A melhor citação de Hegel, segundo a opinião de Zizek, é de que “o mais importante efeito da Guerra do Peloponeso é o fato de Tucídides ter escrito um livro sobre ela”. Essa visão curiosa – que faz a descrição da coisa ser mais relevante do que a coisa em si – poderia ser emprestada a Euclides da Cunha e “Os Sertões”, onde o mais relevante aspecto da rebelião de Antônio Conselheiro seria o livro que a expôs à consciência nacional. Minha filha, com raro sentido de síntese, já afirmava: “Tudo vale se do fato sobra uma bela história a contar”
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Anjos Caídos
Harvey, Kevin, Cosby e Waack
A história destes quatro poderosos da comunicação poderia nos oferecer alguns ensinamentos, para além do “bem feito” que agora dizemos entredentes. Todos se tornaram ricos e famosos concentrando em si uma quantidade volumosa de poder. Também eles trabalhavam na ribalta midiática contemporânea que coloca egos nas alturas ou transforma sujeitos em poeira num piscar de olhos. Em seus ramos específicos na indústria do entretenimento suas vozes soavam sobre a dos demais, criando ao seu redor um misto de veneração e medo.
Natural que para dois deles as vitimas fossem as mulheres que deles se aproximavam em busca de um lugar ao sol e uma chance de fugir do anonimato. Para outro, a vítima eram os rapazes, mas a lógica do poder abusivo era a mesma. A simpatia conquistada poderia abrir portas e fechar contratos. A indústria da imagem é cruel e desumana e o comércio de corpos e consciências é uma realidade amarga. Para o último, as vítimas foram os negros e pardos, enquadrados no preconceito diminutivo e característico de boa parcela da branquesia de classe média desse país.
Boa parte dessas personalidades carregadas de fama e dinheiro, mais por sorte do que por talento, passam incólumes por toda a vida, como o apresentador Jimmy Saville da BBC, que conseguiu driblar por 40 anos as evidências e testemunhos de abusos cometidos contra crianças, vindo a morrer sem ser acusado. Com o aumento da vigilância sobre os abusos sexuais isso se torna cada dia mais difícil. Os personagens acima não tiveram a mesma sorte, e terão que amargar um fim de vida sombrio e triste, sob os dedos apontados de muitos acusadores.
Se é verdade que o poder embriaga e que somente depois de tomar desse cálice nos é permitido entender a profundidade de sua abrangência, também é certo que desse deslumbramento seremos inevitavelmente vítimas. O poder enlouquece, nos afirmava Gore Vidal ao analisar a vida dos Césares. A loucura vem da falta de limites, da sensação de onipotência e da certeza da impunidade. Uma falha gritante na castração, levando à insanidade.
O episódio último, do jornalista antiPT, nos mostra que por trás de uma máscara de sobriedade e pretensa isenção havia o mais abjeto preconceito de classe. Assim como Boris Casoy e sua agressão aos faxineiros, Waak foi vítima de suas próprias palavras carregadas de racismo. Pode ter sido um “deslize”, mas não há como negar que estas “falhas” e fissuras no discurso apontam para o que verdadeiramente somos, e nos levam ao cerne dos nossos valores constitutivos.
A lição a ser aprendida é jamais confiar que o poder, por maior que seja, nos torna indestrutíveis. Sem uma base ética sólida e firme qualquer um desaba e cai estrondosamente ao solo, tão certo como ao dia sobrevém o escuro da noite. Quanto maior o tamanho, maior será a queda.
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Gorjeta

Uma das coisas mais curiosas da cultura americana é a tradição da “gorjeta”. Para as pessoas do resto do mundo, em especial do Brasil, ela é muito curiosa e interessante.
Não tenho interesse em fazer julgamentos da cultura americana, pois existem inúmeras “manias” brasileiras que poderiam sofrer este tipo de crítica. Entretanto, poucas coisas revelam melhor as características do povo americano do que isso.
Depois de um jantar, uma corrida de táxi, um serviço qualquer de conserto, uma babá ou um serviço de manobrista sempre surge a pergunta e a angústia entre as pessoas: “Quanto devo dar de gorjeta?”. Nos restaurantes e táxis a regra é 10 a 15% da despesa (na Califórnia restaurantes estabelecem 20%), mas nos outros lugares o valor pode flutuar. De qualquer maneira, não dar gorjeta é algo muito rude, e muito mal visto pelos americanos.
Curiosamente, médicos, advogados, engenheiros e alguns profissionais de nível superior ou que ganham bem pelo seu trabalho achariam absolutamente estranho o fato de receber um “algo a mais” por fazerem seu trabalho. Então pergunto: qual o sentido de dar uma gorjeta, ou “una propina”?
