Arquivo da categoria: Pensamentos

Nau dos vaidosos

O Currículo Lattes é uma espécie de embarcação meritocrática que facilita a navegação no oceano universitário das vaidades.” (autor desconhecido)

E daí que as pessoas com insuspeita frequência usam o Lattes como instrumento fálico, ao estilo “o meu é maior que o teu”. Para muitos o tamanho do seu currículo é mais importante do que a relevância, significado e abrangência de sua obra. A crítica não é à ferramenta, mas ao uso que se faz dela. É o apaixonar-se pela representação da coisa mais do que com ela mesma. É usar uma moeda acadêmica de pouquíssimo valor prático, mas de altíssimo valor no universo fechado da academia.

É como chegar numa ilha perdida do oceano Pacífico e ver que as castas locais são estabelecidas pelo tamanho do altar ao Deus supremo da ilha. Se você disser “que diferença faz um altar de 2 ou 3 metros?”, eles responderão: “Para nós é a diferença entre uma vida digna ou uma existência insignificante“.

Lembrando: a crítica não é assistência da academia e nem à plataforma Lattes, mas tão somente lembrar que o Lattes deveria ser apenas uma representação e não o FOCO do acadêmico; a imagem da “coisa”, e não a “coisa” em si.

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Pornografia

Acho que vocês estão colocando peso demais na pornografia, como se os homens se “viciassem” em pornografia e, como consequência, tal adição pudesse trazer problemas sexuais para eles e suas parceiras. Não acredito nessa possibilidade. Pornografia sempre existiu, desde que houve corpos que se interditaram. As ruínas de Pompeia são cheias de pornografia nas paredes. Na minha juventude havia os desenhos de Carlos Zéfiro (obras de arte). Pornografia não é causa de nada, é consequência. Quanto mais constrição sexual houver em uma determinada cultura mais a pornografia se torna uma válvula de escape necessária.

A estética das mulheres no filmes XXX nunca foi essa das “bombadas”, a não ser que tenha modificado muito nos últimos anos. Todas as grandes e famosas atrizes são mulheres de corpos redondos. Não sei de onde tiraram que esse modelo do carnaval vem da pornografia.

Aliás, a indústria pornô não precisa sequer ser combatida pois está em rápido e vertiginoso declínio. Mas o mal da pornografia não é para os homens (e suas parceiras), mas para as atrizes abusadas e tratadas como lixo. Há inclusive um ótimo documentário sobre heróis aposentados da indústria pornográfica no Netflix. Muito bem feito, inclusive.

Essa história moderna de que os homens se viciam em pornografia lembra as histórias da “cegueira que se segue à masturbação“. Não faz sentido, e serve mais como moralismo do que o enfrentamento de um verdadeiro problema. Eu acredito ser possível que existam meninos e meninas viciados em pornô, mas não se pode acreditar que o fator externo é o culpado por tais distúrbios, quando na verdade o sexo (o álcool, o crack, a maconha, a comida, a heroína) apenas ocupa um lugar que precisa ser preenchido em uma alma carente.

E quanto à demanda para que as mulheres se adaptem a um padrão de beleza irreal (e eterno), quando é que na história desta espécie não foi assim? Vou mais longe: acho que nunca deixará de sê-lo, pois que não se trata de um valor cultural, mas da essência da estrutura sexual feminina. O caminhar da humanidade vai equalizar essas demandas e não qualquer tipo de proibição. A busca da perfeição deixará de ser tão massacrante e aviltante para as mulheres, mas nunca cessará de existir.

É óbvio que um sujeito que assiste pornografia tem mais chance de ter impotência, mas de novo a pornografia é a CONSEQUÊNCIA e não a causa. A pornografia é o Porto Seguro do prazer!!!! Você transa com quem quiser, com a mulher mais linda (ou homem) sem risco de DST, gestação indesejada e (melhor ainda) sem risco de rejeição!!!!! É óbvio que os tímidos e inseguros vão recorrer a este lugar, e é óbvio que serão os MESMOS que terão falhas ou crises quando estiverem diante de uma mulher (ou homem) de verdade!!!

