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Nos dias de hoje…

STF na Ditadura – O que faziam eles lá?

Não acredito que um país soberano pode conviver com os abusos autocráticos de uma suprema corte. Nos últimos anos – talvez pelas falhas inerentes ao nosso sistema político – o STF tem legislado de forma abusiva e inclusive em causa própria, onde a aberração máxima foi um ministro julgando um caso em que ele foi ofendido. Juiz e vítima concentrados na mesma pessoa, acreditem. No caso do Daniel Silveira – um fascista da pior espécie – sequer ameaça explícita houve; ele disse que “tinha um sonho”. Ora, ameaça é diferente de sonhar com algo; ela precisa ser clara e explícita. “Se tu saíres na rua vou te matar”, isso sim é uma ameaça clara. Mas não existe lei alguma que criminalize a opinião do Daniel sobre o STF, opinião essa compartilhada por milhões de brasileiros – de esquerda e de direita. Além disso não há nada que demonstre que Daniel desejava, planejava matar ou fazer algum dano ao Ministro. O que as pessoas ainda não percebem é que é um suicídio democrático oferecer um poder infinito para ministros inamovíveis e vitalícios (ou quase isso), que detém o poder de fazer com a lei o quiserem.

Usemos da memória: Ministros do STF podem interpretar tirando do fiofó suas opiniões a respeito do que seja “desvio de função” (no caso do Lula), “crime de responsabilidade” (no caso da Dilma), “prisão em segunda instância” (de novo com Lula), “não conturbar a eleição” (proibindo Lula de falar na campanha eleitoral), e “atingir a honra do skinhead de toga” (no caso do Daniel e agora do Rui Costa Pimenta). Nada disso é legal, nada disso está na constituição. Estas atitudes dos ministros da suprema corte é que seriam criminosas em qualquer democracia bem estabelecida. E não vou nem falar da complacência obscena com as inúmeras ilegalidades flagrantes da Lava Jato (Teori, lá do céu, me manda um joinha…) e nem da total adesão ao golpe de 1964. No caso de agora não pode haver qualquer dúvida de que não se pode justificar a censura olhando para a constituição!!! Pelo contrário…. está explícita a liberdade de expressão, vedado o anonimato. Portanto, dar estes poderes para um golpista como Alexandre é um brutal crime de omissão da sociedade brasileira causado por um oportunismo burro.

Eu sei da discordância de muitos com esta minha posição, Repetem, como os americanos após o 11 de setembro: “in this day and age…”. Isto é, após o “Patriotic Act” a polícia prendia sem qualquer base legal, violava os direitos constitucionais, retirava direitos centenários da cidadania e usava a mesma desculpa batida: “nos dias de hoje, sabe como é, o terrorismo”. O Bolsonaro é o nosso “Torres Gêmeas”. Ele existe para dar à muitos outros atores sociais o direito de burlar a lei, violar direitos e depois darem a desculpa escrota de que estão nos protegendo do bolsonarismo. Pois eu repito: Alexandre de Morais é um Bolsonaro com menos cabelo e que sabe usar os talheres. Não há diferença alguma no autoritarismo e no pendor ditatorial. Oferecer poderes ilegais e abusivos para um sujeito que não foi eleito e que terá mais 30 anos de um poder absoluto e inquestionável é absurdo!!!! Aceitar os abusos do Alexandre porque “devemos todos nos unir contra Bolsonaro” é a mais rotunda tolice. Estamos alimentando os corvos e, como sabemos, no futuro eles nos comerão os olhos…

Pense bem… foi essa mesma leniência com os poderosos que nos fez aceitar a “anistia” pós golpe militar, e que deixou milicos perversos impunes. “Ah, mas naquele momento histórico era preciso apaziguar o país”. Pois agora vimos no que deu. Todavia, parece que vamos permitir a barbárie do STF ditatorial usando Bolsonaro e sua ameaça como desculpa, para nos arrepender no futuro, sem dúvida.

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Lavajatismo à “gauche”

É inacreditável a persistência do espírito lavajatista no seio da esquerda. A ideia absurda de que se reforça a democracia oferecendo (ou aceitando) poderes absolutos ao judiciário precisa ser extirpada das mentes brasileiras, em especial dos progressistas. Democracia se faz com parlamento e com liberdade irrestrita de expressão.

