Arquivo da categoria: Pensamentos

Defensoras da Mulher

Associacao Portuguesa

Para as companheiras da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gestação e Parto.

“A integridade e dignidade de uma nação se mede pela proteção que oferece aos mais frágeis. Proteger as mulheres no sagrado tempo da espera e do êxtase pela nova vida é a missão nobre que cada um de nós carrega no coração, pois, ainda que apenas elas tenham a condição de gestar em seu ventre, somos todos nascidos de mulher, e carregamos por toda a existência a dívida com o feminino e o respeito com o milagre através do qual recebemos a vida.”

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Desamor Canino

Cão

O ano de 2014 – eu me dei conta agora – foi um dos mais difíceis da minha vida. Resta esperar que 2015 seja mais suave.

Mais de 2015 eu já aprendi uma lição: Jamais espere que alguém possa lhe perdoar por algo que você não fez. Fico pensando em algumas pessoas que explicitamente me detestam e tento me lembrar algo de rude, torpe ou grosseiro que tenha feito… e, por mais que honestamente tente recordar, não lembro de nada. Nenhuma atitude verdadeiramente má me vem à mente, até porque a própria distância impediria ou dificultaria isso. Pior, algumas dessas pessoas (sim, várias) foram sempre alvo de elogios sinceros e de admiração que – me obrigo a confessar – continuam válidos inclusive agora, quando os laços de amizade foram definitivamente desfeitos.

Todo mundo, eu acho, já passou por isso. Uma coleguinha na escola, um professor, um integrante da turma de amigos, um colega de escritório ou a sogra, um desconhecido no trânsito, um chefe, um motorista de táxi ou uma menina bonita… que não vai com a sua cara. Nada importa o que você fez ou venha a fazer: você está condenado a ser desconsiderado e, se bobear, odiado eternamente.

A questão central, e a mais difícil de entender, é a unilateralidade. Um problema semelhante, mas diferente nas consequências, é quando os desafetos se relacionam com as “santidades“. Isto é: quando ambos os sujeitos confessam suas mútuas malquerências com a famosa expressão: “nossos santos não batem“. Bem, ainda aqui ao menos existe a reciprocidade; a raiva e os sentimentos negativos são compartidos entre ambos. Para estes casos, quando possível, o melhor é um simples distanciamento.

Todavia, existe um modelo muito mais doloroso, o qual chamo de “desafeto canino”. Acreditem, este é bem pior. Existem pessoas que odeiam os cães, os maltratam, desprezam, chutam, deixam passar fome, mas o pobre cão não passa a lhe odiar por causa disso. Ele está lá, sempre olhando, admirando e o considerando alto, forte e vigoroso, sem ter qualquer noção do que leva você a tratá-lo tão mal. Ele o admira e ama, apesar de você desprezá-lo.

Esta é a tristeza do modelo canino: não se trata de algo que o cachorro fez ou deixou de fazer. Ele pode ter os esfíncteres mais educados do mundo, o latido mais gentil, o ferormônio menos ofensivo, e mesmo assim ser maltratado. A verdade é que a sua própria condição canina é o que obstaculiza, e por vezes impede, o afeto.

Desgraçadamente ele não pode, sob pena de desaparecer, deixar de ser cão. É da sua essência, imutável, eterna. Ele está condenado a ser desamado por você.

Para nós humanos, que sofremos no desamor canino, o que sobra é a brutal sensação de impotência ao perceber que a desafeição nunca foi fundada em algo que realmente fizemos, algum ato de desprezo, desconsideração ou maledicência. Não… o desamor vem porque representamos algo, ocupamos um lugar subjetivo, pessoal, inconsciente e independente de fatos objetivos que pautam qualquer relação. Não foi algo que fizemos, mas algo que “somos”. E sobre quem somos, para o imaginário daquelas pessoas, não há nada que se possa fazer.

Podemos apenas lamentar e nos entristecer, mantendo a esperança que um dia  possamos ser vistos com olhos mais condescendentes.

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A gente não quer só comida

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Esse pensamento que li alhures me fez pensar:

“Talvez não devêssemos pensar porque os alimentos orgânicos custam tão caro, mas porque os industrializados custam tão barato”.

Um questionamento razoável seria: porque os partos industrializados pagam tão mal e custam tão pouco para o sistema, e os nascimentos “artesanais”, em contrapartida, são necessariamente mais caros?

Faz sentido?

