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Ativismo Ácido

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Entendam de forma dialética. Não fosse a “infantilidade” e a “falta de modos” na abordagem de alguns ativistas – principalmente os da primeira leva – talvez estivéssemos todos de bem com os médicos e todas mulheres indo placidamente para as cesarianas sem contestação, como vaquinhas para o abatedouro. Não teríamos 57% de cesarianas, mas 85%, como Monterrey. Entretanto, “não se faz uma revolução – e nem se altera a pirâmide de poderes – com sorrisos e tapinhas nas costas”, adaptando a famosa fala de Sheila Kitzinger.

A humanização do nascimento cresceu de forma VERTIGINOSA no último decênio EXATAMENTE porque ativistas produziram esse enfrentamento e colocaram a cara à tapa. Não foi com sorrisos amarelos e reuniões em hospitais; foi com grito, passeata, buzina e alguns (in)evitáveis exageros. Como falou Ciro Gomes há algumas semanas “É por vocês que estamos lutando, seus #$¥£@#!!!

Dizer, do alto do seu conforto e de sua inação, que a conduta de algum ativista durante estes conflitos foi “infantil” é negar a evidência de uma luta absolutamente desproporcional de poderes; é igualmente desreconhecer a importância vital destes personagens na construção de novos paradigmas em qualquer ramo do conhecimento.

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23 Fatos sobre partos em um Hospital na China

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Primeiras impressões sobre a obstetrícia na China. Hospital Geral de Ju Lu, uma cidade média que está distante 1000 km da capital Beijing.

1- Não há homens atendentes de parto, e por questões claramente culturais. Médicas e parteiras trabalham lado a lado, mas em um ambiente 100% feminino.

2- Não há pediatras na atenção ao parto, mesmo em gestações de risco. Somente parteiras treinadas. Se existe algum problema a criança é levada para a unidade de neonatologia que fica ao lado. O mesmo se observa na Europa.

3- Icterícia neonatal se trata com:

  • Luz
  • Hidratação
  • Medicina Chinesa – um conjunto de ervas. Fiquei tão interessado que elas me deram uma caixa de presente com as ervas para icterícia neonatorum. Elas ficaram impressionadas com a excessiva (para elas) preocupação que temos com a bilirrubina.

4- Taxa de episiotomia 15%.

5- Partos deitados, posição tradicional, infelizmente. Esse é um modelo que precisa mudar. Ficaram vivamente interessadas em tentar oferecer posições alternativas.

6- Elas realizam parto na água, em uma sala especial, bastando para isso pagar uma taxa de 600 yuan – 300 reais. Usam uma banheira moderna, feita na “Dinamarca”. Gostam muito de atender partos assim.

7- Duas maternidades no mesmo prédio: uma simples e a outra SUPER sofisticada, mais chique que todas que já vi nos hospitais de Porto Alegre ou São Paulo (e eu estou agora em uma cidade menor do que Caxias do Sul – 400 mil habitantes). A maternidade chique tem modelo PPP (pré parto, parto e pós parto) que é usada por pacientes mais sofisticadas e que aceitam pagar uma conta mais alta. “Gente phyna da China”.

8- O sistema de saúde é sempre “meio público e meio privado”. Não existe atendimento grátis e universal. O governo paga uma parte sempre, mas o resto é com você. A paciente é quem escolhe se quer ir para a maternidade chique ou para a mais simples (que, no entanto, é bonita e funcional). Quando perguntei “e se o paciente não tiver como pagar?” as parteiras se olharam e responderam “elas pedem para a família ajudar”.

9- É curioso passar na frente dos banheiros nos corredores do hospital e sentir o cheiro forte de urina. Isso parece não incomodar ninguém nos restaurantes, aeroportos e/ou hospitais. Esse cheiro é o que mais me impressiona como visitante.

10- Enfermeiras ganham 3.000 yuans por mês quando são funcionárias iniciais. Com o tempo podem chegar a 4.000 yuans. Isso significa entre R$ 1.500,00 e 2.000,00 mensais, muito pouco para o padrão ocidental. Elas ficaram muito interessadas em saber quanto se ganha no Brasil por parto realizado, ou quanto ganham enfermeiras e médicos trabalhando em hospitais (o que é sempre difícil de responder).

