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Lactância sem Mulheres

Eu vi a notícia sobre um congresso de aleitamento no México que não continha nenhuma mulher entre os expositores e achei absurda tal comissão que debateria o tema. Não gosto de nenhum tipo de sexismo e a exclusão de homens para debater amamentação – pelo simples fato de serem homens – é para mim um grosseiro equívoco. Digo o mesmo sobre o tema do parto e uso a explicação de que “homens nascem e homens são amamentados”, portanto, esse assunto igualmente nos atinge e nos diz respeito. Ressalvas sejam feitas aqui ao “lugar de fala”, por favor.

Eu convidaria aqui no Brasil Marcus Renato e João Aprígio sem pestanejar para um congresso como este, e poderia colocá-los inclusive na presidência do mesmo porque são grandes defensores e batalhadores incansáveis pela amamentação…. e são homens. O gênero importa menos que o engajamento no tema, mesmo que a vivência no processo de amamentar seja um fator relevante e significativo.

Entretanto, a ausência de mulheres na mesa fala muito mais de uma negação a elas do que de uma pretensa falta de especialistas sobre o tema da amamentação do sexo feminino. No Brasil – e posso garantir que também no México – existem médicas, enfermeiras, psicólogas ou nutricionistas capazes de levar adiante esta bandeira com pleno embasamento científico e com grande experiência no ativismo. Portanto, a ausência de mulheres e a presença de representantes da indústria láctea neste evento é um claro sinalizador de que as mulheres não estão presentes porque a sua “substituta” – a indústria de fórmula – veio para ocupar sua voz e seu espaço.

E isso é muito grave…

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Causas

As causas são PROFUNDAMENTE masculinas. Elas são mudanças no rumo da história, do roteiro das ideias. São golpes de machado nas raízes da natureza. Os homens sempre estiveram por trás delas. As revoluções foram todas lideradas por homens, assim como as lutas, as guerras, as conquistas. Todas estas são “causas”, mais ou menos nobres, que estimularam a inventividade, a coragem e a genialidade. Todas, sem exceção, determinaram vontade, desprendimento e sacrifícios.

A história está repleta de homens que sacrificaram tudo – em especial a própria vida – em nome de causas que ajudariam a todos. Pense em qualquer movimento paradigmático no mundo e houve ali um homem envolvido em uma grande luta que envia a todos de sua etnia, seu grupo, comunidade ou país.

Sim, homens não se preocupam tanto com câncer de pênis ou próstata o quanto deveriam. Entretanto se preocupam com o de mama e o de colo uterino, que sequer é no corpo deles. Todos os recursos, a energia, a vontade e a dedicação está focada para ajudar as mulheres, as matrizes, suas mães, filhas e esposas.

Mas… claro que isso é apenas mais uma faceta do machismo. Os homens cuidam das mulheres porque as odeiam e querem escravizá-las. Curam suas doenças, tratam suas feridas, deixam suas vidas mais dignas, mas o motor destas ações é o ódio. Este mesmo ódio que todo homem carrega por uma mulher é fruto da…. da… raiva que sentem da primeira mulher que os abandonou. Por isso tanta mágoa e desprezo. Por isso as poucas causas em que os homens se engajam dizem respeito apenas ao seu gênero, sua infinita vaidade e seu infindável egoísmo.

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Heroes

The acknowledgement of the importance of male partners in the struggle for better births is essential exactly because we all live in patriarchal societies. It’s natural for women in this kind of society to know their own strength, but it is unusual for men in a chauvinistic culture to see – thru the mist of male dominance – the pure and amazing power women have during childbirth.

In other words, it is much easier for women to see that reality than for a male obstetrician, in a masculine and interventionist profession, inside a male and chauvinistic culture and against the opinions of his colleagues, professors and even the women he assists. Instead of criticizing the attention that these rebels receive from the humanistic field women activist should welcome their decision in choosing the women’s perspective in childbirth. All male obstetricians I know face prejudice and explicit attacks from their peers, and some – like me – lose their licenses to practice because of their willingness to honor women’s full autonomy in birth.

These guys all over the world have a hard time with the medical Mafia and the cesarean industry, but continue to fight for the right for every woman to have a doula and a midwife at their side. Even thou we should honor and embrace all women around the world, which help other women to give birth for thousands of years, it is important to recognize the “good guys” that fight the system from inside.

It is sad to read women writing “men are inferior creatures”. My question is “do women actually say that to their boys”?

It is also sad to see women doing the same mistakes and using the same prejudices in their words that we men did for centuries.


O reconhecimento da importância dos parceiros masculinos na luta por melhores nascimentos é essencial, exatamente porque todos nós vivemos em sociedades patriarcais. É natural que as mulheres neste tipo de sociedade conheçam suas próprias forças, mas é incomum que os homens em uma cultura machista vejam – através do olhar do domínio masculino – o poder puro e surpreendente que as mulheres têm durante o parto.

Em outras palavras, é muito mais fácil para as mulheres ver essa realidade do que para um obstetra homem, numa profissão masculina e intervencionista, dentro de uma cultura machista e contra as opiniões de seus próprios colegas, professores e até mesmo das mulheres que ele ajuda. Em vez de criticar a atenção que esses rebeldes recebem do campo humanista, as ativistas do parto deveriam acolher sua decisão pela escolha da perspectiva das mulheres no parto. Todos os obstetras homens que conheço enfrentam preconceitos e ataques explícitos de seus pares, e alguns – como eu – perdem suas licenças para praticar por causa de sua disposição de honrar a plena autonomia das mulheres no nascimento.

Esses médicos em todo o mundo têm dificuldades com a máfia médica e a indústria das cesarianas, mas continuam a lutar pelo direito de toda mulher ter uma doula e uma parteira ao seu lado. É certo que deveríamos honrar e abraçar todas as mulheres ao redor do mundo que ajudam outras mulheres a parir – por milhares de anos – mas é igualmente importante reconhecer os “mocinhos” que lutam contra o sistema por dentro.

É muito triste ler as mulheres escrevendo que “os homens são criaturas inferiores”. Minha pergunta é “as mulheres realmente dizem isso aos seus meninos”?

É triste ver mulheres cometendo os mesmos erros e usando os mesmos preconceitos em suas palavras que nós homens fizemos durante séculos.

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