Ser tratado como um objeto em uma esteira de montagem, como de forma genial preconizou Henry Ford, tinha exatamente esta intenção: baratear os custos e maximizar os lucros. Uma cesariana em hospital faz o “produto” bebê ter um custo de produção muito menor, assim como a couve, a soja, o arroz e o milho tratados como agronegócio. Olhar para o nascimento como negócio e bebês como “mercadoria” nos levaria inevitavelmente para esta crise com que nos deparamos hoje.

Industrializando-se a vida como um todo teremos custos menores, e…. produtos piores. Não seria melhor questionarmos as vantagens de uma abordagem mais subjetiva para a comida e o parto, retirando-os da lógica capitalista e produtiva, e estabelecendo uma nova postura em relação à alimentação e ao nascimento?

Nunca li, mas acho que Michel Odent deve ter falado algo parecido em “O Camponês e a Parteira”….

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Palavras

Olizinho Palavras

“As palavras, vovô, as palavras. Nelas estão as verdades, codificadas, escondidas, nobres guardiãs de sentidos sutis. Conte para mim o que elas dizem, e mais ainda, o que não dizem. Explique para mim aquele silêncio perturbador que habita o vão que as separa. Diga, vovô, qual a razão para tantas palavras”.

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Felicidade

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O segredo do consumo é o incentivo à infelicidade.

Pessoas felizes não consomem além de suas necessidades. O que nos leva a comprar de forma desenfreada é a ilusão de prazer que é vendida com qualquer produto. O problema é que, após cada compra, percebemos que a felicidade não veio; o pedido é feito, mas não é entregue. Ao invés de questionarmos a proposta inicial (a felicidade que se vende) e investirmos mais em valores perenes e menos no efêmero dos fetiches do comércio, decidimos comprar mais e mais, na esperança de que o próximo produto, o modelo mais sofisticado, a última novidade possa, por fim, nos oferecer o que tanto procurávamos.

Em verdade, tudo o que é de fato importante na vida é totalmente gratuito…

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Feios, sujos e malvados

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Já se deram conta do drama terrível que atinge o cantor popular que lança um disco e vende 1 milhão de cópias?

Nunca?

Muitas vezes eu penso nesses temas que normalmente não nos tocam, porque parece a nós que estas circunstâncias não são compatíveis com sofrimento de qualquer natureza. Também fico encucado como “a dor de ganhar muito dinheiro“, as “dificuldades de ser bonito demais” ou as “agruras e sofrimentos de ter muito sucesso“.

Sim, penso em tese. Nunca fui agraciado com nenhuma das benesses acima citadas, o que não me impede de tentar entender como as pessoas podem se sentir prisioneiras de suas próprias virtudes e conquistas.

Imagine o homem bonito e suas dificuldades. Estou usando esse exemplo pela distância evidente e óbvia comigo, mas poderia usar a questão das mulheres lindas. A beleza ofusca todos os outros possíveis talentos. Um homem bonito naturalmente obstrui suas outras potenciais capacidades, pois a beleza lhe oferece um acesso fácil aos seus interesses e desejos. O mesmo se pode pensar do dinheiro. Para que estudar, aprofundar-se em temas, tornar-se crítico e inventivo se o dinheiro oferece um “bypass” para qualquer comodidade? Para enfrentar a beleza e o dinheiro e ainda assim tornar-se humilde, culto e interessante há que se transpor barreiras muito complexas e difíceis, principalmente porque elas se opõe à própria natureza humana e a “lei do menor esforço”. Como ter certeza de que a mulher (ou homem) que se acerca, está encantado pela sua figura completa, ou apenas pela luz que emana de sua beleza ou riqueza?

Um músico de sucesso precisa manter o interesse das pessoas, pois o “amor” a ele devotado é embriagante, sedutor e cativante. Porém, tal devoção cobra seu preço, e o cantor cedo percebe que sua obra deixa de lhe pertencer, e passa a ser controlada pela expectativa que os fãs dele fazem. Os admiradores cobram do artista o amor a ele oferecido. “Vais nos agradar e retribuir nosso amor. Caso contrário será uma traição ao nosso carinho graciosamente oferecido, e por isso te odiaremos eternamente”.

Apesar de ser uma pessoa desprovida de talentos posso entender o quão difícil e tenebrosa é esta tarefa. Uma vez jogados no terreno do desejo alheio, como romper as amarras de dependência criadas? Como manter-se livre para criar, produzir, expor e demonstrar sem o peso da concordância e admiração do outro, que em última análise dá a medida do que chamamos sucesso?

