A conta

“Tanto Collor quanto Dilma foram eleitos sem ter a garantia de um parlamento capaz de sustentá-los. Nenhum deles jamais teve o carisma e a genialidade de Lula, que sempre teve o povo ao seu lado; nenhum presidente na história democrática moderna terminou seu governo com 92% de aprovação.

Collor e Dilma caíram por golpes parlamentares, apesar do caso Collor haver provas de crime eleitoral que ficaram claros no processo. No caso de Dilma se tornou impossível governar por causa das “pautas bomba” de Cunha e pelo impeachment, ações planejadas por Cunha-Temer para a desestabilização e o golpe. Mas não se iludam: o recorde de assassinatos em Pernambuco, que hoje testemunhamos horrorizados, está intimamente ligado ao golpe. Existe uma sensação clara de que não há porque obedecer às leis: manda o mais forte. Se é possível tirar uma presidente ao arrepio da lei, então você mesmo pode fazer sua lei.

Aos paneleiros, a conta”.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Desapego

O pensador Sêneca, pintura de Rubens, Sec. XVII

“O Mestre Mahatma Gandhi nos ensinou que a vida na simplicidade era muito mais feliz e plena. Muito antes dele Sêneca, pensador romano, já nos mostrava que “a pobreza não está na falta de recursos, mas na multiplicidade dos desejos”. Não somos pobres por termos pouco, mas por desejarmos demais, nem ricos por termos tudo, mas por encontrar satisfação e alegria nas minúsculas aquisições.

Assim, a busca pela riqueza nos oferece dois caminhos distintos e opostos: a profusão ilimitada de bens, acumulados no limite possível do espaço para guardá-los, ou o desapego de todas a coisas materiais, no limite das necessidades básicas de sobrevivência. No matiz que se produz entre estes polos extremos estamos nós, entre a sedução ofuscante da matéria reluzente e a consciência cada vez mais vívida de que tudo o que possui real valor na vida nos é dado de forma gratuita.”

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Um Vinho com Moro

A postura de Leandro Karnal no papel de “Guru” acima do bem e do mal, sua atitude afetada e debochada contra elementos da cultura popular (como Luan Santana), suas tentativas infindáveis demonstrar sofisticação e erudição e suas ironias e frases de efeito clichê sempre me incomodaram. Porém, como ele está “do nosso lado” sempre relevamos. Talvez estejamos vendo o ocaso de um ícone da esquerda que em pouco tempo se transformará em “liberal”. Sairá reclamando da intolerância e dos xiitas. É provável que e as análises mais sombrias estejam corretas.

Leandro Karnal é um inegável sucesso recente da Internet através dos seus vídeos no YouTube. Eu não o conhecia antes disso, apesar de ele ser de São Leopoldo. Não há como negar que ele é inteligente, culto e sabe se expressar. Brinca com as palavras, os tempos do discurso e seus silêncios. Cativou multidões de fãs por oferecer pérolas de autoajuda ou por explicar alguns conceitos complexos com palavras simples.

Entretanto ele sempre me pareceu, em todas as suas manifestações, ser dominado por uma vaidade inegável. Sua fala é cheia de citações e referências que emolduram um discurso empolado e por vezes afetado. Por mais que sua erudição me pareça admirável creio que ele sucumbiu à soberba, engolido pela fantasia de se tornar um guru, ao invés de se contentar com o lugar de livre pensador.

Ora, um pensador mais cedo ou mais tarde terá suas ideias contestadas ou sua imagem arranhada por outro artista da palavra, mais brilhante e capacitado. Pode inclusive acabar produzindo um grupo muito grande de detratores e contestadores.

Já um guru atinge o desejo, e não a razão. Ele não quer que suas ideias sejam aprendidas ou que seus pensamentos tragam luz à escuridão que nos ameaça. Não, o guru quer ser amado.

