Arquivo da categoria: Ativismo

Lawfare

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LAWFARE é um mecanismo que utiliza a lei de forma viciosa para condenar inimigos políticos, fazendo parecer que as perseguições abjetas e covardes tenham a aparência de simples “aplicação dura das leis”. Para isso é preciso usar os poderes à disposição para destruir o SUJEITO e desta forma atingir a MENSAGEM.

A humanização do nascimento é a MENSAGEM libertadora para milhões de mulheres sem voz e que sofrem todo tipo de violência no parto. Entretanto, ela incomoda muitos profissionais que se beneficiam do modelo atual, que objetualiza e coisifica gestantes. Por isso profissionais que se rebelam contra o abuso de cesarianas e procedimentos anacrônicos e abusivos estão sendo vítimas de LAWFARE. Como eu.

E como Lula sofre todos os dias.

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Protegido: Para entender o caso

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Hecatombe


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Se você ainda não percebeu que há algo de podre no Reino da Obstetrícia Brasileira, e continua acreditando nas perseguições medievais dos Conselhos de Medicina, preste atenção ao que está acontecendo ao seu redor. O “Caso Adelir” – cesariana sob ameaça da Polícia, em Torres, RS – foi um balão de ensaio. Ali ficou claro que, se for possível dispor do corpo da mulher sem que ela aceite e permita, a porta estará aberta para QUALQUER outra arbitrariedade.

(Não esqueçam que no caso de Torres as duas médicas que atenderam a gestante, além da juíza que lhe deu a intimação judicial, eram mulheres, o que expõe uma face cruel do nosso machismo: ele é reproduzido pelas próprias mulheres.)

Estamos muito próximos de uma “hecatombe médica”, quando nenhuma mulher mais tiver chance de ter seus filhos de parto normal pela total incapacidade dos médicos em atendê-las. O caso do Rio de Janeiro é emblemático: a Unimed não disponibiliza mais atendentes de parto normal. O parto, como evento fisiológico, está desaparecendo, consumido pelo monopólio médico que se interessa prioritariamente pelos ganhos e facilidades da cesariana, negligenciando seus riscos multiplicados. (veja aqui a decisão do tribunal do Rio de Janeiro)

Quem defende o parto normal é caçado (pode ser com “ss” também), agredido, violentado, difamado, perseguido e caluniado. Quem abusa de cesarianas recebe tapinhas nas costas dos colegas e jamais é admoestado por seus pares.

Somente a sociedade organizada, forçando a modernização dos operadores do direito, poderá mudar essa realidade. Não podemos mais admitir um ministério publico ainda tão inoperante nos casos de violência obstétrica  (ressalva aqui aos poucos e bravos procuradores que abraçam a causa) e a ignorância constrangedora de magistrados que continuam a julgar casos médicos por senso comum e sem a mínima noção do que seja medicina baseada em evidências.

O que mais precisa acontecer para que as mulheres percebam que seus partos foram roubados para oferecer conforto e dinheiro às corporações?

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Lawfare

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Lawfare é uma palavra inglesa que representa o uso indevido dos recursos jurídicos para fins de perseguição política. Neste sentido, a lei é utilizada como uma espécie de “arma de guerra”, o que permite o uso de um instrumento jurídico com afeição política.

Lula, juízes garantistas e obstetras humanistas são perseguidos pela justiça e pelos seus pares, no caso dos obstetras, a corporação médica. A perseguição contra os médicos humanistas se insere como um capítulo negro na longa crise da obstetrícia brasileira que, sem capacidade de justificar a barbárie das cesarianas descabidas e outras tantas práticas anacrônicas, prefere atacar os médicos que se posicionam contrários a esta prática. No final, atira-se no mensageiro para atrasar a chegada da mensagem. Infelizmente para eles essa estratégia não dura muito tempo, e a verdade por fim se torna a única possibilidade de avanço.

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Eu e as Doulas

– Você sabe o que é uma doula?