Se o Latino resolvesse cantar música erudita, poderia? Seria perdoado? Seria aceito? O Roberto Carlos canta o que deseja ou o que sente que seu público exige dele? Quanta liberdade criativa existe naqueles em quem depositamos tanta expectativa? Paulo Coelho escreve o que quer, ou o que dele se demanda? Uma menina se apaixona mesmo por Justin Bieber, ou pela figura que ele representa? Como poderá ele saber?

Não estaria a verdadeira liberdade reservada apenas aos feios, pobres e desprovidos de excelência? Estes sim, podem escolher um amor sem que ele esteja contaminado pelos interesses, ofuscado pelo brilho fátuo da beleza ou misturado com a sedução dos talentos exuberantes. Só os feiosos tem certeza que o amor que recebem é verdadeiro. Só eles podem estar seguros de que seu amor é “dar algo que não se têm”.

Para os que escrevem, e aí o gancho que eu percebi no cotidiano, nada alivia mais do que decepcionar algumas pessoas. Assim libertos dessa pressão, é possível usufruir, mesmo que de forma limitada e parcial, um pouco de liberdade.

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Riso

Risada

“Então na derradeira força o bebê nasceu. Um suspiro seguiu-se de uma gargalhada. O pai ao meu lado ria da simplicidade da vida. Sua risada era pela maravilhosa e genuína beleza descomplicada de nascer em paz. Sua manifestação espontânea ecoou pela casa e contaminou a todos. “Riam todos, escandalosamente! Ela nasceu!” dizia sem palavras a sua sonora risada. Depois, ainda embevecido pelas cenas que seus olhos testemunharam, me disse, sem tirar os olhos de um ponto futuro: “Não pode haver no mundo sensação mais completa e grandiosa do que esta”.

Sorri e concordei… “

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A Culpa é da Mãe

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“Culpa Materna – Como livrar-se”. Minha mãe, quando havia discussões e debates entre os homens da casa (meu pai, eu e meus irmãos), sempre dizia: “Essa discussão é inútil; a culpa, no fim, sempre será das mães“… Era humor, mas também era tão verdadeiro quanto a frase que os franceses imortalizaram com “Cherchez la femme“…

Como diria o tio Ben, famoso filósofo do filme Homem Aranha, “Com grande poder vem uma grande responsabilidade“. Quanto maior a responsabilidade, maior a expectativa. Quando as expectativas pessoais não são cumpridas – o que é inevitável – sobrevêm a culpa. Quem tem mais poder nessa cultura do que uma mãe? Portanto, quem acabará sentindo-se mais culpada diante das inexoráveis adversidades que a vida nos reserva?

Todavia, eu também não creio que a mãe tenha uma culpa verdadeira. Estou falando de culpa presumida, culpa imaginária. E isso as mulheres mães tem de sobra! E, de fato, o fardo da culpa feminina é pesadíssimo. Você já deve ter tratado de mulheres que sofreram todo o tipo de abuso durante um casamento violento e insatisfatório. Você conhece muito bem este tema. Pois mesmo as mulheres que colecionam B.O.s e que se separam para salvar a sua vida e a dos filhos sentem uma culpa brutal por estarem “destruindo uma família”. Coitadas… sofrem a culpa por carregarem o fardo da mais forte das instituições humanas. A mãe, quem normalmente tem a iniciativa nas separações deste tipo, acaba sendo acusada pelos filhos e passa muito tempo sofrendo calada abusos e agressões (até dos filhos) por ser a “causadora” da separação.

Pobres mulheres! É muito pesado ser mãe e mulher em uma sociedade desigual, mas já foi muito pior…

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Game Over

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Um parto é como um casamento: uma travessia cheia de percalços, dificuldades, problemas, atrasos, recuos e vicissitudes de todas ordem. De um nascem as esperanças de uma nova vida; de outro uma parceria que nos oferece a oportunidade de crescimento pelo choque constante com o desejo do outro. Tanto quanto os partos, os casamentos são sempre acompanhados da constante sedução da desistência. Basta olhar para o lado e iludir-se rapidamente com a promessa de uma vida melhor desistindo propostas outrora assumidas. Parece-nos tão simples, tão mais fácil e tão mais adequado fazermos as malas e deixarmos para trás um processo que se desenrolava, mesmo que com toda a sorte de transtornos. A tecnologia das cesarianas e dos divórcios nos ofereceu a escapatória limpa e simples para a troca de planos.

