Arquivo da categoria: Ativismo

Minimalismo

Dias atrás vi um belo documentário no Netflix, o qual recomendo com fervor: Os Minimalistas. Trata da história de uma dupla de jovens que resolveu se desfazer de quase tudo e viver uma vida o mais despojada possível, tateando os limites do desapego material. Ao assistir à narrativa fiquei envergonhado de perceber o imenso grau de fetichismo que ainda depositamos (depósito) em coisas, de roupas, objetos, utensílios a tamanho de casas.

Somos verdadeiramente governados por objetos que gravitam ao nosso redor, deixando de lado os verdadeiros valores da vida. Todos os conceitos do Minimalismo já existem na minha cabeça como elementos racionais há muitos anos, e a própria opção por viver no meio da natureza e em comunidade vai nesse sentido. Como próximo passo cabe a mim a difícil tarefa de que tais ideias baixem um pouco do alvo inicial e atinjam o coração.

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Aliado não alinhado

Escrevi um texto enorme já há uns dois anos sobre esta questão, mas resolvi tocar no assunto novamente pois ainda ontem o Justin Trudeau se manifestou como sendo “feminista”, apesar de que, na visão de algumas feministas, ele seria classificado como “feministo”. Quando me perguntam sobre isso eu preciso dar esta singela explicação:

Existem dois conceitos diferentes quando se fala de feminismo e que se confundem com frequência. Existe o feminismo como uma IDEOLOGIA e o feminismo como MOVIMENTO SOCIAL. Eu me associo ideologicamente ao feminismo pois não há nenhum preceito básico feminista (equidade, respeito, protagonismo, proteção à maternidade, amamentação, autonomia, direitos reprodutivos, ampla liberdade sexual, direito ao aborto, escolha do local de parto, etc) com o qual eu não concorde e defenda de forma entusiástica. Portanto sou inquestionavelmente aliado do feminismo.

Por outro lado existe um movimento feminista composto de pessoas. Estas são passíveis de falhas humanas, erros, equívocos de rota, divergências internas, dissidências, rancores e tantos outros problemas que ocorrem em todos os movimentos que pretendem mudar a cultura, e é absolutamente natural que assim ocorra. Feministas são pessoas com sonhos, defeitos e virtudes.

Entretanto, nesse movimento, por mais que eu esteja de acordo com suas premissas fundadoras acima descritas, eu jamais terei voz, jamais poderei solicitar uma troca de rumo, uma mudança de discurso ou uma nova estratégia que me pareça melhor do que aquela até então utilizada. Minha condição masculina me afasta de qualquer possibilidade de mudar o “feminismo movimento”. Desta forma, jamais poderei fazer parte de um movimento que não me considera um igual, mas também reconheço este “lugar” a mim determinado como justo, e jamais me ocorreria reclamar dele.

Portanto, minha posição continua sendo de “aliado não alinhado”.

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Hereges

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Eu cheguei a criticar Leonardo Boff por se manter padre e ter uma postura crítica aos dogmas católicos, além de uma visão muito liberal e progressista, mas uma vez meu pai me disse “o que o torna relevante não é apenas a crítica que faz, mas de ONDE a faz. Fosse ele como você ou eu, quem lhe daria ouvidos?“

Pelas mesmas razões quando um médico surge no Brasil defendendo o modelo humanizado de parteria sua voz é mais importante pelo fato de surgir de dentro da corporação médica do que pelo seu conteúdo. E no conflito entre paradigmas sua fala assume especial importância, e por isso mesmo (como ocorreu com Boff) tais personagens serão perseguidos e atacados.

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Darcy Ribeiro

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Esses dias vi alguém citando Darcy Ribeiro em sua fala. Fiquei pensando como faz falta um livre pensador como ele nos dias de hoje. Tomo como minhas as suas ideias e compartilho de sua “altiva depressão”. Fracassei no meu estado e na minha cidade na implantação de um modelo humanizado e transdisciplinar de atenção ao parto que coloca o protagonismo da mulher em primeiro plano. Fracassei na criação  de uma lei de doulas em minha cidade. Tive inúmeros fracassos em meus sonhos por um parto mais seguro e livre. Todavia, assim como ele, eu me envergonharia de estar no lugar de quem me venceu.

“Fracassei em tudo o que tentei na vida. 
Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. 
Tentei salvar os índios, não consegui. 
Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. 
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. 
Mas os fracassos são minhas vitórias. 
Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”
(Darcy Ribeiro)

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Educação

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Uma estudante conta de alunas de obstetrícia que,  ao escutarem sua professora explicando porque as episiotomias rotineiras são desnecessárias, exclamam: “mas é mais fácil cortar“. Sim, alunas de obstetrícia.

