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Xenofilia

Conheci durante minha vida um tipo curioso de brasileiro, facilmente destacado nas rodinhas de médicos em corredores de hospital e nas salas de conforto dos centros cirúrgicos. Eu o chamo de “xenofílico“.

Defino esse sujeito como o oposto do xenofóbico; é o cara que ama o que vem de fora. É um sujeito – via de regra muito pouco viajado – que não se cansa de elogiar tudo que vem de outros países, em especial da Europa, enquanto adora depreciar tudo e todos à sua volta por serem “brasileiros”. Adoram contar a piada de que Deus fez o país mais lindo e mais rico do mundo, mas em compensação encheu com esse “povinho” medíocre, egoísta, escurinho, subletrado e ignorante.

Enquanto descreve as mazelas de ser brasileiro, descreve com água na boca a cidade de Buenos Aires e sua população “culta e loira”, seus cafés, suas livrarias e depois nos conta com indisfarçável prazer da viagem que fez a Paris e como se sentiu em casa diante de toda aquela civilização. Conta dos museus, das roupas, das ruas limpas, mas sempre esconde as feridas que nestas sociedades ainda se mantém.

Esse sujeito, além disso, não se enxerga brasileiro. Não se sente responsável pelo atraso que testemunha. Acredita-se vivamente injustiçado, pois que seu lugar seria justamente próximo de seus iguais. Acha-se um europeu asilado. Como na música de Chico, acredita que Deus é um sujeito gozador e adora fazer brincadeiras e, só por isso, na barriga da miséria ele nasceu brasileiro – e ainda no Rio de Janeiro.

Aqui no sul os xenofílicos tem sobrenome italiano ou alemão. Lia-se nos para-choques de seus carros “Mi son talian, grazie Dio“, que em dialeto vêneto quer dizer “Graças a Deus sou italiano”.

Mesmo? Onde? Em verdade a frase justa e honesta seria “Graças a Deus eu não sou brasileiro“, porque realmente não se consideram como o resto da população. São de outra cepa, muito mais limpa e nobre. Olham com desprezo para os outros, os “pelo duro”, com suas peles mais morenas e cheias de Silvas, Souzas ou Oliveiras nos nomes, uma infinidade de mesmices patronímicas vulgares que desvelam a ausência de estirpe.

Em Bacurau estão representados naquele casal que olha para os gringos e lhes dizem: “nós somos como vocês“, alguns minutos antes de serem exterminados pelos estrangeiros, os mesmos que tanto admiravam. Para estes xenofílicos, a posição “diferenciada” em relação aos seus irmãos brasileiros parece palpável, mas aos olhos de quem os governa são todos igualmente “cucarachas“.

Eu também sonho com uma sociedade sem fronteiras e sem barreiras de qualquer tipo. Entretanto, não acredito que esta sociedade será construída pela simples supressão da autoestima dos povos por ora oprimidos. E acho muito mais honesto – apesar do meu nome cheiro de referências estrangeiras – assumir-me gloriosamente brasileiro, chinelão, cucaracha, com tudo o que isso representa de bom, de triste, de inovador e de poderoso.

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Ungida

Há um filme que idealiza a deputada gospel Flordeliz onde ela é descrita como um “ser de luz”, benfeitora e mãe amorosa de tantas crianças. Porém, hoje sabemos que ela e sua família estão muito longe disso. Então cabe a pergunta: se é possível transformar histórias criminosas em narrativas de superação e virtude que ocorreram somente há duas décadas, então imagine o quanto se distorce a realidade do que aconteceu há 2 mil anos, criando sobre fatos locais fantasias grandiloquentes que dizem muito menos sobre espiritualidade e muito mais sobre os interesses políticos, econômicos e de poder.

A blindagem de figuras históricas pelo manto da “espiritualidade superior” nada traz de construtivo para a sociedade, e para todas elas eu recomendo a iconoclastia.

