Arquivo da categoria: Ativismo

Mais do golpe

temer_golpista94330

Aqueles que ainda resistem e apoiam a legalidade do governo golpista de Temer serão reconhecidos, dentro de alguns poucos anos, como os mesmos que acreditaram nas boas intenções de Stálin, nas ideias liberais de Bush ou nos valores morais do golpe de 64. As palavras de desprezo pela democracia – duramente construída – serão varridas para o lixo da história, e isso virá mais cedo do que pensam. O fim da CGU, da LavaJato, a anistia para Aécio e o provável perdão negociado de Cunha mostrarão a tolice imensa de quem acreditou no “combate à corrupção”. Para os “libertários”, que para mim são as formigas que desejariam ser tigres e destruir a todos em nome do que chamam “liberdade”, restará apenas a raiva pela traição dos que agora usurpam o poder.

Mas quando a desilusão chegar, e os mesmos que agora festejam perceberem que a casa está caindo, a resposta que os golpistas darão eu já antecipo desde agora:

O que? Está bravo? Mas não fiz promessa alguma, não fui votado, não tenho compromisso algum com vocês. O que esperavam? Fidelidade ao meu programa, às minhas “promessas de campanha”? Que campanha, que eleição? Eu não cheguei aqui pelo voto, seu tolo!! Eu me tornei presidente com 1% de intenção de votos. Sou provavelmente o presidente mais rejeitado do mundo!! Portanto, chega de mimimi e nos assistam fazer o governo que NOS interessa. Ah, e obrigado pelas paneladas, seus trouxas“.

O GOLPE contra a democracia foi político, jurídico e MIDIÁTICO. Teve a participação MACIÇA da MÍDIA fazendo uma fantástica propaganda contra Dilma e o PT exatamente porque eles se contrapunham aos LADRÕES famintos da política nacional. E vocês da DIREITA caíram como PATOS – aliás, o símbolo da FIESP era para vocês – porque o GOLPE recolocou os donos em seus devidos lugares. Agora não se investiga mais nada, PF está amordaçada, o juiz Moro pede a “comunhão nacional e o desarmamento dos espíritos”, Aécio está livre das acusações, Cunha será perdoado, e as raposas tem a chave do galinheiro.

Acabou tudo seu tolos. Uma burrice lesa pátria, liderada por vendilhões pagos por multinacionais, como Kim, um presidente informante dos Estados Unidos, e composta por personalidades doentes como Lobão, Janaína e o Alexandre Frota. Uns sujeitos idiotizados comandando ingênuos hipnotizados pelas campanhas da TV. Gente que acredita na Friboi, nos aviões do Lula, nos pedalinhos, no Triplex e em todas essas afirmações que NUNCA foram comprovadas. Tiraram Dilma – uma mulher reconhecidamente honesta – do poder para colocar sujeitos reconhecidamente desonestos e com contas a ajustar com a justiça. Temos um presidente inelegível!!!! Isso é inédito, e gravíssimo!!!

Cara … isso é uma vergonha. É triste ver como a PROPAGANDA manipula as mentes de pessoas que não conseguem enxergar 1cm à frente do seu nariz… Pior ainda: trabalhador pobre festejando por ser roubado e tratado como escória…

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Política

Conceito de humanização

fe-perdida

“Humanização do nascimento é uma atitude que emerge da mudança conceitual surgida nas últimas décadas sobre o verdadeiro papel da mulher na sociedade, considerando-se os seus direitos reprodutivos e sexuais e reconhecendo suas inatas capacidades de gestar e parir com segurança. Surge através do reconhecimento das inquestionáveis violências institucionais que as mulheres sofrem no período gravídico-puerperal e a responsabilidade que advém desse conhecimento para quem se ocupa da atenção a elas.

