ask her how she feels?  We ask what she would like, does she need more time to think about her choices, there are many questions that help women to navigate her options in childbirth. We always want the woman to have her voice. To speak for someone is dis-empowering – to help her to speak is allowing her to find her power.  I work with doulas to learn this important skill and distinction.  The doula encourages her client’s advocacy and stands with her for her rights.  

When I take my doula hat off after the birth, I put on my activist hat and as an Activist I can speak up and speak out for change in many ways, no longer representing the client.     I work to find the way to have a discussion with caregivers, to discuss the evidence, listening – and working through our differences.  The path to change is bumpy and I acknowledge it is not always easy, but as doulas we can find creative ways to be heard, to make change one birth at a time as women take back birth. For in the end it is the woman’s voices that must be heard.  To have their choices honored.  

I have a passion for normal, undisturbed pleasurable birth.  I have been a part of working with providers and facilities in changing their practices and have always stood strong and proud to defend every woman’s right to optimal MotherBaby care as defined by the International MotherBaby Childbirth Initiative www.imbci.org .  I wish I could talk to those who feel that my comments were less than what they see as the doulas role, as I feel we would see that we are all standing for the same  values, standing for normal birth and  respectful care for women.  yet our tactics to achieve  it may be different.

It is a fine line to see how advocating for someone, vs helping them to advocate for themselves makes such a difference.  Mother’s will have to advocate for her baby and child for a lifetime, helping her claim this right and power at birth sets the stage for a powerful mother.  This is an important aspect of the doulas role.  Again this is in our scope of practice:

The doula advocates for the client’s wishes as expressed in her birth plan, in prenatal conversations, and intrapartum discussion, by encouraging her client to ask questions of her caregiver and to express her preferences and concerns. The doula helps the mother incorporate changes in plans if and when the need arises, and enhances the communication between client and caregiver. Clients and doulas must recognize that the advocacy role does not include the doula speaking instead of the client or making decisions for the client. The advocacy role is best described as support, information, and mediation or negotiation.

Sorry I have to get some rest, please let the doulas know I hear them, I am with them and I hope one day we can talk in person as these are hard issues to handle in email.

With love and gratitude,

Debra Pascali-Bonaro LCCE, BDT/PDT(DONA) our
Chair International MotherBaby Childbirth Initiative, www.imbci.org
DONA International Doula Trainer
Lamaze International Childbirth Educator
Visit my new web site www.debrapascalibonaro.com 
www.eatpraydoula.com
www.orgasmicbirth.com
www.globalbirthfair.com

A tradução é minha (Ric Jones) sobre uma comunicação pessoal com esta que é a doula mais famosa e experiente do mundo. Debra oferece treinamento de doulas em cinco continentes, é a produtora e diretora do documentário “Orgasmic Birth”, além de ser co-autora do livro com o mesmo nome em parceria com Elisabeth Davis. Debra estava voltando de um tour pela Europa e encontrou tempo para responder um questionamento meu sobre os “limites da ação das doulas e sua relação com o ativismo”. Abaixo a sua resposta:

Eu trabalho duro nos meus workshops para enfatizar a ideia de que a doula faz parte da equipe. A doula oferece respeito para a família e sua cliente, mas também deve respeitar toda a equipe de profissionais. Em minhas aulas eu pergunto como lidar com uma mulher que tem medo, que tem dificuldades e é desafiadora, e é claro que minhas alunas dizem que, nestas condições, a resposta é oferecer mais amor, compreensão e carinho. Então eu lhes pergunto: E sobre os prestadores de cuidados que também têm medo e dúvidas, mas que estão a trabalhar o melhor que podem? Creio que a mesma resposta se aplica, e devemos ter com eles a mesma consideração. Eu uso a analogia de que temos um sistema quebrado, um sistema disfuncional.

A maioria de nós sabe como boas pessoas podem ser abatidas em uma relação disfuncional, seja em sua família ou em seu trabalho. Eu afirmo que todos que vão para o trabalho em uma maternidade o fazem com o mesmo coração carinhoso com que vivem suas vidas. Precisamos reconhecer que há pessoas boas em um sistema quebrado, e vamos precisar de todas elas para curar o nosso modelo de saúde: Doulas, médicos, parteiras, enfermeiros, cientistas sociais, etc. Devemos trabalhar todos juntos para a mudança. Eu passo muito tempo nos meus workshops tentando mostrar com exemplos e com essa linguagem como é possível levar adiante esse modelo.

Também trabalhamos com a visão da DONA no que se refere à prática e ao código de ética:

http://www.dona.org/aboutus/code_of_ethics_birth.php
http://www.dona.org/aboutus/standards_birth.php

DONA deixa muito claro que as doulas não fornecem cuidados clínicos e descreve no item “Advocacy” como a doula NÃO deve falar pela cliente ou tomar decisões por ela. Mais uma vez eu gasto uma enorme quantidade de tempo nos meus workshops para esclarecer o que isso tudo significa em cada situação, e como pode parecer simples adicionar a nossa opinião em um caso, o que seria considerado uma “conduta médica”, como na situação de aconselhar uma mulher a não aceitar o tratamento que seu médico está propondo.

