Arquivo da categoria: Política

Esquerda caviar

Marx

Critica interessante: “Golpe é a CUT usar dinheiro dos trabalhadores para fazer manifestações, enquanto a esquerda caviar não se importa com o golpe que o governo atual deu nos pobres”

Mas então eu pergunto: a CUT deveria usar o dinheiro de QUEM para defender os trabalhadores?????? Quem são os que acusa de serem “esquerda caviar”? Talvez esteja se referindo às pessoas de classe média (como eu) que pensam além do próprio umbigo e lutam para que TODOS tenham uma vida digna, e não apenas seu pequeno círculo de amigos ou sua corporação. Além disso, o governo pode ter cometido erros (mas duvido que saiba apontá-los e oferecer-lhes alternativa), porém não serão resolvidos com um golpe de estado promovido por notórios corruptos.

Admita: nunca foi a corrupção e lhe mobilizar a indignação. O que lhe dói, machuca e indigna é o fato de que sua sensação de riqueza e superioridade de classe se desmancha quando os pobres dividem uma fila de aeroporto ou a sala de classe de uma Universidade. Como disse Danuza Leão “Paris perdeu a graça quando o porteiro do meu prédio também viajou para lá”, e o fim dessa exclusividade de classe é percebida como uma perda.

Não, não é a corrupção que os escandaliza. É a própria democracia e sua incipiente conquista de equidade o que tanto horroriza uma classe média que se julga superior.

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Arquivado em Política, Violência

Com quem andas?

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Sempre tive curiosidade em perguntar às gerações que me antecederam como meus parentes se posicionaram diante dos grandes dilemas que ocorreram em suas vidas. Assim, eu pedi para o meu avô me explicar onde ele estava quando nazistas massacravam judeus na Alemanha ou na Polônia. Pedi também ao meu pai para me contar como se portou diante do golpe de 64 ou antes, no pré-golpe de 54. Essa é a resposta que um dia darei quando meus netos me perguntarem se eu sabia do genocídio e limpeza étnica da Palestina. Minha resposta será “sim”, eu sabia e denunciei o quanto pude. Também denuncio agora as cesarianas abusivas, a violência obstétrica e o golpe midiático-jurídico em curso.

Quando lhe perguntarem de que lado você se colocou quando a democracia foi ameaçada, diga se ficou ao lado de Cunha, Temer, Bolsonaro, Renan e Alexandre Frota ou se permaneceu firme ao lado do estado democrático de direito.

Eu estarei ao lado de Veríssimo, Lula, Leonardo Boff, e de todos que lutam para manter de pé a nossa frágil e juvenil democracia.

“Diga-me com quem andas…”

Aconteça o que acontecer, hoje é um dia de muita tristeza, que será lembrado com muita vergonha no futuro.

Será através da barbárie. Mas a culpa final recairá sobre as pessoas tolas que desdenham da democracia. Por causa delas é que muitos sofrerão nos atos que se seguirão ao golpe. Pessoas que por pura estupidez (ou uma ingênua antipatia com um governante) e teleguiados por notícias plantadas pela mídia – Friboi, jatinho, Triplex, sítio, pedalinhos, barco de lata, pedalada – associam-se a criminosos conhecidos e fascistas assumidos, com o sórdido objetivo de ganhar um governo na marra e na “mão grande”, por obra de ladrões e canalhas que zombam das conquistas sociais e da ordem democrática republicana.

Essa massa estupidificada de verde amarelo será a primeira a chorar quando o peso da falta da democracia cair sobre suas cabeças. No primeiro pé na porta da polícia invadindo sua casa lembre-se que a garantia de respeito ao estado de direito lhe foi tirada pelo seu ódio a Lula, e o que ele representa no mundo todo como líder dos pobres, além da sua negligência que permitiu Cunha se livrar das grades e chegar ao poder.

A culpa não é do congresso. A culpa é sua.

