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Medicina totalitária

Palavras da Melania que eu subscrevo. Aliás, falo sobre isso há 30 anos. Eu dizia algo mais radical ainda: “Não existem exames inofensivos”. Na verdade, não existe consulta médica, mesmo que consista de uma simples troca de palavras, que seja incapaz de fazer algum mal.

Quando eu era estudante de medicina, e nos primeiros anos da minha prática, estava no auge uma filosofia de atenção médica centrada na prevenção. Entretanto, a prevenção não se baseava numa modificação do estilo de vida – como se fala hoje – mas no incremento de exames e avaliações na esperança de “descobrir onde o mal nasce e destruir sua semente”.

Uma cena não me escapa da memória. Andando na rua depois de um atendimento domiciliar fui parado por dois sujeitos sentados na mesa de um bar. Perceberam que eu era da área da saúde pelo uniforme e pela ambulância estacionada. Eles me chamaram com um “psiu” e um deles perguntou:

– Nesse seu pronto-socorro quanto custa um “checápe total”, dos pés à cabeça, tudo quanto é exame?

Sorri e disse que no pronto-socorro não se faziam exames desse tipo. O amigo então, do alto de suas várias cervejas, dispara:

– Liga não doutor, o que ele queria saber mesmo era só o exame de próstata.

Pois passados 40 anos eu vejo a derrocada de um modelo de atenção que fez sucesso e agora reconhece seu ocaso. Fica cada vez mais claro que investir freneticamente em exames e investigações em excesso, como forma de triagem, não demonstrou nenhuma melhora da saúde ou sobrevida de pacientes.

Nem exames da próstata.

Tidavia, atacar uma ideologia medica higienista de “controle absoluto” e vigilancia é tocar nas estruturas badikares da orofissao. Quem resolve enfrentar a ignorância só pode receber ignorância como resposta. Existem muitos interesses envolvidos na proposta de um “Estado Médico Total” onde o sujeito só pode comer, urinar, trepar, reproduzir e até respirar se for supervisionado e autorizado por um médico. É a sociedade se vergando à medicina como ideologia totalitária. Chegará um dia onde o sujeito só terá autorização médica para defecar cada 48 horas.

Opsss…


“E já que há tanta gente chocada com a ideia de que não é necessário exame ginecológico de rotina anual em mulheres assintomáticas (com mais um tanto me mandando estudar, como sempre), vamos acrescentar algumas outras informações chocantes, principalmente para quem adora ir ao médico e já vai dizendo que quer realizar os famosos “exames de check-up”. Mais de uma pessoa já me disse que tinha o sonho de entrar em uma máquina que rastreasse seu corpo inteiro procurando os mais mínimos tumores.

Então: a revisão sistemática Cochrane atualizada em 31 de janeiro de 2019 incluiu 17 artigos dos quais 15 contribuíram com dados, um total de 251.891 participantes. Check-up de rotina não reduz a mortalidade global, nem a mortalidade por câncer e doença cardiovascular. Não houve efeito na incidência de doença coronariana isquêmica fatal e não fatal nem de AVC fatal e não fatal. A conclusão dos autores é que é improvável que os exames de check-up geral sejam benéficos.

Na verdade, mesmo a efetividade de exames para rastreamento de alguns cânceres tem sido fortemente questionada, como tireoide e próstata.

“Mas eu me sinto mais seguro e o exame não faz mal”. Ora, alguns exames fazem, porque geram resultados positivos que irão acarretar outros procedimentos ou o tratamento de doenças que não iriam nem prejudicar o paciente nem provocar a sua morte.

Notem que estamos falando de exames realizados de rotina em indivíduos saudáveis e não de exames indicados por algum motivo em indivíduos doentes. E aqui estamos avaliando globalmente os tais “exames de check-up”. A maioria das sociedades ou diretrizes irá ter recomendações específicas de rastreamento de diversas condições clínicas, considerando características individuais e fatores de risco.

