Arquivo da categoria: Medicina

Enfermeiras

“Enfermagem é o pelotão de frente da atenção à saúde. O trabalho é árduo, complexo, multitarefa, humano, conflituoso e desafiador. O que existe de complicado na atenção à saúde não é essa fantasia de Dr. House, a aventura intelectual de achar diagnósticos brilhantes ou fazer cirurgias incríveis que duram horas e separam xifópagos. Tais eventos são raridades e, apesar de serem espetaculares, não produzem nenhum impacto sobre a saúde de uma população. O que é verdadeiramente difícil na arte de atender é olhar os pacientes nos olhos, encarar suas dificuldades e paradoxos e encontrar a SI MESMO nas falas de quem nos procura.

Eu lembro de um colega envolvido com pesquisa de infertilidade e que dizia, com ar de arrogância e superioridade, que “nem todos podem ser cientistas“, mas no meu íntimo eu achava que os “médicos cientistas” eram os mais frágeis, aqueles que se escondiam nos laboratórios para não ter que encarar as feras, os demônios de si mesmos, transformados em falas e dores que brotavam do discurso dos pacientes.

Para a enfermagem não há escolha, pois faz no cotidiano essa batalha. Não existe descanso. O acolhimento e o cuidado – elementos centrais do paradigma da enfermagem – não permitem o afastamento da pessoa real. Não há “carinho in vitro”, e nem consolo “virtual”. O olhar que afaga e a palavra de ânimo de uma enfermeira são essenciais para a resposta de cura que pode (ou não) surgir a seguir.

Entretanto, a sobrecarga e o peso da responsabilidade desse contato são fatores que podem desestabilizar. Quando não metabolizados adequadamente estes sentimentos podem resultar em raiva e ressentimento, que são respostas sempre possíveis no horizonte. Por esta razão, creio que toda enfermeira devia ter suporte psicológico para dar conta dos choques inevitáveis que sua ação profissional propicia.”

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Curso Homeopatia para Profissionais do Parto

Curso Homeopatia para Profissionais do Parto

Duração: 16h (2 dias)

Valor promocional: R$ 550,00

Data:_______

Programa:

  1. Por quê homeopatia?
  2. Paradigmas de compreensão do binômio saude-doença.
  3. Antropologia da doença e formas terapêuticas.
  4. Hahnemann e a história da Homeopatia
  5. O que é homeopatia? Individualização, dinamização, abordagem sistêmica e paradigma relacional.
  6. Repertórios, pesquisas e Matérias Médicas
  7. Humanização do Nascimento
  8. Quando e porque tratar com homeopatia
  9. Homeopatia na Gestação
  10. Homeopatia no parto
  11. Homeopatia no puerpério
  12. Principais medicamentos e seu uso
  13. Como formar uma botica homeopática.

Para maiores informações entrar em contato:

Ricardo Herbert Jones

Fone: 55 51 999810445

ricardoherbertjones@gmail.com

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Depressão

Quando vejo pacientes chorando em vídeos na internet dizendo “Não menosprezem a minha dor; depressão é uma doença grave e precisa de tratamento” eu automaticamente me compadeço e me identifico com o sofrimento do sujeito. Mais ainda, reconheço a necessidade de olhar para a depressão com cuidado e seriedade. Entretanto, por trás desses depoimentos surge uma imensa força de propaganda para que a depressão seja medicalizada, tratada como um transtorno físico, olhando-a por uma perspectiva ontológica e adorcista.

Logo depois destes depoimentos tocantes aparecem frases como “Depressão é doença séria, mas tem remédio“, fazendo-nos crer que se trata de um mal em si (e não um desarranjo funcional da própria vida) e que a cura virá de fora, com drogas químicas que agem no cérebro modificando suas respostas aos estímulos sensoriais.

Pois a verdade é bem diferente do que a indústria quer nos fazer acreditar. Os antidepressivos são repetidamente confirmados como placebos, com efetividade nula ou sem significado estatístico para comprovar um efeito positivo.

