Arquivo da categoria: Citações

Poema da Retomada

Se o seu corpo é território,
onde disputas acirradas
atropelam gerações,
como não aceitar por legítima
a luta por ser retomado?

Se a riqueza dessa terra,
por ter história e ser matriz,
seduziu o forasteiro
que dela quis se apossar,
como não aceitar que o ventre
– e tudo que tem em volta –
queira mais do que depressa
para casa retornar?

Os lindeiros desse chão,
achados de posse eterna,
se esqueceram que a pequena,
por mais delicada que fosse,
tinha na mão um desejo
e no coração um poema.

O poema curioso,
cheio de rimas frágeis,
dizia meio por assim,
porque a memória anda fraca,
que a conquista não se faz,
no martírio e na faca.

Que a mulher ou é livre,
ou melhor então que nem nasça,
pois quem dá de si o leite,
de sua carne outra uma,
não pode viver cercada,
da liberdade impedida.

O poema era esse,
que a lembrança agora falta,
por mais que a mente procure
a palavra escondida.

Mas na mão está o desejo,
que se abre e nos afirma,
que a mulher tão paciente,
agora se joga à luta.

Mais que a dor de sempre
ela agora só procura,
o caminho que é só seu,
que desenha na lonjura
do seu doce caminhar.

Marilia Carillo de Cuellar “Las Flores de la Ventana Roja”, Ed. Marchand, pag. 135

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Cócoras

Há exatos 35 anos iniciei a atender partos em posição vertical no hospital onde fiz residência. A reação dos colegas variava entre o escárnio debochado e a aversão explícita. As explicações que davam na época são usadas até hoje: “civilizadas são diferentes”, “só índias podem/aguentam”, “o períneo enfraqueceu pela vida moderna”, “mulher de cidade não fica acocorada e não sobe em coqueiro”, etc. Nenhuma dessas afirmações se baseia em evidências, mas ainda assim o parto continua sendo tratado da mesma maneira.

Trinta e cinco anos se passaram e o parto padrão em nossas maternidades – públicas e privadas – continua sendo nas posições que favorecem médicos e instituições, mas são profundamente inadequadas para mães e bebês. O poder é (ainda) mais importante do que as evidências.

“A história é geralmente dura com os covardes, mesmo quando poderosos, e via de regra generosa com os corajosos e ousados, mesmo quando vítimas daqueles a quem denunciaram”

Sergei Kalikowski, “Piratas do Gulag”, Ed Printemps, pag 135

Veja aqui o resumo mais recente sobre posições verticais no parto:

Texto de Gail Hart:

BIRTH TOPIC: WOW!

So… here’s a nice study of birth position. 100 women were randomly assigned to birth in lithotomy position – supine (on their backs) and 100 were delivered in the squatting position.

Look at the results:

1. Second and third degree perineal tears occurred in 9% of the lithotomy group, but none in the squatting group.

2. Forceps for delivery was twice as high in the lithotomy (24%) as the squatting group (11%)

3. There were two cases of shoulder dystocia in the lithotomy group, but none in the squatting group.

4. There were no cases of retained placenta in the squatting group, but 4% of the women supine had retained placenta and 1% had postpartum hemorrhage of more than 500cc due to uterine atony.

“”There was no significant difference in the apgar scores, foetal heart rate patterns or requirement of neonatal resuscitation.””

So, wow, that’s a heck of a lot of maternal benefit simply by changing to a more physiological delivery position. It is time to assign the Lithotomy Position to the Dustbin of History! Indeed, it is long past time!

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Pai, sempre

Pai é pai;
mãe é mãe.
Pai não é amigo.
Amigo se briga e até podemos esquecer; pai, entretanto, é pra sempre, até depois que morre. (…) não esquecendo a vital importância do pai, esse novo integrante da família, que chegou para tornar mais doce e terna a função difícil e complexa de mostrar aos pequenos os limites do mundo.”