Sua pergunta era direta e seus olhos verde-água me encaravam com a mesma firmeza doce com que segurava Miguel, seu filho recém-nascido. Poucos dias haviam se passado do nascimento, e ela vinha ao meu consultório para a revisão de rotina. Os desafios daquela gravidez e os mistérios daquele parto haviam me oferecido inúmeros ensinamentos sobre as conexões entre o espírito, a mente, o corpo e suas inúmeras e enigmáticas falas. Quando a pergunta de Cristina me chegou aos ouvidos eu sequer sabia que as grandes transformações ainda estavam para começar…

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Não, eu ainda não sabia o que era uma doula, mas Cristina teve paciência para me explicar o que elas faziam. Falou de Wendy, Klaus e Kennell, Dana Raphael, Penny Simkin. Falou do suporte psicológico, afetivo, emocional, físico e espiritual que elas podiam proporcionar. Falou também dos estudos, da biblioteca Cochrane, e de tantas outras verdades as quais eu desconhecia por completo.

– Eu sou uma doula, Ricardo, continuou ela. E nós vamos trabalhar juntos.

O convite inesperado me acertou em cheio. Sua proposta era simples: referência e contra-referência. Ela me encaminharia pessoas interessadas em um atendimento humanizado ao parto e eu encaminharia a ela gestantes que desejam um acompanhamento de Yoga durante a gestação e que desejam a presença de uma doula no parto. Os partos seriam uma tarefa compartilhada entre nós. Ali começava uma parceria que produziu muitos frutos, mas que também acabou atingindo de forma inquestionável um dos pilares da obstetrícia moderna: o poder sobre o corpo da mulher. O preço a ser pago, sei bem agora, seria o pior possível, e o perdão… impossível.

Nosso trabalho se iniciou de forma tímida, mas tinha uma característica importante: a busca de horizontalidade. Não se tratava de uma “auxiliar de médico” a fazer um trabalho acessório para ajudar o “nosso” trabalho. Não, o trabalho da doula vinha inserido em um outro entendimento da atenção, em que diferentes atores executam funções complementares e de igual importância. A doula fazia o trabalho de preparação física para o desafio do parto, e durante o processo se ocupava de oferecer conforto, confiança, determinação e relaxamento. Depois de cada parto conversávamos para ver os pontos positivos e negativos da nossa atuação, o que poderia ser melhorado e o que poderia ser repetido em novos atendimentos.

Todavia, o primeiro grande assombro do meu trabalho com as doulas não ocorreu pelos partos maravilhosos, pelo choro de felicidade, pela alegria de pais e mães envolvidos em um abraço comovido com sua cria, ainda úmida e quente, embalada nos braços. Não foi pelo clima maravilhoso de sensualidade, de carinho, de proteção e confiança. Não, não foram estas as causas do meu assombro.

Meu primeiro grande susto foi ver uma paciente escrever na internet uma nota sobre um parto que nós tínhamos atendido. Nela se lia, com palavras semelhantes a estas: “Agradeço ao meu marido, minha família, meus amigos e à minha doula. Sem ela eu jamais conseguiria.

A sensação que eu tive foi de espanto. “Como assim sem ela eu não conseguiria? E eu? E a minha arte, meu esforço, minha dedicação, meu talento, meus anos de estudo?” Meus pensamentos incontroláveis eram o suporte da minha indignação, mas era preciso absorver o golpe e tentar entender. Com o passar do tempo consegui compreender que minha irritação se dava por não conseguir admitir nada além de mim mesmo como merecedor de qualquer tipo de elogio pelo nascimento. Minha mente ainda acreditava que eu “fazia” os partos de minhas clientes e, sendo assim, não haveria como alguém querer roubar este corpo e este parto que a mim pertenciam.

