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Socialismo

O socialismo é uma ideia muito antiga na história da humanidade, que tem como base a eliminação das divisão da sociedade em classes sociais, e suas origens podem ser encontradas nos primeiros grupamentos humanos que surgiram após a revolução do neolítico. Apesar dos inequívocos avanços decorrentes da revolução burguesa do final do século XVIII, manteve-se a divisão de classes baseada no capital, reminiscência nefasta que se manteve com a passagem do feudalismo para as monarquias absolutistas e destas para a sociedade burguesa. Apesar de não serem seus criadores, o socialismo teve um impulso fundamental com os trabalhos de Karl Marx e Friedrich Engels, pensadores alemães que assinam o “Manifesto Comunista”, que pode ser entendido como o pontapé inicial em um grande movimento de massas para a derrubada dos governos burgueses e a ascensão política da classe proletária.

As bases ideológicas do marxismo – como passou a ser chamado – influenciaram os movimentos revolucionários russos que acabaram depondo o governo liderado pelo Czar Nicolau II e a instauração do governo socialista bolchevique em 1917. Seus principais líderes, Lênin e Trotsky, se guiaram pelas teorias econômicas de Karl Marx na forma como deixou escrito em sua majestosa obra “O Capital”.

A revolução russa foi a primeira das grandes revoluções do proletariado, seguida pela revolução chinesa de Mao Zedong, logo após a expulsão dos japoneses em 1949. Após o fim da guerra civil e durante os primeiros anos da revolução, a Rússia experimentou um crescimento vertiginoso de sua economia, na chamada NEP. Um dos estados nacionais mais pobres da Europa em 1917, a Rússia foi a responsável direta pela derrota de Hitler na segunda guerra mundial. Seu avanço tecnológico permitiu que, duas décadas após o fim desta guerra –  que vitimou entre 7 e 15 milhões de russos – colocasse Yuri Gagarin como o primeiro humano em órbita, mostrando a pujança dos ideais, da técnica e da economia soviéticas.

Entretanto, nos anos 50 do século XX, uma série de contradições na então União Soviética se tornaram aparentes a partir da morte do georgiano Josef Stálin, que havia sucedido o grande líder Lênin. A ascensão de Nikita Krushov aos poucos foi desvelando ao mundo os crimes do líder anterior. No final dos anos 80 a economia soviética estava prestes a entrar em colapso quando assumiu o controvertido presidente Mikhail Gorbachev, que instituiu a “Glasnost” (transparência) seguindo-se da “Perestroika” (restauração). Estas novas perspectivas, combinadas com a queda do muro de Berlim – que separava por um muro a capital da Alemanha invadida – e a eleição de Bóris Yeltsin como presidente da Rússia decretaram o fim do “socialismo real” que desaparecia junto com a “União Soviética”, posteriormente esfacelada em suas múltiplas repúblicas.

Essa queda do sonho socialista fez com que muitos países da Europa repensassem o seu ideário socialista, formando-se grandes partidos chamados “reformistas”, que se contentavam em ajustar os desvios do capitalismo – em especial sua doença de concentração de renda e esgotamento de recursos naturais – sem combater a sociedade de classes. Surgia assim, no mundo inteiro, a “Social Democracia”, que mescla ideais do sistema de “bem-estar social” do socialismo com a observância das regras e partidos da democracia burguesa.

Enganam-se, entretanto, como fez Francis Fukuyama, que se tratava do “Fim da História”. Em verdade, o socialismo está cada dia mais vibrante, seja na sua vertente social democrata quanto na “revolucionária”. Existem inúmeros partidos da “nova esquerda” que rezam pela cartilha social liberal, mas os partidos de estrutura revolucionária sobrevivem em várias partes do mundo. No Brasil os partidos de centro esquerda são o PT, o PSOL, o PCdoB e outros, que se configuram como partidos eleitorais regulares. O PCO – Partido da Causa Operária – é o mais importante partido comunista revolucionário da atualidade no país.

A história do socialismo está longe do fim. Sua meta principal é a socialização dos meios de produção, o respeito à ecologia e à diversidade, o fim do racismo e do machismo, o extermínio da sociedade de classes e a ditadura do proletariado.

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Gênios

“Todos os grandes gênios da humanidade mostraram a pequenez do ser humano, e por isso não podiam ser perdoados. Atacar nossa autoestima é um crime grave. Copérnico o fez ao mostrar que não somos o centro do universo, Darwin por provar que não somos o centro da natureza e Freud por mostrar que não somos guiados pela razão, mas por uma constituição psíquica tripartite, onde os motores principais de nossas ações se encontram nos calabouços do inconsciente. Já Marx mostrou que somos governados pela história e pelas forças de choque entre as classes, as quais produzem mais efeitos na sociedade e na cultura do que os avanços científicos.

Os grandes gênios são necessariamente incompreendidos, atacados, segregados e difamados. Portanto, como regra geral, se as suas ideias fazem muito sucesso é apenas porque suprem necessidades momentâneas. Como diria Nietzsche, “um gênio verdadeiro só é compreendido após a passagem de um século”, e não há como fugir muito dessa regra”.

Rudolph Schlitzer, “The Quantum of Transformation”, Ed. Borromeo, pag. 135

Rudolph Schlitzer é um físico, professor universitário e escritor austríaco, nascido em Viena em 1932.

