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Guerra sem fim

Não carrego muitas esperanças de que o conflito na Ucrânia tenha seu fim em pouco tempo. Essa guerra não foi planejada para ser curta. Entretanto, tenho certeza que apenas apenas quando a OTAN realmente acatar o destino inexorável de uma nova ordem mundial e o multilateralismo essa guerra poderá acabar definitivamente. Por enquanto estamos testemunhando as vitórias da Rússia sobre os nazistas do Batalhão Azov, conquistando território, liberando as novas repúblicas, eliminando a resistência e obrigando os ucranianos à rendição. O que precisamos agora é incrementar o esclarecimento para todos do que significam as ações da OTAN na Europa e estancar qualquer apoio ao imperialismo cruel e estúpido que está usando a população europeia para seus interesses.

A guerra ora em curso não é – como via de regra são as guerras imperialistas – uma guerra para atingir uma vitória. Não; ela se presta a uma guerra continuada, insidiosa, eterna, pois serve para fomentar quem está por trás desse conflito: o complexo industrial armamentista americano. É para eles que jovens ucranianos e russos estão morrendo em campos de batalha gelados da Ucrânia. Também era para eles que morriam vietnamitas, coreanos, sírios, líbios, afegãos e tantos outros, vítimas da máquina de guerra do Império. Desta forma, não esperem da OTAN um ataque direto, decisivo e definitivo. Ela continuará a usar os ucranianos como bucha de canhão para, em uma guerra de desgaste, enfraquecer a Rússia e atingir a China. A guerra é essencialmente contra os BRICS e a esperança de um mundo multipolar.

Todavia, a tática de ataque econômico à Rússia até agora deu errado. O rublo está mais forte do que nunca, a economia russa está florescendo, os bloqueios apenas afastaram a Rússia dos mercados europeus e a atiraram nos braços da China e dos BRICS. A Europa agora está em recessão, com fome e inflação crescentes. Há o perigo iminente de paralisia das indústrias alemãs se houver o bloqueio completo de envio do gás russo.

Além disso, nenhum país da OTAN mandou tropas para combate, muito menos os Estados Unidos. A “ajuda” se limita a enviar armamento, que será inevitavelmente desviado pelos governantes corruptos da Ucrânia, algo que já está ocorrendo agora. “Vamos vencer essa guerra até o último ucraniano!!” dizem os senhores da guerra dos Estados Unidos da América, enquanto os contribuintes de lá se tornam cada vez mais insatisfeitos com o destino dado aos seus impostos. O presidente Biden vem sofrendo a maior rejeição da história dos presidentes americanos, com altas taxas de inflação, colapso da economia e agravamento dos problemas internos, em especial com os mais de 300 tiroteios com vítimas que ocorreram apenas este ano. O contribuinte americano vê voltar, como em flashback, o mesmo sentimento da segunda metade do século XX: a guerra do Vietnã levava à morte de pessoas numa guerra distante que não lhes dizia respeito; o mesmo se repete hoje nas fronteiras da Rússia.

Já os países europeus sabem o que significa um ataque direto à Rússia: a destruição completa do que hoje conhecemos como Europa. A Rússia tem o DOBRO do arsenal atômico de todos os outros países do planeta somados. Esse ataque à soberania da Rússia seria o último do mundo civilizado, pois sobrariam apenas escombros do que hoje entendemos como “velho mundo”. Nenhuma das potências imperialistas quer correr o risco de uma palavra mais forte, e muito menos de ser o primeiro a apertar o botão de uma guerra onde a humanidade inteira será afetada ou destruída.

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Direito internacional

Existe um clamor da imprensa ocidental que repete de forma circular o discurso sobre o “direito de países soberanos“, etc. A gente escuta e lê isso por todo o lugar, parece que esse tipo de perspectiva se origina de uma fonte única e se espalha por toda parte. Vale lembrar, sobre o tópico do direito internacional, que os Estados Unidos usam a doutrina Monroe, que retira a soberania da América Latina caso, por exemplo, queiram produzir e estocar seu próprio arsenal atômico. A crises dos mísseis no início dos anos 60 foi exatamente sobre essa questão, mas o “excepcionalismo americano” – fruto de uma estúpida autoimagem de superioridade branca ocidental – acredita que o que é válido cá, para os outros não vale. Sobre esse tema vale olhar um vídeo do prof John Mearsheimer.

Dizer que há poucos nazistas na Ucrânia é outra farsa disseminada. Existem inclusive (basta uma simples procura por palavras chave) sites que descrevem os lugares onde estão os principais monumentos nazistas na Ucrânia, incluindo o mais importante deles: Stepan Bandera, nazista ucraniano colaboracionista e implicado no assassinato de milhares de judeus ucranianos.

