Arquivo da categoria: Parto

Poder e Evidências

O Poder vale mais do que as evidências.

Esta visão do processo fisiológico do parto vai perdurar enquanto o parto for classificado pelos homens, e a partir de suas perspectivas. Mas quando vejo este tipo de protocolo eu lembro que eu me insurgia contra esta imposição há 30 anos, e eu já fazia isso baseado nas evidências da época, e não em visões românticas ou pessoais.

O que mais me impressiona é que passadas três décadas de profundas revoluções, em especial no terreno da disseminação de informação, ainda temos uma visão OFICIAL de parto, disseminada em serviços universitários, que já era velha há 30 anos.

O que acontece com os donos do parto, que se negam a ver as mudanças na própria ciência e mantém uma visão depreciativa da mulher e suas capacidades? Trinta anos se passaram e o mesmo modelo se mantém.

Em verdade o que se expressa nesse papel são os últimos suspiros do patriarcado, uma forma de controlar a mulher cerceando sua liberdade e controlando um dos aspectos mais fundamentais da sua sexualidade.

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Nascer em Paz

“O nascimento em paz é uma força capaz de galvanizar energias transformadoras e produzir reverberações que atravessam gerações. Hoje já temos uma grande legião de pequenos que tiveram a oportunidade de vivenciar partos mais suaves e dignos e cuja vivência fará a diferença no futuro. Muito bom saber que existem obstetras, parteiras, doulas, pediatras e demais profissionais que conseguiram entender a amplitude e o significado dos primeiros instantes e dos primeiros anos para muito além da saúde física e do “silêncio dos órgãos”.

A estas pessoas – que ousaram olhar o parto com cuidado e delicadeza, rompendo a fronteira do “cuidado com as doenças” e olhando para cada gesto e cada palavra com responsabilidade – o meu profundo agradecimento. Estes profissionais estão ajudando na construção de uma nova humanidade, cujo imprint inicial será o do amor e do afeto, e não mais o da violência e do abandono.”

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Mitos ruidosos

Mitos que caem ruidosamente.

É curioso como o surgimento desses mitos médicos sempre coincidem com benefícios e privilégios para os setores que detém o poder. O mito da “segurança” superior da cesariana em várias circunstâncias (gestação a termo, cesariana anterior, pélvicos, gemelares) só consegue prosperar e florescer porque beneficia médicos e instituições. As vantagens do parto vaginal, em contrapartida, não conseguem se estabelecer com facilidade exatamente pela mesma razão: o parto vaginal agride o desejo e a própria formação tecnicista dos médicos.

Para a atenção a um parto múltiplas habilidades são requeridas, enquanto para uma cesariana bastam as qualidades técnicas. Mas, como os profissionais médicos detém o poder autoritativo, as evidências só produzem diferença quando reforçam este poder, e não quando se contrapõe a ele.

Veja aqui o estudo que demonstra a segurança de provas de trabalho de parto para gestantes com 3 ou mais cesarianas.

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Nomear e Apoiar

Creio que um dos principais problemas que permeia os debates sobre parto é confundir nomeação e suporte. Muitas mulheres e homens – e boa parte dos ativistas – ainda não entenderam que existem dois temas envolvidos nessa discussão e insistem em confundi-los.

É fundamental a importância de NOMEAR uma cirurgia abdominal, como uma cesariana, para conter seus abusos e combater sua banalização, que tantas vidas ainda coloca em risco e tantas frustrações gera nas mulheres. Por outro lado, e de forma concomitante, há a necessidade de APOIAR as puérperas em qualquer circunstância. Estas etapas são INDEPENDENTES, mas criamos a ilusão de que são uma só.

Infelizmente acreditamos que mentir – para mulheres ou crianças – é uma forma de acolhimento e carinho.