Não acredito que o jantar com Moro tenha sido casual. Creio mesmo que o encontro e a foto são propaganda de um projeto pessoal. Eu lamento por um lado – ao ver um pensador à esquerda fazer média com uma pessoa nefasta para o país – mas por outro lado fico feliz ao ver a imagem de um “guru da esquerda” se esfacelar.

Triste do povo que precisa de heróis ou gurus.

PS: Uma piada que não consegui evitar “Foi só um vinho ou também rolou um encontro Karnal?”

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Aliado não alinhado

Escrevi um texto enorme já há uns dois anos sobre esta questão, mas resolvi tocar no assunto novamente pois ainda ontem o Justin Trudeau se manifestou como sendo “feminista”, apesar de que, na visão de algumas feministas, ele seria classificado como “feministo”. Quando me perguntam sobre isso eu preciso dar esta singela explicação:

Existem dois conceitos diferentes quando se fala de feminismo e que se confundem com frequência. Existe o feminismo como uma IDEOLOGIA e o feminismo como MOVIMENTO SOCIAL. Eu me associo ideologicamente ao feminismo pois não há nenhum preceito básico feminista (equidade, respeito, protagonismo, proteção à maternidade, amamentação, autonomia, direitos reprodutivos, ampla liberdade sexual, direito ao aborto, escolha do local de parto, etc) com o qual eu não concorde e defenda de forma entusiástica. Portanto sou inquestionavelmente aliado do feminismo.

Por outro lado existe um movimento feminista composto de pessoas. Estas são passíveis de falhas humanas, erros, equívocos de rota, divergências internas, dissidências, rancores e tantos outros problemas que ocorrem em todos os movimentos que pretendem mudar a cultura, e é absolutamente natural que assim ocorra. Feministas são pessoas com sonhos, defeitos e virtudes.

Entretanto, nesse movimento, por mais que eu esteja de acordo com suas premissas fundadoras acima descritas, eu jamais terei voz, jamais poderei solicitar uma troca de rumo, uma mudança de discurso ou uma nova estratégia que me pareça melhor do que aquela até então utilizada. Minha condição masculina me afasta de qualquer possibilidade de mudar o “feminismo movimento”. Desta forma, jamais poderei fazer parte de um movimento que não me considera um igual, mas também reconheço este “lugar” a mim determinado como justo, e jamais me ocorreria reclamar dele.

Portanto, minha posição continua sendo de “aliado não alinhado”.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Pensamentos

Cerimônia de Casamento

Acabo de chegar da igreja onde assisti um casamento católico tradicional. Lindo, emocionante, charmoso. Todo mundo se apertando dentro da roupa. Mulheres segurando lencinhos e homens desengonçados com seus paletós e suas calças justinhas. Nenhuma mulher era mais baixa do que eu, mas a mágica se escondia por sob os vestidos longos. Os homens riem, as mulheres choram.

Um espetáculo de exaltação da sexualidade, a começar pela porta central da igreja, que só abre nas núpcias, como um colo uterino a receber as sementes em forma de nubentes. A encenação máxima do mais importante dos rituais humanos, que representa a promessa de continuação da espécie.

Cada passo, cada fala, cada personagem, toda a ordem, cada sorriso tem um papel importante na celebração do patriarcado.

PS: Eu coloquei esse texto exatamente como contraponto ao que eu imaginava que alguém escreveria. Isto é: a resposta a uma pergunta ainda não havia sido feita. O que eu vi nesse casamento foi um ritual de reforço do patriarcado e que é TOTALMENTE feito pelas mulheres – e para elas. TUDO é construído em torno da figura central: a mulher e sua importância fundamental na estrutura social humana.

A forma poderosa como ela é apresentada seduz mesmo as mais resistentes críticas. Por isso que, ao escutar tantas queixas das mulheres fico perplexo ao ver que esse ritual do patriarcado sobrevive essencialmente pela luta das mulheres em mantê-lo de pé. Em um mundo onde as mulheres conquistam espaço e criticam a opressão a que são submetidas pelo machismo é curioso – talvez paradoxal – que o ritual mais poderoso para a supremacia do patriarcado seja mantido vivo exatamente por aquelas que se sentem oprimidas por ele.