Porém, é necessário ter uma visão crítica. Há estratégias muito mais efetivas para quem morre de medo de ter qualquer dessas doenças, que é a modificação do estilo de vida, com dieta saudável, prática de atividade física, abolição do fumo e restrição do consumo de bebidas alcoólicas.

Não adianta me esculhambar. Vão lá discutir com os revisores da Cochrane.”

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Conselhos

Vou deixar bem claro: eu acho uma profunda ingenuidade imaginar que os Conselhos de Medicina deveriam “proteger a sociedade”. Essa é uma acusação injusta a estas entidades. Um conselho é feito para proteger a CORPORAÇÃO, os médicos e suas práticas, as quais são validadas por seus pares (e não necessariamente pelas evidências científicas).

Não existe NENHUM compromisso explícito de defender a saúde da população e isso é mais do que óbvio. Afinal, você cidadão comum, em quem vai votar na próxima eleição do Conselho de Medicina? Ahhh, só os médicos votam? Então como é posível imaginar que um grupo que não aceita seu voto vai lhe representar?

Não… os conselhos de Medicina protegem a medicina, seus profissionais e seus privilégios sociais, mesmo quando sua prática é capaz de prejudicar pacientes. A cesariana é apenas um dos exemplos fáceis para demonstrar que não se pode confiar num Conselho de Medicina para tomar ações que contrariam os desejos dos médicos que, em última análise, elegem os conselheiros para representar seus desejos – e não os de seus clientes.

Por isso é importante sempre ter no horizonte que os conselhos médicos – estaduais ou federal – são órgãos corporativos e que tem como compromisso o médico e sua proteção, e não a saúde dos pacientes. Para estes objetivos é necessário criar outros representantes ou modificar o MS para que este possa trabalhar de forma efetiva na defesa dos pacientes e suas questões. Talvez esteja no horizonte a “Ordem dos Doentes”, uma organização criada para a defesa dos pacientes em todas as instâncias e que, em inúmeras circunstâncias, vai se opor diametralmente à “ordem dos médicos” na defesa dos seus interesses.

Não é justo cobrar dos Conselhos de Medicina algo que eles não tem obrigação de fazer, mas também é ingenuidade acreditar que eles trabalham por você ou por sua saúde.

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O país das cesarianas

O atraso no debate sobre direitos humanos, nossa larga historia de violações e abusos contra minorias e o desprezo sistemático pela democracia são o adubo que explica o crescimento de figuras públicas que defendem cesarianas neste país – que já é um recordista em seu abuso.

Na Nova Zelândia 100% dos nascimentos contam com a presença de uma parteira, inclusive nas cesarianas – que não passam de 20% – onde elas permanecem ao lado oferecendo apoio às gestantes. Todo o sistema é centralizado na figura da parteira profissional. Ela é a soberana nos partos, mas os médicos estão sempre à disposição quando seu trabalho se torna necessário.

Nestes contextos uma deputada defendendo a liberalidade no uso das cesarianas – com o apoio de boa parte da corporação médica – seria visto como uma aberração, um desrespeito com as mulheres e seus corpos e uma violência contra um sistema baseado em evidências científicas e o protagonismo feminino no parto.

Para mudar nosso sistema perverso, comecemos por informar e educar as mulheres, para que suas escolhas reflitam o que é melhor para elas e seus bebês, e não para aqueles que – autoritariamente – desejam controlar seus corpos e suas decisões.

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Mães

“Enquanto as Mães da Praça de Maio são um exemplo de cidadania e luta por justiça, nossas Mães da Praça do Rosário são um exemplo de intolerância e atraso. Que diferença.”

Ao ver as mães reacionárias fazendo passeata na frente do Rosário, escola da elite branca de Porto Alegre por que não me surpreendo?? “Mais cristianismo e menos doutrinação” dizia um dos cartazes. É essa elite branca alienada que merece ser varrida pela história.

“Marista sim, marxista não”. Tem como esse pessoal ser mais ridículo???

