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Conselhos

Vou deixar bem claro: eu acho uma profunda ingenuidade imaginar que os Conselhos de Medicina deveriam “proteger a sociedade”. Essa é uma acusação injusta a estas entidades. Um conselho é feito para proteger a CORPORAÇÃO, os médicos e suas práticas, as quais são validadas por seus pares (e não necessariamente pelas evidências científicas).

Não existe NENHUM compromisso explícito de defender a saúde da população e isso é mais do que óbvio. Afinal, você cidadão comum, em quem vai votar na próxima eleição do Conselho de Medicina? Ahhh, só os médicos votam? Então como é posível imaginar que um grupo que não aceita seu voto vai lhe representar?

Não… os conselhos de Medicina protegem a medicina, seus profissionais e seus privilégios sociais, mesmo quando sua prática é capaz de prejudicar pacientes. A cesariana é apenas um dos exemplos fáceis para demonstrar que não se pode confiar num Conselho de Medicina para tomar ações que contrariam os desejos dos médicos que, em última análise, elegem os conselheiros para representar seus desejos – e não os de seus clientes.

Por isso é importante sempre ter no horizonte que os conselhos médicos – estaduais ou federal – são órgãos corporativos e que tem como compromisso o médico e sua proteção, e não a saúde dos pacientes. Para estes objetivos é necessário criar outros representantes ou modificar o MS para que este possa trabalhar de forma efetiva na defesa dos pacientes e suas questões. Talvez esteja no horizonte a “Ordem dos Doentes”, uma organização criada para a defesa dos pacientes em todas as instâncias e que, em inúmeras circunstâncias, vai se opor diametralmente à “ordem dos médicos” na defesa dos seus interesses.

Não é justo cobrar dos Conselhos de Medicina algo que eles não tem obrigação de fazer, mas também é ingenuidade acreditar que eles trabalham por você ou por sua saúde.

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Diplomas

 

“O maior gênio da política brasileira de todos os tempos nunca teve um curso universitário. O maior político da história da África do Sul passou 27 anos preso. O maior revolucionário da política australiana era um operário.

Política NÃO é concurso público. Política é REPRESENTATIVIDADE. Ouso dizer que (infelizmente) Alexandre Frota é muito mais representativo do que alguns candidatos que emergem das universidades, cheios de títulos, graduações e experiências no exterior. Para comprovar o que digo basta ver os votantes do Bolso. Ciro Gomes falou certo ao se referir ao Daciolo como “o preço a pagar pela democracia”. Sem isso teríamos uma aristocracia perversa de concurseiros, e se alguém tem curiosidade para saber como isso seria olhe para o nosso judiciário, uma instituição que 90% da população não confia em sua lisura, mesmo com tantos diplomas na parede de trás.

Os sujeitos com mais qualificação superior no congresso são, via de regra, os mais reacionários. Tratá-los como “excepcionais” e levá-los ao congresso apenas por sua performance acadêmica é um erro que já cometemos muitas vezes. Está na hora de varrer esse conceito da nossa sala.

Para ser político precisa MUITO mais do que um diploma. Precisa falar a língua do povo e sentir na pele o que ele sente.”

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