A tese é simples: os valores profundos de uma cultura de expressam através de seus rituais. Através dessa “regra” fica claro perceber que contextos (culturas) belicosas tem rituais violentos; culturas fraternas e justas tem rituais mais ligados ao congraçamento e à igualdade. Culturas machistas encenam rituais que valorizam o homem. Não há nenhum feminismo (entre todas as suas expressões) que não veja no patriarcado a origem da assimetria de poderes entre os gêneros. Esse sistema de 100 séculos ainda domina a estrutura social apesar dos sinais claros de sua decadência. De todos os rituais que servem como pontos de proteção e exaltação do patriarcado o casamento religioso é o mais forte e o mais importante por sua simbologia. Sendo assim, deveria ser preservado e protegido por quem retira alguma vantagem desse modelo decadente e opressor, mas o que se vê é EXATAMENTE o oposto: o casamento é totalmente edificado em função das mulheres sendo por elas controlado, gerenciado e conduzido.

Um um casamento é uma encenação. Ele REPRESENTA outras realidades que não são explicitadas no texto  por isso ele é um RITUAL. Um ritual precisa ser repetitivo, padronizado e simbólico. Portanto ele ESCONDE dos sentidos seus significados mais profundos. O casamento é um reforço do patriarcado em todos os ângulos que se olhe, basta olhar em profundidade e não apenas na superfície.  Além disso o casamento não tem NENHUMA ligação obrigatória com o amor. NENHUMA. Se quiser ver um exemplo disso assista o casamento do século entre o Príncipe de Gales e Diana. Não havia amor e mesmo assim o ritual se manteve de forma integral. O casamento por amor é uma invenção muito recente na história da humanidade, e tem menos de 200 anos. Os casamentos sempre tiveram função social e por isso tinham solidez. Esses contratos tinham uma clara função de produção e procriação, e não havia nenhum compromisso afetivo entre as partes. Ainda é assim em muitos lugares do mundo.

Pior; o acréscimo do amor nas relações maritais foi numa tragédia para esta instituição, e acredito que o casamento – por causa desse detalhe – nunca vai se recuperar desse golpe e voltar a ter o prestígio de outrora.

Aliás… Eu também sou contra o “casamento gay” enquanto RITUAL. Puxa… a sociedade inteira considerando o casamento uma instituição fora de moda e sem sentido e os gays querendo revitalizar a “união abençoada por Deus”? Que coisa mais cafooooona!!!! E diga-se de passagem que sou a favor de que as uniões gays tenham as MESMAS garantias legais das heterossexuais, mas acho que o “casamento” (enquanto ritual) é um retrocesso (mas um direito que não discuto). Sim o casamento gay (alguns que vi no Youtube) produz a mesma representação patriarcal que os heterossexuais tentam mudar ou abolir, por isso que eu considero algo ultrapassado.

O casamento não precisa ser “machista”, mas inegavelmente simboliza os mais importantes valores do patriarcado

O casamento com todos os seus símbolos ainda é o sonho de muitas mulheres, mas enganam-se os que pensam que isso tem a ver com informação, cultura ou estudo. O casamento ainda é um sucesso em todas as classes sociais.

A cerimônia só não é celebrada por elas no catolicismo. Ainda…

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Violência exposta

“Da mesma forma como o horror do holocausto judeu da II Guerra ou o genocídio planejado de Palestinos em Gaza precisam ser mostrados para que do choque se faça consciência, também precisamos mostrar a indignidade e a violência (real e simbólica) contra as mulheres que procuram maternidades para dar à luz. Só assim exposta e visível a violência obstétrica poderá ser reconhecida, nominada, assumida e por fim combatida e eliminada”

Deixe um comentário

Arquivado em Parto, Violência

Governo do PT?

