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Imprensa e miséria

O Brasil tem mesmo um jornalismo miserável. Quando o Queiroz refugou ao dizer o nome do hospital em que estivera internado um jornalista de verdade perceberia a manobra e pularia imediatamente no seu pescoço para colocá-lo em contradição. Com duas ou três perguntas faria ele gaguejar e se perder. Ele se entregaria sozinho, apenas com a exposição de suas mentiras.

O que fez a entrevistadora? Nada, deixou passar. Apenas disse “ok”…

Aliás, todo mundo sabia de antemão que a desculpa oferecida por Queiroz seria furada e mentirosa. Todo mundo brincava com a versão que seria apresentada, mesmo que todos saibam que é uma fraude para acobertar a “rachadinha”, manobra típica do baixo-clero

Certamente que o judiciário – como Moro já sinalizou – deixará por isso mesmo e aceitará como verdadeira a versão. Por que haveríamos de duvidar da palavra de Queiroz? Se ele diz que foram carros então está encerrado o caso. Talvez pague uma multa por sonegar, mas é certo que diante do “grande acerto nacional” – com o supremo, com tudo – nada será feito para ir adiante nas investigações.

No fim teremos mais uma farsa grosseira para colorir o grande golpe aplicado contra a democracia

Pior, ainda nossa imprensa chapa-branca acovardada não irá atrás dos carros vendidos e comprados, dos recibos e dos supostos compradores e não investigará um por um os funcionários do gabinete.

Nosso jornalismo de grande imprensa é uma fraude.

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A Culpa do fascismo

 

 

“Ele diz que o Coiso só existe por causa do PT e pela falta de autocritica do partido. Diz que por isso vai votar no Coiso. É mentira. Vai votar porque sempre curtiu um autoritarismo fascista e anti-pobre. Sempre gostou de “cada um no seu lugar”. Sempre achou estranho aeroporto colorido e universidade cheia de “bolsista”. Não é pelo PT, é por você mesmo.”

O racismo e o preconceito de classes existem muito antes do PT. O Partido dos Trabalhadores e a emergência dos pobres e negros no cenário nacional que ele proporcionou apenas deixou evidente a ferida corrosiva e pútrida de nossa sociedade, a qual se escondia por detrás dos curativos mal feitos da cordialidade e da negação ao racismo. Culpar o PT pelo surgimento do fascismo QUE NUNCA DEIXOU DE ESTAR AQUI é o mesmo que culpar os negros pelos racismo, pelos espancamentos e pela exclusão. É o mesmo que culpar os pobres pela sua pobreza, chamando-os de fracos e preguiçosos. É tão tolo quanto dizer que a culpa do estupro é do vestido curto, que atiçou no sujeito “comum” seus instintos brutais de estuprador.

Mentira, mentira deslavada. O PT tão somente deixou evidentes as contradições que existem na nossa sociedade desde sempre, ou desde que o fenômeno do racismo impregnou nossa sociedade dividindo-a entre Senzala e Casa Grande a partir de 1532. O PT e as esquerdas cometeram erros e equívocos terríveis, e terão tempo suficiente para se reorganizarem e para e chamarem o povo excluído para as suas lutas, mas culpá-los pela estupidez e pelo fascismo expresso por figuras repugnantes como Bolsossauro, Morinho e Mourão é injusto e denuncia uma miserável leitura da história desse país.

Bolsossauro foi fermentado na ditadura, na falta de punição aos torturadores e assassinos do Estado. Foi criado pela elite desgostosa e ressentida com os avanços da “ralé”, no dizer de Jessé de Souza. Foi cozinhado em fogo brando por uma elite retrógrada da caserna, ainda ligada ao autoritarismo, com nojo de pobres e negros e de qualquer organização social que ouse tocar no nosso sistema rígido de castas. Não tentem nos fazer acreditar nessa história tosca de que o Coiso é culpa de quem sempre lutou pelos mais pobres e sempre tentou modificar o modelo perverso sobre o qual nosso país se assenta.

Assumam a culpa pelo monstro. Na época do Führer não havia print de Facebook ou Whatsapp para que a gente pudesse mostrar à posteridade quem esteve ao lado do arbítrio, do fascismo, do racismo, da exclusão, da ditadura e da perversidade social. Hoje poderemos provar quem escolheu um ditador. O tempo cobrará, como na Alemanha, quem esteve do lado justo e democrático da história.

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Ódio nosso de cada dia

Diante do desafio simples de pedir uma única prova de um deslize do ex presidente Lula que justificasse ser chamado de “ladrão”, a resposta é igual para todos os que assumem uma atitude autoritária. Na verdade, estes sujeitos não conhecem nenhum crime de Lula, mas isso não lhes impede de odiá-lo com todas as forças porque este sentimento não tem absolutamente NADA A VER com algo que ele tenha feito ou deixado de fazer, mas com sua figura simbólica, o que ele representa como ameaça à estrutura social do Brasil.