Mais importante do que se enfurecer ou indignar é tentar entender a motivação inconsciente que estas meninas tem para cortar. Como dizia a personagem médica que Simone Diniz uma vez mencionou: “Eu sei que não devo cortar, mas minha mão vai sozinha e corta”.

O que a médica estava se referindo não era um automatismo neurológico da sua mão, nem mesmo uma possessão demoníaca. Ela se referia ao fato de que as motivações para o corte no períneo não eram CONSCIENTEMENTE determinadas. Sua RAZÃO dizia algo e seu desejo dizia outra coisa. A médica apenas descrevia – de forma curiosa e didática – o conflito entre razão e desejo.

A grande força das intervenções médicas se estabelece exatamente porque elas NÃO SÃO conscientemente determinadas, mas geradas nos estratos inferiores da mente, lá onde moram os nossos medos e os desejos inconfessos.

Ao dizerem “melhor cortar” as alunas apenas estavam sorvendo alguns goles do rio que flui sobre nossas cabeças chamado “campo simbólico”, que a todos afeta em maior ou menor grau. O que elas dizem com sua “vontade de cortar” é que parece muito mais fácil “fazer algo” ao invés de esperar que a mulher ajude a si mesma. Afinal, seus corpos frágeis, incompletos e defectivos demandam de nós ações objetivas para solucionar os dilemas do parto, obra de uma natureza madrasta, cruel e insensata.

Uma episiotomia é um corte simbólico; rasga a carne para atingir a alma. Seu sentido é mostrar o lugar da mulher no mundo: passível, imóvel e alienada do que ocorre ao redor. Por fim a lâmina fria lhe confirma: “Só parirás se for por mim. Eu sou o único caminho à verdade e à vida”.

Em função dessa carga histórica e ideológica, mais do que explicar conscientemente a inutilidade e os malefícios das episiotomias rotineiras (e de outras intervenções sem respaldo científico) é fundamental ensinar a beleza da fisiologia feminina, o processo milenar de aperfeiçoamento dos mecanismos de parto, sua adaptação paulatina à bipedalidade, à encefalização e à consequente fetação e deixar claro aos estudantes que NENHUM recurso tecnológico é capaz de tornar o parto normal mais seguro, e que as intervenções sobre o processo de parto só tem sentido do quando utilizadas em processo patológicos, cuja única finalidade é garantir segurança ao binômio mãe-bebê diante dos desvios da fisiologia.

O bom senso diante das intervenções e a orientação diante dos seus riscos deve ser acompanhada de um processo pedagógico intenso sobre a fisiologia feminina. O inimigo é o desprezo pela mulher e suas especificidades, que herdamos dos tempos mais sombrios do patriarcado.

Se as mulheres já conquistaram uma alma imortal resta-lhes conquistar um corpo digno e que seja respeitado pela medicina.

Talvez Carl Rogers tenha mesmo razão em sua frase, que eu sempre vi como perfeita para a medicina: “Perdemos um tempo precioso com treinamento que seria mais bem utilizado em seleção”. De NADA adianta treinarmos médicos e enfermeiras para a atenção ao parto se forem incapazes de sentir o parto e se apaixonarem por esse momento.

Por essa razão os médicos – via de regra – são parteiros sofríveis (para dizer o mínimo); eles foram selecionados em um vestibular pela suas capacidades com geografia, trigonometria e física, e não pela sua capacidade empática. Para piorar eles frequentam uma faculdade de medicina que os empurra para as intervenções – com drogas, cirurgias e palavras – desde os primeiros minutos da faculdade, ao sentirem o formol no nariz durante as aulas de anatomia.

Estamos selecionando de forma errada. Passei toda a minha vida de parteiro escutando o desprezo dos médicos pela arte de partejar. Como pode ser possível que, com todos os dados e estudos que temos das experiências do mundo inteiro, ainda apostamos na intervenção médica como atenção primária ao parto? Pela sua abrangência e capacidade destrutiva, a atenção médica ao parto eutócico é um dos maiores equívocos da história humana no que diz respeito à saúde e ao bem-estar.

Como pedir para estes meninos e meninas que acreditem nas mulheres se todo o seu ensino é focado na patologia e nas formas de intervir? E não apenas na obstetrícia, mas também como solicitar que neonatologistas acreditem nos mecanismos adaptativos dos bebês se todo seu ensino é baseado em catástrofes? Como exigir dos profissionais que “peguem leve” se toda a importância social que eles ganham está relacionada às intervenções?

Muitos médicos recebem prêmios e honrarias por terem salvado vidas, mas quantos recebem elogios manterem vidas a salvo através de uma atitude não violenta?

