Arquivo da categoria: Política

Empatia

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A primeira vez que me deparei com essa perspectiva foi há muitos anos quando li a história de um sociólogo americano que foi estudar as comunidades negras e latinas do Harlem, em Nova York, e sua vinculação com o crime. Seu interesse era saber quais as razões levavam os jovens a entrar no mundo do tráfico  de drogas.

Sua resposta a esta pergunta me chocou pela simplicidade. Ao invés de elencar as conhecidas explicações educacionais, familiares, morais etc. ele respondia com outra pergunta: “Por que deveriam eles NÃO entrar para este mundo?

O que ele testemunhou foi um universo de valores muito semelhante aos que controlavam nosso mundo branco e de classe média. As pessoas daquele espaço amavam, sofriam, cantavam, choravam, tinham ciúme e inveja e sonhavam como todos os humanos. Entretanto, ao contrário dos outros, eram marginalizados por não ter acesso ao consumo. Em uma sociedade em que a cidadania é constituída pela capacidade de consumir seu estatuto de pessoa era frágil, tornando-os sujeitos à margem.

Sim, marginais.

Nesse contexto, por que não aderir a uma proposta que poderia lhes oferecer acesso ao mundo do consumo, dando-lhes a possibilidade de ser, em fim, cidadãos?

“Mata!!”

“Bandido!!”

“Deixa apodrecer na cadeia!!”

Das virtudes humanas a que anda mais escassa é a empatia. Tão ocupados estamos com a periferia de nossos próprios umbigos que pouco tempo sobra para nos preocuparmos com a dor e o sofrimento alheios.

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Ordem Natural

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Se você espremer um direitista conservador neoliberal, cheio de convicções sobre a desonestidade de Lula, o “estrago petista” na economia ou a “corrupção sistemática” (que foi invenção do PT) em poucos minutos a máscara cai e o que aparece por baixo dela é a inconformidade explícita contra qualquer elemento que promova um reordenamento social. Essa ordem renovadora ofende e desafia as mentes mais simplistas que não suportam qualquer mudança nos planos que lhe oferecem conforto. Para muitos, como Janaína, estes não são nada mais do que os “planos de Deus” para nós.

Em outras palavras, o novo paradigma se impõe contra a “ordem natural”. Por isso mesmo tanto defendem o homem destinado apenas para a mulher, filhos, família, propriedade, tradição, meritocracia, livre iniciativa, estado mínimo etc. Não são modelos apenas, limitados pelo espaço e pelo tempo. Não, eles são o mapa que Deus desenhou para nós, o único caminho possível.

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Lawfare

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LAWFARE é um mecanismo que utiliza a lei de forma viciosa para condenar inimigos políticos, fazendo parecer que as perseguições abjetas e covardes tenham a aparência de simples “aplicação dura das leis”. Para isso é preciso usar os poderes à disposição para destruir o SUJEITO e desta forma atingir a MENSAGEM.

A humanização do nascimento é a MENSAGEM libertadora para milhões de mulheres sem voz e que sofrem todo tipo de violência no parto. Entretanto, ela incomoda muitos profissionais que se beneficiam do modelo atual, que objetualiza e coisifica gestantes. Por isso profissionais que se rebelam contra o abuso de cesarianas e procedimentos anacrônicos e abusivos estão sendo vítimas de LAWFARE. Como eu.

E como Lula sofre todos os dias.

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Lawfare

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Lawfare é uma palavra inglesa que representa o uso indevido dos recursos jurídicos para fins de perseguição política. Neste sentido, a lei é utilizada como uma espécie de “arma de guerra”, o que permite o uso de um instrumento jurídico com afeição política.

Lula, juízes garantistas e obstetras humanistas são perseguidos pela justiça e pelos seus pares, no caso dos obstetras, a corporação médica. A perseguição contra os médicos humanistas se insere como um capítulo negro na longa crise da obstetrícia brasileira que, sem capacidade de justificar a barbárie das cesarianas descabidas e outras tantas práticas anacrônicas, prefere atacar os médicos que se posicionam contrários a esta prática. No final, atira-se no mensageiro para atrasar a chegada da mensagem. Infelizmente para eles essa estratégia não dura muito tempo, e a verdade por fim se torna a única possibilidade de avanço.

