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Evangelismos

A atuação das igrejas evangélicas (as outras muito menos) foi fundamental para criar entre a ralé (e aqui uso “ralé” na concepção de Jessé Souza – os despossuídos, o lúmpen, os esquecidos) um sentimento conservador, antipetista, antigay, retrógrado e alienante que atua contra seus próprios interesses e direitos.

Não me parece esdrúxula a tese de que a ralé é o principal mercado do evangelismo nacional e de que a mensagem veiculada pelos governos petistas de união das classes desprivilegiadas através das medidas de inclusão social COMPETIA com o messianismo das igrejas, roubando para a militância política e social os fiéis que aguardavam na fila longa e incerta da graça divina. O PT ao diminuir a miséria e a fome, dar esperanças e consumo para as classes baixas, encher o aeroporto de pessoas que só viam aviões na TV ou no céu e triplicar o número de negros na Universidade ofereceu uma via de realização que se chocava com o mercado da graça, a salvação pela fé e o comércio do dízimo. Isso enfureceu os grandes “missionários”, sendo Malafaia e Edir apenas os exemplos mais contundente.

Isso pode explicar os discursos odiosos e vingativos do “bispo” Malafaia contra o PT e as esquerdas, a evidente (e natural?) vinculação com os setores capitalistas do boi e da bala, e suas ligações com o poder de Israel. O estado laico é mais do que uma obrigação civilizatória; ele representa a luta contra formas sutis de alienação mental representadas por grandes vertentes do evangelismo de direita no Brasil e no mundo.

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Vendilhões do Templo

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Comentários da China Não tenho e nunca terei qualquer simpatia pelos vendilhões do templo, por sujeitos que exploram a fé dos pobres, dos deserdados e dos miseráveis como Malafaia, Cunha, os sionistas cristãos – como Edir e Everaldo – e toda a malta de religiosos de direita fundamentalista que emporcalham a política e a sociedade brasileira. Entretanto, não me associo à turba que se diverte vendo as cenas grotescas que envolveram a prisão arbitrária de Garotinho no Rio de Janeiro. Todavia, eu preciso aprender que a IMENSA maioria das pessoas se diverte quando o inimigo é injustiçado ou tratado como um animal, mesmo que os meios para que tal fato ocorra sejam ilegais ou manipulados. Entretanto, estas mesmas pessoas que dão gargalhadas com as cenas burlescas de um ex-governador sendo encarcerado, vão achar um absurdo quando o raio da prepotência cair sobre suas próprias cabeças. Ser justo e correto com os bons é fácil; difícil é ser justo com quem não gostamos, quem deploramos ou quem desprezamos. Aqui, na linha tênue que separa as emoções da razão fria, é que se distanciam o juiz e o justiceiro. O que vemos hoje no Brasil é uma justiça dos inimigos, onde pessoas com claro partidarismo procuram fazer justiça com as próprias mãos, imaginando que isso porá um fim aos desmandos e à corrupção. Como poderia ser isso verdadeiro se as próprias ações do judiciário agridem a constituição e são, por si só, mais um desmando institucional? Pois quando a polícia botar um pé na porta da sua casa batendo, espancando, torturando, desrespeitando direitos básicos por desconfiar que aquela bandeira do América é na verdade comunista…. quem sobrará para rir da nossa tragicomédia cotidiana? Eu respondo para você: os de sempre. Os donos da rinha, que se divertem vendo os pobres galos se matando, uns aos outros, para o deleite dos poderosos.

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Xiitas

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Apenas para destacar um pensamento sobre a construção do campo simbólico e o fluxo incessante de valores e conceitos que transitam pelas palavras.

“Já fiz comentários xiitas no passado, e hoje em dia sou muito mais comedido.(…) Achei demais e penso que isso merece um contraponto.”

