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Fuga da Venezuela?

Uma recente publicação (veja aqui) avalia os fluxos migratórios entre países da América Latina e a Venezuela é os achados brutos demonstram que mais brasileiros, argentinos e colombianos atravessaram as fronteiras em direção à Venezuela do que o oposto. Isso confronta diretamente a tese de que existe uma “fuga” maciça do “bolivarianismo venezuelano” e de que haja uma “catástrofe humanitária” ocorrendo com nosso vizinho. Uma recente visita de um alto funcionário das Nações Unidas desmente peremptoriamente a ideia de que haja uma tragédia em curso (veja aqui)

Mais uma pedra sobre a falácia da “crise humanitária” Venezuelana e uma prova cristalina da manipulação das informações que nos chegam através do cartel de mídias brasileiras. Isso lembra a Guerra Fria e os “informes de Moscou” onde tudo que chegava a nós sobre o comunismo era distorcido e manipulado. Felizmente hoje existe a Internet e os mecanismos de avaliação mais abrangentes do que efetivamente ocorre.

Crise humanitária? Um terço da população AMERICANA vive abaixo da linha da pobreza. O capitalismo está nos seus estertores, conforme a exata previsão de Marx —> o movimento do capitalismo é para a periferia deixando seus próprios países com um vazio de empregos, o que resulta em sentimentos ódio aos imigrantes e a eleição de “salvadores” populistas e proto-fascistas (como nos Estados Unidos). Os ricos ficam mais ricos com o pagamento mínimo de trabalhadores periféricos, mas com o tempo os produtos produzidos não podem ser mais comprados pelos trabalhadores desempregados ou descapitalizados. A crise é inevitável, mas a situação se mantém pela propaganda e pela obstrução (temporária) da verdade.

Os bodes expiatórios acabam sendo criados baseados em oportunismo e interesses, quando em verdade o problema é a própria estrutura capitalista da sociedade.

O capitalismo disfuncional termina por colocar o cidadão insatisfeito diante de um dilema: combater os fantasmas criados pelo capitalismo decadente (a corrupção, a criminalidade, os imigrantes, os petralhas, o comunismo, os sindicatos) que, apesar de existirem e muitas vezes serem problemáticos, NÃO SÃO a origem dos problemas estruturais pelos quais passamos, ou olhar para o envelhecimento e a senescência de um modelo de três séculos que mostra sinais de falência sistêmica. É mais fácil procurar a chave perdida sob a luz da lamparina do que procurá-la onde verdadeiramente se encontra: na escuridão dos modelos que valorizam o capital em detrimento do sujeito.

Enquanto isso nós continuamos a pregar em favor de um modelo doente terminal com argumentos saídos dos gibis do Capitão América.

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