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A morte da 3a via

Eu acho que o ódio às esquerdas (leia-se ódio à justiça social) é uma patologia digna de figurar no DSM – o código internacional de doenças. Claramente se manifesta pelo rechaço a tudo que é popular, que parte do povo, que tem cheiro de gente e que procura escutar o país como num todo, e não apenas os desejos de sua faixa média burguesa. Entre os sintomas dessa patologia está a classificação de todo líder emergente das faixas “inferiores” como “líder populista”, que seria um mentiroso, dissimulador, falso, mercenário e com uma agenda escusa de vantagens pessoais e corrupção. Um exemplo disso é a placa encontrada numa manifestação de direita onde se lia: “País sem corrupção é país onde rico manda, pois quem é rico não precisa roubar”. Claramente a ideia é de que um candidato do povo só poderia estar no poder para roubar…

Um sintoma dessa rejeição é a narrativa atual de que todos os que defendem Lula são “fanáticos”. Afinal, se ele é “ladrão”, só o fanatismo poderia nos fazer entender esse apoio. Entretanto, essa parcela da pequena burguesia hoje sente vergonha do profundo desastre ocorrido no governo Bolsonaro em todos os níveis: econômico, jurídico, ético e na imagem internacional do país. Em função disso, não aceitam Lula e seu odor de povo e também não querem se ligar ao horror anti civilizatório de Bolsonaro-Guedes.

É desse caldo que nasce o “nem Lula, nem Bolsonaro”, que nada mais é do que a “terceira via”, ou a viabilização de um candidato que burle essa dualidade não mudando nada na estrutura racista e classista da nação. Por isso a procura desesperada por um candidato que seja a cara do Centrão: homem, branco, burguês, rico e que guarde equidistância com PT e Bolsonaro, mas que seja bem visto pela elite exploradora e os militares oportunistas.

A terceira via, pela clara polarização e o clima de guerra que Bolsonaro sempre apostou como modus operandi da sua gestão, acabou por se inviabilizar e finalmente morrer de inanição. Não há como – agora – oferecer uma alternativa que impeça a eleição plebiscitária que teremos à frente. A terceira via morreu no primeiro dia do governo Bolsonaro, quando ele avisou que seu governo seria baseado no confronto, mas ainda há aqueles que tentam revivê-la gritando e chorando ao lado do seu corpo em decomposição.

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Véus

Na minha perspectiva ocidental Xador, Amira e Hijab são praticamente iguais, mas depois aprendi que o Xador cobre o corpo inteiro, e a Amira não permite aparecer nenhuma parte do cabelo. Já o Hijab permite que se veja um pouco do cabelo frontal. Existe diferenças no formato para além da cor apresentada na imagem acima. Entre os mais conservadores a Arábia Saudita wahabista e (minha surpresa) o Paquistão.

Nesses países muçulmanos apenas 4% das mulheres não usam véu – mas no Líbano metade das mulheres já não o usam. Quase metade usarão Amira, mas a burca (tão condenada por nossas bandas) não passa de 2% das mulheres, e mesmo na Arábia Saudita mal passa de 10% de uso. Entretanto, recheamos nossas críticas ao mundo islâmico com esses estereótipos que estão longe de mostrar a diversidade do Oriente.

Às vezes – guardadas as proporções – vejo críticas ao islã que partem de generalizações miseráveis. Quando dizem que nos países muçulmanos as “mulheres são obrigadas a usar burca” eu imediatamente imagino um iraquiano olhando uma foto do Rio Grande do Sul e comentando “Pobres brasileiros, obrigados a usar bombacha. Deve ser horrível vestir isso na floresta amazônica”.

What???

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Imperialistas

As pessoas que acusam aqueles que ficaram felizes (com a expulsão dos americanos do Afeganistão pelo Talibã) de serem “machistas” aceitam ser chamados de “genocidas” por sua conivência com as mortes de meninas e mulheres durante a ocupação americana? Aceitam o rótulo de neocolonialistas? Aceitam a pecha de “bandeirantes da América”?