Ziegfried Blatt, “Liczne funkcje rodzicielstwa” (As inúmeras funções da paternidade). Ed Jutrzenka, pag 135

“Não me cabe conceber nenhuma necessidade tão importante durante a infância de uma pessoa que a necessidade de sentir-se protegido por um pai”. (Sigmund Freud)

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Conhece-te a ti mesmo

Desconfie muito de todo aquele que afirma conhecer-se a si mesmo. Acho pouco provável que este sujeito tenha realmente a capacidade de desvendar-se. Quem muito se conhece jamais percebe o limite do seu saber-se. Pelo contrário; afirma categoricamente que pouco sabe de si mesmo, o que é absolutamente correto e justo, diante do gigantismo de um sujeito e os mistérios que guarda escondidos. Um sujeito que pensa se conhecer é como um peixe que, nascido em um aquário, de lá mesmo exclama: “não há nada no mundo que seja para mim desconhecido”. O (seu) mundo vai muito além dos limites que parece ter….

Jenny Higgins “The day Before Tomorrow”, Ed Caterpillar, pág 135

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Medicina Defensiva

A chamada “Medicina defensiva” não é necessariamente uma atitude antiética, mas, dependendo da situação (quando a autodefesa se sobrepõe ao cuidado) pode vir a ser. Fazer uma cesariana por ser mais segura para o médico, arriscando o bem estar de mães e bebês, é um exemplo clássico e fácil de entender. Medicina defensiva é apenas a doença da Medicina, uma forma de relação terapêutica em que cuidador e paciente não se conectam, não confiam um no outro, não se relacionam no nível pessoal – apenas técnico – e tem medo recíproco.

Essa relação é assentada sobre a desconfiança mútua, regida pelo signo do medo e fomentada pela indústria da judicialização. Diante da deterioração de uma relação tão antiga quanto a própria humanidade, e que deveria se fundar pela confiança e pelo afeto entre cuidadores e pacientes, não é de se admirar que ambos tentem se defender de possíveis agressões assumindo uma posição acuada, amedrontada e defensiva.

Ingrid Levine, “From Healer to Hell”, Ed Printemps, pág. 135

Ingrid Levine é um médico epidemiologista canadense, nascido em Ottawa em 1945. Escreve sobre relação médico-paciente, epidemiologia, saúde da mulher, medicina quaternária,

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Desimportância

Ninguém está suficientemente preparado para a desimportância. Entretanto, mais cedo ou mais tarde, ela chega. Na maioria das vezes ela aparece de forma insidiosa e silente. Entretanto, em outras vezes, a mudança é tão brusca que você dorme sendo necessário e desperta descartável, com a mesma surpresa de quando acorda e descobre que perdeu as meias no meio da madrugada.

Algumas pessoas, como as mulheres – cuja importância na vida de um filho significou durante milênios a diferença entre sua sobrevivência ou desaparição – sentem essa desimportância lenta e paulatina como uma dor aguda e angustiante, à medida em que os filhos ganham asas.

Preparar-se para deixar de ser necessário é uma das tarefas mais duras da vida. Calar-se para que as vozes novas sejam ouvidas é uma forma de se maturar para o desenlace inevitável. Resignar-se com o destino de todos diante da imensidão do universo é prova de sabedoria.

Rabindranat Gupta, “Saadhu Kee Talavaar” (A Espada do Monge), Ed Ganges, pág 135

Rabindranat Gupt nasceu em Hyderabad, na Índia, em 1929. Fez seus estudos iniciais em sua cidade até que se mudou para Bangalore por ocasião do processo de libertação da Índia, em 1947. Em Bangalore estudou direito e filosofia, e começou a trabalhar com as populações carentes de sua região oferecendo suporte legal para as demandas populares. Escreveu “A Espada do Monge” em 1970, e nesse livro descreve sua luta contra as autoridades governamentais em Bangalore para defender comunidades miseráveis do despejo “higiênico” determinado pela municipalidade. Morreu em 2002 de infarto em Delhi.