Na entrevista do Jo Soares com Luciana Genro na última disputa presidencial este perguntou-lhes como faria para governar sem parlamento caso fosse eleita. Sua resposta mostrou como sua candidatura era muito mais uma fantasia e uma propaganda do partido (o que acho válido e importante) do que um real projeto de poder. Disse ela:

– Não importa; eu governarei com o povo.

Temos que lembrar que ainda está viva na nossa memória o impeachment (forçado, ao meu ver) do “caçador de marajás”, o Collor. Seu problema foi EXATAMENTE esse: imaginar que poderia governar sem um parlamento. Nunca esquecerei dos votos austeros dos parlamentares que faziam parte dos “anões do orçamento” – bandidos que assaltavam o orçamento da nação – a favor do impeachment e contra a “roubalheira”. A história se repetiu como farsa, e nos dois casos o presidente acabou como refém de parlamentares fisiológicos e canalhas, como estes que protagonizaram o espetáculo bufão da votação na câmara.

Ainda não aprendemos que, por pior que seja o presidente, é melhor para a nação mantê-lo e reforçar a democracia e respeitabilidade do país do que mantermos esta postura de republiqueta de bananas que nunca sustenta o voto dos seus cidadãos. Levaremos mais uma geração inteira para recuperar a imagem do Brasil no exterior e para mostrar a nós mesmo que democracia é um valor e não apenas uma conveniência.

Essa tese, da pureza doutrinária, eu me lembro muito bem nos primórdios do PT, e ela foi derrotada no processo de amadurecimento do partido. Sabia-se que, a continuar com o maniqueísmo que ainda contamina uma parte considerável da esquerda, o partido jamais teria a possibilidade de chegar ao poder. Na verdade, esta é a arte da política: engolir ou beijar “sapos barbudos”.

O problema é que as críticas feitas aos governos Lula e Dilma foram em muitos aspectos injustas porque seus críticos – em especial aqueles da esquerda – não quiseram entender que para governar é necessário que haja um parlamento capaz de oferecer as condições para a aprovação de leis. No parlamentarismo isso é automático: o primeiro ministro é o RESULTADO de um parlamento favorável. No Brasil o presidencialismo não permite isso, e os governos do PT sempre foram grandes composições de um partido à esquerda com seus parceiros fisiológicos, entre eles o PMDB. Assim, o PT nunca governou pelas suas vontades e planos, mas para garantir uma maioria suficiente com elementos até da direita em nome da governabilidade. Eu compartilho com o assombro de tantos quando dizem que o PT fez uma grande revolução social sem possuir uma maioria garantida.

Esse mesmo tipo de problema existe nas críticas à Obama, sem levar em consideração uma casa parlamentar fortemente republicana que sempre foi muito contrária aos seus projetos, em especial o Obamacare. Por outro lado, essa crítica NÃO SERVE ao alcaide golpista e traidor que ocupa a presidência com 88% de apoio dos parlamentares, num golpe jurídico-midiático que atravessará a história como uma das grandes vergonhas desta nação.

O PT nunca governou por suas ideias e projetos: governou no limite do que podia suportar a tênue aliança com partidos, a maioria deles sem ideologia e sem projetos, mas que sempre sobreviveram como rêmoras no entorno dos tubarões. Sim, o PT fez uma grande revolução social sem ter uma maioria garantida.

O preço da governabilidade era esse. Quisesse governar por suas próprias ideias, sem fazer concessões e conchavos, e ainda teríamos o PSDB governando o país para os interesses internacionais, não teríamos revolucionado o ensino e não teríamos oferecido aos pobres e miseráveis a dignidade que alcançaram com os governos do PT. Se os acertos espúrios precisam ser criticados e condenados, é também necessário entender que na encruzilhada da esquerda ela se colocava entre a pureza virginal do PCO e do PSTU e a possibilidade de, entrando no jogo sujo da política, construir mais do que palavras, e fazer do Brasil um país em que os menos favorecidos pudessem ter dignidade e orgulho de nascer aqui.”

