Arquivo da tag: ameaças

NAZA

Os dois cineastas israelenses, Yuval Abraham e Rachel Szor, que produziram o documentário NAZA, já opdem ser considerados heróis contemporâneos. NAZA (2026) é uma investigação sobre o funcionamento interno da máquina militar e de inteligência de Israel durante a guerra em Gaza. Construído principalmente a partir dos depoimentos anônimos de 24 integrantes e ex-integrantes das forças armadas e dos serviços de inteligência israelenses, o filme revela como sistemas de vigilância, inteligência artificial e critérios burocráticos são empregados na seleção de alvos para bombardeios, incluindo cálculos prévios do número de civis que poderão morrer — justamente a ideia expressa pelo termo militar “NAZA”, relacionado às baixas civis esperadas. Filmadas discretamente, muitas vezes à noite em telhados de Tel Aviv, as entrevistas descrevem decisões tomadas diante de telas, nas quais casas habitadas e famílias inteiras podem ser reduzidas a números e parâmetros operacionais. Em vez de recorrer principalmente a imagens gráficas da destruição, Abraham e Szor concentram-se na burocratização e desumanização da violência, mostrando como pessoas comuns passam a funcionar como pequenas peças de um sistema capaz de produzir mortes em escala industrial. É inegável seu esforço em expor para o mundo as imagens do genocídio que ocorre na Palestina. Seu filme mostrou a podridão da sociedade israelense, a depravação racista e supremacista do sionismo. Centenas de jornalistas, pensadores, historiadores, intelectuais e ex-soldados do IDF há décadas nos alertam para os crimes de Israel, mas nada como um documentário feito por judeus israelenses para trazer aos nossos olhos depoimentos dos próprios criminosos, confessando seus delitos. Ambos provaram, com imagens e documentos, a matança vergonhosa de Israel e a psicopatia dos seus governantes.

O filme, pela reação do público no Festival de Veneza (25 minutos de aplausos, um recorde) e pela repercussão internacional parece ser um verdadeiro divisor de águas. Nas redes sociais só o que se fala é “quando chega aqui?”. A recepção mundial do documentário mostra que Israel está vivendo seus estertores, seu final aterrorizante e sua derrocada definitiva, ao mesmo tempo em que testemunhamos o despertar da consciência sobre o horror da sociedade de Israel. O apartheid, o racismo, o colonialismo, as expulsões de terras, as humilhações, o culto à morte, o assassinato de crianças, os massacres em campos de refugiados e nas filas por comida, as crianças queimadas vivas ou esfomeadas de propósito; nada disso poderia ser escondido eternamente.

O Nakba – a catástrofe da tomada da Palestina por sionistas europeus – não foi um fato ocorrido e circunscrito no passado, mas um evento em curso. A segregação, os muros, o racismo, a proibição de circular pelo próprio país dos seus ancestrais estão acontecendo nesse instante para os palestinos, agora mesmo, enquanto você lê este texto. O mundo acordou para a necessidade de exterminar o supremacismo de Israel. Não há mais como a civilização conviver com apartheid, etnocracias e colonialismo.

Já existem retaliações e ameaças dirigidas aos diretores do documentário, mas ao mesmo tempo mais de mil cineastas israelenses assinaram um documento em apoio aos colegas, ameaçados inclusive de serem expulsos de Israel. Mas, com o passar do tempo, os sionistas que serão penalizados pelos seus crimes, e o mundo inteiro se levantará contra o sionismo abjeto e criminoso que destrói milhares de vidas na Palestina. Malditos sejam aqueles que tentam normalizar ou justificar a morte de 20 mil crianças. Nem os piores nazistas aceitariam isso.

Chega.

Deixe um comentário

Arquivado em Causa Operária, Palestina

Propaganda Imperialista

Propaganda imperialista tradicional, manjada e corriqueira. Parece com as piadas que se usava nos anos 70 para estereotipar os ditadores africanos. A ideia é sempre mostrar os árabes (apesar dos iranianos não serem árabes, ainda que sejam muçulmanos) como bárbaros, selvagens, violentos e incivilizados. Pura propaganda. Entrem no Facebook, no Twitter e no WhatsApp e verão a quantidade enorme de ameaças feitas a todo mundo, mas ninguém coloca estas tolices como manchete principal com o único propósito de manchar a índole de uma nação.


Agora imaginem o que aconteceria no Brasil se a nossa seleção resolvesse ficar em silêncio e não cantasse nosso hino até que, por exemplo, revelassem quem mandou matar Marielle. E aí…. o que fariam os bolsonaristas? Talvez mandassem uma delegação ao Qatar com uma tonelada de pendrives para arremessar nos jogadores.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Nos dias de hoje…

STF na Ditadura – O que faziam eles lá?