11- Trabalhadores de saúde, como médicos e enfermeiras, ganham pouco e não tem acesso a uma vida plena de classe média. Quem ganha muita grana são os aventureiros do capitalismo nascente. Sempre, em qualquer lugar.

12- Eles têm genuíno respeito pelos “experts” estrangeiros. Minhas aulas de hoje lotaram e tivemos mais de 70 profissionais do hospital. Médicos, parteiras e até cardiologistas. Quando cheguei ao hospital para falar fui recebido na porta da frente pelo diretor médico do hospital que veio pessoalmente me cumprimentar. Ele fez questão de carregar minha pasta com o computador até a sala de conferências.

13- Eles têm muita vontade de aprender. Quando mostrei que, com pequenas adaptações, poderiam fazer partos verticais na cama da sala de partos, eles pegaram bloquinhos e começaram a fazer desenhos e anotações, inclusive o diretor administrativo do hospital que nos acompanhava.

14- Partos no setor público ainda acontecem em sala de parto, mas não há dificuldade alguma para adotar o modelo PP. Falei isso para elas e parece que entenderam. Prometeram tentar mudar o paradigma de “uma sala por vez”.

15- Ponto importante: apesar de não existirem doulas a família é aceita e convidada a ficar por perto durante TODO o trabalho de parto, na mesma sala e tomando chá. O marido pode acompanhar sua esposa quando ela vai para a sala de parto. Tive vergonha de explicar a elas nossa luta para ter doulas presentes nos partos hospitalares do Brasil.

16- As cesarianas são feitas pelas médicas e auxiliadas pelas parteiras. Não se usam dois cirurgiões em uma cesariana. Cesarianas são feitas no CO só em caso de emergência, caso contrário são feitas no centro cirúrgico.

17- Perguntei para a plateia na minha aula se havia alguém nascido de cesariana e só uma menina ao fundo levantou a mão, visivelmente envergonhada. Havia mais de 70 pessoas presentes.

18- Perguntei se alguma menina havia menstruado antes dos 12 anos e NENHUMA levantou a mão… (só havia 5 homens na sala). Quando perguntei o porquê um dos homens disse que a vida e a dieta na China são piores do que no Brasil ou nos Estados Unidos. Essa resposta apenas demonstra como os chineses tem uma visão deturpada e fantasiosa do Ocidente. A dieta normal dos chineses – muitos legumes, frutas, peixe, carne, nada de leite, pouco sal, quase nada de açúcar e sem refrigerantes – é MUITO melhor do que a dieta no Brasil e quilômetros à frente de uma dieta norte-americana.

19- A tese de que a menarca – início da vida menstrual – mais cedo nas meninas do ocidente se deve à dieta rica em gordura e à precocidade do estímulo sexual fica comprovada por essa minha tímida amostra de mulheres chinesas.

20- Perguntei quantas mulheres na sala já eram mães e umas 40 (mais da metade) levantaram a mão. Perguntei quantas haviam feito cesariana e NENHUM braço se ergueu. Ninguém havia feito cesariana. A China é um país que ainda não foi destruído pelo modelo ocidental dominado pelo medo e pelo ódio. Aqui podemos fazer um trabalho maravilhoso, pois não é preciso lembrar a elas como o parto normal é importante; elas nasceram assim e pariram seus filhos desta forma.

21- A taxa global de cesarianas no hospital (setores público e privado) é de 28%, tendo ao redor de 800 partos realizados por ano. Elas acreditam que esse número é muito alto, e está foi uma das razões para nos trazerem aqui.

22- O relacionamento de parteiras e obstetras é absolutamente colaborativo e amistoso. É emocionante de ver.

23- Existem bolas de Pilates em todas as salas de pré parto, mas na maternidade pública não tem chuveiro para as pacientes em trabalho de parto. Mostrei a elas que água (ou como chamo, “Aquamerol“) é essencial para o parto e elas anotaram nos seus caderninhos.