Humanizar o nascimento é garantir o protagonismo à mulher, tratá-la com dignidade, oferecendo uma visão integrativa – fugindo do modelo objetualizante e biologicista – e oferecendo um cuidado baseado em evidências atualizadas. É tarefa dessa geração de homens e mulheres que se interessam pela temática abrangente do nascimento mergulhar nesses conceitos e garantir às mulheres a atenção que elas merecem, para o bem de toda a humanidade.”

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Parto

Aborto

feto

Tenho profundo respeito pela temática do aborto e o considero um dos temas mais importantes e emblemáticos no que diz respeito ao empoderamento das mulheres e para a conquista do protagonismo feminino.

Mas debater este tema me produz imenso desconforto…

Desconforto me descreve, por isso nunca debato abertamente este tema. Peço inclusive que as pessoas que são a favor da humanização do nascimento não tragam essa pauta para os debates. Ela é tão poderosa, e mexe tanto com as emoções, que muitas vezes o movimento pela humanização do nascimento fica eclipsado pelo debate da descriminalização do aborto.

É claro que sou contrário ao aborto, mas quem seria a favor?

Prefiro não debater abertamente a questão do aborto, e por isso que peço que as pessoas que são a favor da humanização do nascimento não tragam essa pauta para os debates. Ela é tão poderosa, e mexe tanto com as emoções, que muitas vezes o movimento pela humanização do nascimento fica eclipsado pelo debate da descriminalização. Eu acho que os congressos e os simpósios de humanização do nascimento deveriam evitar discutir uma temática tão arrebatadora como o aborto. Existem fóruns especiais para isso, e quando misturamos estes temas eles geram muita divisão. No movimento de humanização do nascimento existem defensores dos dois grupos: contra e a favor da legalização. Se nós incentivarmos que a humanização do nascimento se vincule a um deles perderemos pessoas que poderiam estar ao nosso lado mas que se afastarão pela questão do aborto.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma parte considerável das ativistas são cristãs. isto é: são pró-vida. Seria desnecessário e contraproducente estabelecer que os partidários da humanização do nascimento tivessem que se vincular a uma das correntes “pro life” ou “pro choice”. Como eu disse, tenho grande admiração por quem carrega esta bandeira, mas este tema é grande demais para nós, e pode produzir uma divisão desnecessária se ocupar tempo demasiado nos nossos questionamentos.

Entretanto, nada impede que cada um de nós carregue as bandeiras que quiser. Eu, por exemplo, defendo a Palestina Livre e o fim da ocupação, mas não aceitaria que esse tema fosse debatido em um simpósio de parto humanizado, mesmo sendo de imensa importância e estar vinculado com a saúde das mulheres que sofrem no cerco a Gaza.

O problema é que sou inexoravelmente a favor da vida e falar de sua terminação é desconfortável, por mais que eu apoie a descriminalização do aborto e tenha esperança de ver as mortes femininas evitáveis diminuírem com a sua implantação. Respeito quem faz do aborto livre uma bandeira feminina, mas não gosto de debater este tema, até porque a maioria dos argumentos de ambos os lados são inúteis e despropositados, em especial quando tentam produzir o convencimento de alguém que não aceita ser convencido. Por isso que insisto que “a luta pela descriminalização do aborto não pode ser religiosa ou ideológica, mas política. Esta é uma luta que se vence pelo convencimento da maioria e não pela conversão dos opositores”.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Pensamentos

Feminismo e Humanização

reflect

Humanização do nascimento e feminismo são movimentos semelhantes e caminham em paralelo na trilha das ideias. Ambos são majoritariamente liderados por mulheres, contra culturais, contra hegemônicos, plurais e atacam o coração do sistema de poder patriarcal. É óbvio que encontraríamos exaltados(as) em ambos os movimentos, na medida em que os discursos de ambos ferem a estrutura máxima que sustenta a sociedade patriarcal. Portanto, é impossível imaginar que uma proposta de tal magnitude não produza radicalismos e visões extremistas. Porém, como em qualquer movimento social, os extremos não podem ser a voz mais ouvida, e nem a cara mais presente.