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Epílogo

As manifestações violentas dos representantes de sistemas de poder sempre acontecem no epílogo de todos os modelos hegemônicos. Um pouco antes da morte de um paradigma sobrevém o terror, como natural manifestação de desespero. O modelo médico obstétrico está doente e decadente, mas vai levar ainda muitos anos para ser substituído. Enquanto isso não acontece aqueles que o sustentam precisam lançar mão da violência verbal – e corporativa – para contrapor às evidências trazidas à tona pela nova consciência emergente, aquela que vai estruturar o novo paradigma.

A ferocidade dos ataques está, portanto, no script. Ela faz parte do ocaso de qualquer paradigma. Não se incomodem tanto com tais manifestações de ódio; elas são apenas como náufragos se debatendo e se agarrando nas vigas de madeira de um navio que aos poucos afunda.

“A cada dia que passa, e a cada nova descoberta, eu agradeço a Deus por ter me colocado do lado certo da história, mesmo que o preço a ser pago por estas escolhas seja a dor, a tristeza, o exílio e, por fim, o amargo esquecimento”.

Amália Contreras del Arroyo, “El Llanto de las Cascadas” Ed. Footprint, page 135

Amália del Arroyo é uma parteira nascida em Cuzco, no Peru, tendo desempenhado um importante papel na consolidação da parteria em seu país. Escreveu “O Pranto das Cachoeiras” como uma série de histórias e artigos relacionados com a parteria tradicional da cultura andina, em especial do Quíchuas – grupo indígena da região do Chile até a Colômbia e língua falada pelo império Inca. Neste livro ela descreve especificamente da destruição das culturas de parto indígenas pelo modelo tecnocrático e a desnaturalização do nascimento nas culturas ocidentais. Mora em Lima e tem 4 filhos.

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O Dilema de Rahii

Meu pai nunca lê nada do que eu escrevo e diz que se constrange muito com minha paixão pela política. Como se pode ver, bom gosto literário é uma característica que não consegui herdar dele. Entretanto, escrevi uma fábula sobre escolhas difíceis e complexas – a qual ele deve ter lido por engano – e, muitos anos depois, disse que havia gostado. Um dia me falou da possibilidade de entender o “Dilema de Rahii” como uma metáfora para as necessárias mudanças na vida que demandam um corte na própria carne.

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Quando a tribo se reuniu para decidir qual rumo tomar, quem primeiro falou foi Nugot, filho do chefe Rahii:

– Precisamos fazer algo para amainar a fúria da “montanha que cospe fogo”. Não temos mais tranquilidade para dormir, para caçar, para colher ou mesmo para brincar no lago. Nossos filhos estão assustados e doentes. Minha mulher não quer mais fazer o “nukhatki” comigo. Reclama de dores na cabeça e no miolo dos ossos, mas eu sei que é por causa de Ratktanuri, a velha senhora, a mulher zangada que mora dentro da montanha e que cospe bolas de fogo e fumaça. Quanto tempo ainda conseguiremos suportar tal suplício? O que podemos fazer? Ohh, quem poderá nos salvar?

Colocou as mãos no peito e iniciou um lamento em nabutki, a velha língua dos ancestrais. Cantou uma canção que falava de Merphit, a Deusa feita de nuvens, que voa montada em um alazão de asas brancas. Merphit, a protetora das águas, era chamada a apagar o fogo cujas labaredas impediam o sono de Nugot, o filho do chefe, e impediam que sua terceira esposa, Náhglit, recebesse o sopro de amor para o “nukhatki”.