Sobre a quantidade, na Alemanha nazista o partido de Hitler era minoria – nas eleições teve 28% – mas chegou ao poder. Quando isso ocorre (como no Brasil de agora) é porque o povo foi conivente com os abusos e a retórica do seu líder. Portanto, a Ucrânia é um país nazificado, extremista e fascista. E para quem acha o nome incorreto, por acreditar que o nazismo é um fenômeno apenas alemão, deveria avisar ao Batalhão Azov, ao Pravyy Sektor e mesmo aos neonazis do mundo inteiro – inclusive aqui em Pindorama – para não usarem os uniformes do Hugo Boss, a iconografia, a suástica e o “heil”. Spoiler: eles não vão topar.

Claro que um governo nazista, ameaçando colocar mísseis nucleares em seu país após um golpe de estado é uma ameaça direta à Federação Russa. Para entender isso, basta conhecer um pouquinho só da história russa para perceber que eles jamais poderiam permitir essa afronta, pois ela significa uma “national security threat”, inadmissível pelos russos. A Rússia, desde muito tempo, foi invadida por Napoleão Bonaparte, por 16 nações durante a Guerra Civil e depois por Hitler. Imaginar que esta ação é uma maluquice do Putin é burrice e falta de noção. Hoje, mais de 82% dos russos apoiam Putin em suas ações nesta guerra; até seus adversários comunas estão cerrando fileiras com seu líder.

Não é lícito basear estas escolhas por julgamentos “morais” ou por uma noção republicana de “direito”; não se pode permitir uma gigantesca ingenuidade como essa. Tudo é feito com base no poder. Caso o “direito” reinasse, Israel sequer existiria, visto ser uma aberração jurídica desde sua criação. Sequer um país institucionalmente racista poderia ser aceito. Não existe país com mais condenações do que Israel, e porque nada acontece? Porque os Estados Unidos bancam cada uma e todas as suas atrocidades. Também o mundo interromperia as invasões americanas no Iraque, na Líbia, no Vietnã, na Coreia, no Afeganistão, no Panamá, na Palestina (através de seu enclave Israel), etc por serem todas afrontosas à soberania dos povos.

A questão russa é sua sobrevivência e por isso não pode permitir que uma estrutura inimiga e violenta como a OTAN coloque armamento destrutivo em suas fronteiras. A Rússia sabe muito bem com quem está lidando: o Império da Destruição, que deseja dividir o mundo em republiquetas controláveis e não suporta o gigantismo de concorrentes como Rússia, China e Brasil. Numa nação minúscula como a Geórgia bastaria um golpe de Estado (como houve na Ucrânia, que não é pequena) para o tirano da vez, um fantoche americano como o Zelensky, apertar um botão a mando dos Estados Unidos e iniciar uma guerra nuclear, ou usar dessa posição estratégica para chantagear a Rússia. A ação russa de agora pode até afrontar o direito internacional (como qualquer ação americana), mas é justa.

O que dizer de pessoas que dizem que o Donbass foi invadido pelo exército da Rússia??? De onde tiram essas informações??? Não havia tropas russas regulares no Donbass até o início da guerra. E quando dizem “invadiram antes de qualquer tentativa de negociar …” só dá para responder meu Deus!!! Foram oito anos de negociação e 14.000 mortos pelos nazistas ucranianos!!!! Até quando a Rússia deveria esperar para resgatar seus cidadãos????

A ideia de que a Ucrânia não é nazista faz tanto sentido como alguém em 1939 dizer que a Alemanha não era nazista, já que eles não passavam de uma minoria e que Hitler era um grande patriota. A Ucrânia se nazificou de forma perigosa e insidiosa. Sim nazista, e não há como esconder. A prisão dos nazistas escondidos como ratos em Mariupol ainda vai revelar muito mais do que já sabemos sobre o regime de tortura, racismo e opressão que era imposto pela OTAN através do seu presidente fantoche.

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1984 é aqui

No clássico “1984” do escritor George Orwell – nascido em Motihari, na Índia britânica em 1903 – Winston, o herói da trama futurista, trabalha no Ministério da Verdade, um importante setor governamental que lidava com notícias, entretenimento, educação e cultura e era responsável por falsear documentos, livros, escritos e até a própria literatura, desde que pudessem se referir ao passado de uma forma que desagradasse o governo. A ideia das mudanças nesses escritos era fazer com que tudo correspondesse sempre ao que o poder central trazia como verdade. Assim, o Ministério da Verdade estava encarregado de alterar a história passada para conformá-la com a vontade de quem estivesse no poder. Uma forma de fazer isso era mudar o significado de palavras, através de uma linguagem e uma tática de atualização de significado chamada “Novilíngua”.