Era preciso sair deste lugar, e eu sabia disso. Sem abrir mão da posição de “dono do parto” eu jamais poderia dar um passo adiante. “Humanizar o parto é garantir o protagonismo à mulher“, dizia eu. Se o protagonismo a elas pertence, que disputa é essa que se pode estabelecer entre pessoas alheias ao evento? “Se a posição de coadjuvante não lhe é suportável, esqueça esse ofício“, repetia meu amigo Max. “Médicos, parteiras e doulas não são feitos para brilhar, são feitos para refletir e ampliar a luz que emana de uma mulher parindo“. Aquela era a lição mais dura, a mais difícil, a mais complexa e a mais desafiadora. Descer do pedestal de saber auto erigido sobre o corpo da mulher é terrível. Quando vejo os ataques ferozes de elementos da corporação médica às doulas fica claro para mim que eles são tomados pelo mesmo sentimento que me atingiu ao ler aquela nota, mas sem a fidelidade aos compromissos de equidade, justiça e protagonismo garantido às mulheres aos quais eu me propunha.

Meu trabalho com as doulas foi abrindo um portal que eu jamais teria imaginado. Era como se um aspecto gigantesco, imenso e misterioso do meu trabalho houvesse sido trancafiado por 10 anos e só então pudesses ser aberto. Os aspectos psicológicos, absolutamente negligenciados durante toda a minha formação médica e na residência, finalmente faziam sentido. O enigma da página 138 do livro “Nacimiento Renacido“, de Michel Odent, podia ser desvendado: era essa conexão física, emocional, intensa e profundamente feminina que oportunizava às mulheres percorrer os labirintos obscuros do seu ser feminino com mais confiança. Era essa a parte que me faltava, da qual eu carecia e que as doulas poderiam ajudar, acrescentando a feminilidade e o contato amoroso ao trabalho técnico de médicos e obstetrizes.

Duro reconhecer, mas durante muitos anos eu fui um médico manco, claudicante, que andava me arrastando, sem saber como oferecer uma atenção que contemplasse as reais e profundas necessidades das gestantes e seus parceiros. Foi através das doulas, com sua calma, silêncio, tranquilidade, compaixão e arte que eu aprendi muito sobre os intrincados caminhos da feminilidade. Se o parto verdadeiramente é “uma parte da vida sexual normal de uma mulher” como dizia Odent, então a própria sexualidade feminina se desenrolava diante dos nossos olhos no momento sublime do nascimento, o que nos obrigava a uma atitude de solene admiração e respeito.

As doulas me levaram a uma revolução interna sem precedentes. Com elas percebi que a única posição subjetiva coerente de um médico é a humildade, aliada a compreensão do nascimento como um fenômeno para muito além do que conseguimos atingir com a mera pesquisa biológica e mecânica. Existem segredos ainda reclusos, que precisam ser descobertos, e cabe a nós a coragem de procurá-los. Para as doulas, e para Cristina – minha primeira doula – fica a minha homenagem e os meus agradecimentos eternos.

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Poderes

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“O poder médico, que se expressa através do discurso e da ideologia do risco, assim como as ameaças veladas sobre o bem estar do bebê, têm um poder imenso de convencimento sobre as pacientes, em especial no final de uma gestação, onde as fragilidades e os temores estão à flor da pele. Muito mais do que o sistema de crenças e sua sustentação nas evidências – ou não – os exageros e violências vão ocorrer pela própria imponência da figura do terapeuta sobre o sujeito que sofre no embate transferencial que se estabelece.”

Dimitri Ustalov, “In hoc signo vinces”, ed Pompéia, pag 135

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Parto Adequado

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Fiquei sabendo que 10 mil cesarianas foram evitadas pelo programa “Parto Adequado”, cujo nome foi criado com um único objetivo: tirar o nome “humanização” dos projetos de incentivo ao parto normal. Como sabemos, os médicos sempre se ofenderam com essa palavra (“está nos chamando de desumanos?”). Essa diminuição de cesarianas e a consequente queda nas internações em UTI neonatal parece ser um bom indicador. Entretanto, quando percebemos que são realizadas mais de 1 milhão de cesarianas por ano, esta redução representa menos de 1% de todas as cirurgias realizadas no país.