Outros se uniram na cantoria de Nugot. Algumas vozes mais exaltadas olhavam para o chefe Rahii com um olhar acusador. Para ele dirigiam uma súplica queixosa. Como permitira que Ratktanuri se zangasse tanto? Não era ele o chefe da tribo, filho de Mishleh e neto de Natsfertah? Não trazia consigo o dom da palavra, a prática da escuta e a sabedoria do silêncio? Por que não ordenou aos feiticeiros que usassem suas poções, suas magias e seus sacrifícios antes que a situação se tornasse calamitosa? Por que seu silêncio? Parecia esperar que Ogroth, o Deus de todas as coisas, tirasse finalmente o chão de seus pés e caíssem todos no Poço de Numer, onde as gerações por fim se encontram.

É penosa a tarefa de um chefe, pensou Rahii. Os olhares pesados dos circundantes mostravam a ele que apenas de sua boca poderia brotar a palavra salvadora. O céu de ébano, enegrecido pela fumaça dos pensamentos odiosos de Ratktanuri, ficava ainda mais aterrorizante com a nuvem de preocupações que se avolumava. Rahii precisava fazer algo, nem que fosse para manter Éolid junto de seu povo, a deusa da esperança.

O velho chefe juntou os joelhos e ergueu-se com a ajuda de um cajado. Ao seu lado, Macaya, sua primeira mulher, segurava sua mão. Ela estivera ao seu lado na luta contra os Nabucris, na enchente do Pitrah, na seca mortífera e na fome. Com ela teve seu filho Nugot, que agora se ajoelhava em frente a ele chorando por uma solução. Caminhou em direção ao centro do círculo dos anciãos, o cajado batendo fortemente na terra a cada passo que dava. Parecia querer cutucar a velha senhora, intimidá-la, ou mostrar que, apesar da idade, ainda havia em si algo de energia. Seus passos cadenciados pareciam ressoar pela tribo inteira, que jazia silenciosa à espera de uma palavra de esperança. Enquanto se aproximava do centro, nada se ouvia além de Kaluma, o grilo, que cantava seu canto noturno.

– A velha mulher resolveu se vingar, e seu ódio a todos atinge. Nosso povo precisa aplacar sua raiva, pois se assim continuar seremos apenas cinzas a adubar o jardim de Ogroth. Nosso pecado foi a ignorância, o mal pensar e o agir temeroso. Ratktanuri não perdoa os que fogem de suas tarefas. Faremos a ela mais um sacrifício, para que ela perdoe nosso não-saber, causa do nosso não-agir. Que venham a mim os bezerros e as cabras, e que sejam eles entregues ao fel vermelho da brava senhora, em sinal de nossa submissão.

Mal terminara a fala e Nugot, seu primogênito, levantou-se e exclamou:

– Velho pai. Tua sabedoria já foi contada por tantos e tuas histórias espalhadas aos ventos. Tua coragem é um hino em honra da nação Nabutki. Entretanto, o peso de Tépis, o tempo, verga tuas costas e embaralha tuas ideias. Tuas ordens são tão antigas quanto Bakti, o inverno. Já se foram duas quartas de cabras, duas mãos cheias de bezerros e mais uma mão de galinhas, todas oferecidas ao pé da montanha à velha senhora. Que mais pode ela querer? Chega de tanto sacrifício; chega de tanta dor. De que adianta saldar a dívida com Ratktanuri se o que sobrar de nós for levado por Famis, a senhora da miséria, da dor e da fome? De que vale um povo livre da “água de fogo” que corre pela encosta, se estiver faminto e fraco? Teus rituais sagrados estão ultrapassados, tuas magias velhas, tua força se esvai.

O olhar abatido do velho Rahii ergueu-se para encontrar o rosto de seu filho, aquele que um dia o substituiria. O vigor físico de seu primogênito era notável, assim como a força de sua voz. Ele sabia que as palavras de Nugot estavam escritas com a tinta da morte. De nada adiantaram os rituais já feitos; a velha senhora estava faminta, e pedia mais. Rahii bem sabia que, para se manter como chefe, deveria enfrentar a fúria de Ratktanuri mais uma vez. Se falhasse, ela o derrotaria, e levaria consigo todo seu povo. Se vencesse, manter-se-ia como chefe, e mais uma lenda se acrescentaria à sua história. Precisaria ser certeiro e forte, valente, destemido e duro.