A pastora recentemente envolvida em crimes diversos pode representar os evangélicos, não o Cristo. Deixem ele fora disso. O erro nessas tragédias é imaginar que uma crença, seja ela qual for, determina a moralidade do sujeito que a segue. Não é o que se observa. O crente não tem nenhuma vantagem ou privilégio na fila do céu.

Ser cristão, muçulmano, espírita ou ateu são, acima de tudo, IDENTIDADES, usadas para criar laços, narrativas confluentes. A religião é como um idioma para que possamos falar das perguntas que a ciência jamais terá respostas, como o sentido da vida e a razão do universo. Entretanto, são na prática expressões dos códigos morais que apontam para os valores mais profundos da sociedade.

As religiões abrahâmicas (cristianismo, islamismo e judaísmo), por exemplo, são estruturas criadas para dar sustentação ao patriarcado nascente, fortalecendo a coesão social das sociedades agriculturais partir da rigidez da estrutura falocrática. E funcionaram muito bem para isso.

O cristianismo se insere nesse modelo, como religião surgida da releitura reformista do judaísmo. Não existe nada no cristão, do ponto de vista moral, que o diferencie de qualquer outro sujeito no planeta, inclusive aqueles que negam qualquer afiliação religiosa.

Mas, a única diferença é o olhar que a sociedade lança aos “pecadores”. A pergunta que hoje se faz àqueles que (com justiça) dizem que a conduta de Flordeliz nada tem a ver com seu cristianismo é: e se ela fosse do candomblé, poderíamos dizer o mesmo? E se fosse muçulmana, estaríamos limpando a barra do profeta Maomé? Se ela fosse budista nossas palavras seriam direcionadas à proteção de Buda e seus ensinamentos?

Ou estaríamos condenando ela assim como as suas crenças e sua religião como obras demoníacas, criadas para desvirtuar e destruir?

Pois é…

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Gurus e súditos

O surgimento de gurus pressupõe (ou estimula) a supressão temporária (nos casos graves, definitiva) do senso crítico. De Jesus a Lula a veneração aos ídolos esvazia as almas dos seguidores. Esses que por ora estão nos portais do inferno, como João de Deus, Abdelmassi, Elizabeth Holmes, etc já tiveram legiões de fãs. Cuidado, ponderação e canja de galinha continuam não fazendo mal à ninguém…

Por essa razão os Estados democráticos no mundo inteiro só homenageiam seus heróis postumamente, para evitar surpresas. Mesmo assim, nem isso é suficiente para evitar dissabores, como provam as estátuas derrubadas do general Lee, do Lênin e do Stálin e – se Deus quiser – um dia será a vez da derrubada do monumento aos genocidas carniceiros bandeirantes.

Quase todos os youtubers são muito queridinhos quando comparados com qualquer terraplanista e negacionista, mas qualquer sujeito em evidência que se põe a falar de ciência lá pelas tantas começa a misturar ciência com autoridade acadêmica – que não são coisas necessariamente unidas. Aí mora o perigo, quando se iludem com a ideia de que a ciência é um ente “imaterial e positivo“, infenso à veleidade humana, e não uma entidade criada e conduzida pela alma corrupta dos homens.

Mais cedo ou mais tarde começam a dar pitaco em assuntos controversos. Muitos disseminadores de ciência se perderam por isso. Um deles, muito famoso por tratar de questões da filosofia, resolveu falar de comunismo e trocou os pés pelas mãos, e desse assunto só sai besteira. As luzes da ribalta danificam a maquiagem. Espero que não a de Rita com Hunty, mas até dela eu guardo distância segura para não me entusiasmar demais com o ineditismo e a qualidade ímpar do seu personagem.

Não seria a primeira vez que um personagem em evidência larga uma declaração ao estilo “…quem acredita nessas coisas são os mesmos que não tem fé nas vacinas, acreditam em homeopatia e fazem parto em casa“. E aí? Como fica o (meu) nosso amor? “Eu me desiludi com ele…” diz a moçoila, mas aí o vovô Ric lembra que para se desiludir é preciso primeiro…. se iludir.