A taxa global é alta, mas Ju Lu é uma cidade pequena no interior da China. Em Beijing, a situação é certamente diferente, mas não creio que a alta taxa de intervenções seja pelo controle governamental. As razões para a atual situação são provavelmente as mesmas que ocorrem em outros países: medo de processos, tempo, dinheiro, poder, médicos desconectados com a realidade do parto normal, formação acadêmica tecnicista, professores velhos que não atendem parto, etc. Mas nessa cidade o modelo ainda é muito centralizado na fisiologia do parto.

Com exceção da estátua do Mao na frente do hospital, nada poderia ser mais capitalista do que esse modelo. Quando falo (com muito orgulho!!!) do nosso cambaleante SUS elas ficam abismadas e encantadas. “Tudo de graça?”, perguntam. Tenho vontade de começar a conversa com elas dizendo: “Bem, no meu país, a República Socialista Democrática do Brasil, o sistema único de saúde blá, blá, blá….”

s parteiras são umas gracinhas, gentis, sorridentes, tímidas e tem uma enorme vontade de aprender. Não tem vergonha de perguntar nada sobre parto, Brasil, salário, estilo de vida, filhos, etc. Por outro lado são reservadas ao extremo. Uma delas me mostrou uma foto no seu celular de um parto no hospital onde trabalha (bem longe, elas vieram de várias partes da China para o nosso workshop) em que aparecia o marido beijando a esposa logo após o nascimento do filho deles. Nada que a gente não se acostumou no Brasil, e não era nem “desentupidor de pia”; era quase um “selinho”. Todavia, no momento do beijo o seio esquerdo da mulher estava à mostra, enquanto segurava o bebê, e isso causou um certo desconforto, inclusive entre elas. Perguntei o porquê e elas deram aqueles risinhos envergonhados cobrindo a boca. “A China é muito conservadora, doutor“.

Na China as midwives são todas enfermeiras. Não há “obstetrizes” de entrada direta, como Ana Cristina Duarte ou Cristina Balzano Guimarães, ou como as parteiras da Holanda. Outro detalhe importante: não há subalternos no cuidado. Não existem técnicas ou auxiliares de enfermagem; todo o serviço é feito por elas, com exceção da nutrição ou da limpeza do local (a das pacientes também é com as enfermeiras).

As taxas de cesariana estão aumentando principalmente pelas grandes cidades, como Beijing. Lá o paradigma de atenção tenta copiar o pior modelo do mundo, o americano: sem parteiras na atenção e alta tecnologia. “High tech low touch”. Iatrocêntrico, etiocêntrico e hospitalocêntrico. Esse modelo nunca funcionou onde foi utilizado, pois desconsidera as dimensões emocionais e o suporte psicológico e afetivo que foi a marca do nascimento desde o surgimento de nossa espécie.

Elas se preocupam muito com bolsa rota e me perguntaram como atendemos. Disse que o meu critério é aguardar trabalho espontâneo por 24h e só depois penso em induzir. A maioria esmagadora entra em trabalho de parto nesse período. Elas me contaram que internam todas as bolsas rotas e quando perguntei ao porquê me disseram que era por medo de “prolapso”. Partos pélvicos são atendidos por cesariana. Percebi que as parteiras não têm treinamento para atendimento de pélvicos. Gêmeos apenas se o primeiro for cefálico e o segundo for pélvico. A explicação para isso ficou “lost in translation“.

Elas investigam espessura da parede uterina por ultrassom para atender VBAC. Expliquei que não fazemos isso no Brasil por não haver evidências de que possa prevenir rupturas. Não fazem versão externa para pélvicos e nem sabem técnicas, posturas, exercícios, homeopatia ou acupuntura para tratar essas posições.

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Entrevista em Portugal

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Acabo de assistir a manifestação de uma obstetra de outro país (sim, uma mulher) sobre a humanização do nascimento em que ela inicia sua fala dizendo que “não existem partos naturais; existem apenas partos eutócicos ou distócicos“. Achei interessante essa frase porque ela revela claramente a forma de traduzir um fenômeno humano sem levar em consideração seus elementos… humanos. Ela basicamente desconsidera o parto na perspectiva de quem o está incorporando, e o classifica por quem o observa e intervém. Nesta concepção não há sujeito no parto, o qual se restringe apenas a um fenômeno que ocorre em uma pessoa sem que esta tenha qualquer interferência sobre ele. Esse é o retrato fiel do modelo médico da atenção ao parto.