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A Destruição da Política

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O discurso destrutivo contra a política e os políticos nós reconhecemos facilmente nas ditaduras militares da minha juventude e nas ditaduras midiáticas contemporâneas.  Berlusconi, Doria, Trump e tantos outros “anti-políticos” são o resultado direto da desmoralização da política pelas forças conservadoras, com o discurso raso de que “os políticos são todos uns ladrões” e com a concepção tosca de que os cidadãos comuns (eu e você) somos mais honestos do que eles. Uma busca rápida e superficial de nossa própria consciência prova exatamente o contrário.

Os políticos são o espelho dos valores sociais medianos, o campo simbólico por onde todos circulamos. Não nasceram em outro planeta e seguem os mesmos valores do que nós. Pior, ao atacar a política e seus atores, criamos a falsa noção de que o empresariado e seus sequazes são “honestos”, “dinâmicos” e “progressistas”, quando na verdade são tão corruptos e virtuosos quanto qualquer outro sujeito social, mas que governarão a partir de seu especial viés de lucro e de capital. 

A tentativa de destruir a política e aniquilar a representatividade social se alinha com os piores movimentos fascistas e autoritários que conhecemos, de hoje e de sempre.

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Demonização da Política

Caros amigos. Por mais que esteja ocorrendo um desmonte dos partidos no Brasil ainda acredito que a saída para nossos desacertos está nos partidos. A melhora do Brasil não vai passar pela demonização de políticos e agremiações partidárias. Podemos tomar como exemplo o trauma na Itália com a ascensão de Berlusconi, um empresário de televisão e futebol. Aqui no Brasil, Doria em São Paulo foi a resposta inicial, mas tem muita coisa pior sendo gestada, como Dr Rey e Roberto Justus (lembrem que Trump, no início, era considerado uma piada). O pior dessa equação é a crença fantasiosa de que os empresários, ao contrário dos políticos, são honestos, dinâmicos e trabalhadores. Basta ver o calote bilionário das empresas e as linhagens familiares do empresariado para ver que isso é falso.

Precisamos de BOA política, clara, transparente, com controle social e com propostas fáceis de entender. Não é destruindo os partidos e sua representatividade, e colocando um patrão para nos controlar que vamos mudar a imagem do Brasil.

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Moro e Aécio

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“Você não vê problema algum em um juiz confraternizar com políticos delatados na Lava Jato, operação a qual o juiz Moro lidera, certo? Diga pra mim, moço inocente, se você encontrasse um juiz criminal em um churrasco na Rocinha confraternizando com traficantes (ou acusados de tráfico) daquela comunidade não acharia estranho ou comprometedor? Não? A diferença está no preço dos ternos, na boca livre que vem depois (com champanhe e caviar) e na brancura da pele dos convidados? Sim?

QUAL A DIFERENÇA??

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Lava Jato e os Limites da Lei

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Com todo o respeito, e com toda a pipoca de quem assiste a bandidagem digladiar, acabar com os crimes da Lava Jato é uma obrigação republicana. A pressão inadequada sobre juízes e promotores – como está no texto – é OUTRO erro, mas surgiu para retaliar os desmandos de um juiz insano e irresponsável, que com seu messianismo está destruindo a economia do país e criando desconfiança do cidadão no sistema Judiciário.

Como você justificaria, dentro do estado democrático do direito, a barbárie da condução coercitiva de Lula (as vésperas de ser nomeado ministro), divulgação das conversas de uma presidente – de forma ILEGAL – perseguição a um partido e vistas grossas ao seu (o PSDB), prisões preventivas ilegais, tortura psicológica de presos, delações sob constrangimento, grampos telefônicos de advogados de Lula (!!!!) e tantos outros delitos menores que esse juiz protagonizou?

Como imaginar que esse assalto ao direito e tal insulto à democracia não recebesse uma resposta à altura dos que estão ameaçados mas também dos que lutam pelos valores máximos de um estado que preza a justiça?

