Bullying

A ênfase dos massacres de crianças em escola, realizadas por um aluno que chega lá armado, está sendo colocada no bullying, quando deveria ser colocada na banalidade do acesso à uma arma. Já imagina se todo mundo que sofreu algum tipo de bullying na escola pega em armas e sai matando? Aliás… que NÃO sofreu isso na escola é porque estava FAZENDO isso. A escola é – e sempre será – um local de profunda selvageria. Não se trata da falha em controlar a brutalidade das crianças, pois que elas são naturalmente cruéis. A diferença é que, nesse caso, um dos milhões de adolescente que sofre com as gozações do colegas todos os dias teve acesso à arma do pai e matou seus desafetos.

Dizer que o bullying é o responsável pela tragédia é fugir do fato que algo que poderia ser resolvido com “te pego na saída” e um nariz sangrando será uma dor que marcará para sempre a vida de todos.  Só não acontecem mais casos porque crianças não tem acesso a armas. Só por isso. E quanto ao bullying ele é NATURAL no ser humano. A crueldade das crianças é um fato. Podemos coibir violência física, agressões explícitas, deboches contumazes e agressões grupais, mas a criança precisa aprender a se proteger por si mesma, com as armas que dispuser. Faz parte do aprendizado para a vida. Façam o que eu fiz há alguns meses em Porto Alegre: fiquem parados por volta do meio dia numa saída de uma escola pública para verem CENTENAS de casos de “bullying” que acontecem entre meninos e meninas, apenas porque esse contato e essa violência são naturais nas crianças.

Imaginar uma escola sem bullying é uma ilusão, mas não pela incompetência dos pais (ou da escola), mas pela própria estrutura do espírito humano. No meu tempo de escola fui vítima e agressor, mas entendo esses fatos como adaptações naturais da alma que nasce ao mundo que nos rodeia. O filme “Moonlight” é um exemplo de como um menino conseguiu sobreviver a um mundo angustiante e constritivo.

Eu entendo nossa fantasia de apaziguamento. Nos dói ver crianças brigando, oprimindo ou sofrendo agressões e humilhações. Entretanto, imaginar que as crianças não sejam violentas e cruéis é como olhar para dois carneiros da montanha na época do acasalamento e pensar: “Puxa, por que ficam batendo cabeça assim? Tem fêmea pra todos, ora. Não podiam simplesmente conversar e dividir entre eles? Pra que essa violência toda?

É claro que uma escola não pode ESTIMULAR ou ser CONIVENTE com o bullying. Ele precisa inclusive ser punido. Todavia, imaginar que com isso o exterminamos é ingenuidade. Mesmo com crianças vigiadas por um panopticom – ou amarradas – o bullying vai se expressar pela fofoca, a depreciação, os apelidos humilhantes e toda forma de violência moral. Os professores mais espertos e vividos sacam isso e sabem quando vai rolar uma briga. Qual a estratégia? Deixam brigar um pouco para arrefecer o surto de testosterona. Vigiam de longe e não permitem que se machuquem. Coíbem exageros. O erro é imaginar que seja possível domar a alma humana.Os problemas na escola sempre foram resolvidos assim. Não há como passar por essa selva sem sair de lá todo machucado, como todos nós.

Evidente que é função do professor impor limites aos alunos e coibir os abusos mas isso não pode nos levar a uma ilusão pedagógica totalitária!!! “Na nossa escola as crianças nunca brigam“…. eu teria muito medo disso!!! Mas, vamos combinar que o bullying feminino nas escolas é MUITO pior. Imensamente mais violento. Eu tive menino e menina na escola. As disputas de poder (e o bullying é apenas isso) são simplificadas nos homens. Três ou quatro sopapos e os meninos são amigos para sempre e se tornam grandes amigos. Isso se torna motivo de risadas para sempre em algumas situações. Com as meninas, pela falta do componente corporal exonerativo, a violência é quase totalmente moral. E as meninas pegam MUITO pesado. As discriminações, as fofocas, as exclusões dos círculos, as humilhações são muito comuns. Mas, faz parte do desenvolvimento sobreviver a essa selva. Antes de existir a escola os embates eram na comunidade, nas aldeias e nos grupos; a escola apenas organiza o ringue.

Não acho sofisticação alguma que a violência entre as meninas não seja corporal, acho muito mais cruel. Os homens nessa cultura tem uma possibilidade que é – via de regra – sonegada às mulheres. Com isso a violência é muito mais profunda e muito mais dolorida. Prefiro mil vezes um nariz sangrando de que ser humilhada diante das amigas.