Dizer que celebrar a derrota do Império no Afeganistão é saudar a misoginia do Talibã é o mesmo que afirmar que festejar a derrota de Trump significa se alegrar com a vitória dos democratas imperialistas e sua máquina de guerra. Com um pouco de esforço dá para entender que é possível desprezar tanto o imperialismo quanto o Talibã, mas acreditar que um precisa ser derrotado primeiro, até por ser a principal causa do outro.

Da mesma forma dá para combater Trump e Biden, por que são diferentes apenas em nível interno, mas iguais no seu pendor imperialista.

O biscoitismo – em especial partindo de figuras públicas da Academia na capital brasileira – é um cacoete terrível de intelectuais que se aventuram nas redes sociais. É preciso agradar em primeiro lugar ao seu eleitorado, e só depois fazer algumas concessões à realidade. O salário são os “likes” e os elogios rasgados ao seu idealismo que não suporta 10 minutos de mergulho da verdade dos fatos.

Quem, entre as pessoas horrorizadas com a entrada do Talibã – um grupo de reacionários e fascistas de direita muito parecidos com os bolsonaristas no Brasil – lembrou das 500 crianças mortas pelos bombardeios americanos SÓ ESSE ANO? Por acaso dá para comparar a PORCARIA REACIONÁRIA do Talibã com 500 crianças explodidas pelas bombas imperialistas?

Qual a dificuldade de entender que a entrada dos Talibãs e a expulsão dos americanos é um mal menor diante do DESASTRE GENOCIDA do Império em qualquer lugar do mundo????

Em suma, ressaltar a importância da derrota do Império não é o mesmo que passar pano para os abusos do Talibã, mas reconhecer que só com o fim do imperialismo a cultura misógina do Talibã poderá ser atacada. Assim como no século XIX, o colonialismo eurocêntrico não é a resposta, pois com ele vem abusos, mortes e torturas – em especial com os mais frágeis, as mulheres e as crianças.

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Talibãs e as mulheres

Acho curiosa essa manifestação de condenação à retomada do Afeganistão pelas tropas talibãs, especialmente quando a gente sabe que morreram MUITO mais mulheres e crianças pela invasão americana do que pela ação dos talibãs durante toda a sua história…

Tortura pelas tropas americanas na prisão iraquiana de Abu Ghrabi

“Pobres afegãs”, dizem agora aqueles que analisam o fenômeno no conforto de suas casas há milhares de quilômetros de distância das atrocidades da guerra, como se as tropas americanas não tivessem alta tecnologia em subjugar através de estupro e tortura, inclusive de mulheres e crianças. Acaso esquecemos tão facilmente assim Mi Lay e mais recentemente Abu Ghraib? Acaso será necessário aguardar mais um documentário horroroso da ocupação do Afeganistão para – DE NOVO – comprovar as atrocidades americanas cometidas contra os “povos inferiores”, cucarachas e moreninhos?

Proponho então um exercício simples… (baseado em antigas conversas com minha mãe, uma gringófila confessa)

Imaginem que os Estados Unidos invadiram o Brasil. Mataram nossos soldados, destruíram o exército, expulsaram o presidente, desembarcam milhares de soldados, controlaram as TVs e a Internet (ops, isso já fazem) e tomaram as ruas com seus marines, canhões e tanques.

No dia seguinte à vitória o “Comandante em Chefe” do Governo de Ocupação entra em cadeia de rádio, TV e Internet e explica para o país que a invasão se deu em função da destruição da Amazônia, as fraudes nas eleições e um genocídio em curso. Claro, prometendo proteger as mulheres, a fauna, a flora e as minorias. A tomada do poder se deu como recuso heroico para restabelecer valores democráticos e salvar a floresta. Era, afinal, uma intervenção humanitária para auxiliar os brasileiros e, porque não, ajudar o mundo.