PS: Usei a palavra “xiita” apenas para dar continuidade ao argumento anterior, mas – mea culpa, mea máxima culpa – acho que ela precisa ser abandonada. Os xiitas são um ramo do islamismo, assim como os Batistas e Luteranos o são do protestantismo. Chamar de “xiitas” alguns radicais e intolerantes apenas porque alguns xiitas o foram no passado (e alguns ainda são) é o mesmo que chamar homofóbicos de “evangélicos”, apenas porque Malafaias e Felicianos assim se comportam. “Fulano tem um comportamento evangélico contra as minorias” soa agressivo, não lhes parece? Pois assim os xiitas devem se sentir quando conectamos sua religião ao extremismo fundamentalista.

Nossas expressões contribuem para a vilificação do Islã, um tratamento injusto, cruel e violento com essa cultura. A construção da islamofobia também se faz através destas expressões corriqueiras, assim como construímos o medo do parto ao dizer que tal trabalho “foi um parto” e banalizamos a cesariana ao dizer “parto cesárea”. Atenção e vigilância com a forma de se expressar é importante para quem deseja mudanças na cultura, mas sem apelar para o “abuso de correção”.

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Fé inabalável

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E agora?

Eu achei que ele foi muito mais coerente do que ela….

Seus argumentos foram muito mais sólidos e precisos, mesmo carecendo de substância. Ela foi apenas indignação. Compreensível, mas desordenada. Aliás, ela ainda conseguiu ser mais arrogante do que ele. Entretanto, dentro da lógica específica que ele utiliza, que se baseia na observância cega de preceitos religiosos e uma leitura enviesada de textos “sagrados”, seus argumentos fazem sentido.

Minha pergunta é: como pode alguém ser condenado por desenvolver, disseminar ou abraçar uma crença, por mais estranha que possa parecer? Como pode alguém ser perseguido por acreditar que determinado comportamento, seja qual for, é deletério, baseado tão somente na sua fé? Como coibir uma visão discriminatória do mundo, que – mesmo que não estimule a violência – estabelece que determinadas condutas humanas são pecaminosas?

Tenho uma amigo meu que criou uma teleologia na qual a figura do anticristo (ou demônio) assume um papel preponderante, alinhado com as doutrinas dualistas contemporâneas. Mais além de ressaltar a figura de Satanás ele afirma que o anticristo JÁ teria nascido (ou reencarnado) e que escolheu a Argentina como país de nascença. Nosso vizinho do Prata seria a base de ação de sua doutrina e onde ocorreria a disseminação de seu anti-evangelho. Meu amigo não apresenta nenhum dado coerente para justificar essa crença, apenas sua fé cega nos “sinais” que captou do infinito cósmico. Criou, por sobre essa crença básica, uma série de entrelaçamentos fáticos que se correlacionam uns com os outros, fazendo sentido e lhe oferecendo confiança na correção de seus postulados.

Argumenta por sobre gráficos, coincidências de datas, signos, efemérides, números que se repetem. Se você reconheceu nessa descrição o filme “Uma Mente Brilhante“, meu caro amigo é uma espécie de equivalente tupiniquim do gênio da matemática John Nash. Para quem está dentro daquele sistema lógico, fechado e coerente, tudo faz sentido. Para quem está de fora, trata-se de uma confusão incoerente e inaceitável.

Se é possível criticar os postulados, com base em dados, fatos, ciência, observação e análise aprofundada das evidências, eu acredito ser impossível condenar alguém cuja crença o levou a pensar dessa forma. Portanto, não se trata de combater suas ideias, porque para a sua crença as críticas não fazem sentido, já que não levam em consideração sua lógica pessoal, subjetiva, e que se baseia em elementos irracionais.

Minha posição é de que uma CRENÇA não é passível de julgamento, pois que é fruto de uma visão pessoal e subjetiva do sujeito que a adota. Para que ela seja combatida, é necessário que ela se solidifique em AÇÃO. Desta forma, eu continuo acreditando que a autonomia para pensar de forma bizarra deve ser preservada, desde que respeite os limites estabelecidos pela lei. A liberdade de criar uma visão pessoal para o sentido do universo (se é que ele existe) é muito mais importante do que a correção dessas ideias. Afinal, o que nos parecia bizarro e incoerente até poucas décadas, agora estava sendo defendido apaixonadamente pela loira de olhos azuis…

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