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Bater panela

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“Vocês só batem panela contra Lula e Dilma. Não tentem passar a imagem de que se escandalizam com a corrupção. Se isso fosse verdade estariam horrorizados com a possibilidade de Temer e Cunha comandarem o Brasil. Sua postura reforça o absurdo de ver uma presidente honesta ser expulsa sem ter cometido crime algum, admitindo que canalhas e escroques assumam o poder no Brasil. Pois VOCÊS serão responsáveis perante a história por um golpe comandado por interesses internacionais e pela grave crise que se avizinha.

Quem vai se sentir obrigado a cumprir as leis se o Cunha assumir a presidência?”

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Complô

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O PT é vítima de um complô?

Não exatamente. É vitima apenas de um golpe jurídico-midiático unindo Globo e PIG de um lado e o braço jurídico do PSDB do outro através da justiça seletiva do Sr Moro. Mas vítimas nunca são sujeitos, são sempre objetos. Por isso o PT não é vítima, mas elemento deflagrador das transformações necessárias que elevaram o país à condição de nação protagonista. Cometeu inúmeros erros e pagará por eles, assim como recebeu o devido reconhecimento por acabar com a fome no país e resgatar milhões da miséria.

Vítima? Negativo… o PT foi responsável pela grande transformação política que este pais atravessou. Os negros na Universidade e os pobres que podem sonhar jamais esquecerão isso. As Jéssicas de todos os cantos deste país estão nas ruas e vão mudar a história do Brasil.

Neste episódio todos nós fomos derrotados. O golpe não é a tentativa de impeachment; ele é só o epílogo de uma ópera bufa patrocinada pela parte mais anacrônica e alienada do país, aquela que despreza os avanços no Brasil, os mesmos que o mundo inteiro exalta. O golpe foi antes; ocorreu a partir da paralisação do congresso e a inércia para retirar Cunha. Quase dois anos sem nada, apenas discutindo as tentativas do PIG em desestabilizar o PT, por medo de Lula. Foi a pior estratégia da história política do Brasil.

A parte boa foi a gigantesca manifestação popular de artistas, Universidades, organizações, movimentos sociais e do povo contra um golpe abjeto midiático-jurídico. Isso, sim, foi bonito de ver, em especial quando comparamos com os espancamentos e o ódio incontido da turma de lá.

Aí foi onde surgiu a parte sã do Brasil, a porção que defendeu a reconquista da democracia. Por isso, pela mobilização em nome do estado democrático de direito, valeu passar por toda esta provação.

Resta saber o que acontecerá com o Brasil sem o PMDB. Não terá toda essa dor e o martírio promovido pelos golpistas servido para alguma coisa a mais do que apenas aumentar a venda de camisetas da impoluta CBF?

Eu creio que o expurgo do PMDB pode ter sido o melhor que aconteceu. Agora Dilma estará desimpedida e poderá governar sem esse peso.

Não, na verdade o melhor que acontecerá vai ser o firme compromisso do país com a democracia. A liderança de Lula numa possível corrida presidencial mostra que o povo não aceita o golpe e vai lutar até a última gota de suor para impedi-lo. Os olhos do mundo inteiro se voltam para o Brasil. Não podemos falhar, caso contrário mergulharemos em uma espiral de descrédito e desesperança.

Não vai ter golpe, vai ter luta.

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Ferocidade

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Ainda sobre a pediatra que negou atendimento a uma criança por ela ser filha de uma militante do PT.

Uma pergunta me ocorreu..

E se a questão não fosse a cor partidária, mas a cor da pele? Se a médica dissesse que não se sente bem por atender negros, orientais ou imigrantes, ainda sim o representante do sindicato da corporação diria que a médica deveria se orgulhar pela sua “sinceridade”? E se a mãe da criança fosse gay? Preconceito racial não pode, mas contra um partido pode? Alguns preconceitos são piores – ou mais aceitáveis – que os outros? É certo focarmos apenas na (necessária) sinceridade da profissional e esquecer o preconceito asqueroso e abjeto que a moveu?