Assim sendo, podemos (devemos) nomear com precisão o que aconteceu com uma mulher que pariu e ao mesmo tempo lhe oferecer apoio empático e incondicional. Podemos usar a correta nomeação seguida de apoio, como em: “Você teve infelizmente uma cesariana mas lutou bravamente por dar o melhor ao seu filho”. Alternativamente você pode não nomear e apoiar, mas isso permite facilmente cair na banalização, como em “Tanto faz a via de parto o importante é mãe e bebê estarem bem.” Sabemos como isso é usado por cesaristas. Outra possibilidade é nomear e não apoiar, como em: “Você teve cesariana e nenhuma mulher é verdadeiramente mãe se não passou por um parto”, e sabemos o quanto de crueldade esta afirmação carrega. Finalmente, você pode não nomear e não oferecer apoio, de maneira igualmente cruel e infantilizante, como em: “Não importa como foi o parto, nada justifica toda essa sua manha”.

Continuar a confundir estas etapas não ajuda em nada nos debates, além de atrapalhar demais a discussão sobre os caminhos a seguir. Desconsiderar a importância da VERDADE e do SUPORTE – que NÃO SÃO excludentes – é grave e continua produzindo tristeza e rancor, cobertos por uma grossa camada de culpa. Tratar as mulheres como adultas já não é mais uma “opção”, mas um dever de todos nós.

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Consciência e mudança

Por debaixo de um ato qualquer existe uma construção social e inconsciente que nos impele às ações. Mesmo quando o ato nos parece incongruente existe uma lógica que o sustenta além da nossa rasa compreensão. O que os torna fortes e longevos é sua conexão com o desejo, e não com a razão.

A episiotomia ocupa um lugar no próprio imaginário feminino, que aceita tais mutilações como o “preço a pagar” por ser mulher e trazer seu filho ao mundo com segurança. O mesmo ocorre com as mutilações genitais na África, onde as próprias mulheres ainda aceitam esse destino como justo, talvez como culpa ancestral pela própria condição feminina, sempre ligada ao pecado e ao erro.

Na China nenhuma das alunas enfermeiras obstetras de diversas províncias chinesas realizava episiotomia de rotina. Ficaram escandalizadas quando falei da nossa taxa global de 56% (e de estados do centro-oeste com 70% de taxa de episiotomia). E isso em um país em que quase todos os partos são em litotomia. Para elas episiotomia é uma conduta estranha e violenta. Conseguiram manter a ideia de um períneo intocado mas infelizmente sucumbiram aos modismos ocidentais como parto deitado, máscara, esterilização, separação mãebebê, hospitalização, etc.

Mudar essa condição será possível quando trouxermos tal construção histórica à luz. A simples evidência de sua inutilidade e malefício (cujos estudos comprobatórios já contam mais de 30 anos) não é suficiente para erradicar uma prática violenta, por mais evidências apontadas. É preciso mais do que razão; é necessário consciência política e organização social para pressionar pela extinção das más práticas.

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Rotinas hospitalares

As rotinas hospitalares são usadas, no dizer de Robbie Davis-Floyd e Brigitte Jordan como “tecnologias de separação“. Se existem raros casos em que esta distância e o confinamento de recém-nascidos são necessários o uso alastrado dessa prática tem muito mais significado pelo que carrega de forma invisível e simbólica. Esse afastamento manifesta uma atitude autoritária dos poderes delegados do Estado contra a autonomia da mulher sobre seu filho. O objetivo inconsciente destas condutas e rotinas é despojar a mulher do controle sobre seu filho, estabelecendo uma tirania da técnica e do conhecimento sobre a conexão mãe-bebê que recém se estabelece. Nesse momento especial é lançada a pedra fundamental para a construção de um sujeito subserviente ao Poder.

Nesses momentos sempre lembro a frase da minha amiga Mary, parteira da Holanda: “Você quer que seu filho nasça como paciente ou como cidadão?”

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Profissionalização

Creio que um dos principais problemas que permeia os debates sobre parto é confundir nomeação e suporte. Muitas mulheres e homens – e boa parte dos ativistas – ainda não entenderam que existem dois temas envolvidos nessa discussão e insistem em confundi-los.

É fundamental a importância de NOMEAR uma cirurgia abdominal, como uma cesariana, para conter seus abusos e combater sua banalização, que tantas vidas ainda coloca em risco e tantas frustrações gera nas mulheres. Por outro lado, e de forma concomitante, há a necessidade de APOIAR as puérperas em qualquer circunstância. Estas etapas são INDEPENDENTES, mas criamos a ilusão de que são uma só.