“Os ensaios clínicos descobriram, reiteradamente, que os antidepressivos ou não são mais eficazes que o placebo, ou são ligeiramente mais eficazes.”

Para maiores informações, clique aqui.

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Pela vida

Acho um desserviço e um erro grave continuarem chamando os defensores da legalização e da descriminalização do aborto de “Pró-aborto”, assim como os que lutam para manter a proibição e a ilegalidade de “Pró- vida”. Ninguém é pró-aborto. Somos todos “pró-vida”, a questão não é moral, maniqueísta ou uma batalha do bem contra o mal num roteiro de novela popular. Os termos mais corretos seriam “Pró-proibicão” e “Pró-legalização”. O resto é discurso moralista vazio.

Ben Carter-Smith, “Apologies, Mrs Cathy”, Ed. Baroque,  pág 135

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A Fantasia cientificista

A medicina enquanto “prática científica” é uma fantasia implantada desde muito cedo na cabeça dos jovens estudantes, que se mantém ao se tornarem profissionais. Quando eu era estudante ouvi de um colega que desejava trabalhar com fertilização in vitro e inseminação artificial – a rendosa especialidade emergente da época – que “nem todos os médicos podem ser cientistas“. Dizia isso com uma espécie de fervor religioso, como se diante de um grupo de seminaristas um deles se erguesse e afirmasse: “Nem todos nasceram para ser cardeais; para alguns o céu se limita a ser um cura em sua paróquia interiorana“.

A migração que testemunhei para medicinas afastadas dos pacientes e próximas das tecnologias desnuda de forma categórica esta tendência. As cirurgias laparoscópicas, os “médicos de imagem”, os patologistas, os pesquisadores e tantas outras modalidades mostram o caminho inequívoco da medicina atual, onde o pretenso “cientista” é valorizado enquanto o profissional que escuta seu paciente e tenta traduzir suas dores e sofrimentos é relegado a um plano secundário

Para os médicos a ciência é o elemento sagrado de seu trabalho, mesmo diante da evidência de que sua prática cotidiana é baseada em tradições e empirismos sem qualquer base científica.

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Medicina e capitalismo

Sempre que visitei os Estados Unidos da América acabei acompanhando amigos em suas visitas aos seus médicos. Certamente já encontrei com mais de dez desses profissionais, entre jovens e velhos e de inúmeras especialidades e nacionalidades. Alguns aspectos em comum me chamam à atenção entre todos os atendimentos:

  1. Os consultórios são mortos. Não há vida. São padronizados, frios, inespecíficos. Parecem entrepostos na estrada onde se vende junk food. Quando se chega à recepção poderíamos imaginar ser uma agência de seguros, um posto do correio, uma secretaria de escola ou uma repartição pública. Muita propaganda nas revistas médicas, nas paredes, nos panfletos. A recepção é gigante, maior do que qualquer consultório onde já trabalhei. A burocracia é uma coisa por demais chamativa. Mesmo antes da consulta o paciente precisa preencher um extenso formulário onde já escreve suas queixas, os remédios usados, as doenças já registradas no sistema. Por isso pedem tanto que o paciente chegue no mínimo meia hora antes da consulta – que nunca ocorre na hora.
  2. Muitos funcionários. Atrás do guichê de vidro sempre umas 4 funcionárias com computadores, fichas, papéis do seguro. Impressoras, desktops, scanners, e tudo o que a tecnologia moderna oferece. Todas usam modelitos verdes de hospital, roupas que aqui são usadas apenas em blocos cirúrgicos.
  3. A primeira etapa é sempre uma pré-consulta com uma funcionária (auxiliar médica) que faz perguntas “sim-não”, numa entrevista ao estilo  boleano, sobre fumo, drogas, gestação, abortos, alergias, etc. e que vê sua pressão, peso, etc. Depois de alguns (às vezes muitos) minutos chega o(a) doutor(a). Toda essa espera, e a ritualística para aguardar o profissional, garantem um caráter solene à chegada de sua santidade, o médico.
  4. A consulta dura poucos minutos e tem um formato absolutamente técnico. O profissional não faz nenhum tipo de anotação; tudo é feito pela sua secretária ao lado, com uma ficha ou um tablet no colo. Nenhum nível de empatia com o paciente; nenhum assunto delicado é abordado. Não há espaço para qualquer tema que não seja específico da sua especialidade. Não há lugar para uma conversa franca, muito menos para a emoção. Há uma ausência total de privacidade, e por isso minha presença foi sempre tolerada. Afinal, que mal haveria em testemunhar uma consulta que sequer arranha a crosta dos sintomas que encobrem verdades inconvenientes?
  5. Capitalismo e tecnocracia por todos os lados. Em nenhuma consulta se falou especialmente de dietas, saúde emocional, afetos, exercícios ou estilos de vida; apenas drogas, testes e procedimentos. Na saída do consultório passa-se por um balcão de venda de produtos da especialidade. Sim, eles vendem os produtos que eles mesmos prescrevem.
  6. O sofrimento humano, com todas as sutilezas, especificidades, paradoxos, contradições e subjetividades cabe em uma palavra: stress. “Esse sintoma está muito relacionado ao stress“, dizem, mas ao mesmo tempo afastam qualquer proximidade com o tema. Não interessa se stress é a morte que se anuncia, a perda de dinheiro, ressentimentos, mágoas, tristezas ou ódio; para estes profissionais nada disso ajuda a entender o quadro. Pelo contrário, apenas atrapalha. Existe uma separação absoluta dos aspectos emocionais, sociais, psíquicos e espirituais das questões clínicas debatidas na consulta; são dois mundos completamente apartados.
  7. As consultas duram 15 minutos, se tanto. Objetividade e eficiência industrial. Os pacientes parecem submetidos a uma esteira de produção. Pode-se ver a dupla médico-assistente sair de uma sala para a próxima, onde outro paciente já o aguarda, e assim sucessivamente, como em um carrossel. Os custos que observamos em cada canto, na suntuosidade asséptica das salas e no grande número de profissionais, precisam ser pagos de alguma forma. O ritmo de entrada e saída de pacientes é frenético. Entra por uma porta e no final sai por outra, mas não sem antes passar no balcão das compras. O modelo nos lembra as atrações da Disney: quando saímos do brinquedo – ainda hipnotizados pela fantasia da atração – entramos na lojinha se suvenir. Aliás, “suvenir” vem do francês souvenir “lembrar, vir à mente”, do latim “subvenire”. Esse suvenir é para lembrar ao paciente de voltar e manter o ciclo de dependência.
  8. Receitas recheadas de drogas. Muitas fórmulas para aviar nas farmácias. Muita publicidade de medicamentos. Estas drogas, por sua vez, produzirão seus desajustes específicos que vão requerer mais drogas, mais testes, mais consultas, mais gastos, retroalimentando o sistema, enriquecendo médicos e indústria farmacêutica, e expoliando os pacientes de sua autonomia. Um ciclo vicioso que só termina com a morte, quando então poderemos dizer “Fizemos de tudo“.

Se eu acredito que o sintoma é a voz de uma alma que pede para ser escutada, cuja expressão é a maior riqueza de um paciente, por certo que tais consultas são mordaças tecnológicas para impedir que os clientes possam falar de suas vidas e de suas dores. A verdade do paciente é sistematicamente obliterada. Pouca coisa poderia descrita como mais contrária aos pressupostos básicos da arte de curar do que impedir que a dor encontre uma via de escape nas palavras. Olhando para os olhos marejados da minha amiga diante das palavras insípidas do médico à sua frente eu me compadeci e por momentos imaginei que ela poderia interromper o solilóquio enfadonho e tedioso do especialista e murmurar…

Rosebud, doutor

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A arte de dissimular

A gente finge que sabe alguma coisa de medicina e a maior parte do trabalho médico é fazer os pacientes acreditarem que sabemos o que está acontecendo e que estamos no controle. Somos dissimulados, atores sofisticados. No parto também agimos assim e, em verdade pouco sabemos do que ocorre dentro daquela barriga. Igualmente não sabemos porque uma chuva deixa um sujeito apenas molhado, ou com resfriado e o outro com pneumonia. Não sabemos porque um bebê tranca na saída enquanto o outro é “cuspido”. Não sabemos porque algo nos faz mal e aos outros só traz prazer ou alegria.

