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Paris e Nascer

Escrevi sem querer “Paris e Nascer durante a pandemia” ao me referir a um congresso que vai acontecer dentro de alguns dias sobre partos em tempos de Covid19. Paris, leia-se “Parir”. Desculpe, foi o corretor.

Todavia, fiquei pensando no roteiro de um filme onde a população do mundo todo acabou contaminada com uma doença que, ao ser transmitida para as grávidas, produzia bebês mutantes e zumbis que apenas se alimentavam de coca light e se acalmavam ao ouvir música sertaneja. (Nota: avisar ao produtor para colocar “Evidências” na trilha sonora).

Entretanto, a cidade de Paris era o único local para parir em paz, porque a pirâmide de vidro do museu do Louvre produzia um círculo de proteção energética sobre a cidade. Os partos em Paris não produziam zumbis, apenas parisienses comuns, e isso chamou a atenção de especialistas. Vírus? Radiação 5G? Ataque alienígena? Degradação das calotas polares e emanação de gases retidos no gelo? Como saber, e mais ainda, como salvar estas mulheres e seus bebês? Não havia tempo a perder.

O planeta estava em total caos, e os cientistas do mundo todo para lá afluíam na tentativa de descobrir a causa da pandemia e o efeito protetor da pirâmide. “Paris e Nascer” é um libelo pela proteção de gestantes das influências maléficas ocasionadas pela destruição sistemática do meio ambiente e uma saga de suspense, mistério e ficção científica onde a protagonista Jennifer McCalister (médica geneticista), seu marido Jeff Margullis (policial alcoolista aposentado do FBI) e seu filho de 7 anos Ambros (um gênio nerd) percorrem os labirintos da burocracia e a polícia corrupta para encontrar uma via segura para chegar a Paris, à cura e a um parto com segurança.

Castle Rock & The Glassman productions

Em breve nos cinemas

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Anderson

Anderson França o que está ocorrendo com você? Está tendo uma crise tardia de baixa autoestima? É assim que você mede a qualidade do que escreve?

Depois de criticar um post onde ele chamou de racista uma mulher cuja observação foi: “os chineses deviam observar seu hábitos alimentares“, ele ofendeu a mim e outra interlocutora dizendo (que novidade!!) que não tínhamos “interpretação de texto”. Sua resposta para mim foi “Boa tentativa, mas ainda sou relevante para milhões”. Sério? Sua resposta é, tipo… “Não importa seu argumento, muitos gostam de mim”. Mesmo???

Meu caro, Gustavo Lima tem 11 milhões de pessoas que o seguem e ele ficou bebendo cachaça ao vivo e dizendo palavrões, mas acho que nem ele responderia uma crítica com tanta arrogância. “Sim, estimulo alcoolismo, mas sou relevante para milhões”.

Isso lá é argumento?

Onde está seu contraditório? Eu expliquei que um hábito alimentar nocivo dos chineses pode estar na origem de PANDEMIA e você insiste na tese de que criticar isso é racismo? Não pode criticar o Idi Amin porque era racismo contra negros? Dizer que as ideias genocidas do Pol Pot eram uma ameaça ao planeta é preconceito com asiáticos?

Claro que temos hábitos para comer igualmente bizarros, desrespeitosos e ruins no ocidente, mas esse é um FALSO DILEMA. Criticar o hábito de comer pangolim e morcego NÃO IMPEDE as críticas ao confinamento degradante de gado, agricultura predatória, maus tratos com animais ou o hábito de comer tatu no Brasil. Mas o dia que descobrirem que a “doença do tatu” é um vírus que se espalhou pelo mundo todo por uma comida brasileira esse hábito pode e DEVE ser criticado até nas grotas do Uzbequistão, ou qualquer outro lugar que venha a ser afetado por nós.

Se descobrissem que escargot aumenta o risco de Alzheimer deveríamos ficar quietos para não ofender franceses? Se estamos desmatando a Amazônia criticar esse crime é preconceito com “cucarachas”?

Anderson… Veja o que você está fazendo com sua fama. Não se escrotize.

Claro… depois de ser criticado, me excluiu. Entendo os dramas do Anderson e sou solidário com seu sofrimento, mas quem não se aguenta 5 minutos no ringue da Internet e sai ofendendo adversários no terreno das ideias não pode se meter a escrever, principalmente se quer acusar os outros de racismo.

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Desafios

Não me venha falar de de desafios

O movimento de humanização do nascimento no Brasil sempre foi movido pela chama do impossível. Nossa história, que se iniciou há 27 anos, sempre foi marcada por grandes batalhas para a garantia dos direitos de gestantes, parturientes, puérperas e sua família. Estivemos presentes quando o direito aos acompanhantes foi sacramentado na lei. Discutíamos o trabalho da enfermagem obstétrica na atenção ao parto quando esse trabalho era inacessível a elas. Reforçamos com nosso ativismo a criação da escola de obstetrizes na universidade. Lutamos pelo reconhecimento do trabalho das doulas quando essa função era um mistério até para os próprios atendentes do hospital. Debatemos a escolha do local de parto desde que esse tema tomou conta das discussões na esfera popular e acadêmica. Desbravamos o parto domiciliar planejado e a abertura das Casas de Parto no Brasil carregando em uma das mãos as evidências científicas e na outra o sagrado direito das mulheres escolherem onde parir. Continuamos a enfrentar forças poderosas, mas nos mantivemos fiéis no combate à opressão e violência de gênero que ainda ocorrem nas instituições – e fora delas.

Para tudo isso contamos sempre com nossa fé inabalável na capacidade humana de se transformar e evoluir, tendo como norte a equidade, a justiça, o bem comum e a segurança aplicados ao nascimento humano.