Nesses momentos em que é fundamental cativar uma audiência segura é que aparece o ideólogo por trás do cientista – algo que todos carregamos. Esse erro muitos cometeram com aquele “médico do Fantástico”, menos eu que conhecia seu passado de desprezo pelo parto normal e sua visão preconceituosa com a medicina suplementar – da acupuntura, passando pela fitoterapia, até chegar à homeopatia.

Por estas razões eu acho bom ter cuidado sempre. Aliás, o cuidado que sempre pedi que as pessoas tivessem comigo mesmo, mas que não vejo ser estimulado por algumas “estrelas” que estão em evidência. Antes de escrever “mito” pra algo bonitinho que eu escrevi lembre que ali na esquina vai fatalmente se decepcionar, porque eu não tenho compromisso algum com a tarefa de agradar prosélitos.

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Os gays na caserna

Quando vejo os trejeitos do presidente, sua fixação anal, seus temores expressos e seu horror à homossexualidade misturados com suas piadas e declarações homofóbicas eu lembro do tempo em que fui militar – tenente médico da gloriosa Força Aérea Brasileira – e pude observar por dentro da caserna como estas questões eram vistas e tratadas.

Minha turma de oficiais da reserva era formada por garotos de 24 a 32 anos recém formados em medicina, odontologia, cartografia e engenharia. Éramos não mais que meninos que durante o treinamento nos comportávamos como adolescentes. Moleques, alegres, entusiasmados, curiosos e arrojados, tínhamos a vida inteira pela frente, com toda a carga de expectativas, sonhos e dúvidas.

O mais velho dos aspirantes era de fora do estado e tinha um comportamento curioso. Era afetivo e brincalhão, porém exagerava nas piadinhas sobre gays, machos, “bonecas”, “maricas” e tamanho de pinto, as mesmas que qualquer bando de adolescentes costuma contar. Havia estudado no interior, era casado e pai de três meninas. No último dia do estágio me cumprimentou e disse lamentar que nossa amizade não tivesse avançado para “outro nível”. Seu colega de faculdade, que presenciou a cena de longe, me puxou para um canto e disse: “É isso mesmo que você está pensando“.

Havia um outro rapaz no nosso pequeno grupo que era delicado, sorridente, bonito e vaidoso, algo que se adaptava ao “estereótipo gay”. Claro, ele tinha uma noiva, e às vezes me falava dos seus sonhos de casar, ter filhos e morar no interior, talvez em Santa Catarina. Por alguma razão ele se sentia seguro em me confiar estes planos, uma conversa pouco comum entre homens. Alguns anos depois de sair da aeronáutica eu o encontrei passeando em Balneário Camboriú, e ao seu lado alguém que não deixava dúvidas de ser seu namorado: o telefonista do quartel onde fizemos nosso estágio para o oficialato.

Nessa mesma época recebi um telefonema anônimo para minha casa tarde da noite. Não reconheci a voz, mas era de um jovem dizendo me conhecer do quartel. Ele parecia saber muitos detalhes da minha vida, inclusive sobre meus filhos pequenos. Quando foi pressionado para se identificar, respondeu: “Sou alguém que você bobeou e perdeu“. Quase enxerguei pelo telefone a “egípcia” que se seguiu a esta frase. Nunca soube quem era, mas evidentemente era alguém da caserna.

Havia entre os profissionais do hospital dois homossexuais inconfessos. Um deles tinha uma postura máscula, voz grossa, um homem forte, bonito e atlético. Tinha consultório na cidade e fazia grande sucesso na sua especialidade. Discreto, jamais foi visto com qualquer soldado sem alguém próximo, e nunca oferecia caronas até a estação do trem – algo que eu fazia todos os dias. Tinha 42 anos e era solteiro. Todavia, ele tinha uma particularidade muito incomum; para além de ser militar era…. bailarino. Sim, bailarino clássico de uma companhia da capital, mas nunca falava abertamente sobre esta sua “outra vida”. Era uma espécie de segredo que poucos conheciam. Esse colega também era muito chegado a mim e ao nosso amigo em comum, o “Derma”. Certa vez, no término do expediente, quando estávamos os três no vestiário nos preparando para sair, nosso parceiro Derma lhe disse:

– Fulano, faz aquele giro que os bailarinos fazem na ponta dos pés. A gente quer ver. Por favor… uma pirueta!!