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Transgêneros

Em um texto instigante a autora americana Lisa Marchiano, assistente social registrada, escritora e analista junguiana que atende na Filadélfia, em Quillette, questiona a liberalidade dos tratamentos de transição de gênero, e solicita que esta prática seja entendida como uma forma de contágio que se faz através do campo simbólico em que toda a sociedade está inserida. O texto pode ser lido AQUI.

Afinal, qual a diferença entre fazer uma troca de sexo e uma cirurgia de nariz? Por que nos importamos tanto com uma e somos liberais com a outra?   Bem, não há como comparar uma cirurgia para diminuir o nariz ou aumentar/diminuir as mamas com troca de gênero. São coisas que só tem uma semelhança: mexer no corpo imaginando atingir a alma. Eu li o texto com a mesma preocupação da autora: a possibilidade de um contágio através do campo simbólico, fazendo com que aos dramas existenciais inalienáveis da adolescência se ofereça uma solução facilitada pela cultura. Uma condição que atingiria uma porção ínfima da sociedade (o verdadeiro transgênero) subitamente se torna prevalente, nas MESMAS condições das memórias traumáticas dos anos 90. Contágio, epidemia.  

Mutatis mutandis, a “falta de passagem”, condição em que o bebê é grande demais para nascer via vaginal, segue um sentido semelhante na cultura, em especial a ocidental. Perguntem para quase metade das mulheres no Brasil porque se submeteram à cesariana e elas lhe darão esse diagnóstico. Assim também pode estar acontecendo com os diagnósticos de disforia de gênero. Eles na verdade se adaptam a uma tendência social de afrouxamento dos limites de gênero, o que é justo, mas parecem ter ultrapassado limites perigosos. Da mesma forma o diagnóstico de DCP e a cesariana são justos e adequados, mas o contágio extrapolou em muito sua real necessidade.  

O problema é que questionar o abuso de cesarianas o torna um “retrógrado”, “fanático pelo parto normal”, “anti-ciência” e tantos outros epítetos despejados exatamente pela corporação que lucra com a “ideologia da defectividade feminina”. Talvez seja possível dizer o mesmo dos que ousam questionar as transições facilitadas em nossa cultura e perguntar se o contágio do campo simbólico não está fazendo mais vítimas do que salvando sujeitos de um corpo inadequado e opressor

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Moedor de Carne

Robbie falou dessa questão no seu famoso artigo “Medical training as a Rite of Passage“. Eu chamei de “moedor de carne” no “Memórias de um Homem de Vidro”, mas a verdade é que, por razões históricas, a corporação médica se transformou atualmente em um monstrengo violento, amedrontado e acuado. Quando mais o velho padrão obstétrico centrado no cirurgião e na intervenção encara a sua obsolescência mais agressivo se torna; uma violência reativa que denuncia a morte de um paradigma e o surgimento de um novo modelo, baseado na garantia ao protagonismo da mulher, na visão humanística e interdisciplinar e na Saúde Baseada em Evidências.

Texto abaixo de Ana Cristina Duarte

As pessoas estão com raiva do tal Cassius ou da estudante tosquinha, mas a verdade é que esse pensamento de superioridade do médico começa a ser imposto aos estudantes na faculdade, no primeiro dia de aula. Uma casta superior, com poderes superiores. Sair desse rolo compressor, a lavagem cerebral da graduação, não é para os de cabeça fraca. Tem que ter berço, educação em casa, leitura, bons exemplos, cultura, noção de cidadania, coisas que o brasileiro médio não acessa na sua infância/juventude. Não é à toa que os médicos que se dedicam à causa da humanização são tão poucos e são tão perseguidos!! E é essa diferença que faz deles pessoas tão especiais. Força aos queridos amigos médicos, que estão lidando com o pior da raça humana nesses dias trevosos.”

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Pena Capital

O problema da argumentação daqueles que apoiam a pena de morte (e da turma que gosta de assassinatos legalizados) é que são fixados na figura do assassino (Freud explica) e não na população que é vítima da violência. Milhares de estudos sociológicos comprovam que não se modificam as taxas de criminalidade com medidas como esta, e mesmo assim insistem na ideia de matar quem comete crimes. Ora, por quê?

A resposta é óbvia. A razão para está fixação é que estes sujeitos também desejam matar, como os criminosos, mas não o podem fazer. É um sentimento brutal e primitivo, uma sensação pessoal de vingança contra os que invadem seu espaço ou lhe tiram algo de valor. Infelizmente estas propostas quando executadas nunca mudaram em nada a insegurança da população e mesmo as mortes violentas. São inúteis e apenas adicionam mais mortes àquelas que já lamentamos. Elas apenas oferecem o prazer sádico de acrescentar uma morte legal às estatísticas.