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Ecología íntima

Ok, eu concordo que está é uma discussão sem fim, complexa, emocional e por vezes desgastante. Está centrada nos valores mais fundamentais da maternidade e nos leva frequentemente a posições radicais.

Uma foto mostra um trio de mulheres lado a lado com seus bebês ao colo. Uma delas está amamentando ao seio, outra oferecendo fórmula láctea e uma terceira com alimentação parenteral. A mensagem implícita é óbvia: “não importa como foi, o importante é cuidar com afeto”. Pergunto: como não concordar com esta tese? Como negar que o elemento mais significativo que perpassa todas as mulheres desta cena é o afeto incondicional? Como não reconhecer na imagem a “fissura bizarra da ordem cósmica”, a qual chamamos amor?

Então…. por que apesar disso a imagem gera desconforto?

Eu creio que o que nos causa inquietude não é a mensagem explícita nas cenas de cuidado e amor. Não é a diversidade de manifestações de afeto, mas o que se esconde por trás do meramente manifesto, a mensagem sub-reptícia que nos leva a um ponto diferente das camadas mais superficiais da imagem apresentada.

A inquietude vem da idéia subliminar que perpassa, que exalta a banalização dos procedimentos, a valorização dos profissionais, a validade superior das tecnologias e a importância das intervenções médicas, carregando na chantagem emocional ao estilo “no fim o que realmente importa é o amor”. Fala da equalização de elementos díspares, tratando-os como se fossem, em essência, a mesma coisa.

Quem trabalhou no ativismo do parto mais de 3 décadas reconhece o mesmo tipo de mensagem nas publicidades que tentam tratar cesarianas e partos normais como se fossem formas igualmente válidas de retirar bebês do claustro materno. Todos sabemos onde essa banalização da cesariana nos levou.

Claro que o fim é importante; talvez o mais importante. Entretanto, o desprezo aos meios é sempre um erro, por ignorar o fato de que o processo de nascer é CONSTITUTIVO. Somos o que somos porque nascemos de uma forma bizarra, que estabeleceu uma criação ímpar e laços afetivos únicos como consequência.

Como diria Bárbara Katz-Rothmann “parto não é fazer bebês, mas também construir mães fortes o suficiente para suportar os desafios da maternagem”. Portanto, desprezar o processo de construção de uma mãe ignorando as características milenares que a formam jamais será uma atitude sábia.

Parir e amamentar possuem valor social exatamente por serem processos de grande superação. Se é verdade que podemos amar nossas crias sem parir ou amamentar (até mesmo sem gestar) também é verdade que o desprezo por estas etapas pode levar a consequências graves para os elementos formativos mais essenciais da espécie humana.

Parir e amamentar são processos em risco de extinção. Se nos preocupamos tanto com golfinhos e abelhas por que haveríamos de negligenciar de forma irresponsável nossa ecologia mais íntima?

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O rei que espiava

A respeito do texto que está rolando sobre um “rei que olhava as mulheres parindo” que teria dado origem à prática da litotomia para os partos.

“Acho essa tese profundamente fantasiosa, para não dizer tola e improvável. E fica fácil dizer isso levando-se em consideração que a tese que disputa espaço com esta se baseia nas óbvias vantagens de determinar às parturientes esta posição esdrúxula (que para muitos é a mais anti fisiológica existente) para assim facilitar o acesso dos médicos ao períneo. Em uma época em que o trabalho desses profissionais ganhava terreno exatamente pela possibilidade de controlar o parto através do uso de ferramentas, a troca de posição simbolizava também – e acima de tudo – uma mudanca de poderes: mulheres abaixo, homens acima.

Creio que a fixação sexual de um único sujeito não me parece forte o suficiente para moldar um padrão social de uma prática de atenção ao parto. Para que esta nova posição pudesse ser aceita ela precisava se adequar ao fluxo de modificações sociais que se apresentavam. Era preciso que ela oferecesse às mulheres a proteção simbólica que permitisse a elas entregar graciosamente a mais rica flor da feminilidade.