Uma combatente americana posa ao lado de um iraquiano carbonizado pelas armas de guerra imperialistas

Depois disso, como aconteceu na Líbia, no Iraque, na Síria – e aconteceria na Venezuela – empresas americanas iniciam prospecção e retirada de petróleo do pré-sal, ferro, ouro, bauxita, madeira, soja e até o famoso nióbio. Agem como se aqui fosse o seu quintal, brincando de desenterrar tesouros escondidos. Todavia cumprem a promessa de cuidar da Amazônia; ou pelo menos assim o dizem, pois como controlam a imprensa não informam nada que nos faria vê-los de forma negativa. De tudo fazem para mostrar que só praticam o bem para todo o mundo e que os antigos donos do país eram cruéis e covardes, os verdadeiros assassinos e genocidas. Possuem em suas mãos a mais potente de todas as armas da guerra híbrida: o controle da informação e da propaganda, a ponto de transformar verdades em mentiras, fracassos retumbantes em vitórias gloriosas – e vice-versa, se assim for conveniente.

Um soldado americano se diverte com o horror de um prisioneiro no Iraque.

Pergunto: qual o preço que se suporta pagar pela liberdade e pela autonomia? E se o povo brasileiro decidisse que a eliminação da extrema direita era tarefa nossa, de acordo com nossas propostas e nossos valores, e não pelas escolhas de invasores estrangeiros? E se o projeto de expulsão dos bandoleiros americanos – assassinos cruéis como em toda parte do mundo onde estiveram – fosse liderada pelas milícias bolsonaristas, deveríamos saudar ou lamentar nossa libertação? Seríamos a favor da manutenção da ocupação genocida e exploradora dos nossos recursos ou marcharíamos ao lado dos milicianos?

Então imagine-se agora no Afeganistão….

Mulheres e crianças sendo abusadas pelas tropas americanas no Vietnã

Nesta foto ao lado pode-se perceber a angústia das mulheres sob o controle das tropas americanas em Mi Lay, e o exército americano atuando em “favor das mulheres”, da sua liberdade, de sua autonomia, etc. Melhor nem contar o que existe por trás dessa imagem. Sério…. eu fico enlouquecido de ver as pessoas diminuindo – ou relativizando – a importância da luta contra o imperialismo. E se o Talibã não tinha no horizonte a luta anti-imperialista (o que é uma afirmação cheia de preconceito com as lutas alheias, pois pressupõe que só as nossas lutas tem valor, as dos outros são interesseiras) o resultado objetivo é a DERROTA do império, e isso é, por si só, uma vitória para a autonomia dos povos.

Não é por outra razão que Venezuela e Cuba, que se ergueram contra o Império americano, são alvo de boicotes, ameaças, agressões e tantas outras violências. Se houvesse tanta ardor feminista estariam todos agora lamentando o salafismo da Arábia Saudita, APOIADO pelos gringos, ao invés de atacar uma luta de liberdade que já dura 20 anos e MATOU milhares de mulheres em sua esteira de exploração e destruição.

E posso acrescentar: eu DETESTO a perspectiva de mundo talibã. Odeio profundamente o machismo e a colocação das mulheres em um patamar social inferior, mas não posso aceitar que a solução para isso seja reviver o colonialismo. Quem sabe, então, voltamos de novo para a África para catequizar aqueles “machistas e ignorantes”?

Não tenho nenhuma resistência ao feminismo, que apoio, e reconheço o risco de retrocessos, em especial no que diz respeito aos direitos das mulheres. Porém, sou contrário aos identitarismos, o que é bem diferente. A crítica ao Talibã – que eu mesmo faço de forma incansável – não me impede de ver que a derrocada do imperialismo é um processo MUITO MAIS IMPORTANTE do que a simples proteção do estudo das meninas afegãs, ou do uso de burcas, até porque uma menina ter a oportunidade (ou a garantia) de frequentar a escola depois de ver seus pais mortos pelas bombas americanas não vai aumentar sua qualidade de aprendizado.

Defender a revolução talibã não significa aceitar seus pressupostos, mas também digo o mesmo em relação às revoluções anticoloniais da Argélia, do Congo, de Angola, de Moçambique e do Vietnã. Nem mesmo da Índia colonial ou da China sob o tacão britânico. Entretanto, a luta contra o IMPERIALISMO está acima dos valores de grupos específicos, por mais que estes valores me sejam caros.