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Iconoclastas

Não é impressionante o fato de aparecerem textos descrevendo Belchior como um péssimo pai e com terríveis defeitos em sua vida pessoal. Em verdade é da natureza humana destruir seus velhos ídolos como parte de uma “lei de destruição”, para que novos ícones não sejam bloqueados pela memória dos que se foram. é um fenômeno natural. E ele não é ruim em essência, pois isso humaniza os ídolos, sejam eles quem forem. O “sujeito perfeito” se desmancha mantendo apenas seu trabalho imaterial: suas ideias e suas obras. Eu apenas peço que esse processo natural de “humanização pela destruição” aguarde um período razoável de luto.

para além desse respeito a quem acabou de deixar este mundo, concordo totalmente com a ideia que diz ser fundamental separar a obra do autor. Caso contrário acabamos caindo num debate cercado de infantilidades, como algumas que escutei no quartel: “Marx era realmente um homem muito inteligente, mas foi um péssimo pai de família“, onde a ênfase era colocada na segunda parte da frase. Precisamos mesmo deste tipo de perspectiva?

Portanto, eu pediria um pouco de paciência. O corpo do Belchior ainda está quente e acredito que para este exercício de iconoclastia seria gentil com a família esperar pelo menos que os vermes deem conta de sua carne (fraca). A velocidade para a destruição de um homem diz menos dos seus defeitos do que das fraquezas dos seus algozes.

Se uma pessoa da sua família tivesse morrido ainda ontem e alguém escrevesse uma crítica mordaz sobre ela enquanto seus entes queridos ainda estão devastados pela perda, como você sentiria isso? Teria mesmo essa postura altiva de dizer “ninguém pode calar nenhuma crítica”, ou “cada um sabe do seu sofrimento”? Não, você não aceitaria isso pois existe um código de civilidade para a morte: Respeito e silêncio. Foi o que permitiu Lula receber Temer no velório de Marisa. Ali não era a HORA e o local para este tipo de rancores. Romper com esse pacto civilizatório (o respeito à  dor por uma perda), que ocorre até entre inimigos declarados, é um passo em direção à  barbárie e à perversão, pois sinaliza a incapacidade de estabelecer uma relação empática com o outro, forçando no sentido de desumanizá-lo. Como a afirmar “não acredito em tua dor, só a minha tem razão de ser“.

Para mim o melhor exemplo de respeito à  dor alheia vem de Salatino, grande herói árabe (ele era curdo) na conquista de Jerusalém. Depois de findas as batalhas, e tendo derrotado seu oponente Ricardo III, ele foi pessoalmente ao encontro do seu inimigo e o convidou para entrar na Terra Santa, para que sua dor pela derrota fosse mitigada com uma visita aos locais sagrados. A compreensão desse homem e o respeito pela dor do inimigo são exemplos de dignidade e integridade até com os que combatem contra nós. Como eu disse anteriormente, nada contra a iconoclastia, desde que não seja seletiva. Vamos criticar Freud, Marx, Darwin, Belchior e até Simone de Beauvoir pelos crimes cometidos contra a humanidade, mas pelo menos tenhamos a humanidade de aguardar um tempo para que as pessoas que os amaram possam superar esta perda.

Eu não tenho a menor dúvida de que meus inúmeros inimigos não vão esperar sequer meu último suspiro para me detonar; vão começar a me espinafrar ainda na UTI. E eu vou fingir estar comatoso só pra me divertir com a decomposição ainda antes dos micróbios saprófitos fazerem seu serviço.

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Socialista de IPhone

Li e nas redes sociais:

Emilio Odebrecht falou de uma conversa que teve com o general Golbery do Couto e Silva, um dos ideólogos da teoria de Segurança Nacional da Ditadura. Na ocasião, Golbery fez uma descrição do ex-presidente Lula que marcou Emílio Odebrecht: “Emílio, o Lula não tem nada de esquerda. Ele é um bon vivant”.”

O grande erro e o monstruoso preconceito da direita é (ainda!!!) imaginar que um homem da esquerda ou um socialista não pode ser um “bon vivant” ou usar IPhone. Por quê? Por que Lula não tem o direito de gostar de um bom vinho ou um bom charuto? Onde está a incoerência? Onde está escrito que um socialista não pode usufruir o que seu trabalho lhe proporciona? Que leitura equivocada e pervertida do socialismo tem essas pessoas!!!!

A direita precisa abandonar o discurso dos anos 60 o quanto antes. Sério, gente… tá chato.

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Esquerda caviar

Marx

Critica interessante: “Golpe é a CUT usar dinheiro dos trabalhadores para fazer manifestações, enquanto a esquerda caviar não se importa com o golpe que o governo atual deu nos pobres”

Mas então eu pergunto: a CUT deveria usar o dinheiro de QUEM para defender os trabalhadores?????? Quem são os que acusa de serem “esquerda caviar”? Talvez esteja se referindo às pessoas de classe média (como eu) que pensam além do próprio umbigo e lutam para que TODOS tenham uma vida digna, e não apenas seu pequeno círculo de amigos ou sua corporação. Além disso, o governo pode ter cometido erros (mas duvido que saiba apontá-los e oferecer-lhes alternativa), porém não serão resolvidos com um golpe de estado promovido por notórios corruptos.

Admita: nunca foi a corrupção e lhe mobilizar a indignação. O que lhe dói, machuca e indigna é o fato de que sua sensação de riqueza e superioridade de classe se desmancha quando os pobres dividem uma fila de aeroporto ou a sala de classe de uma Universidade. Como disse Danuza Leão “Paris perdeu a graça quando o porteiro do meu prédio também viajou para lá”, e o fim dessa exclusividade de classe é percebida como uma perda.

Não, não é a corrupção que os escandaliza. É a própria democracia e sua incipiente conquista de equidade o que tanto horroriza uma classe média que se julga superior.

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