Olhou mais uma vez para seu filho Nugot, e disse com a voz mais pesada que já lhe havia passado pela garganta:

– Não é o momento para lutas, meu filho. Sei que nossas magias anteriores falharam, e sei que investir mais na oferta de animais colocaria nosso povo em mais dor e mais tristeza. Precisamos agir com presteza, e com coragem. Creia em mim, e acredite no poder de Ogroth!

Deu um último suspiro e elevou o cajado ao alto. Gritou “Patuh saleh” três vezes e o abaixou até a altura da cintura. Girou nos calcanhares um círculo inteiro e parou. A ponta do cajado direcionou-se para o meio do povo aglomerado, que, assustado, afastou-se de sua trajetória. Apenas Núbit, a pequena filha de Nugot e Náhglit, continuou parada, hipnotizada pelo cajado de Rahii.

Minha neta! — gritou em pensamentos o velho chefe. Não pode ser, não pode ser…

Era o desejo da senhora má. Era a sua vontade, vinda das entranhas da terra. Era o sacrifício de Núbit que ela reclamava. Era o seu sangue que ela desejava.

O meu sangue, o meu sangue…, pensou ele em desesperada apatia.

Os gritos de Náhglit ecoaram pela floresta, sua dor ultrapassou a carapaça dura dos crocodilos. A voz de Rahii era um sopro quase sem vida, mas ainda assim falou ao filho, que gritava amparado pelos irmãos:

– Que a vontade de Ogroth se faça.

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Arquivado em Contos, Ficção, Pag 135

Usufruto

A cultura enxerga o corpo da mulher como usufruto de todos, por isso é exposto, vendido, adorado, perseguido e manipulado. Já o corpo da mulher grávida é de todos, menos dela mesma. A sociedade diz: “A gravidez é um evento grandioso demais para ser confiado às mulheres. O fato de elas guardarem para nós os bebês não pode lhes garantir o direito de tratar seus corpos-cofres como bem desejam”.

Um corpo grávido é um bem social, enquanto a grávida é um estorvo e um risco ao nosso patrimônio.

Jeffrey  Edmonds, “Atirem no Mensageiro – Crônicas à beira do abismo“, Ed. Vulture, pág 135 (no prelo)

Jeffrey Edmonds é um ginecologista americano, nascido em Seattle em 1980. Escreveu muitos estudos e trabalhos relacionados a parto e nascimento sob uma perspectiva sociológica e com viés psicanalítico. Em seu livro descreve os embates pela desmedicalização da saúde – em especial no parto e amamentação – que se chocam contra os interesses corporativos e do próprio capitalismo como forma de organização econômica da sociedade. Deixa claro que a humanização do nascimento só terá plenitude na sociedade com a suplantação do capitalismo, visto que as forças que lutam contra o parto humanizado são as mesmas que sustentam o capitalismo e sua vertente neoliberal. Assim, insere a luta pelas mulheres (parto e amamentação) e a luta anticapitalista (solidariedade e democratização da saúde) num mesmo corpo e demonstra que estas lutas precisam estar unificadas para obter sucesso. Mora em Seattle e coordena o núcleo local de “Socialist Doctors for America”.

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Muro

O que me deixa triste desde 2013 é o fato que preciso refrear minhas críticas ao campo das esquerdas porque a bipolaridade do momento determina que se você questiona líderes ou práticas dos progressistas está automaticamente alinhado com o fascismo redivivo e o mais abjeto conservadorismo golpista que se apresenta no outro lado do espectro político.

Ovner Messider, cientista político e artista circense. In “Poética da esquizofrenia”, pág 135

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