Não esqueçam do “pinkwashing” que Isr*el usa para criticar a pretensa homofobia dos palestinos, como se isso pudesse justificar a ocupação da Palestina. A comparação com a Arábia Saudita é perfeita. Lamentamos a ascensão dos Talibãs mas sacudimos os ombros para a dominação dos salafitas sobre as mulheres sauditas. Por que nunca ouço lamentos sobre isso????

Não acho justo que ocorra uma comemoração para a volta do Talibã, mas pela queda do Império, e de onde veio sua derrocada é algo menos importante – apesar de ser essencial manter a crítica à forma como os Talibãs encaram o feminino, assim como fiscalizar os acordos assinados que garantem uma postura respeitosa com as mulheres.

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Afeganistão livre

Para ponderar sobre as repercussões da iminente retomada de Kabul e a expulsão dos gringos do Afeganistão.

Sim, partidos marxistas comemoram a vitória do povo afegão contra o Imperialismo, depois de vinte anos de lutas e 2 trilhões de dólares gastos no esforço de uma guerra inútil e perdida. Aliás: imaginem apenas o que poderia ter sido feito para a modernização do Afeganistão e seu povo se o dinheiro americano não fosse gasto para matá-los, mas para desenvolvê-los…

Mas, espere aí… teremos de volta os Talibãs? Ora, “eles são machistas, misóginos e bárbaros!!” Como em “The Kite Runner” veremos de novo o menino Amir tendo que fugir do seu país para se proteger dos abutres e pedófilos? Como podemos comemorar esta vitória sabendo que isso significará uma série de retrocessos, em especial para as mulheres?

Bem, minha posição pode ser entendida da seguinte maneira: se os Estados Unidos invadissem o Brasil e Bolsonaro fosse o presidente, a atitude óbvia e natural de um partido marxista revolucionário seria JUNTAR-SE a Bolsonaro no combate ao imperialismo! A questão Bolsonaro – assim como a questão Talibã – deverá ser resolvida internamente e a posteriori, mas a emergência em devolver o país ao seu povo é muito mais importante – e grave. Por certo que qualquer processo revolucionário significa muita dor, mas não há país que possa se desenvolver sendo dominado e escravizado, por “melhores” que sejam seus invasores. A guerra do Afeganistão e o surgimento dos Talibãs – “estudantes“, em pachto – se deu na esteira da entrada dos Estados Unidos na região após a retirada dos soviéticos. Os talibãs são apenas o resultado ruim de uma intervenção catastrófica, mas a expulsão do Império era uma questão de honra para o povo afegão.

O mesmo sentimento eu tive quando da revolução iraniana em 1979 e a queda do Xá Reza Pahlavi – com o surgimento do Aiatolá Khomeini e o fundamentalismo xiita. Da mesma forma, eu sabia que haveria um retorno a valores que se contrapunham a minha visão ocidental, mas ainda achei melhor que assim fosse do que ver a imposição de um estilo de vida ocidental em um país subjugado ao Império. O mesmo com a revolução haitiana ou cubana; é melhor ser livre e poder lidar com suas contradições internas do que manter-se escravo e incapaz de se afirmar como nação.

Ou ainda existe quem justifique as aventuras imperialistas que, a pretexto de levar “democracia” (leia-se expropriação dos recursos) e “modernidade” para países em crise, acabem por espalhar uma visão homogeneizante de sociedade baseada nos valores ocidentais? Continuamos achando justo espalhar a varíola do capitalismo e da “democracia liberal” em troca de oferecer camisa do Vasco para os índios e sutiãs para suas esposas? Bíblia para todos? Saias curtas para as moçoilas do Irã?

