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Classe

Perder eleição é momento, justiça social é um objetivo em longo prazo. À maioria expressiva do povo do Brasil sofre lavagem cerebral como todos que, mesmo sendo pobres, votam nos partidos dos ricos, acreditando que socialismo significa “não trabalhar”, quando é o OPOSTO: o capitalismo é que lhes dá o privilégio de não trabalhar e viver do trabalho alheio.

Ou achamos mesmo que os filhos dos milionários nos quais votamos trabalham e se esforçam igual a nós?

Não esqueça que passamos por um golpe. Lula ganharia a eleição de não fosse impedido por um juiz corrupto e uma mídia vendida. Mas eles sabiam que era necessário convencer os tolos – que consomem fake news pelo whatsapp – de que o problema do Brasil é a “corrupção do PT”. Veja… fomos tão estupidamente enganados que nem nos demos conta que (re)colocamos no poder o CENTRÃO, os partidos mais acusados de corrupção da história do Brasil. Pior, fazemos ainda vistas grossas para a corrupção da familícia do presidente. Sequer comentamos mais o fato de que nunca houve uma prova sequer contra o presidente Lula.

Em verdade, não queremos mesmo acabar com a corrupção; nunca foi do interesse da elite e dos poderosos terminar com isso. O que não suportamos é a justiça social; não desejamos acabar com a miséria, a fome ou a falta de moradias dignas. Não aceitamos pobres viajando de avião, ou comprando carros e TVs. E tudo isso porque nos consideramos “ricos”, diferentes dos pobres, apenas porque alguns tem o título de “doutor”, ou porque o mercadinho ou a lojinha nos fazem ganhar um pouquinho mais do que nosso vizinho.

Tolos… nunca faremos parte da festa dos ricos. No máximo seremos os garçons ou flanelinhas para os carros deles. Talvez o médico que vai atender a bebedeira deles e seus vômitos de canapés com Champagne.

Falta espelho. Falta ver quem somos. Falta reconhecer a classe onde fincamos nossos pés.

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A Paixão de Cristo

A sexta feira é da PAIXÃO!!!

Sim, da paixão, essa chama indócil que nos arremessa para destino incerto, mas sempre em direção à vida. A força motriz de toda realização humana, o motor de nossas ações, das mais nobres às mais brutais, mas que “desacata a gente, que é revelia“. A paixão que nos mostra o que, em verdade, é ser humano.

“Paixão” deriva de passus, particípio passado de patī “sofrer”, é um termo que designa um sentimento muito forte de atração por uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é intensa, envolvente, um entusiasmo ou um desejo forte por qualquer coisa. Mas para entender a “sexta feira da paixão” é preciso aceitar que a paixão de Cristo ultrapassava os limites do mero objeto de desejo, e se espalhava por todo o seu povo, na sua busca por igualdade, justiça social e autonomia.

O Jesus que eu conheço é o Messias, o ungido, o escolhido para liderar seu povo para a liberdade. O Cristo que enfrentava os senhores da lei, o mesmo que chicoteou os vendilhões do templo e aquele que deixou claro que veio trazer a espada, não a paz. O Jesus ativista, líder dos explorados. O Mestre corajoso, que entregou-se com bravura aos seus algozes por amor aos seus ideais. Um Jesus de coragem, fibra, destemor e LUTA.

Esse Messias é agora esquecido, em nome de um líder cheio de amor e paz. Um Jesus domado, constrangido, bonzinho, que coloca criancinhas no colo. Um Messias para os opressores, loiro e de olhos azuis. Um Jesus que se mesclou com os poderosos para ser aceito, a ponto de perder sua face revolucionária. Um Cristo para o paladar dos conservadores. Vendido por Paulo aos romanos, virou a imagem da docilidade, da submissão, do amor incondicional e da bondade, mas sua origem miserável, rodeado por analfabetos, pescadores, prostitutas e ladrões nos mostra que ele era do povo, da luta, da navalha e do confronto. Sua paixão era pela liberdade.

Que a nossa paixão seja pela mudança, pelo enfrentamento e pela consciência de classe. Não podemos permitir que o legado de um marceneiro negro, oprimido pelo poder absoluto e despótico de Roma seja transformado na imagem do cordeirinho loiro e bonzinho que aceita a iniquidade, as injustiças, o racismo e a violência sem reclamar e sem esboçar reação

Não esqueçamos que não é hora de chorar.

“Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.”