A conquista do parto é o ultimo bastião do patriarcado. A expropriação do parto é o controle definitivo sobre o milagre feminino essencial. As fixações sexuais de um rei são infinitamente menos relevantes do que o desejo de preponderância de uma corporação nascente e a do desejo ancestral de controlar os corpos femininos.”

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Histórias de Parto

Tenho visto muita gente escrevendo ultimamente sobre os “relatos de parto” de forma crítica, em especial no que diz respeito à expropriação da história vivida na primeira pessoa pela sua protagonista. Tais reflexões enfatizam que tais narrativas deveriam pertencer à família privilegiando o ponto de vista de quem permitiu que a história perpassasse as veias, fibras e sangue do seu próprio corpo. Para além disso, criticam a exposição da paciente e a utilização destas histórias como ferramentas de auto promoção.

Apesar da necessária crítica gostaria de recordar que o movimento de humanização do nascimento no Brasil a partir dos anos 2000 se alicerçou na confluência cibernética de milhares de histórias de parto partindo de inúmeros personagens. A estas histórias compartilhadas devemos muito do que construímos.

Acho que este refluxo sobre as narrativas de parto é importante principalmente pelos dois últimos pontos levantados: a questão da privacidade e a publicidade abusiva.

A privacidade é uma questão crucial nos dias de hoje, em especial num mundo em que se esfarela a vida íntima, onde conversas privadas se tornam públicas e a exposição exagerada de questões íntimas gera uma perda insidiosa dos limites entre o público e o privado. Todavia, resguardar a privacidade de um momento sagrado como o parto é essencial para que ele mantenha seu caráter íntimo e familiar.

O abuso de exposição do outro como forma de publicidade do seu trabalho também precisa ser objeto de contestação. Durante os anos que se seguiram ao surgimento do fenômeno das doulas essa era uma prática mais comum do que deveria. Na medida em que o entusiasmo foi se cercando de sensatez este tipo de exagero também foi arrefecendo. Hoje em dia acho que é bem raro.

Entretanto, eu discordo da idéia de que os relatos de parto pertencem somente à mãe. Acreditar nisso seria o mesmo que afirmar que a paixão de Cristo só a ele pertence, ou que a história da conquista da lua só pertence aos astronautas que lá pisaram.

Não. As histórias pertencem a todos, cada qual diante de sua perspectiva do evento. Um médico descrevendo um parto o faz diante de um viés absolutamente particular e distinto, assim como fará a doula ou o pai do bebê. A descrição da mãe é a mais celebrada, mas é um equívoco imaginar que seja a única. Assim é que se constrói uma narrativa: pela paralaxe de muitos olhares em que nenhum é melhor do que o outro, mas se sobrepõem para descrever um fenômeno único diante de múltiplas percepções..

Os relatos de parto pertencem à todos que dele participaram e cada um tem o direito de produzir sua história a partir das memórias e emoções suscitadas. Por outro lado, a preservação da privacidade sobre um evento de tal relevância é condição essencial para o respeito ao nascimento. Se não houver conflito entre estas duas perspectivas então haverá sentido e relevância nas histórias contadas.

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Circuncisão – Male mutilation

Um tema que sempre me atropela quando venho visitar a Matriz (gringolândia) é a luta de muitos ativistas – “red stained men” é um deles – contra a circuncisão. Aqui este é um tema atual e que suscita muitos debates acirrados. Entretanto, nunca ouvi nenhuma menção dessa questão no Brasil, pois que ela é restrita e exclusiva dos grupos religiosos, em especial os judeus. O contrário acontece por aqui no centro do Império: quase todos os meninos passam por esse ritual que em muito se assemelha às episiotomias, em especial porque são feitas sem o devido consentimento e sobre as zonas erógenas.