Entrevistas como esta são sinalizadores inequívocos dos estertores do velho paradigma. Elas escancaram a desconexão do discurso médico com a cultura dinâmica e mutante. Não há mais como separar as intervenções médicas das expectativas e valores dos pacientes, em especial das mulheres que passaram – e ainda estão passando – por uma profunda transformação em seu papel social. A assimetria de poderes – que ainda é vista por muitos médicos como o elemento central da ação médica – perde espaço para uma atitude que tende à igualdade e à cooperação. Se a confiança no conhecimento e capacidade dos profissionais sempre será essencial, a prepotência e a desconsideração das dimensões humanas e subjetivas do paciente vai perdendo sua força a olhos vistos pelo surgimento de uma cultura que não aceita mais a alienação como forma de relação entre os diferentes atores sociais. Construir uma atenção ao parto sem garantir o protagonismo à mulher como a pedra fundamental da atenção ao nascimento ficará em nossa memória como a lembrança desconfortável de uma época de prepotência que por muito tempo regulou as relações entre os médicos e seus pacientes

Veja aqui a entrevista

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Os Estupros

Violence victim

Fiquei sabendo agora de um “estupro coletivo” no Rio de Janeiro que, não bastasse a violência absurda e desumana, ainda serviu como objeto de espetacularização pelas redes sociais. Não por acaso, numa sincronicidade diabólica, Alexandre Frota faz uma visita ao Ministro da Educação levando a ele propostas para o ensino no Brasil. Lembrem que o “muso do impeachment” é também responsável por uma performance num programa de TV (de Rafinha Bastos, o mesmo que “comeria ela e o bebê”) em que relata um estupro a uma mulher Mãe de Santo que o estava atendendo. Depois disse que se tratava de um número de Stand Up, mas isso é irrelevante diante da gravidade de tratar estupro como brincadeira, banalizando a violência.

Eu ouso pensar que o estupro cometido tem a ver com o profundo mal que o golpe produziu no imaginário do país. A sensação que tenho é que as pessoas perderam a confiança na justiça e no judiciário. A mesma justiça que perde meses (e milhões) investigando barquinhos de lata e negligencia investigar a fundo um helicóptero cheio de pasta de cocaína não pode exigir que confiemos nela. O STF foi acusado de participação EFETIVA e DIRETA no complô para a derrubada do governo. As gravações comprometendo Jucá, Renan e Sarney estavam em sua posse desde março; foram escondidas para permitir o golpe. O juiz Moro mostrou dureza e inexorabilidade seletiva, e apenas contra o PT, durante todo o curso da Lava Jato, e quando da queda de Dilma pediu o “desarmamento dos espíritos”.

Quando o povo se dá conta que os magistrados são indignos de confiança percebem que não há valor algum em se comportar dentro da lei. Por isso a sensação de impunidade de quem comete atos hediondos. “Se o Alexandre Frota pode contar isso na TV como brincadeira, por que não podemos também?”

As mulheres, foco do desejo masculino e signo de poder para quem as possui, sempre serão as primeiras sacrificadas em um mundo sem lei. No livro “Ensaio sobre a Cegueira” do escritor português José Saramago, a primeira coisa que ocorre quando se instala o caos de um mundo às escuras e sem controle foi o domínio sobre as mulheres, que leva naturalmente à violência e ao estupro.

Quando se destroça a força simbólica da lei os mais frágeis são os primeiros a sucumbir.

Não, eu me nego a ver como coincidências estes eventos. Quando a LEI se apaga e a justiça não parece se fazer, surge em todos o espírito da selva, onde a ordem é matar ou morrer.

Os estragos sociais de uma quebra jurídica abjeta e criminosa como a que testemunhamos vão se estabelecer em todos os níveis das relações pessoais, pois que os valores que foram desrespeitados são da ordem básica das relações sociais.