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Youtubers

Uma coisa chata e repetitiva: os jovens YouTubers. Todos usam o mesmo formato, fazem o mesmo estilo de edição, falam do mesmo jeito, mendigam para gente se inscrever no canal e usam o mesmo humor debochado. Parece que todos contrataram o mesmo roteirista. Outro problema é fazer vídeos sobre assuntos que desconhecem por completo.

Esses dias assisti um cara que é um youtuber famoso por ser ateu e atacar os fundamentalistas. Acho até digno, importante até, mas aí ele resolve fazer um vídeo sobre “porque odeio o PT“, cheio de incorreções e análises rasas, mas querendo que as pessoas acreditem que ele parte de uma uma posição “isenta”.

Não há problema algum em atacar o PT. Algumas críticas são essenciais e até podem ajudar o próprio PT a se “recriar”. Entretanto, na primeira frase do seu comentário ele diz: “cresci num ambiente em que fui ensinado desde cedo a odiar o PT“. Podia ter parado ali, mas me obrigou a assistir mais 15 minutos de tentativas ingênuas de provar uma isenção tão inexistente quanto impossível.

Eu acho que os “comentaristas jovens” da Internet se depararam com uma ferramenta poderosa e ainda não perceberam o quanto é fundamental ter embasamento para tratar de assuntos complexos.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos, Política

Ratinhos

Um teste que vi em um filme há muitos anos e nunca mais esqueci.

Você visita um restaurante para provar aos seus amigos que ele não tem condições de higiene. Subitamente vê um camundongo andando por entre as mesas. Faz um gesto para pegar o celular e fotografar, mas o camundongo se assusta e entra em uma fissura da parede. Você viu, mas não conseguiu fotografar, o que seria a prova inequívoca.

Então você tem uma ideia: no dia seguinte passa em um terreno baldio próximo e captura um camundongo com uma armadilha. Coloca no bolso e vai até o restaurante. Põe o bichinho no chão e discretamente o fotografa.

Pronto. Ali estava a prova. Claro, não era o mesmo camundongo mas que diferença faz? Não havia dúvida alguma em seu peito sobre a existência de um camundongo(s) no restaurante. Sem a prova não haveria como mover uma ação e o restaurante sujo permaneceria funcionando. Usar o outro ratinho serviu a um fim nobre: a saúde de todos. Não havia prova…. mas havia uma convicção pessoal muito forte.

Os fins justificam os meios?

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Beijo de Chico

O que (ainda) me chama à atenção é a presença de um político como Chico Alencar na casa de um jornalista político como o Noblat (Rede Globo) para “confraternizar”. Eu acho que festinha na casa de jornalista é comprometedor e anti profissional. Não se assume comportamentos promíscuos com quem se deveria fiscalizar.

Jornalista tornado garoto propaganda de produtos é o fim da várzea. Os grandes conglomerados de mídia transformam o jornalista em vendedor de pasta de dente e divulgador das ofertas das “Casas da Banha”, misturando as notícias com o departamento comercial. Isso retira a credibilidade da mídia de fiscalizar as empresas. Utiliza-se a respeitabilidade do jornalista para associá-la a produtos e assim vender mais. Pergunto: como poderia um jornalista denunciar o “cartel dos dentifrícios” ou as possíveis falcatruas da varejista se estas empresas pagam indiretamente o seu salário?

Se não houver liberdade plena para o exercício do jornalismo teremos apenas um poder alinhado com os poderosos, aqueles que pagam mais, sem a capacidade de fiscalizar e denunciar. Como dizia o grande jornalista americano Joseph Pulitzer (que dá nome ao prêmio de jornalismo e literatura) “Jornalista não tem amigo”. Ao meu ver o jantarzinho regado a champanhe e canapés na casa de um jornalista político tem um nome: conchavo entre poderes, acertos entre a política e a mídia.

Ou também, usando as palavras do filósofo Jucá, é uma suruba “petit comité”.

Deixe um comentário

Arquivado em Política