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Espiritismo conservador

O CORAÇÃO DO MUNDO. No prefácio da obra escreveu Emmanuel: O Brasil não está somente destinado a suprir as necessidades materiais dos povos mais pobres do Planeta, mas, também, a facultar ao mundo inteiro uma expressão consoladora da crença e de fé raciocinada e a ser o maior celeiro de claridades espirituais do Orbe inteiro. O autor da obra esclarece, na introdução: Jesus transplantou da Palestina para a região do Cruzeiro a árvore magnânima do seu Evangelho, a fim de que os seus rebentos delicados florescessem de novo, frutificando em obras de amor para todas as criaturas.(…)

Sobre o conservadorismo espírita – pelo menos como absorvi na infância:

Estou nesse momento almoçando com minhas amigas chinesas olhando o mar da China e posso imaginar no horizonte a Coreia do Sul. Da conversa me surge a lembrança de que a obra ufanista “Brasil coração do mundo Pátria do Evangelho” é o que o espiritismo religioso tupiniquim mais produziu de semelhante ao nefasto sionismo. Na frase supra citada essa vinculação arrogante e pretensiosa fica constrangedoramente evidente: “Jesus transplantou da Palestina para a região do Cruzeiro a árvore magnânima do seu Evangelho, a fim de que os seus rebentos delicados florescessem de novo, frutificando em obras de amor para todas as criaturas“.

Nada pode ser mais inverídico e prejudicial ao Brasil do que ter uma crença como essa. A ideia de que o Brasil é o “coração do mundo” ou mesmo a “pátria” (????) do Evangelho me dá arrepios. Olho para as minhas amigas daqui e sinto vergonha de que ainda cultivamos a ideia de que somos superiores em algo, os escolhidos por Jesus (????), o povo que Deus escolheu. Por que deveriam os chineses ou os índios brasileiros se curvar a esse palestino? A ideia de ser diferente e superior só produz morte, miséria e devastação. Não me sinto em nada superior ou inferior a qualquer país ou cultura e jamais aceitarei que o Brasil está predestinado a algo de bom ou ruim. O Brasil sempre será o que fizermos dele. A China também.

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Cusparada

Jean cuspindo

A cusparada de Jean Wyllys em Bolsonaro no plenário ontem demonstra os limites claros que ele, Jean Wyllys, tem em relação à vida pública. Se é verdade que Bolsonaro é um fascista abjeto, também é verdadeiro que no plenário sua voz amplifica o desejo de milhares de pessoas a quem representa. Cuspir em um parlamentar é desdenhar da representatividade e daqueles que lhe delegaram seu voto. A defesa que Jean divulgou hoje diz que ele cuspiu em Bolsonaro ao ser chamado por ele de “veado”, “boiola” e “queima rosca”. Ora… agora uma agressão torpe e infantil justifica outra? O congresso é uma casa política ou a hora do Recreio de uma escola primária? Jean, neste episódio, apenas demonstra que não tem preparo para suportar com nobreza estas provocações…

O episódio da visita a Israel e os destemperos contra Bolsonaro apontam para o fato de que as boas intenções, a retórica e a cultura de Jean não são suficientes para o tornar um grande parlamentar. O destaque às suas posturas seria fácil diante da imensa incompetência desse congresso, mas o próprio Jean destrói suas possibilidades.

Cuspir em Bolsonaro exalta a vítima e rebaixa o agressor. Se existem alguns que acham que isso o coloca como um nobre combatente pelas minorias e contra os fascistas eu vejo nisso fragilidade e incapacidade para encarar com serenidade e respeito o contraditório. Tais atitudes rebaixam o debate político e dão um péssimo exemplo de incivilidade, o que é lastimável quando parte de um defensor da democracia e dos direitos das mulheres e gestantes.

Bolsonaro sai engrandecido desse episódio, mais uma vez, ao espertamente provocar as reações histriônicas de Jean Wyllys. Este precisa aprender a não se colocar como escada para que fascistas, racistas e canalhas possam subir perante a opinião pública.

Mas acho curioso esse tipo de defesa que fazem. Aliás, já escrevi e falei muito sobre isso. É aquela antiga tese: um cara matou um sujeito numa discussão. A polícia o prende e tortura. Ou mata. Ou espanca. Ou nega atendimento jurídico. Aí um tolo e legalista como eu diz: “”.

A resposta que sempre recebo: “ahhh, então tem que ser civilizado com um criminoso que matou a sangue frio?“. Outra muito comum: “Mas deveria ter pensado antes de matar. Agora sofra.” Ou então “Esse torturador – do criminoso preso – me representa.” Também se lê “Se fosse eu, faria pior“. Todos que assim atuam igualam-se aos criminosos que condenam.

Isto é: muitos acreditam que a simples vingança (cometer contra o agressor o mesmo crime do qual ele é acusado) é uma forma de justiça. Para mim, quem assim pensa e age, mostra que está muito mais perto do criminoso do que pensa. A diferença, muitas vezes, é apenas circunstância e oportunidade.

Infelizmente muitas pessoas caem na tentação de interpretar a minha crítica à atitude tola e imatura do Jean como um apoio ao facínora do Bolsonaro. Na verdade é o contrário. Percebi que o elogio ao Ustra foi premeditado por ele de forma cuidadosa para provocar os despreparados… e fiquei morrendo de raiva ao perceber que o estratagema (de novo) funcionou.

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