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Lixo

Já pensou a situação de um policial que prende o mesmo meliante todas as semanas cometendo o mesmo crime? Ou quando esse morre e percebe que outro ocupou a sua vaga?

O que dizer do médico que trata as verminoses das crianças que moram ao lado do valão imundo que atravessa a favela? E o mesmo profissional que trata indefinidamente uma hipertensão cujas causas estão debruçadas em uma vida já cheia de pressões e dramas terríveis? E a professora que pede que seu aluno, que mal se alimenta direito, leia os livros que ela recomenda?

Como se sente um profissional que percebe que sua atuação é insuficiente para mudar a realidade, e que tudo o que faz é enxugar o gelo de um problema cuja abrangência seu trabalho é incapaz de alcançar?

Há que ter muita força de vontade para enfrentar o cotidiano dentro de um sistema que nos esmaga, nos fere e nos maltrata. Na verdade, dentro desta sociedade somos meros lixeiros, e nos limitamos a retirar uma parte dos rejeitos emocionais e sociais que nos sufocam, pois que a cada dia se multiplicam e se acumulam.

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Férias

Li uma publicação justificando o fato de professores terem férias duas vezes por ano com argumentos do tipo “fizemos concurso público, temos correção de provas, 40 alunos em sala de aula, seminários, congressos, reuniões, muito estudo, dedicação, etc.” Para mim bastaria dizer que existem dois períodos de férias; professores têm porque os alunos têm. Mas as explicações para serem “diferentes” dos demais me incomodaram

O problema é que qualquer profissão exigiria duas ou três férias por ano (e auxílios variados) com esse tipo de justificativa. Professores não são melhores que médicos, juízes, comerciários, é muito menos piores. Professor deveria ganhar um salário ótimo, excelente, tão bom quanto estes outros profissionais (sim, porque médico deveria ganhar mais que professor???) e não mordomias ou penduricalhos baseados em sua excelência. Deveria ser igual para todos. O que me incomoda nesse tipo de publicação é que ela é IDÊNTICA à dos juízes justificando os salários abusivos, auxilio creche, auxílio terno, gravata e duas férias por ano. Afinal, são concursados e fazem (segundo eles próprios) um trabalho excelente e muito sacrificial.

Por que não poderia ser o mesmo para todos? Férias iguais, imposto de renda de acordo com o que ganha e a ambição de qualquer tipo de benefício que os outros não possuem.

Acho que professor deve ter 30 dias de férias, como todo mundo. Ou duas vezes por ano para acompanhar as férias escolares (e não porque são “especiais”). Ou até mesmo 60 dias por ano, quando valer para todos os outros trabalhadores.

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Mestres

Max estava conversando pelo WhatsApp comigo há uns 5 minutos e terminou a conversa com uma fase que ficou na minha memória. Falava sobre professores e mestres, e a diferença entre ambos. Disse que um bom professor tem três características:

1- Conteúdo (informação, profundidade e atualização)

2- Capacidade de transmitir seu conhecimento

3- Humildade para que os dois anteriores não o transformem num arrogante cuja personalidade o afastará dos alunos.

Concordei com a ideia de Max e fiquei pensando que não tive nenhum professor na Universidade que tivesse  estas três características. O mais comum era sucumbirem na terceira e acabar soterrando capacidades e talentos sobre uma grossa camada de arrogância e vaidade.

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Mestre

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“Professor é aquele que diante do assombro da própria ignorância aceita o desafio de ensinar como único remédio.”

Um agradecimento especial àquelas que, sendo o evangelho que ilumina as mentes inquietas, oferecem a generosidade do seu saber como a maior lição.

Parabéns professores.

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Limites

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Há alguns dias assisti na Internet a cena absurda de um aluno adolescente agredindo e abusando de uma professora de uma escola pública de Minas Gerais. A cena gerou reações no país inteiro, das mais alteradas às ponderadas e compreensivas. Entretanto, as marcas da humilhação que esta professora sofreu não serão fáceis de cicatrizar.

Eu prefiro pensar nesse terrível episódio como uma oportunidade para reavaliar nossa postura em relação à disciplina na educação.

Para mim creio que se trata de uma “Pedra de tropeço”. Apesar de ser deplorável a ação, e lamentável sob todos os aspectos, talvez este episódio possa alavancar um debate que está décadas em atraso: a perda da autoridade que a escola e os professores tiveram nas últimas décadas.

As causas são múltiplas, por certo, e certamente eu não sou a pessoa mais capacitada para desenrolar o nó das relações entre escola, professores e alunos. Todavia, eu lembro muito bem da relação que tínhamos com os mestres no meu tempo de escola.

Havia respeito.

Hoje esse respeito desapareceu, e suspeito que isso também tenha a ver com a mercantilização do ensino privado, onde o aluno deixa de ser aprendiz e se torna “cliente”, um consumidor de produtos e serviços educacionais. A escola, como “negócio, precisa manter seus clientes.

Isso não explica o fato nas escolas públicas, como neste caso, mas aí concorrem outros fatores, como a complacência da cultura contemporânea com a agressividade e a falta de limites dos alunos. No filme percebe-se que o aluno age do alto de uma profunda percepção de impunidade, mas aí pode entrar um outro fator: a desimportância do estudo e da formação escolar formal para determinados segmentos sociais. Afinal, se for afastado da escola, o que terá a perder? O estudo, em geral, não está no horizonte de muitos jovens marginalizados, e a escola não passa de uma obrigação, quando não um estorvo.

Para que isso deixe de acontecer não existem soluções simplistas. Não será com repressão – como fica fácil reivindicar nestas horas de indignação – mas somente com uma alteração da própria cultura e sua relação com a educação.

Tarefa difícil, mas que o episódio deixou claro ser urgente.

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