Mais uma vez os articulistas desses estudos confundem causa com consequência, e minha suspeita é que são convencidos(as) a isso por moralismo. A causa da impotência é intra psíquica e a sua consequência é comportamental: o consumo de….. (coloque aqui a adição que mais se adapta ao sujeito), e não o contrário.

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Mulher Selvagem

Muitos querem afastar dos olhos a imagem da “mulher selvagem” que compõe a iconografia do parto em tempos de humanização do nascimento. Suspeito que as que mais temem essa imagem enigmática e desafiadora são as próprias mulheres, talvez porque ainda não descobriram o real fascínio que tais fotografias podem produzir em todos, em especial nos (seus) homens. Ao meu ver, a maquiagem é apenas um recurso para que esta “outra” continue existindo apenas nas fantasias e não consiga se expressar, vencendo as barreiras da epiderme. Deixar brotar essa mulher selvagem demanda coragem pois, depois que ela surge, como colocá-la de volta em sua jaula?

Não entendam isso como uma crítica ao recurso; use-o quem o desejar, sem esquecer das questões médicas que se perdem com sua aplicação, como a cor da pele do rosto, do leito ungueal e a perfusão das mucosas labiais. Trata-se tão somente de tentar entender as razões que trouxeram à tona este debate.

Entretanto, me permito uma interpretação para além dos valores superficiais. Creio que ficar maquiada para esses momentos é tentar manter aquela mesma “persona” (máscara) por tantos anos cultivada, ao invés de arriscar-se numa nova mulher, cuja beleza emerge não da suavidade do contorno dos lábios e sobrancelhas, sequer das bochechas salientes e coradas, mas da energia colossal que brota de seu suor, lágrimas, gritos e cabelos em chamas.

A quem interessa que esta mulher selvagem se mantenha encarcerada?

No Brasil 85% das mulheres do setor privado se submetem a cesarianas e nós vamos debater a maquiagem? É isso produção?

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Pequenas notas


Diante de tanta contrariedade, tanta caretice, tanta desinformação, tanto atraso e, acima de tudo, tanta injustiça, muitos pensam em desistir Todavia, é provável que a melhor postura diante de tantas dificuldades seja dizer: “É exatamente por causa desses profissionais que os atores sociais ligados à humanização do nascimento são tão necessários. Como diria o Max: “Tais atores são como flores de cactos brotando da aridez desértica da tecnocracia”. O tempo, senhores, é de semeadura; já a colheita não nos pertence. (Max, personal communication)


Em um parque um senhor idoso jogava xadrez com seu cachorro. De forma surpreendente, para cada movimento com as peças negras que o velho senhor fazia o cachorro o seguia, movendo as peças brancas com seu focinho molhado, com perfeita lógica e precisão.

Um passante, vendo a cena, ficou imantado pelo que presenciara. A princípio achou tratar-se de um truque e por um tempo ficou investigando se não havia cordas invisíveis ou comandos elétricos ligados ao cão. Depois de vários minutos de incredulidade, e certo de que não se tratava de um embuste, ousou interromper o jogo com uma expressão de espanto.

– Meu Deus!!! Seu cachorro joga xadrez!!!!

O velho levantou os olhos do tabuleiro e respondeu, com visível contrariedade:

– Sim, e daí?

– Isso é incrível, meu senhor…. um milagre, a quebra de um paradigma que….

Foi interrompido pela voz ríspida do ancião.

– Ora, não seja tolo meu senhor. Esse cachorro não passa de um idiota. Estamos aqui desde o início da manhã e ele me ganhou apenas três das dez partidas que jogamos.

O velho senhor encarou seu cão com notável reprovação enquanto este baixava as orelhas, visivelmente envergonhado.


As manifestações das corporações médicas sobre o Dia do Médico continuam o mesmo roteiro que acompanho há quatro décadas: megalomaníacas e piegas, apostando na visão fantasiosa de uma pretensa “abnegação sacerdotal” dos profissionais

Como podem esses “anjos” da corporação serem os mesmos que impediram as enfermeiras de solicitar exames, emperrando a vida de milhões de brasileiros que procuram o SUS?