Os americanos, mergulhados em uma cultura que introduz essa prática desde muito cedo, sempre usam a mesma explicação: “Ora, esses trabalhadores ganham muito pouco e muitos deles vivem só das gorjetas”. É curioso como essas pessoas veem com a maior naturalidade o fato do trabalhador ser explorado pelo seu patrão e a transferência da responsabilidade de uma vida minimamente digna ser automaticamente transferida para o cliente de um restaurante ou de uma viagem de Uber.
Outro argumento é que é um “adendo” para um “bom serviço”, como se servir bem alguém em um restaurante, ser cuidadoso ao dirigir ou cuidar bem dos seus filhos não fosse exatamente a essência do trabalho realizado e não um “plus” oferecido pelos profissionais que o realizaram.Nesse aspecto a gorjeta se assemelha ao “bicho” por vitória que existe no futebol, como se o esforço para vencer não fosse a única obrigação que se exige de um jogador.
Minha pergunta é: por que aceitam com tanta naturalidade a transferência de responsabilidade de pagamento dos capitalistas para os clientes? Por que os americanos dizem “Se você se nega a dar uma gorjeta é um sujeito cruel, pois já trabalhei de garçonete e sei como elas recebem mal”.
Caraca!!! Como não conseguem perceber que o mau pagamento NÃO é um problema do cliente, mas do PATRÃO!!!
Creio que a essência psicológica da gorjeta está na sensação de que, se você pagar mais (usar a força do seu capital) poderá ter um tratamento diferenciado, isto é, melhor do que o que é oferecido aos outros. O salário do funcionário, por ser igual para todos naquela função, não permite que você exija um serviço “especial”, “personalizado”, exatamente aquilo que você acha que merece. A gorjeta lhe dá a sensação de ser especial, de ter um tratamento acima do comum.
PS: estou escrevendo aqui porque quando quis mostrar isso para amigos americanos alguns se ofenderam com a minha opinião sobre essa prática – que eles acham a ação mais caridosa e gentil do mundo – e as respostas ásperas que recebi fizeram com que a autora do post o apagasse. Outra curiosidade: questionar ações que julgamos nobres, levantando-lhes o véu, pode parecer ofensivo para quem acha que a caridade (mesmo que aparente) é uma ação inquestionável. Se eu fosse capitalista americano abriria um bar que traria no menu: “Nossos funcionários não aceitam gorjeta porque não são explorados e seu salário é muito bom”.
PS1: uma vez na Disney vi uma bandinha passar dentro de um parque e uma menina de uns 4 anos foi até eles e deu uma nota de 5 dólares. O músico escondeu a nota atrás do corpo, procurou a mãe da menina e devolveu o dinheiro. Interessante, não?
PS2: Gorjeta vem de “gorja“, sinônimo desusado de garganta, de onde proveio também o gorjeio dos pássaros. A gorjeta era uma pequena quantia que se dava a quem tivesse realizado trabalho extenuante e cansativo, a fim de que ele comprasse uma bebida para molhar a garganta.
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Tempos e julgamentos
“Quando no século XXIII não existir mais nenhum traço de monogamia nas relações humanas você acharia justo que seus descendentes acusassem você de “forçar seu parceiro para uma vida de escravidão sexual através de uma abjeta exclusividade”?
… ou acha que as escolhas honestas obedecem os valores de seus tempos e circunstâncias?”
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Nau dos vaidosos
“O Currículo Lattes é uma espécie de embarcação meritocrática que facilita a navegação no oceano universitário das vaidades.” (autor desconhecido)
E daí que as pessoas com insuspeita frequência usam o Lattes como instrumento fálico, ao estilo “o meu é maior que o teu”. Para muitos o tamanho do seu currículo é mais importante do que a relevância, significado e abrangência de sua obra. A crítica não é à ferramenta, mas ao uso que se faz dela. É o apaixonar-se pela representação da coisa mais do que com ela mesma. É usar uma moeda acadêmica de pouquíssimo valor prático, mas de altíssimo valor no universo fechado da academia.
É como chegar numa ilha perdida do oceano Pacífico e ver que as castas locais são estabelecidas pelo tamanho do altar ao Deus supremo da ilha. Se você disser “que diferença faz um altar de 2 ou 3 metros?”, eles responderão: “Para nós é a diferença entre uma vida digna ou uma existência insignificante“.
Lembrando: a crítica não é assistência da academia e nem à plataforma Lattes, mas tão somente lembrar que o Lattes deveria ser apenas uma representação e não o FOCO do acadêmico; a imagem da “coisa”, e não a “coisa” em si.