Além disso, o Brasil não tem nenhuma condição moral para apontar dedos em direção ao Afeganistão. Se existem problemas sérios em relação aos direitos das mulheres, não somos nós os mais adequados para acusá-los. Existem mais mulheres na política afegã do que no Brasil, e isso deveria nos fazer pensar o que os nossos “talibãs tupiniquins” – fanáticos fundamentalistas – estão fazendo com os direitos das mulheres por aqui. Comecemos esta batalha por aqui mesmo…

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Talibã

O filme Rambo 3 – do mega-ultra-canastrão Sylvester Stallone – foi rodado em 1988, portanto, antes do fim da União Soviética. É de longe a mais absurda de todas as aventuras desse personagem, na qual ele sozinho mata quase todo o exercito russo no Afeganistão. E o que torna esse filme ainda mais emblemático do tipo de propaganda nojenta do imperialismo é que o “John Rambo”, o Sr. Stallone, puxa o saco dos combatentes afegãos – vulgo, Talibãs – que lutam contra os “malvadinhos” soviéticos.

Sim, naquele tempo os talibãs – no idioma pachto, “estudantes” – eram “freedom fighters”, mas nos últimos 20 aos eles foram transformados pela mídia ocidental em selvagens e retrógrados. Como as coisas mudam, não?

Curiosamente, anos mais tarde o inimigo número 1 dos EUA, Osama Bin Laden, seria acusado de comandar estes mesmos esfarrapados com um exército terrorista Brancaleone contra a própria América do Norte. Mais ainda: a União Soviética desapareceu e os opressores do Afeganistão deixaram de ser os russos, e os invasores imperialistas passaram a ser… os americanos.

Agora, duas décadas e 2 trilhões de dólares depois, os Estados Unidos abandonam o Afeganistão à própria sorte. O Talibã retoma o controle do país expulsando os últimos invasores. O vexame do Vietnã se repete, e com o mesmo rastro de corrupção e destruição que o Império sempre deixa depois de arrasar os países que invade.

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Fracasso?

Sejamos honestos: o dia de ontem marcou uma vitória para Bolsonaro. O vexame das carroças passeando por Brasília, a meia dúzia de gatos pingados nas ruas aplaudindo um bufão, a falta de apoio dos milicos (até o vice Mourão deu bolo) e a derrota da proposta do voto impresso são muito menos importantes do ponto de vista político do que os 229 votos que a estúpida proposta de Bolsonaro recebeu no plenário.

Isso tem um significado muito claro: se Bolsonaro pode pressionar, constranger ou ameaçar a ponto de receber a MAIORIA dos votos da casa para uma proposta esdrúxula e sem sentido – como é a troca às pressas de um sistema de votação de sucesso até agora – qualquer tentativa de colocar em votação um dos mais de cem pedidos de impeachment até agora será marcada pelo fracasso.

Com o congresso venal que temos, ainda reflexo da intensa campanha anti-esquerda, anti-PT e anti-comunista dos últimos anos (um trabalho conjunto do judiciário e da mídia) teremos que suportar esse governo até o final do próximo ano. Sou obrigado a concordar com o deputado Maia: colocar um pedido de impeachment para ser votado levaria ao fortalecimento desse governo homicida. Em verdade, funcionaria como o impeachment tosco a que Trump foi submetido – oferecer a ele respaldo e fôlego para a próxima eleição.

Alguns ainda dizem que o processo de impeachment por si só produziria o desgaste necessário, mas eu já não acredito mais nessa perspectiva. Vejo muito mais uma coesão do Centrão sobre seus interesses intestinos e também uma aliança com a extrema direita para o desmonte do patrimônio nacional e para alimentar a rapinagem do mercado.

A resposta, como sempre, sairá da união do povo nas ruas. É o nosso caminho.

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Geração Perdida

A geração de brasileiros que hoje está por volta dos 60 anos, e que viveu sua juventude em plena ditadura, é composta de um número assombroso de cínicos, ressentidos, oportunistas, individualistas, anti comunistas e até fascistas declarados.

Basta dar um rasante com uma câmera em qualquer manifestação do Bozo – inclusive aquelas que pedem a volta do AI5 – e encontraremos ali senhores e senhoras da “classe 60” pateticamente enrolados em bandeiras brasileiras, exibindo um patriotismo falso, que esconde em verdade um caráter xenofílico e vira-lata.

Minha geração poderia ser o esteio para a construção de uma sociedade fortemente conectada com a ideia da democracia, até pelas marcas e cicatrizes que a ditadura nos legou. Infelizmente vejo uma leva impressionante de reacionários sem capacidade – ou força – para questionar a propaganda imperialista que nos invadiu na Guerra Fria.