Infelizmente acreditamos que mentir – para mulheres ou crianças – é uma forma de acolhimento e carinho.

Assim sendo, podemos (devemos) nomear com precisão o que aconteceu com uma mulher que pariu e ao mesmo tempo lhe oferecer apoio empático e incondicional. Podemos usar a correta nomeação seguida de apoio, como em: “Você teve infelizmente uma cesariana mas lutou bravamente por dar o melhor ao seu filho”. Alternativamente você pode não nomear e apoiar, mas isso permite facilmente cair na banalização, como em “Tanto faz a via de parto o importante é mãe e bebê estarem bem.” Sabemos como isso é usado por cesaristas. Outra possibilidade é nomear e não apoiar, como em: “Você teve cesariana e nenhuma mulher é verdadeiramente mãe se não passou por um parto”, e sabemos o quanto de crueldade esta afirmação carrega. Finalmente, você pode não nomear e não oferecer apoio, de maneira igualmente cruel e infantilizante, como em: “Não importa como foi o parto, nada justifica toda essa sua manha”.

Continuar a confundir estas etapas não ajuda em nada nos debates, além de atrapalhar demais a discussão sobre os caminhos a seguir. Desconsiderar a importância da VERDADE e do SUPORTE – que NÃO SÃO excludentes – é grave e continua produzindo tristeza e rancor, cobertos por uma grossa camada de culpa. Tratar as mulheres como adultas já não é mais uma “opção”, mas um dever de todos nós.

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Dos nojos contemporâneos

Cada vez que vejo gestantes que passaram muitas horas em trabalho de parto e foram incapazes de ultrapassar asp dilatações mais iniciais fico a questionar o quanto a sociedade contemporânea contribui para este bloqueio . A razão para esse “rechaço” à parturição – potente porque inconsciente – é um mistério, mas acredito que se trata de algo do inconsciente relacionado fortemente à cultura contemporânea. O que aconteceria com essas mulheres no século XVI? Bem….provavelmente as mulheres deste tempo estavam inseridas em um conjunto de valores e experiências do seu tempo, radicalmente diferentes das experiências pelas quais passam na pós-modernidade.

Por certo que não há sociedade sem sujeito e não existe sujeito sem sociedade.

Quando conversei com parteiras do Tibet – que atendem mulheres pobres do campo – cuja Casa de Parto tem 1% de transferências hospitalares e uma taxa de mortalidade neonatal baixíssima, me dei conta que elas estão submetidas à uma sociedade “pré-moderna” que, ao mesmo tempo em que lhes sonega as benesses da modernidade, da liberdade, da autonomia, do acesso ao conhecimento e instrução, lhes retira também uma conexão mais plena e completa com seus corpos e seus ciclos.

Claro que nem toda mulher dilata, mas o que eu pergunto é: por que as tibetanas “dilatam” e tem filhos com facilidade, enquanto as ocidentais tem tanta dificuldade? Não é uma diferença física, por certo. Ninguém vai conseguir me provar que as pelves, músculos e demais tecidos moles das tibetanas são diferentes daqueles de uma brasileira ou americana. Portanto, a diferença BRUTAL precisa ser algo ligado à cultura, aos valores e à própria expressão da sexualidade.

Não se trata de uma crítica à atenção obstétrica como a conhecemos mesmo sabendo que essas coisas acontecem. Todavia, para estas existe em causa explicável e objetiva. Minha busca está para as situações cotidianas em que o trabalho de parto não anda, estanca e fica interrompido sem que para isso haja qualquer razão evidente. São aquelas situações corriqueiras em que os médicos dizem “ela não houve dilatação”. Por outro lado se reforça a constatação de que a mulher contemporânea burguesa, inserida nessa cultura tecnológica e cosmopolita, acaba se comportando de forma diferente e com dificuldades e impedimentos no parto que antes eram raros ou desconhecidos.

Esta sociedade atual se tornou cheia de nojos e de bloqueios. As mesmas mulheres que cortam seus pelos pubianos, rechaçam os gritos do parto e não suportam odores e fluidos orgânicos são as que também vão rechaçar o parto e toda a sua sexualidade animal, profunda e primitiva.