Não acredito que um país soberano pode conviver com os abusos autocráticos de uma suprema corte. Nos últimos anos – talvez pelas falhas inerentes ao nosso sistema político – o STF tem legislado de forma abusiva e inclusive em causa própria, onde a aberração máxima foi um ministro julgando um caso em que ele foi ofendido. Juiz e vítima concentrados na mesma pessoa, acreditem. No caso do Daniel Silveira – um fascista da pior espécie – sequer ameaça explícita houve; ele disse que “tinha um sonho”. Ora, ameaça é diferente de sonhar com algo; ela precisa ser clara e explícita. “Se tu saíres na rua vou te matar”, isso sim é uma ameaça clara. Mas não existe lei alguma que criminalize a opinião do Daniel sobre o STF, opinião essa compartilhada por milhões de brasileiros – de esquerda e de direita. Além disso não há nada que demonstre que Daniel desejava, planejava matar ou fazer algum dano ao Ministro. O que as pessoas ainda não percebem é que é um suicídio democrático oferecer um poder infinito para ministros inamovíveis e vitalícios (ou quase isso), que detém o poder de fazer com a lei o quiserem.

Usemos da memória: Ministros do STF podem interpretar tirando do fiofó suas opiniões a respeito do que seja “desvio de função” (no caso do Lula), “crime de responsabilidade” (no caso da Dilma), “prisão em segunda instância” (de novo com Lula), “não conturbar a eleição” (proibindo Lula de falar na campanha eleitoral), e “atingir a honra do skinhead de toga” (no caso do Daniel e agora do Rui Costa Pimenta). Nada disso é legal, nada disso está na constituição. Estas atitudes dos ministros da suprema corte é que seriam criminosas em qualquer democracia bem estabelecida. E não vou nem falar da complacência obscena com as inúmeras ilegalidades flagrantes da Lava Jato (Teori, lá do céu, me manda um joinha…) e nem da total adesão ao golpe de 1964. No caso de agora não pode haver qualquer dúvida de que não se pode justificar a censura olhando para a constituição!!! Pelo contrário…. está explícita a liberdade de expressão, vedado o anonimato. Portanto, dar estes poderes para um golpista como Alexandre é um brutal crime de omissão da sociedade brasileira causado por um oportunismo burro.

Eu sei da discordância de muitos com esta minha posição, Repetem, como os americanos após o 11 de setembro: “in this day and age…”. Isto é, após o “Patriotic Act” a polícia prendia sem qualquer base legal, violava os direitos constitucionais, retirava direitos centenários da cidadania e usava a mesma desculpa batida: “nos dias de hoje, sabe como é, o terrorismo”. O Bolsonaro é o nosso “Torres Gêmeas”. Ele existe para dar à muitos outros atores sociais o direito de burlar a lei, violar direitos e depois darem a desculpa escrota de que estão nos protegendo do bolsonarismo. Pois eu repito: Alexandre de Morais é um Bolsonaro com menos cabelo e que sabe usar os talheres. Não há diferença alguma no autoritarismo e no pendor ditatorial. Oferecer poderes ilegais e abusivos para um sujeito que não foi eleito e que terá mais 30 anos de um poder absoluto e inquestionável é absurdo!!!! Aceitar os abusos do Alexandre porque “devemos todos nos unir contra Bolsonaro” é a mais rotunda tolice. Estamos alimentando os corvos e, como sabemos, no futuro eles nos comerão os olhos…

Pense bem… foi essa mesma leniência com os poderosos que nos fez aceitar a “anistia” pós golpe militar, e que deixou milicos perversos impunes. “Ah, mas naquele momento histórico era preciso apaziguar o país”. Pois agora vimos no que deu. Todavia, parece que vamos permitir a barbárie do STF ditatorial usando Bolsonaro e sua ameaça como desculpa, para nos arrepender no futuro, sem dúvida.

Deixe um comentário

Arquivado em Causa Operária, Política

O Dia em que Geni salvou a Terra

Um dos aspectos de Geni e o Zepelim – entre os inúmeros outros possíveis, além de infinitas metáforas e leituras – que mais gosto é aquele que aproxima a música de Chico Buarque de “O dia em que a Terra Parou”, filme de 1951, dirigido por Robert Wise, estrelado por Michael Rennie e adaptado de “Farewell to the Master”, de Harry Bates.

Neste filme, realizado logo após a II Guerra Mundial e nos primórdios do império americano, uma nave alienígena chega à Terra trazendo uma ameaça dos líderes de outra parte do universo. Inicialmente Klaatu, o alien (auxiliado por seu escudeiro robótico Gort), tenta dialogar com os cientistas da Terra e, quando deixa claro que deseja se encontrar com os governantes para alertá-los das consequências de seus atos nefastos, passa a ser hostilizado e ameaçado pelos humanos.

Na música de Chico ocorre uma trama semelhante. Um Zepelim prateado desce à terra e seu comandante “cheirando a brilho e a cobre”, se espanta com nossa estupidez e “ao ver tanto horror e iniquidade” resolve tudo explodir. Entretanto, avisa que poderá mudar de ideia se a transexual Geni o satisfizer por uma noite. Tanto o forasteiro do Zepelim quanto Klaatu são portadores de uma ameaça externa, e ambos são tomados de indignação e fúria ao se chocarem com a realidade de um planeta governado pelo egoísmo e corroído pela estrutura perversa da sociedade.