Triste dia em que apologistas do estupro tem voz na educação de um país. O resultado é a banalização do crime mais antigo, mas ainda presente na comunidade humana.

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Dilma e a Alcateia

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O jornalismo brasileiro chegou aos níveis mais baixos de credibilidade. Quem acredita em uma manchete hoje em dia? “Contas particulares da presidenta Dilma pagas por propina”. Quando você vai ver, não tem nenhuma fonte, nenhuma comprovação, nenhuma informação. Apenas um boato criado por um criminoso com uma caneta na mão e um rabo preso. A imprensa é o principal alicerce das democracias, ao lado de um judiciário isento e sério. Já que perdemos estes dois, o que nos restará?

Se não fosse uma tragédia para a imagem desse país seria digno de gargalhadas. Fico pensando nos pobres, classe média e aposentados fazendo um carnaval ridículo contra o governo, sem saber que Dilma, com todos os seus defeitos e equívocos, era um anteparo contra a alcateia que a cercava. Agora, com Dilma afastada, abriu-se a porta do galinheiro e NÓS, pobres e ingênuos galináceos, estamos a mercê dos lobos que pretendem assaltar os cofres públicos em benefício próprio, e para se blindarem contra a ameaça da justiça.

Parabéns paneleiros… vocês conseguiram.

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Meu Candidato

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Como escolherei meu candidato nas próximas eleições:

Minha escolha é negro, pobre, mulher e de esquerda (mas reconheço que seria bizarro achar um negra, pobre e feminista no DEM ou no PP…). Não aceito mais a pouca representatividade desses segmentos sociais nos nossos parlamentos. Somos governados pelas elites, mas essa culpa não podemos tirar de nossas costas; nós mesmos votamos nos nossos algozes. Nosso voto, via de regra, é egoísta ou irresponsável. Votamos em quem vai ganhar, votamos para contar uma piada, votamos para tirar vantagem e votamos porque queremos benefícios pessoais ao invés de votar em quem nos representa, quem é parecido conosco, quem tem nossas ideias e compartilha paixões.

Chega de votar em branco, empresário, rico, manipulador, que faz política toma-lá-dá-cá, que promete cargo de assessor, que está ligado ao poder econômico e que está se lixando para a população. Também não votarei em alguém que faça da religião – qualquer uma – seu palanque. Evangélicos com programa de TV, empresários da fé… NUNCA MAIS!! Não votarei em candidatos ligados às grandes corporações ou financiados por elas. Não darei meu voto para radialista de programa popular e também jamais apoiarei ex jogador de futebol que manipula eleitores, tratando-os como torcedores emburrecidos. Não votarei em alguém por ser jovem ou velho, mas votarei em velhos com jovialidade ou jovens com maturidade.

Darei o meu voto para alguém que seja parecido com a imagem que vejo no espelho todas as manhãs. Vou procurar alguém que tenha sonhos parecidos e que não acredite que o dinheiro possa lhe trazer felicidade ou vantagens. Vou encontrar alguém que coloque o bem comum como uma paixão acima das suas inevitáveis vaidades, e que lute por uma sociedade equilibrada e justa, e não apenas para favorecer seus amigos e parentes. Procurarei também um candidato que pense no nascimento humano como conexão sagrada do sujeito com a natureza, que valorize o trabalho de doulas e parteiras como guardiãs desse momento, e que reconheça a importância dos médicos e da tecnologia, que salvam vidas quando bem utilizados.

Usarei meu direito sagrado de votar para MUDAR a realidade triste e sombria que nos levou ao golpe absurdo e humilhante que estamos sofrendo agora, para que nunca mais o povo seja manipulado por um congresso desonesto, vil e corrupto como o que temos hoje.

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Mais do golpe

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Aqueles que ainda resistem e apoiam a legalidade do governo golpista de Temer serão reconhecidos, dentro de alguns poucos anos, como os mesmos que acreditaram nas boas intenções de Stálin, nas ideias liberais de Bush ou nos valores morais do golpe de 64. As palavras de desprezo pela democracia – duramente construída – serão varridas para o lixo da história, e isso virá mais cedo do que pensam. O fim da CGU, da LavaJato, a anistia para Aécio e o provável perdão negociado de Cunha mostrarão a tolice imensa de quem acreditou no “combate à corrupção”. Para os “libertários”, que para mim são as formigas que desejariam ser tigres e destruir a todos em nome do que chamam “liberdade”, restará apenas a raiva pela traição dos que agora usurpam o poder.

