BRICS

A criação do banco dos BRICS está na raiz das turbulências que ocorreram ultimamente no Brasil. Figuras com o menino Kim Kataguiri são diretamente financiadas por instituições americanas que objetivam desestabilizar a estrutura macroeconômica do Brasil. Não é à toa que a grande imprensa brasileira age de forma golpista há meses, criando fantasias ou fabricando boatos de forma industrial. A autonomia do Brasil desagrada àqueles que lucraram durante séculos com a nossa subserviência.

O surgimento de uma estrutura que desafia e ameaça a hegemonia do dólar jamais seria tratada de forma cândida pelos donos da economia mundial. Quando avaliamos nossas agruras intestinas e os problemas domésticos delas derivados não podemos esquecer as relações do Brasil com o mundo ao redor e seus interesses. Os “escândalos” que não se confirmam, a boataria criminosa e a tentativa clara de um golpe tem como foco a derrubada das pretensões brasileiras de amadurecer como nação. A luta seletiva e oportunista contra a corrupção tem um alvo muito mais profundo: a autonomia econômica do Brasil. Por esta razão se ataca Lula e Dilma, enquanto FHC, Serra, Alkmin e Aécio – parceiros da política americana – são claramente poupados pelo PIG.

Os Estados Unidos sempre nos trataram como seu quintal – assim como toda a América Latina – e não aceitariam de maneira dócil a insurgência de seus antigos serviçais.

Leia mais sobre a importância estratégica dos BRICS aqui:

Banco dos BRICS

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Estupro

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Um tema delicado: o estupro.

Há uma ideia arraigada de que as lésbicas são uma espécie de “troféu” masculino, ao estilo “vou fazer ela gostar de homem depois que me conhecer”. Existe um documentário muito bom – apesar de brutal – sobre estupros no exército americano. Seu nome é “Invisible War“, do diretor Kirby Dick, e ele revela dados assombrosos e impressionantes: tomando como base apenas o ano de 2009, cerca de 16.150 mulheres foram violentadas sexualmente durante o serviço militar nos Estados Unidos. Ao longo dos anos são mais de MEIO MILHÃO de casos de estupro, o que equivale a quase metade do total de jovens que já serviram.

É claro que existem muitas mulheres que procuram as forças armadas por serem homossexuais e se identificarem com as atividades mais tradicionalmente masculinas que lá se realizam. Essas mulheres são o alvo principal dos abusadores. Em situação de confinamento, como bases militares distantes e isoladas, muitas delas são violentamente abusadas, não apenas por serem mulheres e estarem “à disposição”, mas também pela sua orientação sexual, que para muitos homens é vista como um desaforamento (como assim não se interessa por homem?) ou como desafio (depois que eu te pegar vais passar a gostar).

O resultado é catastrófico por duas razões: a violência em si e a total impunidade dos agressores, por se tratar de uma organização fechada como o exército americano, onde uma acusação de abuso contra um oficial vira um caso de segurança nacional.

As violações na famigerada prisão de Abu Ghraib no Iraque só vieram a público quando era impossível esconder as torturas e os abusos (um soldado fotografou e as fotos vazaram), e na torrente de acusações de violações graves de direitos humanos que se seguiram apareceram vários relatos de estupro de soldadas cometidos por oficiais em comando. Por aí se pode avaliar como funciona o sistema opressor contra as mulheres nas forças armadas e a total incapacidade do sistema em dar conta das acusações, em especial pelo machismo arraigado destas instituições, talvez o último bastião do patriarcado.

No fim, tudo vira pizza…

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Desprezo

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Hoje escutei alguém falando mal de mim. Na verdade, coisas que eu escuto há muitos anos, e qualquer médico que defende o parto normal já escutou. Nada de novo no front. Entretanto, a opinião dos pares sempre nos afeta, de uma forma ou de outra. A maledicência, a injustiça e a crítica mordaz nos atingem sem dó, mesmo quando sacudimos nossos ombros para cima e rimos com falso desprezo.

Morro de inveja quando escuto pessoas me dizendo “Eu não me importo com o que as pessoas falam de mim. Não estou nem aí“. Comigo nunca foi assim. Eu me importo, e muito.

Lembro do meu filho dizendo, com uma maturidade que se manifesta até hoje, da importância que depositava na opinião alheia. “Todas as coisas que eu faço, das mais singelas às mais difíceis, eu as faço só pra me exibir“, dizia ele, mal passando de uma dezena de anos. Se a motivação era o olhar do outro, sua aprovação ou mesmo a censura, esta consideração não poderia jamais ser desprezível.

Dizer da importância da opinião alheia não é o mesmo que aceitar seu jugo inconteste. Significa apenas reconhecer seu impacto na construção do que somos. Não precisamos modular nossas ações e atitudes em função do conceito que fazem de nós, mas não é justo desconsiderar que somos construídos por este olhar, que nos informa o que somos e que espaço ocupamos.

Não há como fugir de uma certa tristeza, uma amargura, mas sempre considerei esse o peso a carregar pela ousadia de pensar com a própria cabeça. Traçar seu próprio caminho é sempre uma atitude subversiva. Receber o rechaço de quem percorre as velhas estradas – as quais você explicitamente evitou – é o inevitável preço a pagar.

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Estímulo ao Parto Normal

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Se as últimas iniciativas da ANS – entre elas o pagamento triplo para o parto em comparação à cesariana – efetivamente produzirem um incentivo ao parto normal, eu tenho algumas preocupações sobre o que acontecerá com a atenção ao parto na classe média, que é a mais afetada pela epidemia operatória na obstetrícia.