Vendidos como “procedimentos médicos” seguros e higiênicos (no caso da circuncisão) e necessários para proteger o bebê (no caso das episiotomias) suas vantagens nunca foram comprovadas pelas evidências científicas. Inobstante a ausência de benefícios, estas cirurgias se disseminaram no imaginário americano por cumprirem os três princípios fundamentais que compõem um ritual: repetitivos, padronizados e (acima de tudo) simbólicos. Junto com a tonsilectomia (a tradicional retirada de amígdalas na adolescência, que era comum até bem pouco tempo) estas cirurgias podem ser entendidas como “cirurgias ritualísticas e mutilatórias” da medicina ocidental – como contraponto à clitoridectomia, usada no Oriente. Violentas, traumáticas, injustificáveis e medievais, não passam de fósseis culturais que sobreviveram à razão e à ciência. Todavia, exatamente por serem ritualísticas e refratárias à razão, sua erradicação é tão difícil.

Entretanto, há ainda um outro detalhe que me chama a atenção. Boa parte dos ativistas contra esta mutilação sexual masculina é composta de…. mulheres. Sim, elas mesmas. São em especial mães que se debruçaram sobre o assunto, perceberam os traumas e dramas envolvidos, conheceram casos dramáticos e resolveram combater uma prática que, além de nunca ter se comprovado benéfica, expropria há séculos os meninos de sua plena capacidade de prazer sexual.

Apesar da suposta usurpação de um “lugar de fala”, de ser uma sensação erótica por elas desconhecida, de advogar em nome do outro gênero e de falar sobre o que ocorre na intimidade do corpo dos homens, estas mulheres se sentem no direito de combater uma prática obsoleta e arcaica apenas porque acreditam que o mal que é feito aos homens afeta não apenas a eles, mas a toda a coletividade humana – inclusive as mulheres que eles um dia vão amar. Sim, a luta delas é plena de valor porque se fundamenta na legítima proteção daqueles homens a quem tanto amam.

Quando os homens – existem muitos hoje em dia – se dedicarem ao parto e nascimento na defesa dos direitos de mães e bebês seria bom que este princípio também fosse amplamente respeitado. Defender as mulheres – seus direitos e seu protagonismo no parto – é, em última análise, defender a humanidade inteira. Não esqueça que, mesmo que você não tenha parido, certamente nasceu do corpo de uma mulher. O parto, inexoravelmente, afeta a todos nós…

ENGLISH VERSION

Male mutilation and birth

One issue that always strikes me when I come to visit the United States is the fight of many activists – “Bloodstained Men &Their Friends” is one of them – against circumcision. Here in USA, this is a current topic and it raises many heated debates. However, I have never heard any mention of this debate in Brazil, since it is restricted and exclusive to religious groups, especially the Jews. The opposite happens here in the center of the Empire: almost all boys go through this male ritual that very much resembles the episiotomies, especially because they are done without the proper consent and in the erogenous zones

Sold by the medical establishment as safe and hygienic “medical procedures” (in the case of circumcision) and necessary to protect babies and perineum (in the case of episiotomies) their advantages have never been proven by scientific evidence. In spite of the lack of benefits, these surgeries have spread in the American imaginary by fulfilling the three basic principles that make up a ritual: repetitive, standardized and (above all) symbolic. Along with the tonsillectomy (the traditional withdrawal of tonsils in adolescence, which was common until very recently) these surgeries can be understood as “ritualistic and mutilating surgeries” of Western medicine as a counterpoint to clitoridectomy, used in the East. Violent, traumatic, unjustifiable, and medieval, they are no more than cultural fossils that have survived reason and science. However, precisely because they are ritualistic and refractory to reason, their eradication is so difficult.

However, yet another detail strikes me. A good part of the activists against this male sexual mutilation is composed of …. women. Yes, mothers, girlfriends, spouses and grandmothers. These are especially women who have studied the subject, perceived the traumas and dramas involved, experienced dramatic cases and decided to combat a practice that, in addition to never being beneficial, expropriated for centuries the children of their full capacity of sexual pleasure.