Onde está na constituição que criticar – até com certa violência verbal – é crime? Qual parte da nossa carta magna fala que não se pode exigir a dissolução do STF? Onde está escrito que o STF regula a liberdade de expressão? Onde, na fala do Rui Costa Pimenta ou do PCO, existe conspiração ou ameaça? Onde está a materialidade de qualquer crime? Onde na constituição de 1988 existe impedimento à livre manifestação de opinião?

Será que está esquerda liberal não percebe o lavajatismo que defende? E, por favor, parem de utilizar como defesa o famigerado “paradoxo da tolerância”. Trata-se de uma tolice criada por um liberal de direita anticomunista – Karl Popper – que usou esse raciocínio para atacar o socialismo. Para ele a censura seria lícita para atacar os válidos e justos anseios populares de equidade e justiça social!!!

Quem defende a atitude do ministro careca não aceita a constituição de 1988!!! Quem aceita censura não é democrata, e quem despreza a democracia e a irrestrita liberdade de expressão é cúmplice do bolsonarismo e do lavajatismo. Não reclamem quando isso se voltar fatalmente contra os pobres, negros e movimentos populares.

Ver tolos no espectro da esquerda liberal aplaudindo a censura do ministro do Temer-PSDB sobre a livre manifestação das opiniões e pontos programáticos do Partido da Causa Operária é uma expressão bem clara das falhas ideológicas que ela carrega. A esquerda precisa ultrapassar sua visão pequeno burguesa punitivista e à reboque de ditadores de toga.

Aliás, nós avisamos isso quando dos ataques ao Monark e ao Daniel. Também foram eles vítimas da ditadura das opiniões criada pelo STF, mas criticar o abuso de autoridade da suprema corte contra eles soava aos ouvidos da esquerda tosca como uma concordância com a visão reacionária e golpista destes personagens da direita. Ao invés de pensar nos princípios a esquerda liberal preferiu adotar o oportunismo suicida, fazendo eco aos ataques contra nossos adversários.

Fomos tolos; a obliteração da liberdade de expressão mais cedo ou mais tarde recairia sobre a esquerda, sobre os socialistas e no colo dos progressistas. Ela está vindo mais cedo do que esperávamos – muitos acreditavam que essa arapuca viria apenas no governo Lula.

Pois agora como vamos defender a plena garantia da constituição e a defesa da liberdade de expressão se anteriormente tivemos uma posição oportunista, acreditando numa diferença visceral entre Bolsonaro e o ministro do Temer? Colocar este ministro – ou o judiciário – como escudo de defesa da democracia é um erro, principalmente pela história de ataques a democracia que o STF sempre teve. Eles foram peça essencial em todos os golpes contra a democracia no Brasil. Apoiaram o golpe de 64, a deposição absurda de Dilma, o impedimento de Lula ser ministro e a sua prisão ilegal, inconstitucional e cruel. É um erro confiar num poder não eleito, em especial no ministro que só chegou a esta posição por um golpe de estado juridico-midiático.

Precisamos renovar o pensamento de esquerda, livrando-nos do ranço violento, antidemocrático, punitivista e inconstitucional. Estaremos incondicionalmente ao lado do PCO e com o direito irrevogável de livre expressão.

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O tapa na cara do Oscar

Eu sou um defensor ferrenho da liberdade de expressão. Mais do que isso; sou a favor do direito de ofender. Nenhuma sociedade consegue prosperar sem atritos e contraditórios e, apesar de eu não gostar de ofensas, acredito que as pessoas devem ter o direito assegurado de usá-las, pois sua proibição causa um problema muito mais grave do que suportar a carga de ser ofendido. Proibir a ofensa é censura, é ferrar o contraditório. Além disso, aqueles que acham isso inadequado são os que mais ofendem as figuras no campo oposto às suas crenças políticas.