A conta não fecha…


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Bullying

A ênfase dos massacres de crianças em escola, realizadas por um aluno que chega lá armado, está sendo colocada no bullying, quando deveria ser colocada na banalidade do acesso à uma arma. Já imagina se todo mundo que sofreu algum tipo de bullying na escola pega em armas e sai matando? Aliás… que NÃO sofreu isso na escola é porque estava FAZENDO isso. A escola é – e sempre será – um local de profunda selvageria. Não se trata da falha em controlar a brutalidade das crianças, pois que elas são naturalmente cruéis. A diferença é que, nesse caso, um dos milhões de adolescente que sofre com as gozações do colegas todos os dias teve acesso à arma do pai e matou seus desafetos.

Dizer que o bullying é o responsável pela tragédia é fugir do fato que algo que poderia ser resolvido com “te pego na saída” e um nariz sangrando será uma dor que marcará para sempre a vida de todos.  Só não acontecem mais casos porque crianças não tem acesso a armas. Só por isso. E quanto ao bullying ele é NATURAL no ser humano. A crueldade das crianças é um fato. Podemos coibir violência física, agressões explícitas, deboches contumazes e agressões grupais, mas a criança precisa aprender a se proteger por si mesma, com as armas que dispuser. Faz parte do aprendizado para a vida. Façam o que eu fiz há alguns meses em Porto Alegre: fiquem parados por volta do meio dia numa saída de uma escola pública para verem CENTENAS de casos de “bullying” que acontecem entre meninos e meninas, apenas porque esse contato e essa violência são naturais nas crianças.

Imaginar uma escola sem bullying é uma ilusão, mas não pela incompetência dos pais (ou da escola), mas pela própria estrutura do espírito humano. No meu tempo de escola fui vítima e agressor, mas entendo esses fatos como adaptações naturais da alma que nasce ao mundo que nos rodeia. O filme “Moonlight” é um exemplo de como um menino conseguiu sobreviver a um mundo angustiante e constritivo.

Eu entendo nossa fantasia de apaziguamento. Nos dói ver crianças brigando, oprimindo ou sofrendo agressões e humilhações. Entretanto, imaginar que as crianças não sejam violentas e cruéis é como olhar para dois carneiros da montanha na época do acasalamento e pensar: “Puxa, por que ficam batendo cabeça assim? Tem fêmea pra todos, ora. Não podiam simplesmente conversar e dividir entre eles? Pra que essa violência toda?

É claro que uma escola não pode ESTIMULAR ou ser CONIVENTE com o bullying. Ele precisa inclusive ser punido. Todavia, imaginar que com isso o exterminamos é ingenuidade. Mesmo com crianças vigiadas por um panopticom – ou amarradas – o bullying vai se expressar pela fofoca, a depreciação, os apelidos humilhantes e toda forma de violência moral. Os professores mais espertos e vividos sacam isso e sabem quando vai rolar uma briga. Qual a estratégia? Deixam brigar um pouco para arrefecer o surto de testosterona. Vigiam de longe e não permitem que se machuquem. Coíbem exageros. O erro é imaginar que seja possível domar a alma humana.Os problemas na escola sempre foram resolvidos assim. Não há como passar por essa selva sem sair de lá todo machucado, como todos nós.

Evidente que é função do professor impor limites aos alunos e coibir os abusos mas isso não pode nos levar a uma ilusão pedagógica totalitária!!! “Na nossa escola as crianças nunca brigam“…. eu teria muito medo disso!!! Mas, vamos combinar que o bullying feminino nas escolas é MUITO pior. Imensamente mais violento. Eu tive menino e menina na escola. As disputas de poder (e o bullying é apenas isso) são simplificadas nos homens. Três ou quatro sopapos e os meninos são amigos para sempre e se tornam grandes amigos. Isso se torna motivo de risadas para sempre em algumas situações. Com as meninas, pela falta do componente corporal exonerativo, a violência é quase totalmente moral. E as meninas pegam MUITO pesado. As discriminações, as fofocas, as exclusões dos círculos, as humilhações são muito comuns. Mas, faz parte do desenvolvimento sobreviver a essa selva. Antes de existir a escola os embates eram na comunidade, nas aldeias e nos grupos; a escola apenas organiza o ringue.