Para cada “feminazi” existe uma “diferentona” comedora de placenta, mas os conservadores – machistas e cesaristas – procuram encontrar a extrema esquerda de cada movimento e colocá-la como a sua representante oficial para assim desmerecer toda a proposta, classificando-a como radical.

Esse é o caminho natural de qualquer proposta social transformativa. Não há como fugir desse modelo, pois só com luta é possível quebrar as fortalezas que sustentam um paradigma. Cabe às feministas provarem que sua luta é pela equidade e não pela vingança, assim como cabe a nós do movimento de humanização a tarefa de mostrar a todos que não somos contrários a tecnologia e nem aos profissionais no topo da escala de poderes, mas que somos movidos por ciência e por uma observância fiel aos direitos humanos reprodutivos e sexuais das mulheres em benefício de mães e bebês.

Não há como criar uma mudança social de tal magnitude sem a energia – por vezes descontrolada – que brota naturalmente daqueles que lutam por ela.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo

Doulas e SUS

doula-gioia-albano

Sobre as leis de doulas que estão surgindo em várias partes do Brasil cabe uma reflexão:

O SUS é universal e gratuito e precisamos protegê-lo. Não cabe cobrança de nenhum profissional. Se doulas começarem a cobrar pelo seu trabalho isso oferece uma fresta perigosa para qualquer profissional também fazer cobranças pelo seu trabalho. Se quisermos manter o SUS gratuito teremos que ser firmes em sua defesa. Os caminhos para a atenção em hospitais públicos do SUS me parecem ser o da incorporação das doulas as equipes de saúde (como funcionarias regidas pela CLT) ou o voluntariado (como já ocorre em alguns hospitais, como o Sofia Feldman). Nos serviços privados a escolha será livre, assim como o pagamento.

Não vejo dificuldade em admitir doulas nos hospitais particulares, como já vem ocorrendo há uns 15 anos ou mais, mas precisamos ter MUITO cuidado com os hospitais públicos. Por isso as leis que garantem o acesso de doulas precisam ser muito bem fundamentadas e cuidadosas, sob pena de criarmos mais dificuldades para a implantação desse modelo do que facilidades para o livre acesso ao trabalho delas.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo

Com quem andas?

moisaco-manifesto

Sempre tive curiosidade em perguntar às gerações que me antecederam como meus parentes se posicionaram diante dos grandes dilemas que ocorreram em suas vidas. Assim, eu pedi para o meu avô me explicar onde ele estava quando nazistas massacravam judeus na Alemanha ou na Polônia. Pedi também ao meu pai para me contar como se portou diante do golpe de 64 ou antes, no pré-golpe de 54. Essa é a resposta que um dia darei quando meus netos me perguntarem se eu sabia do genocídio e limpeza étnica da Palestina. Minha resposta será “sim”, eu sabia e denunciei o quanto pude. Também denuncio agora as cesarianas abusivas, a violência obstétrica e o golpe midiático-jurídico em curso.

Quando lhe perguntarem de que lado você se colocou quando a democracia foi ameaçada, diga se ficou ao lado de Cunha, Temer, Bolsonaro, Renan e Alexandre Frota ou se permaneceu firme ao lado do estado democrático de direito.

Eu estarei ao lado de Veríssimo, Lula, Leonardo Boff, e de todos que lutam para manter de pé a nossa frágil e juvenil democracia.

“Diga-me com quem andas…”

Aconteça o que acontecer, hoje é um dia de muita tristeza, que será lembrado com muita vergonha no futuro.

Será através da barbárie. Mas a culpa final recairá sobre as pessoas tolas que desdenham da democracia. Por causa delas é que muitos sofrerão nos atos que se seguirão ao golpe. Pessoas que por pura estupidez (ou uma ingênua antipatia com um governante) e teleguiados por notícias plantadas pela mídia – Friboi, jatinho, Triplex, sítio, pedalinhos, barco de lata, pedalada – associam-se a criminosos conhecidos e fascistas assumidos, com o sórdido objetivo de ganhar um governo na marra e na “mão grande”, por obra de ladrões e canalhas que zombam das conquistas sociais e da ordem democrática republicana.