Estamos de acordo que os abusos estão em ambos os lados, operadores do direito e legislativo, mas veja bem: quem poderia suportar a tirania de um juiz sem reagir? Claro que o resultado seria uma série de artimanhas jurídicas para proteger o legislativo, cheio de corruptos e aproveitadores, mas tal reação só ocorreu porque o Sr Moro ultrapassou TODAS as barreiras da decência e da legalidade. Tivesse ele colocado limites em seu messianismo e controle sobre sua vaidade pessoal e não tivesse buscado com tanto afã uma vingança partidária e nada disso seria necessário. Digo isso do alto da poltrona e da pipoca: só assisto consternado legislativo e judiciário batendo boca como lavadeiras, onde todos tem o rabo preso.

“Mais perigoso, porém, que o uso estratégico da corrupção, é o tratamento dispensado ao chamado “combate à corrupção”. Por mais que possa parecer absurdo ou até mesmo contraditório, esta expressão vem se revelando uma seríssima ameaça aos direitos fundamentais, tendo se convertido em um verdadeiro Cavalo de Tróia do Estado de Direito moderno. É de todo óbvio que a corrupção destrói a confiança que torna possível o sistema representativo e solapa as bases do Estado Democrático de Direito, na medida em que subtrai os meios financeiros indispensáveis à realização dos direitos fundamentais. Contudo, a gravidade do ato de corrupção – à semelhança de outros comportamentos odiosos, que merecem o mais veemente repúdio da sociedade – não pode, jamais, justificar o desrespeito ao Direito e, sobretudo, o amesquinhamento de direitos fundamentais.” (Juiz Federal Silvio Rocha)

O golpe legislativo e a mordaça aos juízes e promotores se tornou natural. Como foi dito, as “lavadeiras” estão se xingando, mas o que se poderia esperar de resposta quando um juiz vira “justiceiro” e destrói as barreiras da ética e da lei em nome de um salvacionismo medieval?

Estamos de acordo que as manobras para amordaçar o MP e o judiciário foram feitas em causa própria, mas precisamos entender a origem da insegurança desses sujeitos. Quando o judiciário não é mais confiável sobrevém a destruição do Estado.

Os processos do Renan não estão “engavetados” como foi dito por alguns, querendo com isso justificar os desmandos da Lava Jato. Estes processos estão ativos e começaram a ser julgados. Nada foi descartado. Contudo, isso não significa que eu confie no STF, avaliador do golpe junto com esse parlamento que agora mostra sua verdadeira face. Foi golpe… e foi para barrar a Lava Jato.

Esse é o drama da República: achar que o combate à corrupção vale tudo – fins justificando meios – e com isso tendo como possível consequência o desmantelamento do Estado.

Eu de minha parte acredito ser coerente deplorar tanto as manobras dos parlamentares que objetivam livrar-se de apuros com a justiça quanto os desmandos de um juiz demagógico, partidário e megalomaníaco.

Por que não uma Lava Jato justa e dentro dos limites da lei?

Moro é um megalomaníaco que foi desmascarado pelos próprios colegas do judiciário. Ninguém pode aceitar que o desrespeito às leis e à constituição possam ser benéficos para um país. Repetindo: Moro estaria PRESO se tivesse feito o que fez na Europa ou nos Estados Unidos. Seus crimes são graves e não é preciso citá-los de novo, mas grampear telefones de advogados e colocar escutas em celas já seria suficiente para encarcerá-lo. Seu messianismo embasado no ódio contra as esquerdas (nenhum político do partido que seu pai fundou é perseguido) demonstram a visão parcial de um sujeito desonesto e vil. A corrupção não é um mal que pode ser combatido com ilegalidades, falsidades e violência. Ela é um mal sistêmico que só pode ser extirpado com uma reforma política profunda que inclua barreiras ao financiamento privado de campanhas e o loteamento dos governos.