A Pena de Morte tem o mesmo efeito da desastrosa “guerra ao terror” implantada pelos governos americanos. A ideia é a mesma: vamos destruir todos os malfeitores e a sociedade será dominada apenas por “gente de bem”. Mataram milhares dos – assim chamados – “terroristas”. Limparam o terreno e espalharam sangue por todo lado. Eu pergunto: que efeito isso produziu no terrorismo global?

O OPOSTO do esperado. Nunca houve tanta tensão, atentados, insegurança e violência. A guerra ao terror é um SUPREMO FRACASSO, assim como também o são as medidas de extermínio de negros e pobres submetidos a situações sociais deploráveis e que entram no crime pelas razões que tanto conhecemos. Sem atacar diretamente as RAZÕES para o terrorismo e para o crime tais medidas apenas reciclam terroristas e bandidos. Abrimos vagas para os novos sem entender porque se formam tão rapidamente.

No fundo o que temos é um processo exonerativo de raivas e frustrações acumuladas na sociedade desaguando numa prática medieval de assassinar aqueles à sua margem, sem nenhuma indicação de que esta sociedade se torne, por estas medidas, mais pacífica.

Pelo contrário, a exemplo do que aconteceu à luta contra o “terror”, só recrudescemos a matança.

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Agressão às Enfermeiras

Nunca escreva movido pelo ódio ou pela paixão; você acaba revelando aos outros o que desconhecia de si mesmo. Quando uma pessoa dá a sua opinião de cabeça quente e depois ameaça chamar seu advogado-metralhadora para processar todo mundo que lhe respondeu é porque devia ter pensado melhor antes de escrever.

Claro que é positivo pedir desculpas pelas agressão absurdas e despropositadas desferidas. Não posso aceitar – em nenhuma situação – penas perpétuas e condenações infinitas. Pessoas podem amadurecer e aprender com seus erros. É sempre bom se retratar dos erros cometidos.

Entretanto, a violência das palavras fica marcada indefinidamente. Depois de proferida a ofensa não se apaga. O mais triste não é a agressão descabida e brutal, mas a certeza que o deboche contra as enfermeiras é uma postura extremamente disseminada dentro da medicina. Escutar velhos preconceitos e grosserias obtusas contra a enfermagem foi algo que suportei por quase 40 anos.

As manifestações de desprezo pela enfermagem reforçam minha certeza de que a maior parte do ódio direcionado contra mim nos meus últimos 10 anos de trabalho por parte da corporação vieram do fato de que eu trabalhei lado a lado com uma dessas “criaturas inferiores” a ponto de lhe oferecer o posto central na atenção ao parto.

Isso, sim, é imperdoável.

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Abusadores

Tivemos recentemente uma campanha contra os “tarados” urbanos que importunam as pessoas. Alguns posts apelaram para soluções simplistas como a brutalidade e até para “linchamentos”. Isto é: combater machismo com mais machismo e força bruta.  

E veja bem: masturbar-se em ônibus ou na rua é um incômodo, podemos considerar ofensivo e inadequado, até mesmo uma “violência” moral, mas em nada semelhante à agressão ou ao estupro. Atos como estes precisam ser coibidos dentro da lei e da justiça. Se as leis são brandas ou ineficientes que sejam mudadas, mas não se pode apelar para condenações oportunistas diante da emergência de um escândalo público. Ponto.  

Entretanto, é evidente que os sujeitos que fazem isso em público são doentes, compulsivos, incapazes de controlar adequadamente suas ações mesmo diante das ameaças de violência. Eu vejo uma injustiça ao tratar esses sujeitos como depravados do mesmo tipo que assistia o julgamento feroz e cruel contra os alcoolistas no meu tempo de Pronto Socorro. “Se você quiser se controlar é fácil, mas você bebe porque é um vagabundo“. Esse argumento aparecia para qualquer compulsão, das drogas pesadas ao cigarro, mas era usada até para a homossexualidade, lembram? Não faz tanto tempo assim…  

Se hoje podemos chamar os alcoolistas, as cleptomaníacas e as pacientes com psicoses puerperais de doentes, entendendo que estas pessoas precisam de ajuda psicológica e às vezes médica (e não de porrada), porque deveria ser diferente com os masturbadores públicos??? Por que é tão difícil entender a enfermidade a que são submetidos?   Infelizmente eu entendo que qualquer tentativa de analisar racionalmente esta questão significa que achamos que a masturbação pública é “tolerável“, que não merece punição ou que “não causa dano algum“. Maldito maniqueísmo.