A verdade é que se ele fez algo de errado ou não é totalmente irrelevante para quem escolhe odiá-lo por ser quem é. Isso explica que as acusações de corrupção ou de roubo nunca tenham materialidade; nenhum acusador é capaz de citar uma prova sequer, e todos dizem “ah, Moro escreveu 300 páginas, está tudo lá”, e fogem de qualquer desafio de mostrar uma evidência qualquer de que tenha “roubado”, “prevaricado” ou se corrompido. Nada… Nenhuma conta, imóvel, mansão, carros de luxo, conta secreta, telefonema, recibo, gravação (compare com as do Aécio), joias, dinheiro vivo. Nada, absolutamente nada.

Sabem por quê? Porque não se trata de uma acusação racional. O ódio aos pobres e aos negros não pode ser dito em voz alta em uma sociedade que condena racismo e preconceito de classe, mesmo que estes sentimentos existam no submundo de nossas emoções. Por esta razão eles surgem na superfície com a fantasia do moralismo. Até os pastores travestem seu ódio com essas ferramentas – como o Pastor Feliciano falando da bala na cabeça dos esquerdistas – e ainda o fazem em nome de Jesus.

Portanto, minhas palavras em defesa da democracia e da constituição servem apenas de retórica jogada ao alto, e não direcionada a quem se nega a pensar com justiça e com respeito ao Estado Democrático de Direito. Quem se alegra e faz carnaval com a possível prisão de Lula está completamente alheio a qualquer abordagem racional e já mergulhou profundamente no poço das emoções mais primitivas, onde a luz da razão é incapaz de alcançar.

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Ladainha

É uma tristeza ver tanta gente entrar nessa ladainha conservadora do “combate à corrupção”, como se o problema do Brasil fosse esse. Nosso problema é a desigualdade e a injustiça, e nossa política é um reflexo dessa estrutura arcaica e escravagista. O sonho ingênuo dos conservadores é que, tirando todos os corruptos e ladrões, assumirão os bons, os honestos, os probos. Isto é: nós.

Como dizia o Millôr Fernandes, “O mundo está repleto de canalhas, mas estão todos na mesa do lado“. Para os liberais da hora, o pessoal do “imposto é roubo”, quando limparmos a política dos corruptos assumirão aqueles acima de partidos e bandeiras, sem lado, sem ideologias, os administradores isentos da coisa pública. Isto é: os gestores.

Afinal, administrar um Estado é como controlar um boteco: entrada, saída, fluxo de caixa, salários. Cada um no seu lugar. Quem roubou vai pra cadeia. O lucro é sagrado e o boteco é meu por mérito. Quer igualdade? Vai pra Cuba, desgraçado!!!!

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Infâmias

Copiado de um debate em família:

“Existe uma tentação irresistível para algumas pessoas em disseminar “fake news” que destilam ódio e infâmias contra personalidades, em especial àquelas situadas no espectro oposto de nossas crenças políticas. Mesmo quando a notícia é absolutamente inverossímil (Friboi, mansões, roubo de objetos do Palácio, etc.) estas pessoas não resistem ao apelo emocional de destruir a vida de um inimigo distribuindo mentiras absurdas e grosseiras.

Qualquer pessoa minimamente educada percebe que essa tática de atingir a honra de um sujeito é um golpe baixo, mas ela sempre vem de pessoas que não conseguem atingir a fala ou as obras de seus adversários, e por isso mesmo rebaixam o nível do debate. Até crianças discutem assim: quando a razão falha a emoção brota com a máxima intensidade e o idioma se torna a ofensa pessoal, e toda a retórica se concentra nos ataques à honra. “Se você não consegue atingir a mensagem, atire no mensageiro”.

Existem inúmeras formas de criticar os governos de esquerda no Brasil mas a maioria das formas de ataque são baixas e desonestas. Dilma e Lula podem ser criticados (e devem) pela esquerda e pela direita, como qualquer governante, mas apenas por suas obras ou pela falta delas. Ataques pessoais falam muito mais dos acusadores do que dos acusados.

Os adversários da social democracia popular proposta pela esquerda brasileira podem ser interlocutores honestos do modelo conservador, levando adiante sua proposta liberal e a ideia de “estado mínimo”. Por outro lado,  podem se tornar difamadores odiosos de histórias inventadas que são facilmente desfeitas logo depois. É uma escolha, mas se escolherem a segunda vão acabar inexoravelmente cercados de difamadores igualmente fanáticos e mentirosos. Eu insisto em acreditar que uma pessoa honrada não merece essa companhia, esteja ela em qualquer um dos lados do espectro político..