Dito isso, deixo claro que não achei a piada contada pelo Chris Rock no Oscar como sendo ofensiva. A piada contada compara Jada Smith com outra personagem que tinha o cabelo muito curto. Não vejo como isso pode ser inadequado se for dito por um comediante. Creio que a atitude do Will Smith foi uma imensa tolice, um brutal desrespeito com a audiência, uma falta de compostura e todo o espetáculo por ele protagonizado deveria ser reprovado em todas as dimensões.

Will Smith protagonizou um “surto de machão” ofendido que precisava defender a honra da sua donzela. Estas cenas sempre tem um subtexto: vou defender a minha mulher porque ela é incompetente para fazer isso por si mesma, como a gente faria com uma criança que está sob nossos cuidados. Sua frase “Tire o nome da MINHA mulher da sua boca suja” deixa claro que ele está defendendo sua posse. A piada claramente se refere ao cabelo curto dela,e não carrega nenhuma ofensa à honra. Sim, pode haver uma rixa antiga entre estes atores, mas isso não pode justificar que uma diferença pessoal atrapalhe a festa que é de muitas pessoas. O ator de “The Fresh Prince Of Bel-Air” é um imenso babaca. Comparem isso com as piadas do Rick Gervais no Golden Globe – muito mais agressivas – e percebam a diferença no comportamento dos atores que foram atingidos por elas. Will Smith se comportou como um garoto de não mais de 14 anos.

Imaginem se a moda pega e as pessoas resolverem atacar os humoristas com socos por que não gostaram ou não aceitam as piadas, ou porque não aceitam que se façam piadas com questões físicas. O Oscar e o Golden Globe sempre tiveram esse “roasting” como uma de suas principais características. Por que esse ator se acha no direito de estragar uma festa em nome de seus sentimentos feridos de “machinho furioso”?

Um fato subsequente à agressão e que me impressionou foi que a imensa maioria dos americanos nos sites que apareceram logo depois do tapa condenaram a atitude do Will Smith. Na minha perspectiva isso ocorre basicamente pela forte cultura do free speech nos Estados Unidos, que lá funciona como uma espécie de “lei sagrada do mundo livre”. Lá você pode mandar um guarda de trânsito à merda, de forma impune, porque as ofensas verbais são protegidas pela liberdade de expressão. Aposto como no Brasil, pela nossa cultura machista (que exalta demonstrações chauvinistas) e pela nossa longa história de autoritarismo, a reação seria oposta. Aliás, é o que se vê nas redes sociais daqui. Milhões de brasileiros diriam que está correto e justo dar um tapa em alguém que disse uma piada sobre sua esposa – mesmo sem ser ofensiva à honra. Há alguns anos eu critiquei a cuspida estúpida que o Jean Wyllys deu em Bolsonaro no parlamento, mas sempre soube que, mesmo no universo das esquerdas, minha opinião era francamente minoritária. Para a maioria é justo cuspir ou dar um tapa para resolver situações em um “parlamento” – um lugar criado exatamente para resolver as questões na palavra, evitando as violências físicas e morais.

Eu acho que um artista tem a obrigação de manter a compostura, e a ação destemperada e infantil de Will Smith foi absurda. Agredir um comediante é uma grosseria que nem os Reis mais despóticos fariam com seus menestréis – contratados exatamente para isso, humanizar a figura do Rei. Artistas precisam suportar essa carga exatamente por serem pessoas públicas. Por outro lado, o tapa expôs seu descontrole e sua falta de postura. Em situações como essa, “Noblesse oblige”, diria meu pai. Um ator precisa saber que um Oscar não é um boteco onde diferenças pessoais podem ser tratadas publicamente na frente de 1 bilhão de espectadores. Para mim foi uma imensa chinelagem. Um comediante tem a delegação cultural de fazer troça de todo mundo – de tudo e de todos. É sua obrigação, é o seu papel social, e criar guetos ou espaços de blindagem para grupos ou condições é desumano e cruel com estes próprios grupos, pois assevera sua fragilidade e incompetência. Ficar irritadinho é absurdo e careta, um machismo anacrônico e tolo. Infelizmente eu acredito que aqui no Brasil ele seria aplaudido – até pela esquerda – pois a maioria das pessoas acha essa atitude bonita, nobre e romântica. Aqui no Brasil, a coisa é diferente. Agora mesmo vi o post dizendo que “é inaceitável fazer piadas com aquela mulher, visto que ela tinha um problema de alopecia”.