Ele se negou. Depois disse que não podia por causa do sapato. Depois sorriu envergonhado, dizendo que precisaria aquecer, mas por fim, depois da insistência, cedeu e nos ofereceu um pouco da sua arte. Não há como esquecer; foi a mais bela e emocionante “Pirouette dedans” que jamais vi ao vivo.

Este colega resolveu se mudar para o Rio. Foi nesse dia que, para mim, fez sua confissão. Disse-lhe eu que ele devia ficar. Seu horário no hospital era folgado, a semana era de 4 dias, não fazia mais plantões (pois era capitão) e seu consultório estava lotado de pacientes. “Vida tranquila e sucesso profissional“, falei.

Seu sorriso foi, então, revelador. Mais do que uma confissão explícita ou um flagrante constrangedor, ele abriu um sorriso tímido, me olhou nos olhos e disse “Existem outras coisas na vida para além da tranquilidade e do sucesso. Vou ao Rio para encontrá-las“. Diante dessa declaração, sorri como resposta e disse: “Vá em paz, brother“. Dei-lhe um forte abraço e nunca mais o vi.

O outro colega gay – cuja especialidade não convém dizer – era um homossexual muito sofrido. Também quarentão, igualmente solteiro, mas jamais exibia a jovialidade e o humor debochado do colega bailarino. Era duro, sério, fechado até obtuso. Foi ele quem, num lampejo de “sinceridade”, uma tarde me abordou no cafezinho do hospital e disse que não conseguia aceitar que as mulheres ganhassem seus filhos naquela posição (cócoras) que eu havia introduzido no hospital. “Acocoradas como bichos, pareciam estar defecando; ou como galinhas botando ovo“, disse ele, com nojo indisfarçável.

Sem dúvida. Animalizadas, despojadas de sua capa cultural asséptica, moderna, limpa e higiênica… essa era a imagem insuportável de uma mulher. Uma mulher parindo lhe obrigava a ver o que seus olhos evitavam: a imanente e poderosa força selvagem e sexual do parto – e de uma mulher.

Em um ambiente de pura testosterona era natural que essas manifestações fossem perceptíveis nas fissuras, nas rachaduras abertas no discurso, rompendo as capas de proteção criadas para impedir a expressão de sentimentos conflituosos. Nesse ambiente marcadamente masculino a homossexualidade era latente, porém suprimida e sufocada. Nenhum desses personagens jamais admitiu abertamente sua orientação sexual, mesmo diante das pistas que deixavam por todos os lugares por onde transitavam. Eram segredos, vozes que ecoavam em solilóquio, maldições escondidas.

Para a formação dos aspirantes oficiais, depois de alguns meses de treinamento físico e militar, era necessário fazer uma palestra para os colegas, como prova de conclusão do “curso de oratória”, algo ingênuo e inútil, mas obrigatório. Aliás, foi nesse curso que um oficial professor me disse uma frase que jamais esqueci: “Marx era um homem inteligente, mas um péssimo pai de família“. Nada mais natural de se ouvir em um quartel apenas poucos anos após o fim da ditadura.

Não tive muita dificuldade em escolher o tema. “Se é para agitar, vamos chacoalhar“, pensei. Meu tema escolhido foi “Homossexualidade em tempos de Aids“, exatamente durante a histeria pelo seu aparecimento nos Estados Unidos. Na minha breve palestra, que misturava questões médicas da síndrome com conceitos (avançados para a época, acreditem) de diversidade e liberdade de escolha, eu lembro de ter olhado firme nos olhos destes colegas e amigos como que a lhes dizer que “existe vida fora do armário“, mas que eu conseguia compreender porque lá dentro ainda parecia tão mais seguro.