Essa massa estupidificada de verde amarelo será a primeira a chorar quando o peso da falta da democracia cair sobre suas cabeças. No primeiro pé na porta da polícia invadindo sua casa lembre-se que a garantia de respeito ao estado de direito lhe foi tirada pelo seu ódio a Lula, e o que ele representa no mundo todo como líder dos pobres, além da sua negligência que permitiu Cunha se livrar das grades e chegar ao poder.

A culpa não é do congresso. A culpa é sua.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Política

O parto de quem?

Médicos selfie

A foto é de inegável mau gosto, mas não acho que se pode ir muito além disso do ponto de vista médico. Não vejo risco para a criança. A foto é uma brincadeira, mas prefiro analisar o que existe por trás dela, que me parece muito mais revelador do que a simples imagem de médicos sorridentes e um bebê desconfortável.

Esta fotografia revela um conteúdo psicológico inconsciente bem claro: o parto foi “feito” por eles, os médicos. O bebê é um produto do seu trabalho, sua técnica e sua arte. A foto escancara a expropriação do nascimento, passando em poucas décadas das mãos das mulheres para as luvas estéreis dos cirurgiões. O nascimento humano deixou de ser um evento feminino para ser um processo controlado e dominado pela medicina, desconsiderando toda a construção histórica de sua adaptação.

A mulher, por certo, não cabe nessa foto. Ela é a inerme Bela Adormecida, dormindo o longo sono do patriarcado, objetualizada e imóvel. Para que ela possa existir é necessário que seja acordada (a cortada), mas não pela sua vontade e desejo, mas pelo beijo (bisturi) salvador de quem a resgata da crueldade de uma natureza madrasta.

A foto expõe de forma muito didática que o nascimento contemporâneo delegou a mulher a uma postura secundária e coadjuvante. O que outrora foi o maior e mais honrado desafio feminino hoje não passa de uma encenação na qual seu papel é cada vez menor.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Parto, Violência

Doulas e sociedade

DOULA

Sempre que o assunto “doulas” vai para a grande imprensa aparece a questão da formação curta que elas fazem quando comparadas aos médicos e enfermeiras. O que eu peço aos meus interlocutores quando tratam deste tema da formação é atentar para o fato de que doulas NÃO fazem qualquer ato médico ou de enfermagem, portanto não precisam ter uma formação voltada à destreza técnica nestas áreas. Assim, o curto treinamento pelo qual elas passam é para oferecer conforto para as pacientes, assim como estimulá-las física e emocionalmente para uma atitude positiva e uma postura ativa diante do parto e seus desafios.

Todavia, sabemos que o que se esconde por trás desta pergunta é uma inquietação silenciosa. Ela na verdade que dizer: “Por que doulas podem cobrar sem ter passado pelo mesmo processo de treinamento que eu passei durante os anos de escola, graduação e pós graduação?“.

Este é o principal incômodo de alguns profissionais de área de atenção à saúde. Quando uma doula se sobressai pelo seu trabalho uma onda de negatividade se instala, como se fosse pecaminoso vender seu tempo e sua dedicação e ser reconhecida por isso.

Doulas oferecem seu tempo e sua dedicação, além das qualidades aprendidas de conforto e reasseguramento para as grávidas. E isso pode ser cobrado, a despeito de ter ou não um curso extenso como formação. Entretanto eu creio que esta é apenas uma etapa a ser vencida. Com a continuidade do trabalho e a excelência dos resultados com o acréscimo das doulas não haverá mais como bloquear o acesso das gestantes a este benefício. Precisamos apenas de paciência e persistência.

O futuro do parto passa pelo respeito aos desejos de cada mulher. As doulas entram nessa luta como guardiãs do sagrado feminino e protetoras da fisiologia do nascimento.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Parto

Ferocidade

bandeira-pt

Ainda sobre a pediatra que negou atendimento a uma criança por ela ser filha de uma militante do PT.