Minha esperança (preparem-se para o super clichê!!!) está na geração que surge das favelas, dos bolsões de pobreza, das comunidades pobres e das periferias, únicos lugares de onde pode emergir uma legítima consciência de classe.

É duro admitir, mas a minha geração é um fracasso como movimento político de superação dos dilemas que a antecederam. Saúdo as exceções, mas lamento que elas não sejam representativas.

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Tanques

Hoje tivemos desfile de tanques na Esplanada dos Ministérios em Brasília, com seus canhões apontados para nossas cabeças como gigantes de aço ostentando seus membros eretos numa demonstração grotesca de virilidade. Há alguns dias promoveram um passeio de motocicletas, que nada mais são que próteses metálicas e rígidas colocadas entre as pernas de meninos com medo.

Houve diversas infrações de trânsito praticadas, assim como sempre ocorrem delitos quando a masculinidade precisa ser comprovada por meio da força. Foi pouca gente se analisarmos a repercussão eleitoral. Em São Paulo estiveram 6.230 motos, que fazem muito barulho e impressionam, mas representam apenas 6 mil votantes. Isso não é nada para uma cidade de 20 milhões de habitantes.

É evidente que as manifestações de apoio a Bolsonaro estão minguando – ou “broxando”. Por isso a insistência na exaltação da frágil heterossexualidade. Isso também explica as motociatas, mesma estratégia usada por Mussolini no fascismo nascente no século passado, pois as motocicletas ocupam espaço, fazem barulho, simulam uma multidão e são potentes sinais semióticos de poder fálico. Tudo o que essa turma gosta é de demonstração de potência sexual. Alimentam-se disso. Gozam com essas exibições de potência que denunciam a fraqueza do real poder.

Bolsonaro é o falo desejado pelos deserdados da função paterna.

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Atletas cubanas

Que prezar dá ver as jogadoras cubanas vencendo a Ana Paula, mostrando que o amor daquelas pela sua pátria vale muito mais do que o amor desta pelo dinheiro. Viva Cuba!!!

Primeiro, a história de que os(as) atletas cubanos(as) querem fugir de Cuba é pura lenda urbana. Quando vejo na imprensa uma ex jogadoras de vôlei – uma mentirosa contumaz – fazendo este tipo de informação, é difícil acreditar em qualquer das suas palavras. Veja, por exemplo, a manifestação do atleta cubano Mijaín López que após vencer homenageia o grande líder Fidel Castro.

Sobre as atletas cubanas não receberem “nada”, é provavelmente outra mentira também, mas por certo as atletas de Cuba recebem uma porção muito pequena em comparação ao todo que a delegação arrecada. Afinal, quem vence é o país, e não as jogadoras. Mas isso apenas mostra a união das jogadoras em nome da sua nação. O contrário disso a gente vê na profissionalização do futebol onde os times e até as seleções são menos importantes do que o individualismo dos atletas. E quando a nossa seleção perde a primeira palavra que nos vêm à cabeça é: “mercenários”. Porque então continuamos a criticar o fervor patriótico das atletas do bloco socialista?

É curioso como o pessoal da direita reclama do amor das cubanas pelo seu país a ponto de jogarem ganhando muito pouco. O mesmo dizem dos médicos cubanos que deixam uma boa parte do que se paga pelo programa para o programa internacional de médicos de Cuba. Ao mesmo tempo que fazem essas reclamações, estes mesmos “cidadãos de bem” acham que os políticos são “ladrões” porque recebem muito dinheiro para servir a nação. Na verdade nem é tanto assim; um deputado no Brasil ganha o mesmo que um professor de escola nos Estados Unidos e a metade do que ganha um policial. E, a propósito, ser representante popular em Cuba é um serviço gratuito da cidadania; ninguém recebe para ser parlamentar.