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Pornografia

Acho que vocês estão colocando peso demais na pornografia, como se os homens se “viciassem” em pornografia e, como consequência, tal adição pudesse trazer problemas sexuais para eles e suas parceiras. Não acredito nessa possibilidade. Pornografia sempre existiu, desde que houve corpos que se interditaram. As ruínas de Pompeia são cheias de pornografia nas paredes. Na minha juventude havia os desenhos de Carlos Zéfiro (obras de arte). Pornografia não é causa de nada, é consequência. Quanto mais constrição sexual houver em uma determinada cultura mais a pornografia se torna uma válvula de escape necessária.
A estética das mulheres no filmes XXX nunca foi essa das “bombadas”, a não ser que tenha modificado muito nos últimos anos. Todas as grandes e famosas atrizes são mulheres de corpos redondos. Não sei de onde tiraram que esse modelo do carnaval vem da pornografia.
Aliás, a indústria pornô não precisa sequer ser combatida pois está em rápido e vertiginoso declínio. Mas o mal da pornografia não é para os homens (e suas parceiras), mas para as atrizes abusadas e tratadas como lixo. Há inclusive um ótimo documentário sobre heróis aposentados da indústria pornográfica no Netflix. Muito bem feito, inclusive.
Essa história moderna de que os homens se viciam em pornografia lembra as histórias da “cegueira que se segue à masturbação“. Não faz sentido, e serve mais como moralismo do que o enfrentamento de um verdadeiro problema. Eu acredito ser possível que existam meninos e meninas viciados em pornô, mas não se pode acreditar que o fator externo é o culpado por tais distúrbios, quando na verdade o sexo (o álcool, o crack, a maconha, a comida, a heroína) apenas ocupa um lugar que precisa ser preenchido em uma alma carente.
E quanto à demanda para que as mulheres se adaptem a um padrão de beleza irreal (e eterno), quando é que na história desta espécie não foi assim? Vou mais longe: acho que nunca deixará de sê-lo, pois que não se trata de um valor cultural, mas da essência da estrutura sexual feminina. O caminhar da humanidade vai equalizar essas demandas e não qualquer tipo de proibição. A busca da perfeição deixará de ser tão massacrante e aviltante para as mulheres, mas nunca cessará de existir.
É óbvio que um sujeito que assiste pornografia tem mais chance de ter impotência, mas de novo a pornografia é a CONSEQUÊNCIA e não a causa. A pornografia é o Porto Seguro do prazer!!!! Você transa com quem quiser, com a mulher mais linda (ou homem) sem risco de DST, gestação indesejada e (melhor ainda) sem risco de rejeição!!!!! É óbvio que os tímidos e inseguros vão recorrer a este lugar, e é óbvio que serão os MESMOS que terão falhas ou crises quando estiverem diante de uma mulher (ou homem) de verdade!!!
Mais uma vez os articulistas desses estudos confundem causa com consequência, e minha suspeita é que são convencidos(as) a isso por moralismo. A causa da impotência é intra psíquica e a sua consequência é comportamental: o consumo de….. (coloque aqui a adição que mais se adapta ao sujeito), e não o contrário.
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Mulher Selvagem

Muitos querem afastar dos olhos a imagem da “mulher selvagem” que compõe a iconografia do parto em tempos de humanização do nascimento. Suspeito que as que mais temem essa imagem enigmática e desafiadora são as próprias mulheres, talvez porque ainda não descobriram o real fascínio que tais fotografias podem produzir em todos, em especial nos (seus) homens. Ao meu ver, a maquiagem é apenas um recurso para que esta “outra” continue existindo apenas nas fantasias e não consiga se expressar, vencendo as barreiras da epiderme. Deixar brotar essa mulher selvagem demanda coragem pois, depois que ela surge, como colocá-la de volta em sua jaula?
Não entendam isso como uma crítica ao recurso; use-o quem o desejar, sem esquecer das questões médicas que se perdem com sua aplicação, como a cor da pele do rosto, do leito ungueal e a perfusão das mucosas labiais. Trata-se tão somente de tentar entender as razões que trouxeram à tona este debate.
Entretanto, me permito uma interpretação para além dos valores superficiais. Creio que ficar maquiada para esses momentos é tentar manter aquela mesma “persona” (máscara) por tantos anos cultivada, ao invés de arriscar-se numa nova mulher, cuja beleza emerge não da suavidade do contorno dos lábios e sobrancelhas, sequer das bochechas salientes e coradas, mas da energia colossal que brota de seu suor, lágrimas, gritos e cabelos em chamas.
A quem interessa que esta mulher selvagem se mantenha encarcerada?