Em verdade tudo que desejamos é que TODOS possam ser julgados com um pouco mais de humanidade e compreensão.

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Privilégio

“Nascer cheio privilégios não é uma vergonha, assim como não é nascer sem eles. Vergonha é não reconhecê-los e não lutar pelo seu fim, sendo você um privilegiado ou um despossuído.” Janice Olatunji, “Into the Jungle of Privilege” Ed. Yoruba, pag. 135

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A Neurose Necessária

Eu sempre falei aos colegas que tentavam se aproximar da humanização do nascimento que a “curiosidade” não é uma motivação suficiente, realizar partos vaginais é muito pouco e seguir protocolos mais sensatos e embasados em evidencias, também. É necessário mais do que este desejo, mesmo sendo justo e correto; é preciso buscar uma mudança tão profunda quanto dolorosa e radical. É fundamental inserir o parto nos direitos reprodutivos essenciais das mulheres e garantir a elas o protagonismo pleno do seu exercício. Sem isso teremos apenas médicos curiosos e simpáticos, cujos esforços se limitam a sofisticar a tutela sem que jamais atinjam a profundidade de sua missão. É por isso, e por nada mais, que essa tarefa é tão complexa e difícil.

“Certa vez, eu queria interromper minha análise e perguntei a Lacan porque era tão duro iluminar nosso inconsciente. A resposta dele pode ser resumida assim: a verdade é sempre incômoda, e a psicanálise nos mostra o que preferimos ignorar. Quanto mais nos aproximamos de nossa verdade mais temos vontade de ignorá-la. Por isso mesmo ele desencorajava aqueles que o procuravam para se conhecer melhor. Isso não é o suficiente. É preciso que algo nos atrapalhe e no interrogue para sobreviver ao longo das sessões. É preciso almejar uma mudança radical.” (Gérard Miller)

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Padrões identificatórios

Quando uma jovem negra diz na TV que sempre quis ser médica porque sua mãe era da enfermagem e a “medicina exige mais estudo” há uma questão que cabe analisar. Existe aí uma lição para os identitarismos, tanto o feminismo quanto o racialismo: quando um sujeito muda de classe essa mudança se torna superior e mais importante do que suas identificações anteriores de gênero ou raça. Uma negra quando se torna médica muda de status e sobe na estratificação social, e suas conexões anteriores com o feminino ou a negritude ficam “desbotadas”.

O fato de ela ser uma médica negra que tratou a enfermagem de forma diminutiva é o centro do meu argumento. Como médica ela passou a se identificar com seus pares, e sua condição de mulher, negra, pobre e filha de enfermeira ficou para o passado. Agora ela está em outro padrão de grupo, com quem se identifica. É claro que a enfermagem não estuda “menos”, apenas estuda diferente, mas o fato de ela fizer isso tão facilmente é porque ela sucumbiu à narrativa comum da Medicina, preponderantemente preconceituosa e arrogante em relação às outras profissões da saúde.

O mesmo fenômeno acontece com médicas que atendem mulheres: as obstetras. Com quem se identificam elas quando confrontadas com a questão tensa da violência obstétrica? Com as vítimas, mulheres como elas, ou com os opressores, doutores como também elas são?

A resposta já sabemos, e nossa natureza de autopreservação sempre nos coloca naturalmente ao lado dos mais fortes

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Comentários de Ódio

As pessoas que frequentam as mídias sociais ainda não entenderam o sentido amplo dos “comentários” das notícias e matérias jornalísticas. É preciso compreender estes fenômenos e enxergá-los como o são. Eles são pura catarse e funcionam como processos exonerativos do sujeito e, como sabemos, dizem muito mais do comentarista do que do objeto do seu comentário. Não esperem compreensão, parcimônia e justiça de pessoas que trazem apenas ódio e desprezo em suas almas. Por outro lado aqueles que cultivam uma atitude de justiça e respeito em suas vidas farão comentários que refletem seus valores éticos mais profundos.

Quando entendermos isso talvez seja possível parar de se escandalizar com a brutalidade dos comentários. Vejo as pessoas ainda chocadas com eles quando a melhor postura talvez seja saudar estes contraditórios pois, se nossas opiniões causaram tanta reação agressiva e controvérsia, então deve ter tocado um ponto sensível da cultura. Nada é mais destrutivo para a criatividade do que o desejo de ser amado e admirado por todos.

Qualquer inovador – e em qualquer campo do conhecimento – precisa aprender a devotar especial carinho para o canteiro dos seus inimigos e adversários com o mesmo amor que cuida do jardim dos seus amigos e apoiadores.

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