Uma pergunta me ocorreu..

E se a questão não fosse a cor partidária, mas a cor da pele? Se a médica dissesse que não se sente bem por atender negros, orientais ou imigrantes, ainda sim o representante do sindicato da corporação diria que a médica deveria se orgulhar pela sua “sinceridade”? E se a mãe da criança fosse gay? Preconceito racial não pode, mas contra um partido pode? Alguns preconceitos são piores – ou mais aceitáveis – que os outros? É certo focarmos apenas na (necessária) sinceridade da profissional e esquecer o preconceito asqueroso e abjeto que a moveu?

Fiquei rindo sozinho (um sorriso triste, confesso) de imaginar o que diria o mesmo representante da corporação se uma médica petista (existem sim, acreditem) resolvesse escrever a mesma mensagem para uma mãe que veio à consulta com a camiseta da CBF e um adesivo “Fora Dilma” colado ao peito.

Alguém dúvida da ferocidade com a qual ela seria atacada por seus iguais?

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Medicina, Política

Negro, negro

save me

Esta é uma das mais marcantes e mais contundentes história sobre racismo que eu já escutei. Não por ser um relato espetacular, como um massacre promovido pela KKK, ou o relato desumano e degradante da época da escravidão, mas por ser banal, algo que passa ao nosso lado todos os dias sem que possamos perceber.

Trata-se de uma situação corriqueira nas grandes cidades. Quem a contou para mim morava em um apartamento no primeiro andar de um edifício, com seu namorado e sua mãe. O edifício ficava incrustado em um grande condomínio habitacional da minha cidade. A mãe era aposentada, o namorado sargento da polícia militar e ela professora.

No meio da madrugada o namorado se acorda com um som estranho vindo da sala e silenciosamente se levanta para ver se o gato estava fazendo alguma farra noturna. Infelizmente não era um felino com insônia, mas um assaltante que havia invadido o pequeno apartamento e se ocupava em roubar pequenos objetos do apartamento.

Por ser um homem forte, treinado como policial militar para o combate, atirou-se sobre o invasor e tentou segurar seus braços, sendo rechaçado de imediato pelo ladrão, que era igualmente bastante forte. Diante do confronto inesperado o ladrão resolve bater em disparada, saindo pela mesma sacada por onde havia entrado.

Ao ver o meliante se projetar pela porta entreaberta da sacada o jovem correu até o quarto e pegou a arma de serviço que estava repousando sobre o criado mudo. Segurou a pistola com a mão firme e correu para a porta para iniciar a perseguição quando sentiu um corpo projetar-se sobre si aos gritos.

Não, não era o assaltante que voltava. Era a namorada, minha paciente, que aos prantos pedia que parasse.

“Preciso alcançá-lo. É minha obrigação. Sou um policial!!! Por que deveria parar? Por que deveria ficar aqui, acovardado?”

“Porque você é negro!!”, gritou ela em desespero. 

“Você é negro, negro, não percebe?, continuou ela. Você está de camiseta e calção, e estamos no meio da madrugada. Se você sair atrás de um ladrão com uma arma e encontrar o policial da ronda em quem você acha que ele vai atirar? Quem vai parecer sendo o assaltante? Quem tem cara de ladrão, de bandido? Até mostrar sua carteira de policial já poderá estar morto.”

Um breve silêncio se seguiu entrecortado pelos soluços da namorada que ainda o prendia com o corpo. Ele a abraçou mais forte e deixou a arma afrouxar em sua mão.

Nunca havia percebido de forma tão dura a dor de ser negro. Ela tinha razão, pois nesta sociedade de castas um negro armado de madrugada só pode estar do lado do crime. Ambos choraram a dor da impotência e a tristeza de ver que a cor da pele ainda nos separa de uma forma cruel, ainda mais quando invisível.

Deixe um comentário

Arquivado em Ativismo, Histórias Pessoais