Terminei minha palestra dizendo que estávamos no limiar de um novo tempo e era necessário nos adaptar a ele. Os homossexuais estavam adquirindo seus direitos e se apresentavam à luta. Citei para eles meu episódio predileto: “O Levante de Stonewall” e disse-lhes que devíamos entender que os gays não sofriam de nenhum distúrbio de ordem moral, mas aqueles que menosprezavam sua dignidade humana, sim.

Nunca encontrei meus amigos no Facebook, já passados 30 anos dessas histórias. Gostaria de poder dizer a eles que tive muita honra de conhecê-los para entender o peso que carregavam pela vida que tinham. Espero que hoje sejam homens felizes e realizados e que tenham aproveitado as últimas três décadas com a mesma alegria adolescente da época dourada em que nos conhecemos.

Amém

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O ódio

O texto de uma defensora de Bolsonaro – médica da minha cidade, de uns 60 e poucos anos – atacando uma crônica de Marta de Medeiros (“Salvos pelo Atraso” – Jornal Zero Hora, 22/02/20) nos ajuda a entender os intrincados mecanismos de ódio presentes no psiquismo dos (e das) bolsonaristas e outros elementos da extrema direita que saiu do armário a partir dos movimentos de 2013.

A manifestação raivosa e ultrajada parte de uma perspectiva típica de classe média alta, centrada sua na visão particular e elitista de mundo, sem considerar que esta parcela – ou bolha – na qual circulam neste país não soma mais do que 20% da nossa população. Chama à atenção igualmente o uso dos velhos chavões com os quais acusam o ex-presidente Lula, chamando-o de “cachaceiro”, “ladrão”, “semialfabetizado”. Não se furta de repetir as fake news que falam do envio de dinheiro para países marcadamente de esquerda, como Cuba e Venezuela – mesmo depois que estas notícias plantadas pelos robôs da direita foram clara e amplamente desmentidas pela auditoria contratada pelo próprio governo atual.

As agressões à “presidentA” (é assim que se referem a ela) Dilma também seguem o mesmo roteiro de ofensas sem sentido (sim, é possível estocar a energia dos ventos) e uma combinação de misoginia com o clássico preconceito de classe. Como aceitar que uma mulher honesta seja representante de um país e tenha a audácia de pensar nos desfavorecidos? Inadmissível…

No fundo, o que sempre transparece é o desprezo pelo pobre e pelo negro. O nojo dessa classe pelo próprio brasileiro, pela nossa cor mestiça, pela nossa arte, nossas festas, nossos personagens, nossa música e nossa cara. Desprezam o carnaval exatamente por ser uma festa de “vagabundos”, sem entender a profunda vinculação do nosso povo com esta festa e a enorme quantidade de trabalho e renda que ele representa para milhões de pessoas.

O drama se faz agudo e histérico porque esses sujeitos brancos se sentem ameaçados por esta “nação mulata”, prisioneiros em um “enclave de branquitude”, avessos ao mundo de diversidade que os rodeia – e os ameaça. Nunca foi a economia, a fala popular de Lula ou as gafes de Dilma que produziram tanto ódio; foram o racismo, a síndrome da Casa Grande e a ferida ainda aberta da escravidão que os fez odiar tanto qualquer um que represente o Brasil profundo.

É o nojo do diferente e a ilusão de superioridade que tanto os motiva. É o desejo de “ser como era antes”, quando todos sabiam seu lugar. É a saudade da subserviência de tantos negros, migrantes, pardos e pobres, outrora acostumados à fidelidade trocada por migalhas.

Para estas pessoas, atreladas a um passado de desprezo pelos de baixo, o Brasil fraterno precisa responder, mesmo que a energia da indignação seja a força motriz para levar adiante essas necessárias mudanças.

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