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Liberdade e Fascismo


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Uma proposta de debate:

Fato: ativista pró-Bolsonaro, vestido a caráter (camiseta Bolsominion) participa de um debate na UFMG e nas poucas frases que diz exalta o que chama de “nosso candidato”. Imediatamente a plateia reage ao orador e o expulsa do ambiente, primeiro com gritos e depois com imposição física. Ele não conseguiu expor suas ideias. Os gritos foram “Fascistas não passarão!!”. O vídeo que recebi tem um título mais ou menos assim: “Bolsominion tenta falar em evento na UFMG e se dá mal”.

Como eu sou um fanático da liberdade de expressão esse tipo de atitude sempre me faz muito mal, mais ainda quando vi o vídeo pela segunda vez e me certifiquei que o objetivo do pretenso palestrante NÃO ERA falar, mas ser expulso. Com essa expulsão ele conseguiu que sua imagem fosse disseminada pelas redes sociais e – mais importante – ser visto como vítima da intolerância (das esquerdas).

Em outras palavras, um fascista montou uma armadilha que todos caíram. Pior, saiu como herói da liberdade de expressão que foi silenciado a murros e gritos por um grupo de intolerantes. Era TUDO que ele e seu grupo desejavam.

Claro que foi uma provocação, mas por que temos que continuar caindo nessas armadilhas?

No mesmo dia recebo e publico no Facebook o vídeo de um dos (meus) heróis contemporâneos, o Snowden, que vai na direção oposta. Ele fala que o combate às mentiras na Internet (fake news) não pode ser feito através da censura ou qualquer ato proibitivo, mas através de MAIS abertura e mais debate. Esconder as posições fascistas FORTALECE O FASCISMO e censurar bolsominions os deixa mais coesos e firmes. O que pareceu aos olhos desavisados da esquerda como uma vitória dos democratas presentes contra um elemento fascista foi – ao meu ver – uma derrota da livre expressão e da própria democracia.

Afinal, o que devemos temer nesse discurso? Porque haveríamos de ter medo de um discurso grotesco e reacionário? Por que não permitimos que eles exponham toda a sua violência e radicalismo para assim serem mais facilmente combatidos?

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Estratégias

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Infelizmente sou obrigado a reconhecer que este ato de apoio à vereadora Juliana em São Paulo ofereceu toda a visibilidade que o vereador Holiday queria. Ele passa a ser um herói dos fascistas. Não nego que o movimento em solidariedade a Juliana se tornou mandatário, mas ao mesmo tempo coloca holofotes na dupla Holiday – Kataguiri. Eles estão conseguindo trazer suas pautas para a mídia e com isso buscando apoio dos fascistas em toda parte. Se foi planejado – como imagino que foi – então está dando certo.

Desde o início a estratégia dos fascistas é a polarização: nós contra eles. Isto é histórico e aconteceu em todos os lugares onde os modelos fascistas foram implantados; como uma receita de bolo que só é diferente nos detalhes externos e decorativos. Nunca houve um real desejo de compor ou construir, mas apenas de se CONTRAPOR a tudo que vem do “outro”. Além do mais, colocar a culpa no outro (a corrupção, o desemprego, a desonestidade, o Mal) é uma sedução que eternamente nos acompanha.

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Pêndulo

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Quando você consegue alcançar vitórias importantes em algum tipo de movimento social isso significa que, inevitavelmente, alguma reação virá em sentido oposto. O movimento “menas main” surgiu em resposta aos avanços da humanização do nascimento, chegando a criar horrores como “Não me obriguem a um parto normal” entre outros. O movimento feminista, após importantes conquistas e as tantas mudanças na sociedade pelas denúncias de violência contra a mulher (inclusive no parto) recebe agora um ataque violento de machistas (homens e mulheres) insatisfeitos com estes avanços. Até a alimentação saudável agora está na mira de pessoas que não suportam mais a “ditadura da alimentação saudável”. Alguns chegam a dizer que querem comer “tudo que tiver vontade” e não aceitam ser controlados por “xiitas como Bela Gil”.

Todos os novos insatisfeitos reclamam que se sentem “oprimidos” pelas novas “ondas”, mas não conseguem enxergar que os movimentos que agora estão em destaque surgiram para combater as ditaduras do lixo alimentar, das cesarianas e do poder testosterônico abusivo. Não é errado aceitar que a humanização do nascimento, o feminismo e a alimentação saudável cometeram erros, em especial ao julgar as pessoas fora desses grupos sem contextualizar as razões para as cesarianas, as relações abusivas ou a comida sem qualidade. Entretanto, não há como invalidar suas conquistas pelos exageros e equívocos, tão naturais quanto inevitáveis. O que sobra como lição é a necessária dialética pendular que faz com que o sucesso das novas propostas seja o prenúncio de um ataque violento às suas premissas por aqueles que se sentem ameaçados pela emergência dos novos paradigmas.