Vou deixar bem clara minha posição: a blindagem aos grupos ditos “oprimidos” – mulheres, gays, trans, negros, imigrantes, etc – apesar de expressar o cuidado com o outro e ser uma ação motivada pela bondade e pela proteção, mantém esses grupos numa condição socialmente inferior. É como as atitudes com deficientes físicos, que apesar de servirem para ajudar desrespeitam sua condição de independência e autonomia. Pergunte a um cego como ele se sente quando alguém tenta fazer por ele algo que ele consegue fazer sozinho!! Se um homem se levanta para defender uma mulher numa condição como esta – onde não havia uma ameaça física em que a testosterona fizesse a diferença – a defesa é abusiva e coloca a mulher numa condição subalterna. “Vou lhe defender porque você é incapaz de fazer isso”. É exatamente assim que agimos com as crianças, e por isso elas tanto se esforçam para sair desta condição.

Este Oscar evidenciou o drama desta geração: os flocos de neve que não aceitam ser ofendidos. Pois eu pergunto: quantos comediantes aceitam piadas com a sua altura (Kevin Hart), sua careca (Jason Alexander, The Rock), sua feiura (Marty Feldman, Zezé Macedo), sua aparência (Chris Farley), seu peso (Melissa MacCarthy, Amy Schummer, Claudia Jimenez) sem terem este tipo de resposta? E vejam, a piada em nada atinge a honra da “mãe” (sim, ela funciona como sua mãe e não como esposa) do Will Smith, apenas brinca com seu cabelo raspado, comparando-a com uma atriz maravilhosa – Demi Moore – que encenou um filme de ação de sucesso. Aceitar que existe justificativa para dar socos porque não gostou de uma piada é pura barbárie. Mais grave ainda foi o que a comediante americana Kathy Griffin comentou algumas horas depois do fato “agora todos temos que nos preocupar com quem quer ser o próximo Will Smith em clubes de comédia e cinemas”. Agora qualquer um pode se achar no direito de distribuir socos em comediantes por se sentir incapaz de suportar uma piada.

Entretanto, achei muito significativa a resposta nas redes sociais americanas. Mais de 90% (minha análise superficial) foi de condenação à sua atitude. Pior, mais do que se comportar como um garoto imaturo e barraqueiro ele estragou a festa do cinema americano e eclipsou o sucesso dos outros vencedores. Meu único medo é que, por alguma razão de natureza econômica, financeira, contratual ou pura tolice, Chris Rock decida se desculpar pela piada. Se isso ocorrer é porque ele não tem fibra alguma, mas eu duvido muito que um genuíno comediante americano, com uma gigantesca tradição de ruptura de barreiras culturais, jogue sua reputação e sua carreira no lixo agindo dessa forma.

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Arapuca

O pessoal está se achando muito esperto ao patrocinar o linchamento sumário destas figurinhas ridículas da direita, ao mesmo tempo em que empodera liberais e identitários. A história nos mostra que essa ação – mais cedo ou mais tarde – se volta contra a classe trabalhadora. Num período muito curto vamos ver a burguesia surfando no antinazismo e acusando os representantes da classe operária. Percebam quem está por trás da “indignação” de agora: sionistas, o mesmo grupo que patrocina uma ocupação fascista e cruel contra o povo Palestino. Estão usando a conversa dos liberaloides para fortalecer o fascismo de Israel. Seria pedir que a gente, pelo menos, desconfiasse?

Quando essa maré mudar e os ataques forem contra membros da esquerda…. daí, meu irmão, de nada vai adiantar dizer que “é diferente” ou “não é nada disso”. Os linchamentos – como estes que agora são feitos contra figurinhas reacionárias da moda – atropelam o bom senso e a própria razão; só o que se vê é oportunismo e vingança. A esquerda verdadeira deveria perceber que por trás desse movimentos de “defesa dos oprimidos” existe uma arapuca. Muitas vezes, para não cair nela e se manter fiel aos princípios, é preciso defender até os nossos adversários.

