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Corrupção nossa de cada dia

Claro que houve corrupção nos governos do PT, em especial pelos múltiplos acertos com outros partidos para alcançar a governabilidade com um congresso fisiológico e oportunista. Entretanto, foi graças às próprias iniciativas do PT em relação à transparência essas corrupções foram descobertas. Não há porque ser menos incisivo contra a corrupção do PT ou de qualquer partido, pois todos os governantes devem ser vigiados pela população.

O problema desses debates é que esta é uma questão diversionista. A corrupção não é NEM DE LONGE o pior problema do Brasil A corrupção que nos ocupamos, aliás, é FARELO DE PÃO. Ou você acha que um triplex – mesmo que existisse – seria algo que deixou o Brasil mais pobre? Nem o roubo – que existiu com a turma do PMDB – deixou a Petrobrás mais pobre. Pelo contrário!!!! Nos governos do PT e Petrobras, com todos os desvios que foram descobertos, multiplicou por OITO VEZES o seu valor, mesmo havendo uma comprovada corrupção.

O problema do Brasil não está nessas questões menores; ela está na elite de rapina que nós temos, na concentração indecente de renda, na divisão do Brasil entre extremamente ricos e miseráveis, e em uma classe média ignorante porque compra carro novo e se acha rica. O que diferenciou o PT dos outros governos TODOS, que foram de DIREITA desde a “descoberta” por Cabral, é que o PT tinha um projeto de nação, enquanto Bolsonaro aceita a invasão americana e internacional sobre nossas riquezas. Por isso a continência à bandeira americana e o amor por Israel – uma nação criminosa e racista.

A diferença é que nos governos do PT havia crescimento continuado e felicidade. E foi exatamente PELOS ACERTOS do PT que essa mesma elite predadora que nos controla a todos fez uma campanha – orientada pelos americanos – para destruir a imagem das esquerdas usando esses argumentos morais: são corruptos, ladrões, etc. E não se importaram de apresentar mentiras escandalosas e inumeráveis: kit gay, mamadeira de piroca, Ferrari do Lulinha, Havan da filha da Dilma, Triplex, sitio em Atibaia e o fiasco de criar a fantasia da caixa preta do BNDEs – que o próprio Bolsonaro desmentiu de forma humilhante.

Se o PT for corrupto tem mais é que acusar, mas NÃO É ESSE O PONTO CENTRAL, mas sim saber que tipo de governo e que tipo de nação ele propõe, como pretende acabar com a pobreza, como vai distribuir renda, como vai taxar fortunas, como vai usar impostos, quanto vai colocar de imposto em heranças, como vai proteger mulheres e crianças, como vai defender as populações nativas, como vai proteger o SUS, como vai agir com as estatais e como vai implementar um programa de incentivo à indústria nacional que não destrua o meio ambiente.

O resto é apenas MANIPULAÇÃO e LAVAGEM CEREBRAL da mídia, ou lawfare do judiciário. Anote aí: qualquer pessoa que fale dos problemas do Brasil citando a corrupção como “mal maior” não sabe o que fala e está apenas repetindo tolices de quem deseja lhe manipular

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Salário de Políticos

Que impacto seria produzido se cortássemos o salário dos políticos pela metade? O que isso representaria em dinheiro para o país? Por que deveríamos cortar o salário de políticos e não de presidentes de estatais, funcionários graduados, juízes e membros do MP?

Com sinceridade, a tese que coloca o salário dos políticos como “o problema” é uma bandeira da direita. O sonho dos extremistas do Estado Mínimo é que políticos trabalhem de graça, porque desta forma apenas os empresários e ricos poderiam exercer essa função, pois não precisam trabalhar para ganhar seu sustento.

Culpar desta forma os políticos e seus salários é um discurso que tenta atingir a POLÍTICA representativa liberal, e serve aos interesses autoritários.

PS: claro que alguns abusos devem ser cortados, como permitir que políticos populistas e reacionários aluguem BMW com dinheiro público. Ou as verbas de gasolina. Ou tantas outras falcatruas inaceitáveis. Mas culpar seu salário pelos problemas no Brasil é absurdo, ou oportunismo…

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Propinas

Minha crítica a esse instituto tipicamente americano de dar “tips” (gorjetas, propinas) para as tarefas mais braçais e diretas vem de longa data. Lembro bem de um filme com Brad Pitt em que ele tenta oferecer uma ajuda em dinheiro a uma dupla de árabes que ajudaram sua mulher a se salvar e a expressão de assombro de ambos ao rechaçar a oferta. “Como assim me dar dinheiro por fazer minha obrigação? Como poderíamos agir diferente?”.  

Já pensou que ninguém dá gorjeta para médicos, advogados e engenheiros? Também ninguém da gorjeta para o cozinheiro, que igualmente ganha muito mal. Entretanto, a gente dá gorjeta para o garçom, o entregador de pizza e o taxista. No fundo a cultura da gorjeta é um tratamento preconceituoso e que desonera o patrão. E digo mais… assim como acabou no mundo todo também está acabando nos Estados Unidos. Esta semana li um artigo na Time sobre a mudança nesse cenário partindo de redes de restaurante que estão adotando uma estratégia que “nunca ninguém pensou” (irony on): incluem a gorjeta na conta. Propinas não passam de um anacronismo.  

É como a adoção do “preço inglês” nos anos 30-40 em substituição à livre negociação. Antes as lojas não colocavam preço no produto e tudo era negociado diretamente, como ainda hoje ocorre em lugares como as Medinas de Marrakesh. Tente imaginar entrar numa loja de eletrodomésticos e “negociar” o preço com o vendedor. O problema é que essa estratégia toma tempo demais e por causa disso se adotou o chamado “preço inglês” que nada mais é do que o preço fixo do produto. Isso poupa energia e tempo, mas deixa a compra-venda menos artística e folclórica.  

Não há nenhuma razão para que a tradição das gorjetas se mantenha nos tempos modernos, mas a argumentação de que tal relação tem que continuar existindo porque “os salários são baixos” é a mais absurda possível. Ora… lutem por melhores salários!!!   Imagine contratar uma secretaria ou uma balconista e lhe dizer “O salário é baixo mas batalhe umas gorjetas que você pode ganhar melhor“.

Mas… como se “batalha” uma gorjeta? Ora… com as armas do constrangimento. Na verdade os trabalhadores (verdadeiramente mal pagos) raciocinam assim: é mais fácil pressionar e constranger o consumidor do que lutar contra os patrões poderosos. Essa é a receita para a exploração: empurrar a culpa pelos baixos rendimentos para o mais frágil na relação. No caso, aqueles consumidores que temem um motorista rude, um atendimento constrangedor ou uma comida mal feita e mal servida.  

Ah… mas falar isso aqui nos Estados Unidos é como questionar a virgindade de Nossa Senhora dentro do Vaticano.

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