(Ijuca pirama – Gonçalves Dias)

Era a poesia que minha mãe recitava quando eu era menino…

FELIZ SEXTA FEIRA DA PAIXÃO…

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Valores

Aos 5 anos de idade eu caminhava na rua Salgado Filho quando vi uma banca de jornais que vendia loterias. Olhei os números recheados de zeros no prêmio estampado e perguntei para o gigante que segurava minha mão:

– Pai, por que não compra um bilhete da loteria? Se você ganhar podemos ficar ricos e comprar qualquer coisa que quisermos.

Ele continuou andando firme e olhando para frente e me disse, do jeito sisudo e objetivo que sempre o caracterizou:

– Só acredito em dinheiro que foi ganho através do trabalho. Esse aí pode ser legal, mas é imoral.

É desses pequenos fragmentos dispersos que somos constituídos. Obrigado, pai, por essa lembrança.

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DNA

Não, o socialismo não veio no meu DNA. A minha família é toda de conservadores direitistas e pseudo aristocratas, infelizmente. Mas o triste é perceber que boa parte dela nunca entendeu o que eu escrevi aqui no Facebook. Não sou petista e Lula nem é meu candidato. Sou socialista e o PT não é;  o PT é um partido de centro-esquerda. Meus ideais socialistas não tem plena expressão nesse partido o qual tenho muita admiração, apesar de ter sido vítima dele em um episódio difamatório.

Minha defesa de Lula, entretanto, se dá pela importância do Estado Democrático de Direito e pela defesa de um julgamento justo para qualquer cidadão. Lula é vítima de um massacre injusto e cruel, conduzido por pessoas que o condenam por ter ofendido o sistema de classes brasileiro e ter questionado a divisão entre Senzala e Casa Grande. Poderia ter sido o Aécio ou até o Cunha, e eu os defenderia igualmente.

Eu me solidarizo com sujeitos que lutam por seus ideais e, em especial, aqueles que descobriram que existe um outro Brasil, que precisa ter voz e vez, e que não faz parte dessa burguesia atrasada, burra, incompetente, racista e fascista a qual eu pertenço. Se não criarmos a oportunidade para que este outro Brasil tenha chances teremos convulsão social, ou melhor, teremos um estado policial e uma constante luta pela dignidade dos esquecidos. Isso já vemos agora e só podemos esperar uma piora se membros dessa burguesia – atrasada e raquítica, que usa botox, slogans anacrônicos e atitudes dissimuladas – continuar a controlar a vida de milhões de pessoas.

Sim… eu me preocupo com isso enquanto boa parte da minha família se detém em difamar um sujeito cuja acusação é ser dono de um triplex vagabundo em uma praia decadente cujas provas apontam claramente de que não lhe pertence. Sim, enquanto minha família apoia um sujeito de camisa preta que planeja a destruição da representação dos trabalhadores eu me solidarizo com quem sai à rua para lutar por justiça e pelo direito de sonhar com equidade e uma vida digna.

Lula pode ter todos os defeitos do mundo, como ser humano e como líder político, mas nesse momento ele simboliza os direitos sociais, as liberdades civis e a resistência do povo brasileiro.”

Luis Felipe Miguel 

Precisamos de símbolos para tudo, assim como de rituais. A perseguição infame a Lula SIMBOLIZA que qualquer um de nós pode ser caçado covardemente por ousar questionar a perversidade da estrutura social brasileira. Lula é o símbolo de uma resistência corajosa e nobre contra o arbítrio. 

Por isso não é preciso gostar dele como pessoa ou como político, basta respeitar o lugar que ocupa nos nossos sonhos por liberdade e justiça social. Pela mesma razão, não é preciso gostar da pessoa do Ronaldinho ou Neymar para, mesmo assim, torcer pela seleção.

Lula, neste momento, incorpora a luta do povo contra um judiciário corrupto – pelo partidarismo – e um governo canalha – pelo golpe e pela entrega imoral de nossas riquezas.

Força Lula!!!

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Socialista de IPhone

Li e nas redes sociais:

Emilio Odebrecht falou de uma conversa que teve com o general Golbery do Couto e Silva, um dos ideólogos da teoria de Segurança Nacional da Ditadura. Na ocasião, Golbery fez uma descrição do ex-presidente Lula que marcou Emílio Odebrecht: “Emílio, o Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant”.”

O grande erro e o monstruoso preconceito da direita é (ainda!!!) imaginar que um homem da esquerda ou um socialista não pode ser um “bon vivant” ou usar IPhone. Por quê? Por que Lula não tem o direito de gostar de um bom vinho ou um bom charuto? Onde está a incoerência? Onde está escrito que um socialista não pode usufruir o que seu trabalho lhe proporciona? Que leitura equivocada e pervertida do socialismo tem essas pessoas!!!!

A direita precisa abandonar o discurso dos anos 60 o quanto antes. Sério, gente… tá chato.

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