Escrevam aí: a esquerda vai se arrepender amargamente de ter usado as ferramentas da mentira, da interpretação viciosa e dos ataques cruéis contra seus inimigos e de ter esquecido os valores da liberdade e livre expressão que deveriam norteá-la.

PS: gente da esquerda usando Karl Popper para sustentar seus argumentos expõe nossa fragilidade conceitual.

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Iluminismo, onde andas?

Pessoal da humanização do nascimento que festeja censura do Estado sobre a livre manifestação de ideias ainda não percebeu que a censura quase sempre atinge os grupos marginalizados e quase nunca os poderosos. Para cada Monark atingido existem 10 parteiras urbanas que serão massacradas por censura ou impedidos de manifestar sua opinião sobre temas controversos. Quem pode garantir que, diante do poder de cercear “más ideias”, não seremos as próximas vítimas? Quem define o que é uma “ideia perigosa”? O congresso? Este STF? Ficaremos na mão deles de novo?

Glenn Greenwald – judeu e homossexual, pertencente a dois grupos historicamente vilipendiados – deixa clara nesta entrevista à Carta Capital a importância da livre expressão das ideias como uma conquista iluminista – e não um modernismo americano. Abrir mão dela, mesmo que eivado das melhores intenções, é oferecer ao Estado o direito e o poder de controlar o que é debatido em uma sociedade. A isto se chama censura, um medievalismo. Foi o próprio nazismo quem determinou censura sobre pensamentos divergentes tão logo chegou ao poder.

Mais ainda, Glenn explica que esses movimentos que obstruem a livre expressão, mesmo quando bem intencionados, são inúteis e contraproducentes. Tanto ele quanto Chomsky lutaram contra a transformação de homofobia e do racismo em crimes exatamente por ser esta uma medida inócua, sem efeito e sem benefício para as comunidades a quem desejava proteger. Estas leis no Brasil não deixaram o país menos homofóbico e menos racista, apenas mais falso e dissimulado.

Por mais duro que possa parecer, a liberdade ainda é o caminho mais seguro. Oferecer o poder de controlar a narrativa a sujeitos como Alexandre de Morais – um nazista típico – para combater ideias ruins é um erro que poderemos pagar muito caro. Aceitar o direito de organização pode ser algo difícil de engolir, mas ainda É o mais justo e mais correto.

Nesta entrevista de Glenn Greenwald à Carta Capital eu não gostei da atitude da entrevistadora, que parece achar válido que empresários usem o poder do Capital para calar a boca de quem faz perguntas incômodas e traz convidados que atrapalham seus negócios, mas de resto Glenn deixou bem clara sua posição.

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Joe Rogan

Essa pandemia está colocando em perspectiva muitas coisas. Parece que era mesmo necessário ocorrer uma situação limite pra gente saber quem mantém seus princípios mesmo na adversidade e quem se refugia na censura e no arbítrio.

Pense nas questões abaixo:

* Se há alguns meses você dissesse que alguém poderia contrair a doença e continuar transmitindo o vírus mesmo após se vacinar seria imediatamente vítima de “cancelamento”;

* Há poucas semanas se você dissesse que máscaras de pano eram pouco efetivas ou inúteis seria chamado de “negacionista”;

* Se no ano passado você dissesse que os Estados Unidos e Fauci estavam envolvidos em estudos sobre “gain of function” de vírus em Wuhan – e que isto estaria implicado na origem da pandemia – seria chamado de “conspiracionista”.

Todas essas hipóteses hoje são aceitas por estudiosos e pesquisadores. Todas elas vieram à tona porque cientistas teimosos e contra-hegemônicos continuaram a debater e questionar a versão oficial mesmo sofrendo perseguições. Ciência é curiosidade, método e dúvida; as certezas são prêmios de consolação que o Criador oferece para os tolos e os dotados de mentes frágeis.

Marx já dizia que “A estrada para o inferno está pavimentada pelas boas intenções”. Um cientista não pode justificar seus preconceitos com a desculpa dos “nobres interesses”. Quem não suporta o contraditório procure um lugar que aceite os dogmatismos para se expressar. Quem acha que ciência é profissão de fé e que a censura de vozes dissidentes tem justificativa na democracia, deveria buscar abrigo na religião, e não no conhecimento científico. 