Não acho sofisticação alguma que a violência entre as meninas não seja corporal, acho muito mais cruel. Os homens nessa cultura tem uma possibilidade que é – via de regra – sonegada às mulheres. Com isso a violência é muito mais profunda e muito mais dolorida. Prefiro mil vezes um nariz sangrando de que ser humilhada diante das amigas.

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Transgêneros

Em um texto instigante a autora americana Lisa Marchiano, assistente social registrada, escritora e analista junguiana que atende na Filadélfia, em Quillette, questiona a liberalidade dos tratamentos de transição de gênero, e solicita que esta prática seja entendida como uma forma de contágio que se faz através do campo simbólico em que toda a sociedade está inserida. O texto pode ser lido AQUI.

Afinal, qual a diferença entre fazer uma troca de sexo e uma cirurgia de nariz? Por que nos importamos tanto com uma e somos liberais com a outra?   Bem, não há como comparar uma cirurgia para diminuir o nariz ou aumentar/diminuir as mamas com troca de gênero. São coisas que só tem uma semelhança: mexer no corpo imaginando atingir a alma. Eu li o texto com a mesma preocupação da autora: a possibilidade de um contágio através do campo simbólico, fazendo com que aos dramas existenciais inalienáveis da adolescência se ofereça uma solução facilitada pela cultura. Uma condição que atingiria uma porção ínfima da sociedade (o verdadeiro transgênero) subitamente se torna prevalente, nas MESMAS condições das memórias traumáticas dos anos 90. Contágio, epidemia.  

Mutatis mutandis, a “falta de passagem”, condição em que o bebê é grande demais para nascer via vaginal, segue um sentido semelhante na cultura, em especial a ocidental. Perguntem para quase metade das mulheres no Brasil porque se submeteram à cesariana e elas lhe darão esse diagnóstico. Assim também pode estar acontecendo com os diagnósticos de disforia de gênero. Eles na verdade se adaptam a uma tendência social de afrouxamento dos limites de gênero, o que é justo, mas parecem ter ultrapassado limites perigosos. Da mesma forma o diagnóstico de DCP e a cesariana são justos e adequados, mas o contágio extrapolou em muito sua real necessidade.  

O problema é que questionar o abuso de cesarianas o torna um “retrógrado”, “fanático pelo parto normal”, “anti-ciência” e tantos outros epítetos despejados exatamente pela corporação que lucra com a “ideologia da defectividade feminina”. Talvez seja possível dizer o mesmo dos que ousam questionar as transições facilitadas em nossa cultura e perguntar se o contágio do campo simbólico não está fazendo mais vítimas do que salvando sujeitos de um corpo inadequado e opressor

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Pena Capital

O problema da argumentação daqueles que apoiam a pena de morte (e da turma que gosta de assassinatos legalizados) é que são fixados na figura do assassino (Freud explica) e não na população que é vítima da violência. Milhares de estudos sociológicos comprovam que não se modificam as taxas de criminalidade com medidas como esta, e mesmo assim insistem na ideia de matar quem comete crimes. Ora, por quê?

A resposta é óbvia. A razão para está fixação é que estes sujeitos também desejam matar, como os criminosos, mas não o podem fazer. É um sentimento brutal e primitivo, uma sensação pessoal de vingança contra os que invadem seu espaço ou lhe tiram algo de valor. Infelizmente estas propostas quando executadas nunca mudaram em nada a insegurança da população e mesmo as mortes violentas. São inúteis e apenas adicionam mais mortes àquelas que já lamentamos. Elas apenas oferecem o prazer sádico de acrescentar uma morte legal às estatísticas.

A Pena de Morte tem o mesmo efeito da desastrosa “guerra ao terror” implantada pelos governos americanos. A ideia é a mesma: vamos destruir todos os malfeitores e a sociedade será dominada apenas por “gente de bem”. Mataram milhares dos – assim chamados – “terroristas”. Limparam o terreno e espalharam sangue por todo lado. Eu pergunto: que efeito isso produziu no terrorismo global?

O OPOSTO do esperado. Nunca houve tanta tensão, atentados, insegurança e violência. A guerra ao terror é um SUPREMO FRACASSO, assim como também o são as medidas de extermínio de negros e pobres submetidos a situações sociais deploráveis e que entram no crime pelas razões que tanto conhecemos. Sem atacar diretamente as RAZÕES para o terrorismo e para o crime tais medidas apenas reciclam terroristas e bandidos. Abrimos vagas para os novos sem entender porque se formam tão rapidamente.