Claro, o programa não foi aplicado no país inteiro, mas penso que sem mudar o paradigma médico intervencionista pelo modelo de parteria nenhuma mudança significativa e mensurável será percebida em um futuro próximo. Apesar dos resultados aparentemente promissores, o projeto “Parto Adequado” parece querer provar que é possível melhorar o atendimento ao parto dentro do velho paradigma, baseado na intervenção, no médico e no hospital.

Não creio…

A simples diminuição de cesarianas não fará a menor diferença. Estaremos evitando cesarianas a que preço? Podemos acabar trocando altas taxas de cesarianas por partos cheios de intervenções, além de acrescentar riscos decorrentes de uma atenção vaginalista, mas que mantém o mesmo viés centrado na intervenção.

Humanizar o nascimento é bem mais do que trocar um corte em cima por um mais em baixo.

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Acusações

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Eu acredito ser justo que mulheres comentem atendimentos em que se sentiram mal atendidas, lesadas, desrespeitadas etc, inclusive dizendo o nome do profissional quando isso ocorrer em grupos fechados. Por outro lado sou contrário aos linchamento virtuais de profissionais para quem não se dá direito de defesa. Sempre que escuto essas histórias eu digo “é, pode ser, mas gostaria de escutar a outra parte“. Entretanto, nas poucas vezes que isso aconteceu, fiquei impressionado com as diferentes histórias apresentadas quando ambos os lados tem a oportunidade de se expressar .

Um exemplo: Uma apresentadora de TV foi demitida e escreveu uma dura carta acusando os diretores pela sua demissão. Fiquei bravo com eles. Hoje surgiu a versão dos diretores que a demitiram. Fiquei puto com ela. Qual a versão verdadeira?

Toda mãe sabe parir e todo bebê sabe nascer” são tão somente palavras de ordem que fazem sentido no furor do ativismo. Na vida real há problemas, intervenções necessárias, cesarianas e todo tipo de merda possível, que em boa parte das vezes não tem a ver com a violência do profissional, mas com o uso adequado de sua arte para oferecer segurança às mães e aos bebês. Muitas vezes esses pacientes sofrem pela fantasia exagerada que criam sobre seus partos e não por uma real falha do profissional que as atendeu.

Para ser justo é preciso escutar com a razão, e não apenas com o coração.

Entretanto, o que eu afirmo em nada invalida a existência de violência obstétrica, que quanto mais invisível é mais intensa se apresenta. A descrição das pacientes NUNCA deve ser desconsiderada, ao mesmo tempo que não se pode desconsiderar a fala dos profissionais. A experiência nos oferece a oportunidade de entender que um parto não depende apenas dos cuidadores. Eles são uma parte fundamental do processo, mas não podem garantir nenhum resultado. Infelizmente muitas mulheres acreditam que as equipes de atenção humanizada podem solucionar bloqueios de ordem psicológica e emocional, alguns deles com mais de 30 anos de construção.

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Moção de Apoio

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12 de dezembro de 2016 · 17:35

O Ódio ao Parto Domiciliar Planejado

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O parto domiciliar causa tanto ódio, raiva e produz tantos ataques da corporação médica mesmo sendo absolutamente desimportante do ponto de vista estatístico. Ele representa bem menos de 1% dos partos. Por que tanta raiva?

Se a segurança das pacientes fosse o temor, por que se admitem cesarianas a rodo quando sabemos cientificamente que elas multiplicam o risco de morte materna e neonatal, além de elevar exponencialmente os riscos de danos a ambos e produzir custos estratosféricos?

Se a segurança fosse a preocupação por que os hospitais privados não são obrigados a ter anestesistas de plantão exclusivos para a obstetrícia para dar conta de emergências obstétricas? A razão é que não se trata de oferecer segurança, mas de manter “controle”. Em sua casa a mulher está no comando e a corporação patriarcal não pode lhe lançar os olhos. Não se trata de “cuidar melhor”, mas de controlar esta mulher em seu momento mais íntimo. A medicina é um braço do patriarcado, ocupada em conservar e disseminar seus pressupostos. Ela é em essência, conservadora e em oposição aos movimentos que lutam pela liberdade da mulher.

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