In spite of the supposed usurpation of a “place of speech”, being an erotic sensation unknown to them, advocating on behalf of the other gender and of talking about what occurs in the intimacy of the men´s bodies, these women feel the right to fight an obsolete and archaic practice. The reason for that relies on their belief that the evil done to men affects not only them, but the whole human collective – including the women they will love someday. Yes, their struggle is full of value because it is based on the legitimate protection of those men whom they love so much.

When men – believe me, there are many nowadays – dedicate themselves to childbirth in defense of the rights of mothers and babies, it would be good if this principle was also widely respected. Defending women – their rights and their role in childbirth – is ultimately to defend the whole humanity. Do not forget that even if you did not give birth, you were certainly born from a woman’s body.

Childbirth, inexorably, affects all of us.

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Aventuras tecnológicas

Eles copiaram até o nome que eu dei a este tipo de exame, mas de forma cínica. O preço a ser pago por essa aventura tecnológica ainda não foi totalmente avaliado. Mexer em valores e segredos tão ancestrais sem nenhuma vantagem médica pode ter consequências deletérias que nao foram ainda analisadas em profundidade.

Acho mesmo que a civilização ocidental ainda não se deu conta do que significa o afastamento do ser humano de sua essência mais íntima. Invadir o útero dessa forma, fazendo da gestação e do nascimento um espetáculo e uma diversão, retira desse evento o que carrega de misterioso, mágico e sagrado

A questão é que tais elementos são formativos do sujeito. Somos a soma dos desejos sobre nós projetados, e não o ultra-som despejado sem nossa autorização. Não há como encarar da mesma forma uma gestação assim banalizada e outra onde nossos elementos mais profundos, inconscientes e ancestrais são levados em conta e respeitados.

A banalização desses exames retira das mulheres a soberania sobre seus corpos, escravizando-as à tecnologia e gerando um ciclo de dependência sem fim. Romper essas amarras e libertar-se de tais grilhões é tarefa difícil, mas que se faz com apoio, informação, evidências científicas e reforço da autoestima.

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O que (não) fazer

A respeito de exames exagerados e abusivos lembrei da minha velha tese sobre as ecografias, que em nosso meio são de 3 categorias diferentes:

  • Recreativas
  • Sedativas
  • Médicas

A primeira é uma criação cultural relacionada com a angústia criada pela indústria para descobrir tamanhos, formas e genitálias de bebês. A segunda é para oferecer alívio às mulheres bombardeadas pelo terrorismo cultural sobre as barrigas em crescimento. Ambas não tem nenhuma base científica que justifique seu uso; são criações da cultura para vender aparelhos (caros) e fortalecer a dependência das mulheres à “tecnologia redentora”. Apenas o último ultrassom é justificável, mas para ser solicitado precisaria de 3 elementos essenciais: uma pergunta, uma possível resposta e uma ação. Só assim ele poderia ser medicamente útil.

Posso garantir que na obstetrícia 99% (talvez mais) pertencem às primeiras duas categorias. Portanto, inúteis e perigosas. Concordo com a tese de que “exames matam”. Em verdade, palavras também, mas um exame pode fazer com que os julgamentos e a confiança na paciente – e dela consigo mesma – seja destruída ou fatalmente ferida.

Asim sendo, antes de pedir quaisquer exames durante a gestação pense:

  • Além da indústria médica e seus tentáculos (laboratórios, drogas, reagentes, equipamentos, profissionais, etc), quem mais se beneficia desse pedido de exames?
  • É possível que este exames mude sua estratégia no caso? Como? Ou está pedindo só para “ver como está”?
  • Tem validação científica?
  • Vai realmente trazer luz a este caso ou será um desperdício de recursos? É muito caro? Vale a pena o recurso investido?
  • Não seria possível trocar este exame por uma anamnese melhor ou por mais meia hora de prosa?

Pense melhor. Menos é mais…

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