Mas quando a desilusão chegar, e os mesmos que agora festejam perceberem que a casa está caindo, a resposta que os golpistas darão eu já antecipo desde agora:

O que? Está bravo? Mas não fiz promessa alguma, não fui votado, não tenho compromisso algum com vocês. O que esperavam? Fidelidade ao meu programa, às minhas “promessas de campanha”? Que campanha, que eleição? Eu não cheguei aqui pelo voto, seu tolo!! Eu me tornei presidente com 1% de intenção de votos. Sou provavelmente o presidente mais rejeitado do mundo!! Portanto, chega de mimimi e nos assistam fazer o governo que NOS interessa. Ah, e obrigado pelas paneladas, seus trouxas“.

O GOLPE contra a democracia foi político, jurídico e MIDIÁTICO. Teve a participação MACIÇA da MÍDIA fazendo uma fantástica propaganda contra Dilma e o PT exatamente porque eles se contrapunham aos LADRÕES famintos da política nacional. E vocês da DIREITA caíram como PATOS – aliás, o símbolo da FIESP era para vocês – porque o GOLPE recolocou os donos em seus devidos lugares. Agora não se investiga mais nada, PF está amordaçada, o juiz Moro pede a “comunhão nacional e o desarmamento dos espíritos”, Aécio está livre das acusações, Cunha será perdoado, e as raposas tem a chave do galinheiro.

Acabou tudo seu tolos. Uma burrice lesa pátria, liderada por vendilhões pagos por multinacionais, como Kim, um presidente informante dos Estados Unidos, e composta por personalidades doentes como Lobão, Janaína e o Alexandre Frota. Uns sujeitos idiotizados comandando ingênuos hipnotizados pelas campanhas da TV. Gente que acredita na Friboi, nos aviões do Lula, nos pedalinhos, no Triplex e em todas essas afirmações que NUNCA foram comprovadas. Tiraram Dilma – uma mulher reconhecidamente honesta – do poder para colocar sujeitos reconhecidamente desonestos e com contas a ajustar com a justiça. Temos um presidente inelegível!!!! Isso é inédito, e gravíssimo!!!

Cara … isso é uma vergonha. É triste ver como a PROPAGANDA manipula as mentes de pessoas que não conseguem enxergar 1cm à frente do seu nariz… Pior ainda: trabalhador pobre festejando por ser roubado e tratado como escória…

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Conceito de humanização

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“Humanização do nascimento é uma atitude que emerge da mudança conceitual surgida nas últimas décadas sobre o verdadeiro papel da mulher na sociedade, considerando-se os seus direitos reprodutivos e sexuais e reconhecendo suas inatas capacidades de gestar e parir com segurança. Surge através do reconhecimento das inquestionáveis violências institucionais que as mulheres sofrem no período gravídico-puerperal e a responsabilidade que advém desse conhecimento para quem se ocupa da atenção a elas.

Humanizar o nascimento é garantir o protagonismo à mulher, tratá-la com dignidade, oferecendo uma visão integrativa – fugindo do modelo objetualizante e biologicista – e oferecendo um cuidado baseado em evidências atualizadas. É tarefa dessa geração de homens e mulheres que se interessam pela temática abrangente do nascimento mergulhar nesses conceitos e garantir às mulheres a atenção que elas merecem, para o bem de toda a humanidade.”

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Aborto

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Tenho profundo respeito pela temática do aborto e o considero um dos temas mais importantes e emblemáticos no que diz respeito ao empoderamento das mulheres e para a conquista do protagonismo feminino.

Mas debater este tema me produz imenso desconforto…

Desconforto me descreve, por isso nunca debato abertamente este tema. Peço inclusive que as pessoas que são a favor da humanização do nascimento não tragam essa pauta para os debates. Ela é tão poderosa, e mexe tanto com as emoções, que muitas vezes o movimento pela humanização do nascimento fica eclipsado pelo debate da descriminalização do aborto.