Em vez disso, doulas devem ajudar as mulheres a fazer decisões informadas e colaborativas, facilitando a comunicação positiva entre a mulher e sua equipe de atenção, para que possa acessar a informação que deseja ou necessita para tomar uma decisão informada.

Vocês todos sabem disso, por isso a questão agora é o que fazer com as doulas que estão a atravessar as linhas de ação, e trabalhando através de suas próprias dores para serem ativistas de uma forma prejudicial. 

Continuando…

Talvez não seja o melhor tempo para escrever tudo o que eu gostaria, mas de forma alguma minhas palavras são no sentido de diminuir as doulas, apoiar o desrespeito ou reforçar práticas inadequadas.  A doula sempre apoia a mulher para que ela tenha sua voz, na defesa de um parto seguro, gratificante e – eu gostaria de acrescentar prazeroso – mas ela deve fazer isso com respeito. Assim como a água, que é uma gota muito suave de cada vez, ela pode também ser uma força muito forte. Pois a água encontra seu caminho às vezes  por baixo, em torno de e através das fendas, e também as doulas encontram alguma forma de ajudar as mulheres de muitas maneiras criativas. Acho que uma doula pode ser suave, ao mesmo tempo em que é poderosa em seu apoio de ajudar a mulher a navegar em paz e amor. Queremos que as mulheres sejam cercadas pela energia da harmonia e da paz. Trazer o nosso ativismo ao nascimento de alguém não serve à mulher ou à equipe, se isso criar um clima de negatividade. O papel da doula mais importante é em garantir o espaço para que cada mulher seja respeitada, tenha dignidade e possa tomar decisões informadas, e isso é poderoso!! 

Nós ajudamos a mulher para que ela fale por si mesma. Nós perguntamos como ela se sente? Perguntamos o que ela gostaria, se ela precisa de mais tempo para pensar sobre suas escolhas? Há muitas questões que ajudam as mulheres a navegar em suas opções de parto. Nós sempre queremos que a mulher tenha sua voz. Falar por alguém é desempoderador – ajudá-la a falar é permitir que ela encontre seu poder. Eu trabalho com doulas para aprender essa habilidade importante e distinta. A doula estimula a defesa de suas clientes e fica ao lado delas pelos seus direitos.

Quando eu tiro meu “chapéu de doula” após o nascimento eu coloco meu “chapéu ativista”, e como ativista eu posso falar de mudanças em muitos aspectos, mas aí já não estou representando a minha cliente. Eu trabalho para encontrar o caminho para uma conversa com os cuidadores, para discutir as evidências, ouvindo e trabalhando através das nossas diferenças. O caminho para a mudança é acidentado e eu reconheço que nem sempre é fácil, mas como doulas podemos encontrar formas criativas de sermos ouvidas, de fazer mudanças “um nascimento de cada vez”, enquanto as mulheres tomam de volta seus partos. Porque no fim, é a voz das mulheres que deve ser ouvida; para terem honradas as suas escolhas.

Eu tenho uma paixão por partos normais, não perturbados e prazerosos. Tenho trabalhado conjuntamente com provedores e instituições no sentido de mudar suas práticas e sempre me mantive forte e com orgulho para defender o direito de cada mulher de ter um parto ótimo centrado na “mãebebê”, como definido pelo “International Motherbaby Childbirth Initiative” (IMBCI – www.imbci.org). Eu gostaria de falar diretamente com aqueles que sentem que os meus comentários são menos do que o que eles pensam como sendo o papel doulas, porque eu sinto que todos defendemos os mesmo valores, defendemos o parto normal e respeitoso para as mulheres, ainda que nossas estratégias para alcançá-lo possam ser diferentes. É uma linha muito tênue e difícil de perceber esta de defender as mulheres ou ajudá-las a que se defendam por si mesmas, e isso pode fazer uma grande diferença. Uma mãe terá que defender seu bebê e sua criança para o resto da vida; ajudá-la a reivindicar esse direito e esse poder já no parto pavimenta o caminho para uma mãe poderosa. Este é um aspecto importante do papel doulas. Novamente,é assim em nosso âmbito de ação:

A doula defende os desejos do cliente, como expresso em seu plano de parto, em conversas de pré-natal, e em discussões durante o trabalho de parto, encorajando-a a fazer perguntas ao seu cuidador e expressar suas preferências e interesses. A doula ajuda a mãe a incorporar mudanças nos planos, se e quando surgir a necessidade, e se esforça por melhorar a comunicação entre a cliente e o cuidador. Clientes e doulas devem reconhecer que o papel de defesa não inclui a doula falando no lugar da gestante ou a tomada de decisões no lugar dela. O papel de defesa é mais bem descrito como apoio, mediação, informações e ou negociação.

Desculpe, eu tenho que descansar um pouco, por favor, deixe as doulas saberem que eu as escuto, estou com elas, e espero que um dia possamos falar pessoalmente, pois  essas são questões difíceis de lidar à distância.

Com amor e gratidão,

Debra Pascali-Bonaro LCCE, BDT / PDT (DONA) nosso
Cátedra Internacional Mãe-Parto Iniciativa, http://www.imbci.org
DONA Internacional Treinador Doula
Lamaze Internacional educador do parto
Visite meu http://www.debrapascalibonaro.com novo site web
http://www.eatpraydoula.com
http://www.orgasmicbirth.com
http://www.globalbirthfair.com

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