Não são as pessoas corruptas o problema, e essa é a principal TOLICE ingênua na qual incorrem os que querem prender corruptos e saciar sua sede de vingança. A corrupção está entranhada no proceder político pois sem ela o poder não se sustenta. O mensalão que existiu em TODOS OS GOVERNOS é a prova cabal da injustiça de culpar partidos em detrimento de outros, mas o mensalão sempre foi uma forma de sobrevivência dos governos. Moro é a CONTINUIDADE da corrupção pois sua luta é para destruir um partido e é um líder, e seu fracasso em atingir Lula já seria suficiente para ser esquecido pela história. Seu salvacionismo nacional canhestro levará o Brasil à ruína com a quebra das empresas, e isso talvez seja o mais importante de sua tarefa macabra: entregar um país quebrado nas mãos dos seus patrões americanos. É isso mesmo que queremos? Um país destruído e apenas trocando moscas? Moro é o que de pior existe no terreno da Justiça. Quando ela apodrece por corrupção (sim, seu trabalho contra um partido é um ato corrupto) sobrevém a barbárie da destruição do Estado.

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Vendilhões do Templo

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Comentários da China Não tenho e nunca terei qualquer simpatia pelos vendilhões do templo, por sujeitos que exploram a fé dos pobres, dos deserdados e dos miseráveis como Malafaia, Cunha, os sionistas cristãos – como Edir e Everaldo – e toda a malta de religiosos de direita fundamentalista que emporcalham a política e a sociedade brasileira. Entretanto, não me associo à turba que se diverte vendo as cenas grotescas que envolveram a prisão arbitrária de Garotinho no Rio de Janeiro. Todavia, eu preciso aprender que a IMENSA maioria das pessoas se diverte quando o inimigo é injustiçado ou tratado como um animal, mesmo que os meios para que tal fato ocorra sejam ilegais ou manipulados. Entretanto, estas mesmas pessoas que dão gargalhadas com as cenas burlescas de um ex-governador sendo encarcerado, vão achar um absurdo quando o raio da prepotência cair sobre suas próprias cabeças. Ser justo e correto com os bons é fácil; difícil é ser justo com quem não gostamos, quem deploramos ou quem desprezamos. Aqui, na linha tênue que separa as emoções da razão fria, é que se distanciam o juiz e o justiceiro. O que vemos hoje no Brasil é uma justiça dos inimigos, onde pessoas com claro partidarismo procuram fazer justiça com as próprias mãos, imaginando que isso porá um fim aos desmandos e à corrupção. Como poderia ser isso verdadeiro se as próprias ações do judiciário agridem a constituição e são, por si só, mais um desmando institucional? Pois quando a polícia botar um pé na porta da sua casa batendo, espancando, torturando, desrespeitando direitos básicos por desconfiar que aquela bandeira do América é na verdade comunista…. quem sobrará para rir da nossa tragicomédia cotidiana? Eu respondo para você: os de sempre. Os donos da rinha, que se divertem vendo os pobres galos se matando, uns aos outros, para o deleite dos poderosos.

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Nossa Política

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Podem me xingar e me odiar, mas não podem me acusar de ser indeciso ou vaselina. Eu tenho lado e assumo minhas posições. O meu lado está claro: sou contra o arbítrio, contra a opressão, contra o golpe, contra Temer et caterva, contra os fascistas, contra juízes com partido, contra os MARAJÁS do judiciário, contra a corrupção (e não apenas contra alguns corruptos), contra a tortura e as prisões ilegais, contra delações premiadas sob tortura, contra perseguições imorais, contra… o linchamento de reputações, contra a homofobia, contra o sexismo (em especial a misoginia), contra o racismo, contra a bancada evangélica, contra a perseguição aos artistas, contra o partidarismo da Lava Jato, contra os evangélicos fanáticos do MP, contra as mentiras que acusam as esquerdas e contra todos os profissionais de qualquer formação que NÃO sabem usar powerpoint, não sabem a diferença de Engels e Hegel e que se ajoelham em igrejas evangélicas pedindo apoio às propostas fascistas das ” contra a Constituição”.

Pergunto: Você não vê problema algum em um juiz confraternizar com políticos delatados na Lava Jato, operação a qual o juiz Moro lidera, certo? Diga pra mim, moço inocente, se você encontrasse um juiz criminal em um churrasco na Rocinha confraternizando com traficantes (ou acusados de tráfico) daquela comunidade não acharia estranho ou comprometedor? Não? A diferença está no preço dos ternos, na boca livre que vem depois (com champanhe e caviar) e na brancura da pele dos convidados? Sim? QUAL A DIFERENÇA??

“Eu não estou em cima do Muro, mas não aceito estar abaixo do Moro”.

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