É claro que sou contrário ao aborto, mas quem seria a favor?

Prefiro não debater abertamente a questão do aborto, e por isso que peço que as pessoas que são a favor da humanização do nascimento não tragam essa pauta para os debates. Ela é tão poderosa, e mexe tanto com as emoções, que muitas vezes o movimento pela humanização do nascimento fica eclipsado pelo debate da descriminalização. Eu acho que os congressos e os simpósios de humanização do nascimento deveriam evitar discutir uma temática tão arrebatadora como o aborto. Existem fóruns especiais para isso, e quando misturamos estes temas eles geram muita divisão. No movimento de humanização do nascimento existem defensores dos dois grupos: contra e a favor da legalização. Se nós incentivarmos que a humanização do nascimento se vincule a um deles perderemos pessoas que poderiam estar ao nosso lado mas que se afastarão pela questão do aborto.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma parte considerável das ativistas são cristãs. isto é: são pró-vida. Seria desnecessário e contraproducente estabelecer que os partidários da humanização do nascimento tivessem que se vincular a uma das correntes “pro life” ou “pro choice”. Como eu disse, tenho grande admiração por quem carrega esta bandeira, mas este tema é grande demais para nós, e pode produzir uma divisão desnecessária se ocupar tempo demasiado nos nossos questionamentos.

Entretanto, nada impede que cada um de nós carregue as bandeiras que quiser. Eu, por exemplo, defendo a Palestina Livre e o fim da ocupação, mas não aceitaria que esse tema fosse debatido em um simpósio de parto humanizado, mesmo sendo de imensa importância e estar vinculado com a saúde das mulheres que sofrem no cerco a Gaza.

O problema é que sou inexoravelmente a favor da vida e falar de sua terminação é desconfortável, por mais que eu apoie a descriminalização do aborto e tenha esperança de ver as mortes femininas evitáveis diminuírem com a sua implantação. Respeito quem faz do aborto livre uma bandeira feminina, mas não gosto de debater este tema, até porque a maioria dos argumentos de ambos os lados são inúteis e despropositados, em especial quando tentam produzir o convencimento de alguém que não aceita ser convencido. Por isso que insisto que “a luta pela descriminalização do aborto não pode ser religiosa ou ideológica, mas política. Esta é uma luta que se vence pelo convencimento da maioria e não pela conversão dos opositores”.

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Feminismo e Humanização

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Humanização do nascimento e feminismo são movimentos semelhantes e caminham em paralelo na trilha das ideias. Ambos são majoritariamente liderados por mulheres, contra culturais, contra hegemônicos, plurais e atacam o coração do sistema de poder patriarcal. É óbvio que encontraríamos exaltados(as) em ambos os movimentos, na medida em que os discursos de ambos ferem a estrutura máxima que sustenta a sociedade patriarcal. Portanto, é impossível imaginar que uma proposta de tal magnitude não produza radicalismos e visões extremistas. Porém, como em qualquer movimento social, os extremos não podem ser a voz mais ouvida, e nem a cara mais presente.

Para cada “feminazi” existe uma “diferentona” comedora de placenta, mas os conservadores – machistas e cesaristas – procuram encontrar a extrema esquerda de cada movimento e colocá-la como a sua representante oficial para assim desmerecer toda a proposta, classificando-a como radical.

Esse é o caminho natural de qualquer proposta social transformativa. Não há como fugir desse modelo, pois só com luta é possível quebrar as fortalezas que sustentam um paradigma. Cabe às feministas provarem que sua luta é pela equidade e não pela vingança, assim como cabe a nós do movimento de humanização a tarefa de mostrar a todos que não somos contrários a tecnologia e nem aos profissionais no topo da escala de poderes, mas que somos movidos por ciência e por uma observância fiel aos direitos humanos reprodutivos e sexuais das mulheres em benefício de mães e bebês.

Não há como criar uma mudança social de tal magnitude sem a energia – por vezes descontrolada – que brota naturalmente daqueles que lutam por ela.

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