A grande barreira da medicina ainda é o sujeito e seu universo interior, suas idiossincrasias e seus mistérios. Continuamos, por enquanto, a tratar gente como gado, como se fôssemos iguais, sem reconhecer a unicidade de cada um. O drama é nossa condição humana, nossa subjetividade e as consequências de nossa identidade.

E a arte de curar ainda se torna mais complicada quando ocorre dentro do capitalismo, onde o “Seu Toshiba” e o “Seu Siemens” precisam vender aparelhos de ultrassom, e o Complexo Farmacêutico mundial vende remédios como pílulas encantadas como se fossem a solução para nossos problemas. Onde as corporações lucram com tais tecnologias, que são usadas como “varinhas mágicas” para resolver os problemas dos pacientes.

Difícil é aceitar que elas, na verdade, apenas simulam um saber sobre a intimidade de nossa dor.

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Opressões

Por mais estranho que pareça, diante da imagem idealizada que deles fazemos, os médicos têm o DIREITO de se negar a fazer algo que implica em dano ao seu paciente, por razões éticas. Não há como um paciente fazer este nível de imposição a um profissional que tem o dever profissional de não causar dano. Como já dito, o protagonismo feminino não pode transformar os profissionais em escravos do desejo materno.

Pacientes oprimem médicos também. As taxas de mortalidade de médicos recentemente divulgadas mostram que a condição de médico é uma doença insidiosa que leva à morte prematura. Médicos tem uma vida muito mais curta do que os pacientes que eles atendem. Médicas tem taxas de tumores maiores do que a população em geral, com uma expectativa de vida de 57 anos nessa pesquisa.

A opressão dos pacientes sobre os médicos se expressa de uma forma mais sutil e subliminar, mas não menos danosa e dolorosa. A execração pública e os ataques à honra são os mais comuns. As fofocas, a maledicência e a destruição de reputações por erros presumidos ou simplesmente por não se adaptarem à imagem construída se tornaram banais no universo das redes sociais. Basta a palavra de uma paciente insatisfeita e a credibilidade do profissional se despedaça.

Dr Fulano não é humanizado coisa nenhuma, ele operou uma amiga minha“, ou “Ele não passa de um mercenário” ou então “Cobra uma fortuna porque só pensa em dinheiro“, são as acusações mais corriqueiras. Isso destrói a paixão de qualquer pessoa normal. Muitos dizem “Quer saber? Passei 20h de TP ao lado dessa paciente, e outros tantos dias angustiado com o caso dela sempre na minha cabeça para agora ser acusado de ter feito uma cesariana quando joguei a toalha diante de tantos problemas que surgiram. Eu podia ter feito como todos: contado uma mentira, feito a cesariana há 1 semana, e ninguém me acusaria. Só tolos se imolam publicamente em nome dos seus ideais. Ou kamikazes“.

Sim, os médicos também se sentem oprimidos, em especial os que enfrentam o sistema e sentem na pele o ostracismo e a violência de seus pares.

Criar modelos estanques e simplórios de “oprimidos e opressores” é um excelente método para esconder a verdade. Esta é sempre muito mais complexa e contraditória do que as novelas mexicanas onde o Bem e o Mal se confrontam estereotipados e sem matizes. No mundo real o oprimido também desvela o gozo com sua condição – o vitimismo – e dele tira vantagens, enquanto o opressor sofre na carne o peso de sua posição, pela culpa e pela responsabilidade que lhe recai.

O mundo é menos simples do que parece a realidade é mais complexa e paradoxal do que desejamos.