O que parecia um futurismo macabro hoje em dia é o que chamamos de “atualidade”. O que vemos na guerra da Ucrânia segue exatamente esse roteiro que o genial escritor britânico nos deixou como profecia há mais de seis décadas. O que vemos agora uma tentativa sistemática de apagamento da história, fazendo com que os inimigos de outrora sejam hoje amigos, e trazendo elementos linguísticos diferenciados para descrever o que antes era tratado de forma diversa.

Assim, os nazistas da Ucrânia agora são chamados “nacionalistas”; as derrotas – como a vergonhosa rendição em Mariupol – de “atos heroicos”, as esposas chorosas dos nazistas feitos prisioneiros de “pobres esposas pedindo pela vida dos maridos” – em verdade elas próprias orgulhosas militantes nazistas (vide clip abaixo do canal “The Dive” de 17/05/2022 ). A imprensa corporativa ocidental tenta desesperadamente converter as derrotas sucessivas em vitórias, manipulando consciências e fabricando consensos. Uma das mais ridículas tentativas foi o esforço de comparar os covardes nazistas que se esconderam na fábrica de Azovstal com os “300 de Esparta”, como se os fascistas que levaram a cabo o massacre no Donbass pudessem ter sua ficha passada a limpo com estes golpes de propaganda.

Foram necessárias poucas décadas da publicação do livro seminal de Orwell para nos darmos conta que os poderosos não tem memória – tem apenas interesses, que mudam o passado conforme sua vontade e suas necessidades de domínio crescente. O fato de a Ucrânia ter se nazificado, ter dado um golpe de Estado e ter colocado no poder um fantoche dos americanos e da OTAN em nada incomoda esses senhores da guerra. Se for necessário criar estátuas não apenas para Stepan Bandera e tantos outros colaboracionistas do nazismo, mas para o próprio Führer, haverá de lhes ocorrer uma maneira de limpar a imagem desses personagens para que a imensa massa de manobra do mundo ocidental passe a considerá-los como “combatentes valiosos” contra a “ameaça comunista” (e o fato da Rússia não ser mais comunista certamente não será impeditivo para quem pretende transformar nazistas confessos em cordeirinhos). Pior ainda é o tratamento dispensado ao comediante fantoche americano Zelensky, como se fosse um estadista, mesmo quando sabemos que sua ascensão ao poder veio na esteira dos golpes de estado da praça Maidan.

Ao tentar reeditar a história, o poder de comunicação do Império Americano mostra, mais uma vez, o caráter autoritário das ações em relação ao resto do mundo. Seguindo o roteiro orwelliano, este “ministério da verdade” que se ocupa de modificar a história pregressa para que se adapte ao gosto dos poderosos da OTAN, nada mais é do que a grande máquina de propaganda da Imprensa ocidental corporativa, corrupta, suja, dependente dos financiamentos dos grande conglomerados financeiros, das indústrias farmacêuticas, do Vale do Silício e da máquina de Guerra. Como se pode facilmente constatar, o livro de George Orwell é bem mais do que uma simples publicação, mas uma fonte encadernada de predições e profecias do que seria o futuro próximo. Um livro profundamente atual.

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Marionetes

Diante da minha necessidade em treinar a escrita no idioma inglês eu costumo participar de debates no Facebook sobre assuntos variados, e minha diversão é expressar teses polêmicas em notícias de empresas de “news”, como Insider Presents, Daily Mail, Washington Post, etc.

Vendo os comentários de americanos sobre a guerra na Ucrânia eu fortaleço a minha crença de que o cidadão médio dos Estados Unidos é o grupo humano mais manipulado que existe. A visão que eles têm sobre o conflito é um retrato fiel da avalanche de fake news e visões distorcidas despejadas pelas suas empresas de comunicação. Para estes espectadores, a Ucrânia está vencendo a guerra, a Rússia sofrendo derrotas humilhantes diariamente, a guerra é uma ação honrada da Ucrânia e essa história de nazistas, batalhão Azov, Pravyy Sektor e golpe de estado “não é bem assim”, e o verdadeiro nazista é Putin, o açougueiro.

Sobre as motivações da guerra, falam quase em uníssono sobre o absurdo da Rússia invadir uma “nação soberana” mas, quando confrontados com o fato do seu país fazer isso em todo o planeta, sendo responsável pela morte de 11 milhões de pessoas nos últimos 30 anos em suas buscas por petróleo e controle geopolítico, eles afirmam que isso ocorre para derrubar genocidas sanguinários e liberar os povos oprimidos, e as mortes seriam “efeitos colaterais”, um preço pequeno a pagar para levar a democracia liberal ao mundo.

O sujeito médio americano é um marionete da mídia corporativa, condicionado a repetir tolices da TV conservadora e condenado a aceitar as ações imperialistas determinadas pelos oligarcas americanos e o estado profundo.

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