Pergunto: as pessoas que hoje cancelam Spotify e Joe Rogan por serem articuladores do “negacionismo” por acaso cancelaram Neil Young quando ele disse que não aceitaria receber um pacote de batatas de um caixa de supermercado gay, por medo de contrair AIDS?

Bidu…. eu avisei.

Spotify publica uma carta de apoio ao Joe Rogan e à plena liberdade de expressão do seu programa, literalmente mandando Neil Young e demais canceladores se lixarem. Que assim seja feito com todos os negacionistas da liberdade de expressão e do livre debate sobre temas espinhosos, em especial quando essa censura tende a favorecer impérios econômicos transnacionais.

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Filmagens

Sobre a filmagem e os comentários ofensivos da moça fazendo Yoga na praia…

Numa entrevista na rua não há problema algum em registrar o que já está acessível ao olhar de todos. Quando o objetivo é reportar não há necessidade de assinar nada ou mesmo pedir qualquer autorização verbal. Entretanto, se você for usar comercialmente sua imagem somente aí existe necessidade de autorização, como num filme ou em uma publicidade.

Acima de tudo, não existe privacidade em público; se você aparece em espaços abertos à livre circulação não pode impedir que alguém lhe veja e registre.O crime aqui é a exposição, a humilhação pública e o tratamento chulo e desrespeitoso dos comentários. Na rua não existe privacidade; você pode filmar quem quiser. O crime desse sujeito foi a exposição ofensiva dessa moça, as palavras grosseiras e o deboche. Filmar em lugares públicos NÃO é crime, e lembre que essas filmagens é que nos protegem da brutalidade policial!!!

Não podemos dar tiro no pé. Essa é a desculpa da polícia para matar pessoas em segredo. TODOS TEM O DIREITO DE FILMAR A POLÍCIA e qualquer outra pessoa em PÚBLICO. O crime aqui é OUTRO, a obscenidade dos comentários, e não a filmagem em si.

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Liberdade, liberdade

Recordo que há alguns anos escrevi um artigo que falava criticamente do racismo que sobrevive no nosso meio e das suas conexões com a escravidão no Brasil. Para ilustrar o texto coloquei uma imagem da internet com um torso negro masculino envolto em uma grossa corrente. Recebi alguns elogios pela iniciativa (um obstetra falando de racismo institucional não é muito comum), mas no dia seguinte um famoso grupo identitário virtual me escreveu dizendo terem gostado do texto, mas que não aprovavam a imagem. Disseram que era hora de desvincular os negros da escravidão. Respondi explicando que o texto falava explicitamente da escravidão e suas repercussões, quase um século e meio após sua abolição, mas elas ficaram irredutíveis em sua proposta.

Eu troquei a imagem por outra (achei que não valia a pena a animosidade por um detalhe). Coloquei uma barriga grávida e negra, mas percebi o risco que havia nessa proposta de censura (que se limitou a um pedido). E se eu tivesse me negado? E se eu insistisse na imagem? Que tipo de represália eu poderia sofrer?

Quando escrevi meu capítulo no livro “Birth Models that Work“, da antropóloga Robbie Davis-Floyd, recebi um “sinal de luz” da revisora que achava que meu texto “essencializava” a mulher ao exaltar suas capacidades de gestar e parir, e isso podia incomodar algumas feministas. Desta vez bati pé e tive uma áspera discussão ao telefone que terminou com “então pode retirar o capítulo do livro“. Não foi necessário e minha contribuição nunca fui criticada por ter essa característica.

Liberdade de expressão é uma falta que eu vejo de maneira muito clara no discurso das esquerdas. As estúpidas expulsões de bolsominions de manifestações, ou mesmo negando-lhes o direito de falar, mostram a face autoritária que ainda sobrevive nesse meio. Cabe a nós, do campo progressista, eliminar qualquer forma de autoritarismo e censura, e para isso precisamos pagar o preço que se fizer necessário.