Fiquei rindo sozinho (um sorriso triste, confesso) de imaginar o que diria o mesmo representante da corporação se uma médica petista (existem sim, acreditem) resolvesse escrever a mesma mensagem para uma mãe que veio à consulta com a camiseta da CBF e um adesivo “Fora Dilma” colado ao peito.

Alguém dúvida da ferocidade com a qual ela seria atacada por seus iguais?

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Arquivado em Ativismo, Medicina, Política

Aforismos

golpe

15.

“A diferença entre as duas manifestações – contra e a favor do golpe – é que uma é a favor da democracia independente do partido e a outra é contra o partido independente da democracia.”

16.

“Quem precisa de mentiras para validar suas posições reconhece o fracasso de suas ideias.”

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Corrupção?

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Se fosse realmente a corrupção ela estaria sendo combatida em todas as frentes. Hoje liguei o rádio pela manhã na Gaúcha, da RBS, afiliada da Globo e fiquei vários minutos escutando Daniel Scolla e Rosane de Oliveira fazendo deboches sem fim do “sitio”, do “barco” e do “apartamento” de Lula. Acreditar que isso é “amor à verdade” ou “jornalismo sério” é escarnecer do bom senso.

Não há nenhuma intenção sequer de esconder os ataques diretos e incessantes a Lula. A violência… tomou conta do noticiário das rádios numa reprise mórbida da campanha contra Lula nos debates entre ele e Collor em 1989.

Nem uma palavra foi dita durante a meia hora em que fiquei ligado sobre o mega esquema de corrupção da merenda em São Paulo, este sim um tema cheio de provas e detalhes escabrosos. E o que dizer da Operação Zelotes, na qual seus patrões estão envolvidos até o pescoço? Que jornalismo é esse que fica fixado no sitio que não é do Lula e no apartamento que não lhe pertence e esquece de olhar para os verdadeiros bandidos da nação?

Caso houvesse o mesmo afinco investigativo no caso do helicóptero com MEIA TONELADA de cocaína no sitio de um senador amigo de Aécio Neves, como o que testemunhamos em relação ao caso “Triplex” de Lula, haveria muita gente presa hoje. Mas a busca não é pelos traços de corrupção na vida de um brasileiro cujo esforço em modernizar o Brasil é reconhecido no mundo inteiro. O objetivo é político, uma tentativa

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Traças

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O Brasil foi tomado no último ano por um enxame de traças fascistas, que insistem em corroer o tecido social com seu discurso de ódio inflamado. Hibernantes no grande armário das elites nacionais desde a decadência do regime militar em meados dos anos 80, elas retornam com toda a força, destruindo a fina camada de civilidade que nos encobre. O ódio envelhecido em barris de ressentimento ressurge mais ácido do que nunca, principalmente pela emergência no cenário nacional de um contingente de brasileiros outrora invisíveis – ou quando muito vestindo uniformes brancos. As babás, os pedreiros, agricultores e funcionários saíram do anonimato e invadiram escolas, aeroportos e universidades, e isso é inaceitável para aqueles que se negam a admitir a dimensão do Outro. Os fascistas saíram do armário com uma fome de mais de 30 anos, e deixaram claro que o fim das liberdades, a exclusão, o preconceito e o racismo farão parte do seu discurso aberto e sem limites, de agora em diante.

Como diria a antropóloga Márcia Tiburi, autora do livro “Como conversar com um fascista“:

O fascismo é o ódio ao outro – nas variadas formas de negação, repressão, recalque, esquecimento, preconceito, agressão, violência simbólica e física – transformado em norma política.