Pensem bem: a escolha está entre fazer crítica firme, dura, intensa mas serena ou semear a mentira e a injúria contra a honra de pessoas no campo adversário. Podemos olhar para o lado que quisermos, mas não é lícito reclamar depois quando ficarmos cercados de gente que tem o ódio como unico idioma.

Tal é a lei da sintonia.”

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Honestidade

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No excelente documentário “(dis)Honesty, the truth about lies” – (des)Honestidade, a verdade sobre as mentiras – o ponto alto e engraçado ocorre quando uma senhora da plateia pergunta ao pesquisador se nas suas investigações constatou-se diferença entre homens e mulheres no que diz respeito à honestidade. Sua resposta foi excelente:

– Sim, existem enormes diferenças, e a grande diferença observada é que apenas as mulheres fazem essa pergunta. Mas… nos testes realizados nunca se observou o fato de um gênero mentir mais do que outro.

Pensei agora que praticamente todas as virtudes, qualidades, vícios e defeitos humanos teriam o mesmo resultado, incluindo a agressividade. Por isso me irritam tanto as análises essencialistas, que dizem que as “mulheres são menos isso do que os homens” e vice versa. Talvez existam alterações hormonais que determinem comportamentos diferentes entre os sexos (o fator testosterona, por exemplo), mas não acredito em NENHUMA qualidade MORAL que sobre em um e esteja faltando no outro.

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História Fabricada

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Acabei de descobrir, em uma postagem do prof Luis Felipe Miguel, que a frase “Quem gosta de miséria é intelectual” não é de Joãozinho 30, mas do jornalista Elio Gaspari, que a colocou na boca de Joãozinho em uma entrevista fabricada. Esta era uma estratégia do velho jornalismo: criar fábulas, entrevistas inexistentes (mesmo que baseadas na verdade) e depois apresentar aos entrevistados para que concordassem. É claro que nem todos os jornalistas agiam desta forma, mas a esperteza destes velhos jornalistas me chamou a atenção.

Por outro lado eu lembro de uma história (ou lenda) de que um dos primeiros empregos do Woody Allen foi criar frases inteligentes e espirituosas para serem proferidas – com falsa originalidade – por atores de Hollywood, celebridades emergentes e políticos americanos. É provável que muitas reputações na época tenham sido forjadas por este artifício. É possível também que muitos “grandes” jornalistas do passado usavam estratégias deste tipo; talvez fosse mais usual do que imaginamos. Imensas entrevistas prontas eram entregues ao “entrevistado” apenas para conferência. Mentiras que se eternizaram pela criatividade de quem tinha a atribuição de (d)escrever a história.

E as biografias históricas de personagens do passado distante, escritas pelos colunistas sociais da época? Que verdades podemos retirar de tais textos? Quantos canalhas perversos recebem estatuto de santidade hoje em dia por histórias fabricadas dessa forma? Quantos sujeitos íntegros foram destruídos em vida, e após ela, por estas artimanhas?

Eu também não sabia da real autoria da frase sobre os intelectuais e a miséria e jurava que a frase era de Joãozinho 30.

A propósito de Woody Allen, ele escreveu um conto em que o presidente dos Estados Unidos diz a um assessor direto:

– Quando estivermos em reunião mais tarde pergunte-me “Qual o tamanho ideal das pernas de um homem”. Entendeu?

– Mas por que essa pergunta, senhor, indagou o assessor surpreso. 

– Ora, porque tenho uma ótima resposta: “Ideal para que alcancem o chão”. Não é maravilhoso?

Eu sempre interpretei essa piada do Woody Allen como um resquício do tempo em que ele fazia exatamente isso para políticos,  celebridades e atores. Entregava uma piada pronta, ou uma observação espirituosa, e pedia para alguém servir de “escada” para que fosse dita em público.

Isso não é a história sendo descrita ou contada; é a história sendo fabricada.

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Aforismos

golpe

15.

“A diferença entre as duas manifestações – contra e a favor do golpe – é que uma é a favor da democracia independente do partido e a outra é contra o partido independente da democracia.”

16.

“Quem precisa de mentiras para validar suas posições reconhece o fracasso de suas ideias.”

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Fogo Fátuo

Palavras que Max me passou por telefone, enquanto discutíamos a infinita criatividade de alguns críticos das últimas medidas governamentais sobre as cesarianas abusivas.

“Quando os detratores de uma ideia precisam apelar para o destempero das mentiras é porque sua causa já está perdida há muito tempo, e o que ainda se escuta e lê de seus defensores é apenas o fogo fátuo, eflúvios gasosos dos corpos em putrefação.”

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