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Liberdade e Fascismo


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Uma proposta de debate:

Fato: ativista pró-Bolsonaro, vestido a caráter (camiseta Bolsominion) participa de um debate na UFMG e nas poucas frases que diz exalta o que chama de “nosso candidato”. Imediatamente a plateia reage ao orador e o expulsa do ambiente, primeiro com gritos e depois com imposição física. Ele não conseguiu expor suas ideias. Os gritos foram “Fascistas não passarão!!”. O vídeo que recebi tem um título mais ou menos assim: “Bolsominion tenta falar em evento na UFMG e se dá mal”.

Como eu sou um fanático da liberdade de expressão esse tipo de atitude sempre me faz muito mal, mais ainda quando vi o vídeo pela segunda vez e me certifiquei que o objetivo do pretenso palestrante NÃO ERA falar, mas ser expulso. Com essa expulsão ele conseguiu que sua imagem fosse disseminada pelas redes sociais e – mais importante – ser visto como vítima da intolerância (das esquerdas).

Em outras palavras, um fascista montou uma armadilha que todos caíram. Pior, saiu como herói da liberdade de expressão que foi silenciado a murros e gritos por um grupo de intolerantes. Era TUDO que ele e seu grupo desejavam.

Claro que foi uma provocação, mas por que temos que continuar caindo nessas armadilhas?

No mesmo dia recebo e publico no Facebook o vídeo de um dos (meus) heróis contemporâneos, o Snowden, que vai na direção oposta. Ele fala que o combate às mentiras na Internet (fake news) não pode ser feito através da censura ou qualquer ato proibitivo, mas através de MAIS abertura e mais debate. Esconder as posições fascistas FORTALECE O FASCISMO e censurar bolsominions os deixa mais coesos e firmes. O que pareceu aos olhos desavisados da esquerda como uma vitória dos democratas presentes contra um elemento fascista foi – ao meu ver – uma derrota da livre expressão e da própria democracia.

Afinal, o que devemos temer nesse discurso? Porque haveríamos de ter medo de um discurso grotesco e reacionário? Por que não permitimos que eles exponham toda a sua violência e radicalismo para assim serem mais facilmente combatidos?

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Iconoclastia

Jorodowsky

Para alguns a “moral”, com sua essência cambiante, humanamente mutante e instável, é superior à “liberdade”, que é um valor absoluto, a estrela ao redor da qual nossa alma gravita e a cada circunvolução mais dela se aproxima. É ponto no infinito que nosso espírito foi construído para almejar.

Eu não aceito tal ponto de vista.

Posso suportar as piores “imoralidades” – como uma mulher casando duas vezes, uma gestante reconhecendo o prazer de parir, ou pessoas do mesmo sexo se amando – porque sei que o tempo dará conta do nosso assombro, mas não tolero qualquer ofensa ao inescapável destino de sermos livres. Pode parecer, para alguns menos avisados, que defender a iconoclastia de Charlie ou de alguns “comediantes radicais” significa aceitar por completo suas ideias ou concordar com seus pressupostos. Jamais. Entretanto, estas vias de escape da indignação social quando fechadas significam a morte da liberdade dentro de cada um de nós. Calar a boca de alguém porque achamos que suas palavras estão erradas é um crime contra nossa própria alma.

O mundo seria um pedaço de merda inabitável sem a iconoclastia, a ousadia e a loucura. Toda a vez que penso nos ataques ao Charlie Hebdo percebo que a maioria das pessoas que habitam este mundo ainda não estão preparadas para a liberdade e a autonomia. Somos, de forma geral, pré-adolescentes da Vida. Gritamos e lutamos para ganhar, como parte da mesada, a sonhada liberdade, mas moramos e comemos por obra de nossos pais. Cruzamos o país para estudar e posamos de “livres”, mas ligamos pra casa quando o dinheiro acaba.

Liberdade é bem mais do que isso; é fazer o que é preciso ser feito sem ferir a liberdade do outro. Quando alguns se ofendem com a ferocidade do ataque e com a violência contra a liberdade de imprensa rapidamente se esquecem de violações semelhantes que suportam ou aceitam, em nome da “moral”, dos “costumes” ou do respeito às outras religiões. Ha poucos anos nos calamos diante da proibição de um filme de Troufaud que mostrava uma Maria humana e mulher, e há menos tempo ainda silenciamos quando a Igreja impediu um “Cristo pobre” na avenida. Deveríamos fazer o dever de casa, aceitar visões discordantes e assegurar a liberdade de expressão, mesmo quando ela contém tolices ou quando afronta nossa visão de mundo.