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Dilma

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Minha postura diante do quadro político atual não pode ser traduzida com simplismo como sendo uma atitude “pró-Dilma”; eu prefiro acreditar que se trata de uma posição pró democracia e objetivando uma abertura de conceitos. Já estive em muitos países onde as pessoas me perguntavam – com vivido interesse – sobre o presidente Lula e suas conquistas (para eles surpreendentes e impressionantes) no combate à miséria e à fome. Eu explicava que apesar de concordar com essas conquistas, ele sempre sofreu um ataque muito forte dentro do país, ao que meus amigos de fora sempre diziam: “Deixa eu ver se adivinho. Ele é criticado pelos conservadores, a classee média e os ricos; os que nunca passaram fome. Certo?”. E eu sempre respondia que sim.

As marchas contra Dilma, e as manifestações contra Lula vem SEMPRE dos mesmos lugares: a mídia monopolista (6 famílias), a classe média insatisfeita com a invasão alienígena, os economistas que estão sempre errando suas previsões e alguns críticos bem intencionados e conscientes. Todavia, estes últimos são fáceis de reconhecer: nunca usam adjetivos, não falam “Luladrão” ou “Dilmanta”, criticam as ações do governo com argumentos e sem “caixa alta”, não atacam a honra, não se baseiam em boatos de Friboi ou Jatinhos, não citam Olavo (porque acham que existem críticos com mais decência), não aceitam Impeachment, não tem indignação seletiva, reconhecem que o chamado “Petrolão” não tem partido, são críticos TAMBÉM à FHC e à Privataria, sabem o que é “trensalão”, reconhecem a barbárie de Alkmin e Richa contra professores, alunos e manifestantes e são educados ao ler ou ouvir um contraditório.

Minha defesa de Dilma a é oferecer um contraponto à tentativa de destruição de uma mulher honrada e honesta, o que é reconhecido até pelos seus piores adversários (como FHC). Minha intenção é aclarar o que significa fazer um governo para os OUTROS brasileiros, os outros 80% que sempre foram negligenciados no Brasil. Os pobres, negros, favelados, nordestinos, miseráveis e marginalizados pelas políticas públicas. É mostrar a importância da transposição do Rio São Francisco e a ferrovia Transnordestina para a integração do nordeste, porque a grande imprensa nunca mostra essas obras. É esclarecer a importância da dignidade de cada brasileiro, e nao apenas daqueles que podem comprá-la.

Como diria meu irmão Roger Jones, eu sinto saudades de criticar o presidente (como eu fiz com Lula) pois agora isso se torna impossível pelo clima golpista e canalha que as elites estabeleceram no Brasil, procurando um terceiro turno onde poderão ganhar na marra. Logo partindo do PSDB, o partido mais corrupto do Brasil, segundo o ranking de políticos cassados. Eu sinto saudade de debater política sem ameaças de rupturas institucionais que manchariam exatamente esta imagem positiva de estabilidade democrática que o Brasil alcançou lá fora pelo extermínio da fome e pelo sucesso do bolsa família.

Espero que seja possível voltar a ter debates saudáveis e discussões propositivas, quando aqueles que foram derrotados nas eleições assumirem suas falhas e começarem a fazer oposição ética e digna.

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Pobres

Bill Mahler

Este depoimento, do comediante liberal americano Bill Mahler, resume de uma maneira clara o que penso dos pobres brasileiros que votam em ricos, ou em seus representantes. É desta forma que analiso os meus amigos que fazem elogios rasgados ao presidente Macri e sua agenda neoliberal, ao mesmo tempo em que criticam os governos ligados aos trabalhadores. O que me deixa intrigado é que, se eles estivessem defendendo seus próprios privilégios, seria compreensível. Egoístico, mas racional. Entretanto, meus amigos deles defendem o enriquecimento sem freios dos seus próprios opressores, apenas por nutrirem a fantasia de que um dia, se a sorte lhes sorrir, poderão beber da mesma champanhe daqueles que hoje os oprimem. Muitos sequer querem acabam com o opressão; apenas invejam a opulência dos poderosos e dela querem usufruir.

Como num conto de fadas, permitem-se permanecer adormecidos com a esperança de serem beijados pela sorte, para assim poderem fazer parte da minúscula minoria que detém o poder.

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