Em ambos os casos a solução vem pelo sacrifício e pelo amor. No caso de Chico, uma Geni que se entrega ao forasteiro temido e poderoso, salvando a Terra ao satisfazê-lo. Já na história de Harry Bates a salvação da civilização também ocorre pelo encontro com a “fissura bizarra na ordem cósmica”, a inesperada tensão sexual que se estabelece entre Klaatu e sua anfitriã, a senhora Helen Benson. Foi esse contato com o desejo que permitiu a Klaatu – mesmo ferido de morte – reconhecer a necessidade de oferecer à Terra uma nova chance.

Sim, eu reconheço que há uma leitura alternativa – e mais explícita – do filme dirigido por Robert Wise. Nesta visão, a película inaugura a “pax americana”. Os alienígenas – nobres, prateados, limpos e justos – seriam os americanos, a polícia do planeta, levando a democracia liberal e o capitalismo para os povos “bárbaros”, da Coreia ao Oriente Médio. Junto com estas regras impostas vem implícito um ultimato: comportem-se ou serão destruídos; ou no mínimo estrangulados, como Cuba, Irã e Venezuela.

Na história de Chico o mundo é salvo e tudo volta a ser “como dantes, no quartel de Abrantes”. Geni volta a ocupar o lugar social da puta desprezível e os preconceitos seguem inalterados. O sol volta a brilhar e a gratidão pela renúncia de Geni é rapidamente esquecida. Um final muito mais triste do que a ficção científica de “O dia em que a Terra Parou”.

A música de Chico agora vai se transformar em filme e desde já me pergunto: haverá um Zepelim? Prateado mesmo? Geni será uma atriz trans? O final será melancólico como na música?

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Seria pior com eles…

Aliás, este é um truque já foi utilizado para a ditadura de 64, mas passados mais de meio século é o mesmo que se usa ainda hoje. A fórmula é simples: cria-se um governo brutal e ditatorial, violento, sem respeito com minorias, levado a cabo por militares, concentrador de renda, destruidor de pequenos negócios, corrupto, defensor de milicos e a favor dos grandes empresários e bancos.

Quando depois de algum tempo apontamos todos esses erros e crimes a resposta absurda e ilógica é dizer: “se a oposição tivesse ganho seria muito pior” e passam a listar uma série de fantasias tiradas das “vozes em suas cabeças” dizendo que o grupo golpeado pela ditadura destruiria famílias, faria troca de sexo em crianças, distribuiria mamadeira de pirocas, seria uma Cuba ou Venezuela, estaríamos todos em campos de concentração laboral e seríamos obrigados a comprar os kits gay.

E tudo isso sem qualquer embasamento e sem nenhuma conexão com a realidade. Pior, dizem isso sabendo que quando o PT esteve no governo NADA DISSO OCORREU, e tivemos o período de maior crescimento da história desse país, com pleno emprego e uma imagem internacional positiva e otimista. Pagamos a dívida externa, tiramos milhões da miséria e deixamos 380 bilhões de dólares em caixa.

Esta tática de imaginar o que teria acontecido é uma fórmula para justificar QUALQUER CRIME OU ABUSO, dizendo que se a alternativa ao arbítrio fosse utilizada estaríamos muito pior. Não creio que podemos continuar aceitando esse tipo de falácia a conduzir os debates para a reconstrução do Brasil após o desastre do neoliberalismo.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Dinamite

Tenho visto inúmeros “vídeos denúncia” circulando pela infosfera com imagens de médicos ou enfermeiras que “agrediram pacientes ou acompanhantes”.

Não vou entrar no mérito de cada um dos casos que me mandaram; é difícil se posicionar quando não há o contexto de como, onde e porque tudo ocorreu. Todavia, peço que façam um simples exercício de empatia e se coloquem no lugar dos profissionais de medicina ou enfermagem diante desses casos limites que aumentaram muito durante a pandemia.

Em muitos vídeos era evidente o grau de stress dos atendentes. Raiva, cansaço, indignação, medo e esgotamento físico e psíquico. Muitos estavam atendendo há várias horas, arriscando suas vidas e se colocando diante de pacientes igualmente angustiados – que por sua vez também estavam aguardando há muitas horas por um atendimento.

Para piorar a tensão familiares sacam o celular e começam a registrar as consultas. Cada câmera funciona como uma pistola apontada contra a cabeça dos profissionais. Ou pior; como um fósforo pronto a incandescer o pavio encurtado de uma dinamite de emoções represadas.

Respondam: quem teria condições psicológicas de atender alguém diante de tamanha pressão? Como estabelecer um laço de cuidado e empatia diante dessa ameaça explícita? Como é possível produzir vínculo de confiança sob ameaça?

Acho que maus atendimentos devem ser denunciados, mas nenhum atendimento pode ser bom se quem atende está sob ameaça com um destruidor instantâneo de reputações apontado para o rosto.

Sejamos empáticos. Estamos em crise. Dedos apontados e ameaças não melhoram em nada a atenção médica ou de enfermagem. Desarmem os espíritos e levem em conta a crise terrível que todos estamos enfrentando.

Sejamos mais fraternos. Profissionais da saúde também tem família, medos e sonhos

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos