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Pesos e Medidas

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“O responsável pelo procedimento é o médico xxxxxxx. Familiares de sete pacientes de xxxxxxx alegam que os parentes morreram em decorrência de complicações da cirurgia, e outras sete declaram ter ficado com sequelas graves. O MPF (Ministério Público Federal) e o CFM (Conselho Federal de Medicina) receberam as reclamações e pedem que a técnica seja proibida até que estudos científicos comprovem a eficácia e segurança do procedimento.” (www vejaagorabrasil. org)

Imaginem se esse médico, ao invés de fazer cirurgias bariátricas questionáveis (em termos de segurança), estivesse atendendo partos domiciliares em sua cidade da mesma forma como países democráticos estimulam e estabelecem como alternativa segura nos seus sistemas públicos de saúde. Como se comportaria o Conselho de Medicina? Sete pacientes já morreram e outros sete estão severamente incapacitados mas é ÓBVIO que este profissional tem TOTAL APOIO e suporte da corporação. Fazer cirurgias com fins fúteis, meramente estéticos, e colocar em risco a saúde dos pacientes NÃO desafia os poderes médicos. Pelo contrário, exalta a medicina como elemento social transformativo e curativo, e o médico como seu condutor por excelência.

Entretanto, o parto domiciliar, ao estabelecer a paciente como participante ativa e PROTAGONISTA do evento retira do médico sua importância capital e diminui sua relevância. Os médicos que dão suporte a estes partos sabem que sua função é outra, e se estabelece como uma vigilância silenciosa sobre os fatos que possam acarretar riscos acima do normal. Não se trata mais de “fazer partos” mas de os “acompanhar respeitosamente”. Essa nova postura dos profissionais ofende a velha guarda da corporação, que não aceita que médicos desafiem a hierarquia secular na atenção à saúde que os coloca acima de todas as outras considerações, inclusive os próprios desejos expressos do paciente.

As formas como a corporação julga estes casos NADA tem a ver com a segurança ou o bem-estar dos pacientes. O critério é sempre a proteção da categoria. Procedimentos que ameacem o valor profissional são atacados impiedosamente, enquanto aqueles que exaltam a sua posição na sociedade tem seus riscos desconsiderados ou despudoradamente negados.

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Pré-história da Cidadania

Depois das turbulências sobre parto domiciliar, onde a população civil, a liberdade e a autonomia das mulheres saíram vitoriosas (as determinações do CREMERJ foram solenemente cassadas e nenhuma sanção foi aplicada ao nosso colega), resta ainda uma pergunta para qual não tivemos resposta: Porque a preocupação tão vigorosa com os partos domiciliares por parte do CREMERJ? Será mesmo para “proteger” mães e bebês? Se isso for verdade, porque NUNCA houve um alerta vigoroso contra as cesarianas desmedidas e abusivas, que são comprovadamente perigosas para o binômio mãe-bebê e NÃO TEM respaldo de NENHUMA instituição internacional como a OMS, Biblioteca Cochrane, FIGO, RCOG entre tantas outras? Pelo contrário: o Brasil é visto como um país de abusos, de falta de rigor científico, de apatia do setor público e de uma libertinagem médica no que tange à realização de cesarianas.

Ao mesmo tempo em que o Parto Domiciliar é atacado, mesmo provando ser seguro por fontes diversas – e de forma reiterada – a cesariana imposta à população de mulheres desse país não é combatida pelas entidades representativas dos médicos. Se o interesse era “proteger a população”, qual a razão para o silêncio diante da epidemia de cesarianas? Porque se calam as entidades quando a proteção das mulheres esbarra nos interesses corporativos? Afinal, essas entidades se interessam em resguardar a saúde da população, ou apenas salvaguardar benefícios, vantagens e o poder conquistado?

Queremos, nós médicos, um CFM que se coloque AO LADO da saúde das mulheres, e não afastado delas, olhando para o próprio umbigo. Atitudes como a do CREMERJ colocam os médicos como vilões da modernidade, atrelados aos interesses menores e pessoais, sem uma visão de saúde ligada à liberdade, assim como às escolhas e recusas informadas.

Por quanto tempo ainda nos manteremos na pré-história da cidadania?

Veja o link abaixo:

CFM nunca advertiu sobre riscos da cesariana

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,entidade-jamais-advertiu-sobre-riscos-de-cesarea-,914802,0.htm

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