O exemplo das cubanas ou das chinesas é marcante. Competem pelo prazer de competir e pela glória do seu país. Mais ainda: nos acostumamos no ocidente a escutar ataques a Cuba carregados do ranço mofado de ódio a Fidel, algo que as gerações dos anos 60 e 70 aprenderam com a massiva propaganda americana. Mentiras históricas sobre a “fortuna” de Fidel, a mansão onde morava, a vida nababesca da cúpula do partido, a divisão entre “partido e povo”, a fortuna da família Castro na Suíça apareceram em centenas de publicações por toda a minha infância e juventude, e só uma investigação mais apurada me ofereceu a oportunidade de ver que eram mentiras. Todavia, estas inverdades fantasiosas eram usadas apenas para que ninguém percebesse que uma vida mais digna, sem miséria, com casa para todos, sem violência urbana, com universidades e hospitais seria possível para todos na América

Isso deixa claro para mim uma verdade assombrosa: é exatamente por isso é que o embargo é realizado até hoje. O objetivo desta ação perversa do Império é sufocar o orgulho cubano e fazer com que se ajoelhem diante do poder das armas e da propaganda americanas, como nós fazemos aqui no Brasil. Você deveria ler Asterix: é a metáfora dos cubanos nos séculos XX e XXI. Ou Star Wars: os cubanos são os jedis lutando contra o Império e a Estrela da Morte. Pequenos, minúsculos e ao mesmo tempo bravos, orgulhosos e destemidos.

O que os anticomunistas teimam em não enxergar é que Cuba é uma ILHA. Uma ilha pobre e sem recursos naturais. Uma ilha que sofre um embargo HORRÍVEL e cruel há 60 anos, que a impede de florescer como poderia. É estúpido – como fazem os anticomunistas – comparar os sabonetes e os tênis Nike que usam (como símbolo de sucesso) com um país pobre como Cuba. Esta ilha é como o Estado do Amazonas no Brasil: este estado da federação é capitalista, tem mercado livre, possui iniciativa empresarial…. mas continua sendo muito pobre, com um PIB igual ao de Cuba – e infinitamente mais rico em recursos naturais e extensão. Mas, mas…. sendo tão perto de São Paulo e sendo capitalista não deveria ser rico? Porque não cobrar que o Haiti seja rico, que o México seja uma potência, que El Salvador, que Belize, que a Guatemala… que são todos países capitalistas, hispânicos, antigas colônias e…. MISERÁVEIS!!! Enquanto isso, Cuba consegue ter um PIB 8 vezes superior ao do Haiti. Por seu turno Cuba – que pelas suas características históricas e geográficas deveria ser o Haiti miserável e conturbado de hoje – consegue se sustentar exatamente pela revolução anti imperialista que a livrou da miséria que foi imposta aos seus vizinhos.

Sabe o que aconteceria com Cuba se ela se tornasse capitalista? Ela voltaria a ser o puteiro americano que já foi. Ela voltaria a testemunhar a exploração do homem pelo homem. Ela deixaria de apostar na solidariedade e união nacionais. Suas atletas – que hoje são formadas com os recursos do governo, ou seja, do povo – no capitalismo seriam enviadas (como Neymar, Ronaldos, Romários, etc.) para a Europa e seriam milionárias, enquanto seu povo de Cuba estaria novamente na miséria, contrastando com um pequeno grupo de empresários que, como antes, explorariam a mão de obra de famintos.

Não se assombre: isso acontece em TODOS os países onde o capitalismo foi implantado. Veja “Parasitas” filme coreano que aborda o tema do capitalismo e a distância entre as classes. Veja Bacurau, que trata do Imperialismo perverso a destruir nossos valores. É sempre assim. Você ficaria feliz vendo jogadoras cubanas milionárias às custas de que as crianças cubanas voltassem a viver nas sarjetas?

Por não nos impressionamos com a seleção da Guatemala? Por que ninguém fala da fantástica seleção de vôlei da Costa Rica? Ora, porque a Guatemala e Costa Rica capitalistas jamais produziram seleções espetaculares como a cubana. Mas, mas, mas…. porque não conseguiram se eram controladas pelo maravilhoso sistema capitalista?????

Responda com sinceridade: por que este modelo produz milagres em Cuba e porque o capitalismo não faz o mesmo em Belize ou na Bolívia??????

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