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Medicina Honesta

“Médicos honestos não podem mais praticar uma medicina honesta”. Quando me perguntam – todos os dias – se sou contra vacinação (entre outros temas da medicina hegemônica) eu sempre respondo que perdi completamente a confiança na “Big Pharma” e não confio em nada que venha dessa indústria. Poucos setores do capitalismo são mais corruptos do que este, e bastaria citar alguns exemplos recentes de fraude para deixar clara esta relação degenerada entre drogas e saúde.

Mas a ponta frágil ainda é a relação sagrada que se estabelece entre o médico o seu paciente. Ali, onde a transferência poderia operar o milagre, ocorrem as mais inaceitáveis interferências, em especial do mercado e do lucro. A ponta de lança dessa máquina gigante é o médico, pressionado pela indústria e até pelos pacientes, intoxicados pela propaganda enganosa e antiética enviada pela mídia.

O resultado é uma medicina fria, defensiva e cada vez mais mortal onde as condutas são determinadas pela indústria e os profissionais são esmagados pelas corporações. Os que se rebelam são julgados por seus pares em juízos injustos e cruéis. A solução parece ser a mediocridade e a adesão ao engodo da medicina drogal ocidental.

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Heroes

The acknowledgement of the importance of male partners in the struggle for better births is essential exactly because we all live in patriarchal societies. It’s natural for women in this kind of society to know their own strength, but it is unusual for men in a chauvinistic culture to see – thru the mist of male dominance – the pure and amazing power women have during childbirth.

In other words, it is much easier for women to see that reality than for a male obstetrician, in a masculine and interventionist profession, inside a male and chauvinistic culture and against the opinions of his colleagues, professors and even the women he assists. Instead of criticizing the attention that these rebels receive from the humanistic field women activist should welcome their decision in choosing the women’s perspective in childbirth. All male obstetricians I know face prejudice and explicit attacks from their peers, and some – like me – lose their licenses to practice because of their willingness to honor women’s full autonomy in birth.

These guys all over the world have a hard time with the medical Mafia and the cesarean industry, but continue to fight for the right for every woman to have a doula and a midwife at their side. Even thou we should honor and embrace all women around the world, which help other women to give birth for thousands of years, it is important to recognize the “good guys” that fight the system from inside.

It is sad to read women writing “men are inferior creatures”. My question is “do women actually say that to their boys”?

It is also sad to see women doing the same mistakes and using the same prejudices in their words that we men did for centuries.


O reconhecimento da importância dos parceiros masculinos na luta por melhores nascimentos é essencial, exatamente porque todos nós vivemos em sociedades patriarcais. É natural que as mulheres neste tipo de sociedade conheçam suas próprias forças, mas é incomum que os homens em uma cultura machista vejam – através do olhar do domínio masculino – o poder puro e surpreendente que as mulheres têm durante o parto.

Em outras palavras, é muito mais fácil para as mulheres ver essa realidade do que para um obstetra homem, numa profissão masculina e intervencionista, dentro de uma cultura machista e contra as opiniões de seus próprios colegas, professores e até mesmo das mulheres que ele ajuda. Em vez de criticar a atenção que esses rebeldes recebem do campo humanista, as ativistas do parto deveriam acolher sua decisão pela escolha da perspectiva das mulheres no parto. Todos os obstetras homens que conheço enfrentam preconceitos e ataques explícitos de seus pares, e alguns – como eu – perdem suas licenças para praticar por causa de sua disposição de honrar a plena autonomia das mulheres no nascimento.

Esses médicos em todo o mundo têm dificuldades com a máfia médica e a indústria das cesarianas, mas continuam a lutar pelo direito de toda mulher ter uma doula e uma parteira ao seu lado. É certo que deveríamos honrar e abraçar todas as mulheres ao redor do mundo que ajudam outras mulheres a parir – por milhares de anos – mas é igualmente importante reconhecer os “mocinhos” que lutam contra o sistema por dentro.

É muito triste ler as mulheres escrevendo que “os homens são criaturas inferiores”. Minha pergunta é “as mulheres realmente dizem isso aos seus meninos”?

É triste ver mulheres cometendo os mesmos erros e usando os mesmos preconceitos em suas palavras que nós homens fizemos durante séculos.

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