Por outro lado, é certo que existem partos e casamentos que precisam ser cortados à faca, pois que se tornam viciosos e agridem as estruturas emocionais daqueles que dele fazem parte. Para a toxicidade de alguns processos não há paciência que resista e nem lenitivo para a tortura do convívio. Para estes, não há porque insistir em um projeto que pode levar a mais tristeza, dor e sofrimento. Entretanto, cada dia mais fica evidente que a simples desistência diante de pequenas discordâncias e contratempos não soluciona as angústias na maior parte dos casos, apesar das crescentes facilidades. Muitos processos que precisariam de um tempo maior de amadurecimento – para sedimentar cumplicidades, reforçar compromissos e aplacar mágoas – são cortados pelas lâminas vorazes dos bisturis e dos cartórios. Nem todos se beneficiam dessa ação radical, e fica claro que é preciso mais ponderação ao fazer escolhas definitivas.

Uma lástima tanta pressa quando o que mais precisamos é paciência, perseverança e vontade de vencer obstáculos. Partos e casamentos duradouros escassearam no mundo moderno, mas será que isso tornou as pessoas mais felizes?

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Mãe boa, boa mãe

amamentar

A nova edição do BBB terá uma “stripper” que também é mãe de um bebê de 1 ano de idade. Quando foi divulgado que ela ficaria “confinada” na Casa alguns ativistas da amamentação questionaram se ela poderia ser considerada uma “mãe boa” deixando seu bebê longe da sua presença e também sonegando-lhe a possibilidade de ser amamentado. Quanto a estas questões, tenho algumas ponderações.

Brincadeiras a parte, concordo que uma pessoa pode ser avaliada de diversas formas, de acordo com o aspecto que queremos ressaltar. Entretanto, escolher um critério apenas para qualificá-la é injusto e certamente cruel. Eu tive a melhor mãe do mundo mas ela não amamentou nenhum dos seus filhos. Naquela época isso era “feio”, inferior e anticientífico. O correto, o que era estimulado, o que era propagado… era a alimentação por fórmula. Eu e meus irmãos fomos alimentados artificialmente. Minha mãe foi vítima do seu tempo, dos valores que a cercavam e das ideias que naquela época circulavam.

Freud usava regularmente cocaína para se distrair; John Lennon marijuana. Jung transou com pacientes histéricas. Nietzsche era maníaco e neurótico. Sócrates se opunha à democracia. Oscar Wilde, tinha uma vida sexual dupla. Ferdinand Celine era simpático ao nacional socialismo, Heidegger igualmente. Seriam todos degenerados, patifes, perversos? Ou apenas seres humanos com virtudes, defeitos e genialidades inquestionáveis?

Os valores são dos homens e mulheres; os defeitos são de seu tempo.

Julgar “não amamentadoras” é muito mais ruim para o movimento da amamentação do que para aquelas que por alguma razão (escolha ou impossibilidade) não puderam dar seu leite aos filhos. Precisamos trazer para o movimento da amamentação o mesmo debate que propomos para a humanização do nascimento: a “AGENDA POSITIVA”.

Reconheço a importância dos esforços pela amamentação que estão ocorrendo no Brasil, a força das ONGs de proteção ao aleitamento livre, público e irrestrito, a importância de levar adiante as queixas de constrangimentos às mulheres que amamentam e a premência de ESCUTAR as mulheres, para que as suas vozes sejam levadas em consideração e não caiam no vazio. Chega de machismo disfarçado de “decência”; somos contra a moral dúbia que sonega amamentação livre e permite a pornografia desenfreada em todos os meios de comunicação. Naturalizar o corpo não é o mesmo que comercializá-lo livremente para o lucro dos que vivem do escândalo e da futilidade.

Por outro lado, não podemos perder tempo apontando dedos, mostrando o “lado negro da força”. Raio Laser e muita luz para todos!! Precisamos ressaltar a impor\tância da amamentação, e não os malefícios do desmame. Precisamos elevar a mãe que amamenta a um patamar superior na sociedade, mas não podemos perder tempo desmerecendo aquelas que assim não puderam proceder.

Precisamos caminhar em direção à luz, e deixar as trevas de lado.

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