Criamos uma sexualidade estéril em todos os sentidos, bacterianos e emocionais.

Costumamos procura as respostas a estas perguntas onde elas normalmente não estão. O que comanda o parto – e todos os aspectos da sexualidade – é o mundo das sombras, do breu, do inconsciente. Lá, onde guardamos nossas lembranças mais primitivas, é onde se escondem as forças que nos impulsionam.

O patriarcado (não confundir com “os homens”) não suporta um modelo que questiona as bases constitutivas do seu sistema de poder. Parir com autonomia tem o mesmo efeito perturbador – e potencialmente devastador – de fazer sexo com total liberdade. Por isso as instituições poderosas como igreja, medicina e política sempre que possível tentam impedir a expressão da potencialidade sexual humana.

Meu questionamento sincero é: como ajudar as mulheres a redescobrir – resgatar, despertar – suas capacidades inatas e ancestrais de parir com tranquilidade e suavidade SEM retroceder nas conquistas de autonomia e liberdade, as quais foram duramente conquistadas nos últimos dois séculos? Mais ainda: como fazer que isso seja acessível a todas as mulheres e não apenas àquelas pertencentes a uma determinada casta social?

Outra possibilidade é admitir que a sociedade tecnológica fechou as portas para a vivência plena da sexualidade – pelo menos a feminina, mais complexa e delicada. Pergunto: Haverá como compatibilizar partos tranquilos e suaves com uma vida burguesa moderna? Sim ou não?

Se a resposta for negativa, valeu a pena o IPhone, a isonomia salarial, as famílias pequenas e a TV de plasma?

Se, ao contrário for positiva, qual a solução para recuperarmos os partos perdidos?

Os anos vindouros talvez nos mostrem uma síntese dos paradigmas digladiantes, onde será possível garantir os ganhos de autonomia para as mulheres sem que elas precisem perder a vivência com o sagrado de seus corpos, seus ciclos, seus partos e seus mistérios.

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Epílogo

As manifestações violentas dos representantes de sistemas de poder sempre acontecem no epílogo de todos os modelos hegemônicos. Um pouco antes da morte de um paradigma sobrevém o terror, como natural manifestação de desespero. O modelo médico obstétrico está doente e decadente, mas vai levar ainda muitos anos para ser substituído. Enquanto isso não acontece aqueles que o sustentam precisam lançar mão da violência verbal – e corporativa – para contrapor às evidências trazidas à tona pela nova consciência emergente, aquela que vai estruturar o novo paradigma.

A ferocidade dos ataques está, portanto, no script. Ela faz parte do ocaso de qualquer paradigma. Não se incomodem tanto com tais manifestações de ódio; elas são apenas como náufragos se debatendo e se agarrando nas vigas de madeira de um navio que aos poucos afunda.

“A cada dia que passa, e a cada nova descoberta, eu agradeço a Deus por ter me colocado do lado certo da história, mesmo que o preço a ser pago por estas escolhas seja a dor, a tristeza, o exílio e, por fim, o amargo esquecimento”.

Amália Contreras del Arroyo, “El Llanto de las Cascadas” Ed. Footprint, page 135

Amália del Arroyo é uma parteira nascida em Cuzco, no Peru, tendo desempenhado um importante papel na consolidação da parteria em seu país. Escreveu “O Pranto das Cachoeiras” como uma série de histórias e artigos relacionados com a parteria tradicional da cultura andina, em especial do Quíchuas – grupo indígena da região do Chile até a Colômbia e língua falada pelo império Inca. Neste livro ela descreve especificamente da destruição das culturas de parto indígenas pelo modelo tecnocrático e a desnaturalização do nascimento nas culturas ocidentais. Mora em Lima e tem 4 filhos.

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Os Frutos

Há muitos anos eu imaginava que a verdadeira revolução na assistência ao parto seria uma modificação da estrutura da sociedade, em seus aspectos mais profundos. As condutas médicas durante o parto nada mais eram do que a ponta final de um processo que emergia das profundezas da estrutura social. A violência obstétrica era, no meu ver, como um osso de dinossauro na superfície do deserto, que tanto nos permitia perceber o gigantismo do animal quanto a tarefa hercúlea de desenterrá-lo.