No fundo o que temos é um processo exonerativo de raivas e frustrações acumuladas na sociedade desaguando numa prática medieval de assassinar aqueles à sua margem, sem nenhuma indicação de que esta sociedade se torne, por estas medidas, mais pacífica.

Pelo contrário, a exemplo do que aconteceu à luta contra o “terror”, só recrudescemos a matança.

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Agressão às Enfermeiras

Nunca escreva movido pelo ódio ou pela paixão; você acaba revelando aos outros o que desconhecia de si mesmo. Quando uma pessoa dá a sua opinião de cabeça quente e depois ameaça chamar seu advogado-metralhadora para processar todo mundo que lhe respondeu é porque devia ter pensado melhor antes de escrever.

Claro que é positivo pedir desculpas pelas agressão absurdas e despropositadas desferidas. Não posso aceitar – em nenhuma situação – penas perpétuas e condenações infinitas. Pessoas podem amadurecer e aprender com seus erros. É sempre bom se retratar dos erros cometidos.

Entretanto, a violência das palavras fica marcada indefinidamente. Depois de proferida a ofensa não se apaga. O mais triste não é a agressão descabida e brutal, mas a certeza que o deboche contra as enfermeiras é uma postura extremamente disseminada dentro da medicina. Escutar velhos preconceitos e grosserias obtusas contra a enfermagem foi algo que suportei por quase 40 anos.

As manifestações de desprezo pela enfermagem reforçam minha certeza de que a maior parte do ódio direcionado contra mim nos meus últimos 10 anos de trabalho por parte da corporação vieram do fato de que eu trabalhei lado a lado com uma dessas “criaturas inferiores” a ponto de lhe oferecer o posto central na atenção ao parto.

Isso, sim, é imperdoável.

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Abusadores

Tivemos recentemente uma campanha contra os “tarados” urbanos que importunam as pessoas. Alguns posts apelaram para soluções simplistas como a brutalidade e até para “linchamentos”. Isto é: combater machismo com mais machismo e força bruta.  

E veja bem: masturbar-se em ônibus ou na rua é um incômodo, podemos considerar ofensivo e inadequado, até mesmo uma “violência” moral, mas em nada semelhante à agressão ou ao estupro. Atos como estes precisam ser coibidos dentro da lei e da justiça. Se as leis são brandas ou ineficientes que sejam mudadas, mas não se pode apelar para condenações oportunistas diante da emergência de um escândalo público. Ponto.  

Entretanto, é evidente que os sujeitos que fazem isso em público são doentes, compulsivos, incapazes de controlar adequadamente suas ações mesmo diante das ameaças de violência. Eu vejo uma injustiça ao tratar esses sujeitos como depravados do mesmo tipo que assistia o julgamento feroz e cruel contra os alcoolistas no meu tempo de Pronto Socorro. “Se você quiser se controlar é fácil, mas você bebe porque é um vagabundo“. Esse argumento aparecia para qualquer compulsão, das drogas pesadas ao cigarro, mas era usada até para a homossexualidade, lembram? Não faz tanto tempo assim…  

Se hoje podemos chamar os alcoolistas, as cleptomaníacas e as pacientes com psicoses puerperais de doentes, entendendo que estas pessoas precisam de ajuda psicológica e às vezes médica (e não de porrada), porque deveria ser diferente com os masturbadores públicos??? Por que é tão difícil entender a enfermidade a que são submetidos?   Infelizmente eu entendo que qualquer tentativa de analisar racionalmente esta questão significa que achamos que a masturbação pública é “tolerável“, que não merece punição ou que “não causa dano algum“. Maldito maniqueísmo.

Em verdade tudo que desejamos é que TODOS possam ser julgados com um pouco mais de humanidade e compreensão.

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Privilégio

“Nascer cheio privilégios não é uma vergonha, assim como não é nascer sem eles. Vergonha é não reconhecê-los e não lutar pelo seu fim, sendo você um privilegiado ou um despossuído.” Janice Olatunji, “Into the Jungle of Privilege” Ed. Yoruba, pag. 135

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