No Brasil 85% das mulheres do setor privado se submetem a cesarianas e nós vamos debater a maquiagem? É isso produção?
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Pequenas notas
Diante de tanta contrariedade, tanta caretice, tanta desinformação, tanto atraso e, acima de tudo, tanta injustiça, muitos pensam em desistir Todavia, é provável que a melhor postura diante de tantas dificuldades seja dizer: “É exatamente por causa desses profissionais que os atores sociais ligados à humanização do nascimento são tão necessários. Como diria o Max: “Tais atores são como flores de cactos brotando da aridez desértica da tecnocracia”. O tempo, senhores, é de semeadura; já a colheita não nos pertence. (Max, personal communication)
Em um parque um senhor idoso jogava xadrez com seu cachorro. De forma surpreendente, para cada movimento com as peças negras que o velho senhor fazia o cachorro o seguia, movendo as peças brancas com seu focinho molhado, com perfeita lógica e precisão.
Um passante, vendo a cena, ficou imantado pelo que presenciara. A princípio achou tratar-se de um truque e por um tempo ficou investigando se não havia cordas invisíveis ou comandos elétricos ligados ao cão. Depois de vários minutos de incredulidade, e certo de que não se tratava de um embuste, ousou interromper o jogo com uma expressão de espanto.
– Meu Deus!!! Seu cachorro joga xadrez!!!!
O velho levantou os olhos do tabuleiro e respondeu, com visível contrariedade:
– Sim, e daí?
– Isso é incrível, meu senhor…. um milagre, a quebra de um paradigma que….
Foi interrompido pela voz ríspida do ancião.
– Ora, não seja tolo meu senhor. Esse cachorro não passa de um idiota. Estamos aqui desde o início da manhã e ele me ganhou apenas três das dez partidas que jogamos.
O velho senhor encarou seu cão com notável reprovação enquanto este baixava as orelhas, visivelmente envergonhado.
As manifestações das corporações médicas sobre o Dia do Médico continuam o mesmo roteiro que acompanho há quatro décadas: megalomaníacas e piegas, apostando na visão fantasiosa de uma pretensa “abnegação sacerdotal” dos profissionais
Como podem esses “anjos” da corporação serem os mesmos que impediram as enfermeiras de solicitar exames, emperrando a vida de milhões de brasileiros que procuram o SUS?
A conta não fecha…
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Transgêneros
Em um texto instigante a autora americana Lisa Marchiano, assistente social registrada, escritora e analista junguiana que atende na Filadélfia, em Quillette, questiona a liberalidade dos tratamentos de transição de gênero, e solicita que esta prática seja entendida como uma forma de contágio que se faz através do campo simbólico em que toda a sociedade está inserida. O texto pode ser lido AQUI.
Afinal, qual a diferença entre fazer uma troca de sexo e uma cirurgia de nariz? Por que nos importamos tanto com uma e somos liberais com a outra? Bem, não há como comparar uma cirurgia para diminuir o nariz ou aumentar/diminuir as mamas com troca de gênero. São coisas que só tem uma semelhança: mexer no corpo imaginando atingir a alma. Eu li o texto com a mesma preocupação da autora: a possibilidade de um contágio através do campo simbólico, fazendo com que aos dramas existenciais inalienáveis da adolescência se ofereça uma solução facilitada pela cultura. Uma condição que atingiria uma porção ínfima da sociedade (o verdadeiro transgênero) subitamente se torna prevalente, nas MESMAS condições das memórias traumáticas dos anos 90. Contágio, epidemia.
Mutatis mutandis, a “falta de passagem”, condição em que o bebê é grande demais para nascer via vaginal, segue um sentido semelhante na cultura, em especial a ocidental. Perguntem para quase metade das mulheres no Brasil porque se submeteram à cesariana e elas lhe darão esse diagnóstico. Assim também pode estar acontecendo com os diagnósticos de disforia de gênero. Eles na verdade se adaptam a uma tendência social de afrouxamento dos limites de gênero, o que é justo, mas parecem ter ultrapassado limites perigosos. Da mesma forma o diagnóstico de DCP e a cesariana são justos e adequados, mas o contágio extrapolou em muito sua real necessidade.
O problema é que questionar o abuso de cesarianas o torna um “retrógrado”, “fanático pelo parto normal”, “anti-ciência” e tantos outros epítetos despejados exatamente pela corporação que lucra com a “ideologia da defectividade feminina”. Talvez seja possível dizer o mesmo dos que ousam questionar as transições facilitadas em nossa cultura e perguntar se o contágio do campo simbólico não está fazendo mais vítimas do que salvando sujeitos de um corpo inadequado e opressor
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