Para quem teve que enfrentar tantas dificuldades não é surpresa alguma para nós o desafio do COVID-19. Sabemos que os princípios de proteção ao binômio mãebebê se mantém intocados, mas também estamos cientes de que a nossa união, como ferramenta de proteção aos direitos da gestante, precisa ser assegurada.

Existem diversas abordagens e vários pontos de vista, visto que essa pandemia pegou a comunidade científica de surpresa pelas suas características específicas e pela sua extensão. Ninguém imaginaria que o mundo inteiro estaria privado do toque, da proximidade e do conforto que a presença de alguém pode nos produzir no momento do parto, exatamente aquilo que é o centro ideológico da humanização do nascimento. Exatamente pelo ineditismo de uma restrição global ao contato é natural que haja, mesmo entre os humanistas do nascimento, opiniões divergentes, e por vezes até antagônicas na forma como tratar a situação dramática da pandemia.

Se por um lado conquistas históricas – como a presença de doulas e o acompanhante – não podem se esvair por entre nossos dedos, também é certo que a emergência de agora – a pandemia do Corona vírus – demanda um cuidado especial, diferente do que aconteceria em situações corriqueiras. Por esta razão, é preciso desarmar os espíritos e manter a cabeça fria. Acalmar nossa alma, respirar fundo, pensar lentamente e tomar cuidado com a rudeza das palavras. Precisamos estar unidos para pensar soluções novas, criativas e adequadas. Como sempre fizemos.

Unidos somos fortes; desunidos somos presa fácil para todos os que não aceitam os avanços nos direitos humanos que conquistamos nas últimas três décadas.

Paz para todos.

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Reescrever a história do planeta

Primeiramente, vamos deixar claro que concordo com a recente entrevista do Roda Viva com o biólogo Ítalo Iamarino sobre o Covid19, especialmente pelo reforço da ciência diante do ataque insistente do obscurantismo bolsonarista. Todavia, minha única crítica à entrevista do biólogo é que, apesar de reconhecer as origens da pandemia – a insensata e violenta intervenção humana sobre a natureza – ele acredita que a resposta para a humanidade será através de MAIS intervenção tecnológica, na famosa equação do “Punch Theory”, onde o primeiro impulso é nossa ação destruidora sobre o mundo natural e os impulsos subsequentes atuam no sentido de consertar os estragos iniciais, porém sem questionar sua origem com a profundidade necessária.

Evidente que a resposta para a EMERGÊNCIA de agora será tecnológica, mas para evitar que sejamos atacados eternamente por tais ameaças virais a resposta poderia ser outra, muito diversa em sua essência.

Parece que continuamos presos no mesmo paradigma de mais de um século: estamos cercados por seres vivos maldosos cujo único sentido na natureza é destruir os humanos. Darwin se revira na tumba cada vez que alguém fala desse antropocentrismo cafona.

Para ilustrar essa ideia a imagem que me vem à mente é, obviamente, a do parto. Acreditamos que a solução para os transtornos do parto é MAIS intervenção tecnológica: hospitais, drogas, leitos de UTI, cirurgias, antissepsia, antissépticos, antibióticos e profissionais altamente treinados em patologia. Porém, a experiência nos prova que o afastamento sistemático e insidioso da natureza do parto produziu a maior parte dos distúrbios que hoje testemunhamos. Desta forma, nos transformamos em técnicos especializados em consertar os problemas criados pela nossa própria atuação inadequada.

Ao invés de investir pesadamente na proposta de REVER e REESCREVER o roteiro da nossa atuação junto à natureza, parece que ainda não nos convencemos que o verdadeiro vírus destruidor deste planeta somos nós mesmos.

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Corona

Medical staff in protective suits treat coronavirus patients in an intensive care unit at the Cremona hospital in northern Italy, in this still image taken from a video, March 5, 2020.

Na minha perspectiva – e se estiver errado eu vou me retratar – sair de casa para dar uma volta sem andar de ônibus, metrô ou participar de qualquer aglomeração não produz nenhum problema em relação à pandemia. Ficar trancado sem ar livre e sem sol tem a potencialidade de piorar os resultados.

Sei que esta é uma estratégia de classe média, onde existem carro, praças, etc., mas não está errado pegar o carro com a família e caminhar ao ar livre para dar uma volta. O perigo está no CONTÁGIO, de pessoa para pessoa, ou nos objetos que outras pessoas manipulam. Digo isso porque existem alguns riscos associados ao confinamento. Um deles é a violência doméstica de toda natureza (entre os adultos e sobre as crianças). Ficar sob aprisionamento pode produzir a eclosão de processos psíquicos violentos pelo choque constante dentro de um espaço restrito.

Acrescente -se a isso o fato de que a “segunda onda do tsunami” – que é a questão econômica – vai bater à nossa porta assim que a questão médica ficar estabilizada. Isso vai acrescentar mais stress às famílias, e as consequências bem sabemos quais podem ser.Assim, sair de casa SEM ENTRAR EM CONTATO com outras pessoas pode ser uma atitude de auxílio à saúde mental. Se houver alguma evidência em contrário estarei pronto para rever essa ideia.

Não quero ser alarmista mas acho que estamos vivenciando apenas o primeiro vagalhão do Tsunami Corona, que é a própria doença e os óbitos dela decorrentes. Depois da estabilização dos casos haverá uma espécie de euforia (como se pode ver na China agora) seguida de uma consternação ao constatarmos o tamanho do estrago. Aí vem o segundo vagalhão da depressão econômica.

Como será possível reerguer o país sem um governo, sem liderança, sem planos? Como usar o Estado como motor da recuperação quando somos liderados por um bando de fanáticos, fundamentalistas de mercado, que desprezam a posição privilegiada do Estado como propulsor de desenvolvimento?

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