Muito cedo me dei conta que a tarefa de reescrever a história do nascimento jamais se daria através da simples ampliação da consciência dos profissionais, seja pela alteração nas “práticas médicas” ou pela transformação das estruturas hospitalares. Isso seria reconhecer os poderes instituídos e tão somente suavizar sua opressão. Na época eu chamava este modelo de “sofisticação de tutela”.

Eu sabia que para mudar a forma de nascer precisávamos mudar a sociedade. Essa sociedade, assim consciente dos sentidos profundos do nascer, não mais permitiria que o parto se tornasse um foco disseminador de violência, exclusão e opressão, envolto na dura carapaça da misoginia. Sabia também que as vias de transformação se dariam através da medicina baseada em evidências e da interdisciplinaridade para enfim chegarmos ao pleno protagonismo do parto garantido às mulheres.

Para isso acontecer deveríamos contemplar 4 pontos essenciais:

A sociedade
Os profissionais
A mídia
Os operadores do direito

Nossa luta com junto à sociedade se dá há quase 30 anos, não só pela nossa ONG mais importante – a Rehuna Humanização Do Parto – como por tantos outros organismos surgidos espontaneamente. Citarei a Parto do Princípio e o GAMA como exemplos dessas instituições. Assim a sociedade – em especial as mulheres – sempre foram o foco primordial de nosso ideário. Se uma revolução no nascimento pode acontecer só será se forem as mulheres a conduzi-la.

Os profissionais humanizados se reúnem há mais de 20 anos para debater, questionar, construir um novo paradigma e disseminar sua visão renovadora através de artigos científicos e livros “à mancheia”, mostrando que temos, sim, muito a dizer e oferecer para esta luta. Dos encontros da Fadynha Doula, até os grandes congressos internacionais e o Siaparto, construimos uma rede segura e forte de disseminação de conhecimento embasado em evidências, reunindo profissionais de vários campos nesse debate.

A mídia ao poucos “vira o fio”. Se antes nos tratava como “malucos” ou “românticos” aos poucos reconhece que os partos humanizados são a ponta de lança da atenção qualificada. Os meios de comunicação hoje reconhecem que o combate ao intervencionismo é uma batalha que rompeu todas as fronteiras, que o excesso de medicalização prejudica a saúde da população e que o caminho é pela suavidade, pela “slow medicine” e pelo respeito aos direitos reprodutivos e sexuais. O sucesso de “O Renascimento do Parto”, a espera “angustiante” pela sua continuação e a produção de tantos outros documentários mostram que a visão da mídia sobre nossas palavras está mudando de uma forma bastante positiva.

O último elemento, o qual me motivou a escrever esta resenha, é a participação dos operadores do direito. Hoje a ReHuNa fez-se ouvir na Organização dos Estados Americanos, em Buenos Aires – através da brilhante advogada Ana Lucia Keunecke – que foi levar aos delegados desta instituição a voz dos ativistas do parto do Brasil junto com nossas denúncias de violência obstétrica. Tivemos a oportunidade de mostrar às Américas como se dá a perseguição sórdida protagonizada por corporações contra médicos, enfermeiras obstetras e doulas que lutam por partos mais dignos e menos violentos. Pudemos sensibilizar os delegados de muitos países irmãos para a nossa luta contra a violência institucional aplicada às gestantes, numa violação inaceitável de tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Importante também salientar a importância da Artemis como participante das lutas pela dignidade garantida às gestantes, mostrando que nossa paixão invadiu o universo do direito e lançou sementes que aos poucos mostram seus frutos.

Assim, minhas previsões todas estão se cumprindo. Entretanto, erra quem pensar que esta tarefa está próxima de seu término. “Longo é o caminho de quem deseja trazer luz e discernimento“. Humanizar o Nascimento é garantir o protagonismo à mulher e, enquanto nossa missão não for cumprida, haverá sempre razão para continuarmos firmes nesta trajetória.

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