Sempre que eu cito alguma censura oficial que ainda perdura no Brasil existe alguém que descobre uma ótima desculpa. Eu mantenho minha fé na liberdade e repito que não há tema suficientemente sagrado sobre o qual não possa recair uma piada. Suportar exageros faz parte do combate incessante ao obscurantismo. Para os que reclamam daqueles que ultrapassam dos limites lembro que a genialidade de Voltaire se expressava exatamente pela constante vigilância contra a sacralidade de qualquer pessoa ou assunto. Ele sempre pagou um alto preço por sua iconoclastia sistemática, mas seu legado para a história é inestimável.

Sim, Leonardo Boff, je suis Charlie. Acho que o texto que ele escreveu, que traduz de forma razoável a sua visão sobre o atentado contra o Charlie Hebdo, deixou transparecer a sua formação clerical e mostrou que ainda é um padre, um “servo de Deus”, e que admite a existência de temas “sagrados”.

Eu não admito isso. Eu não acho que nem mesmo a mãe de alguém é sagrada. Ela é apenas uma pessoa, e por isso é possível, sim, falar dela. Sem este tipo de “ofensa” não há entropia. Não vejo como sair de um paradigma qualquer sem que haja algum nível de provocação, alguma violação, algum movimento. Não há como construir cultura sem destruição, por isso precisamos de iconoclastas como Voltaire, Nietzsche e tantos. Não se muda uma sociedade sem a matéria prima sofisticada da inconformidade. O porraloquismo é fundamental para que uma cultura cresça e se depure de elementos obscurantistas. Qualquer construção social necessita uma destruição, e quanto maior a força e a importância cultural de um valor, maior será o estrondo de sua queda.

Charlie Hebdo utilizava sua arte e sua indignação como uma forma de fazer pensar. A sátira tem esse formato desde os gregos, e Voltaire foi mestre no seu uso. Moliére aussi. Ridicularizar, reduzir à essência, mostrar o lado bizarro, destituir, fazer tombar tudo isso está no humor. Se vc não acha graça, não consuma, mas é injusto dizer que que o deboche é inútil. As próprias manifestações de apoio à liberdade de expressão no mundo inteiro provam o contrário.

Uma caricatura não precisa ser engraçada. Existem cartoons que prezam exatamente por uma ironia fina, que nos incita à reavaliação de nossos conceitos. Charlie tentava isso, assim como o Pasquim, que foi importante via de expressão da indignação contra a ditadura no Brasil. Impedir isso é tolo ou suicida. Não é necessário gostar das piadas, mas não reclame da sua existência, pois elas são absolutamente indispensáveis para a existencia da democracia.

O humor debochado e satírico é uma das mais eficientes ferramentas de combate à tirania e ao despotismo, assim como ao obscurantismo religioso retrógrado e anacrônico.

Não é admissível se curvar ao simbolismo de outras culturas que não sejam a nossa, no estado de direito por nós definido. Se na Nigéria se faz clitoridectomia, e não fazê-la é uma ofensa à cultura e aos ancestrais, é problema da Nigéria mas aqui não reconhecemos seus santos. E podem ficar ofendidos, pois aqui não vamos mutilar mulheres em nome da fé alheia. O respeito que devemos é às pessoas, mas não curvamos nossas cabeças aos seus símbolos e valores. O simbolismo tem valor para quem o aceita, mas não para mim. Moisés era terrorista, Maomé sanguinário, os Papas corruptos, o clero pecador e assim por diante. Está ofendido? Eu também me ofendo com a danação a que sou submetido por todas as religiões – por não segui-las – mas isso não me faz tentar silenciar nenhuma delas. O nome disso é razão e civilização

Mesmo que as piadas agridam nossas crenças – e ultrapassem os limites do bom gosto – ainda vale a pena investir na liberdade de expressão. Criar sujeitos e temas blindados à crítica nos remete aos porões mais obscuros da história humana.

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