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Cócoras

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Há exatamente 30 anos comecei a atender partos de cócoras no meu estado e por muitos anos eu fui o único profissional a usar essa posição em em uma região onde moram 10 milhões de pessoas. Isso, entre outras atitudes (como corte tardio do cordão) era motivo de deboche, escárnio, desprezo e bullying. Naquela época posições alternativas sequer eram mencionadas, quanto mais oferecidas ou aceitas pela comunidade dos obstetras.

Hoje em dia parece fácil debater esta questão, mas há 3 décadas quando resolvi atender partos de cócoras no hospital de Sapucaia do Sul houve uma sessão especial da Câmara de Vereadores para impedir que isso continuasse. Um dos vereadores disse que tinham que fazer algo com o médico que colocava as mulheres para “parir como galinhas“. Mesmo 30 anos depois da minha iniciativa os hospitais de Porto Alegre – em especial os hospitais universitários – não estimulam partos verticais como padrão ou rotina.

Quando quiser saber o nível de abertura e atualização de um obstetra pergunte a ele sobre partos verticais, em especial de cócoras. Se ele falar coisas como “isso é coisa de indígenas“, ou “civilizadas não podem parir assim“, ou “mulheres de cidade perderam essa habilidade” pode ter certeza que ele está usando os mesmos argumentos furados e sem embasamento de 30 anos atrás.

Na verdade o que ele tem em mente mas não consegue dizer é “eu não sei atender um parto que seja bom para a mãe; só sei assistir quando é bom para mim“.

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Medicina Americana

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Uma amiga minha que mora nos Estados Unidos foi acometida de uma dor abdominal violenta que se manteve por alguns dias. Em seu histórico o (ab)uso de remédios, em especial anti-inflamatórios e antidepressivos. Não tinha cobertura de nenhum seguro saúde, mas dentro de 5 dias ela alcançaria o vencimento de sua carência. Sozinha e em pleno desespero decidiu-se por procurar uma emergência, pois teve medo de morrer. Foi admitida e realizaram muitos exames, todos os possíveis em um caso de dor epigástrica aguda sem febre, diarreia ou sintomas sistêmicos.

Durante 5 horas permaneceu na emergência. O diagnóstico final foi “gastrite aguda”. O tratamento foi basicamente aquele para quadros similares: antiácidos e bloqueadores.

Preço do atendimento: 30 mil dólares.
Sim… mais de 90 mil reais. Tudo discriminado. 30 mil dólares por 5 horas de atendimento.
(Se eu cobrasse 20% disso por 20h de atenção ao parto seria chamado de muitas coisas desabonatórias)

No SUS, que está prestes a acabar nas garras de Temer, o valor seria zero. Mas por este tipo de relato podemos entender as forças que atuam nas sombras e que desejam acabar com o sistema universal de assistência à saúde no Brasil.

Outro problema que vamos enfrentarem breve é a transformação da assistência médica em um processo industrial, com a mesma lógica da linha de montagem de uma fábrica comum.

Uma vez conheci um oftalmologista que ganhava fortunas pela Unimed. Ele atendia mais de 300 pacientes por mês. Em função do alto custo uma equipe da Unimed foi avaliar porque suspeitaram de fraude. O resultado da investigação não podia ser pior: não era fraude.

Ele passava pacientes de 10 em 10 para sua sala de exames. Pingava colírio dilatador de pupila em um por um e depois disso pedia que saíssem e esperassem para serem chamados. Chamava outros 10 e repetia as gotinhas dilatadoras. Depois disso chamava a primeira turma novamente e fazia exame de “fundo de olho” em todos, ditando os achados para uma secretaria que copiava ao seu lado. Quando terminava essa fase repetia o exame na segunda turma. Quando finalizava essa etapa chamava de novo a primeira turma e distribuía os diagnósticos e as receitas. E assim ia fazendo, realizando um verdadeiro atendimento oftalmológico fordista, industrial. Máxima eficiência no mínimo de tempo.

Meu comentário na época foi…

“Eu entendo porque ele faz este tipo de atendimento, porque aumenta os lucros diminuindo os intervalos entre a saída e a entrada dos pacientes. Mas até hoje não consigo entender as razões que levam um paciente se submeter a tal desumanidade“.

Ah…. era pela Unimed. Se fosse pelo SUS imaginem o que estaríamos falando.

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