Pelo que percebo ainda existe muita falta de vontade e talento para atender partos normais. Partos são processos complexos, demorados, in…esperados, com uma configuração absolutamente única e subjetiva, exatamente porque fazem parte da “vida sexual normal das mulheres”, como nos alertava o mestre Odent. Por esta razão não existirão jamais duas mulheres que vão amar, gozar, sorrir, chorar ou parir da mesma maneira.

Assim sendo, sem estabelecer uma leitura absolutamente SUBJETIVA de cada nascimento, como perceber seus ritmos e sua fluidez única? Como olhar para cada mulher como a primeira e última a parir naquele tempo, espaço e formato sem entender a singularidade do momento?

Parto é algo que acontece entre as orelhas“, como diziam as velhas parteiras. A atenção que damos a ele precisa de uma combinação complexa de elementos sutis como conhecimento técnico-científico, atenção, paciência, sensibilidade, disponibilidade e uma inabalável fé nas habilidades femininas de gestar e parir. Como diria Max, é fundamental “acreditar que elas podem“.

Por reconhecer as complexidades e dificuldades da atenção ao parto tenho receio das iniciativas que apenas oferecem incentivos econômicos aos profissionais. Não há como se contentar apenas com este aspecto financeiro.

Tenho medo de testemunhar a multiplicação de ocitocina sendo aplicada, o anacronismo da posição de litotomia, o uso inadequado de fórceps, de Kristeller e episiotomias gigantescas. Sem uma importante redefinição do que seja “parto normal”, e sua aproximação com nosso conceito de “Parto Humanizado”, poderemos ter muitos problemas com assistências equivocadas sendo realizadas.

Uma cesariana é como pintar uma parede; um parto é como pintar um quadro“, dizia Max. No primeiro precisamos pincéis, boa técnica e a repetição quase enfadonha de camadas de tinta sobrepostas, assim como na cesariana se repetem as camadas de tecido a recobrir o amnionauta na escuridão do claustro materno. No segundo, para além das tintas e pincéis, precisamos jogar nosso sentimento, nosso tempo, dedicação e alma, e estes elementos não são facilmente ensinados. O parto se configura como uma amálgama de inúmeros outros talentos, que transformam sua execução em algo que se aproxima da manifestação artística.

Espero que as medidas da ANS sejam acompanhadas de um questionamento mais profundo quanto à formação de profissionais e a multiplicação de atores – como obstetrizes e doulas – a compor o novo cenário da assistência ao parto.

Avanços precisam ser comemorados, sem deixar de reconhecer que muito mais há por fazer.

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Atrás da Cortina

Por trás do neofascismo contemporâneo brasileiro, que propiciou a saída do armário do racismo e da homofobia, está o movimento de ascensão dos excluídos promovido pelos últimos governos. Nenhuma marcha de brancos de classe média – que exalta a ditadura militar, Cunha e Aécio – vai me convencer que seu foco é a derrubada da corrupção. Fosse assim não traria tantas figuras comprometidas com falcatruas em suas manifestações. Com um pouco de autocrítica e honestidade perceberemos que a verdadeira essência do ódio que rebentou comportas e saiu às ruas é a sensação de invasão de um local privilegiado, o “nosso lugar”, conquistado no berço ou na labuta, que não pode ser dividido com novatos proletários, farofeiros sem estirpe, que ousam usufruir de um camarote digno apenas dos “diferenciados”.

Para isso não há perdão. Mas como é quase impossível admitir que a motivação primeira – e inconsciente – é a segregação, continuaremos mentindo que o que buscamos é a moralidade.

A luta contra a corrupção em TODOS os níveis só será frutuosa quando deixar de ser seletiva e parar de ser esconderijo de motivações obscuras.

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Holocaustos

É inacreditável o que está acontecendo na Cisjordânia. Colonos sionistas celebrando um casamento com cartazes mostrando um bebê queimado vivo em um ataque a uma vila palestina. Mas não foi um vídeo secreto que “vazou” para a Internet; foram imagens divulgadas abertamente pelos sionistas, orgulhando-se de suas ações assassinas.

Sempre tive essa curiosidade quando via filmes sobre o holocausto judeu na Alemanha nazista. Lembro de perguntar ao meu pai que, mesmo sendo um adolescente na época da guerra, foi contemporâneo das atrocidades na Europa. Ele me dizia que aqui não se sabia o que estava acontecendo com os judeus. Tudo que estava acontecendo nos campos de batalha foi conhecido muito tempo depois.

“Mas lá eles sabiam. Por que nada fizeram? Por que não impediram Hitler quando estava clara a sua perseguição a um povo?” perguntava eu, ingenuamente.

Eu tive que viver meio século para saber a resposta. O mesmo ocorre agora em Israel com relação aos palestinos, onde a população palestina é massacrada por fanáticos sionistas, e o mundo inteiro cruza os braços diante da barbárie.

O que me deixa mais envergonhado é saber do apoio dos grandes grupos evangélicos, os sionistas cristãos, a esse crime contra a humanidade. Edir Macedo e seu exército de seguidores idiotizados também são responsáveis pelas mortes e torturas. Os governos americanos, grandes financiadores de Israel, são os maiores culpados, mas o silêncio de cada cidadão do mundo é responsável pela destruição sistemática e insidiosa da Palestina.

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Espiritualidade

Espiritualidade

Vejo muitos espiritualistas e/ou cientistas buscando incansavelmente uma comprovação da sobrevivência da alma, a perpetuação do Ego, que seja factual e insofismável o suficiente para sepultar o materialismo e a descrença.

De minha parte, eu tenho expectativas bem mais humildes e limitadas. Ao contrário de uma prova científica, definitiva e inquestionável da vida após a morte eu queria apenas uma experiência mística, subjetiva, pessoal e forte o suficiente para varrer toda e qualquer dúvida do meu coração, mesmo que esta epifania jamais pudesse ser passada adiante ou comprovada, permanecendo para sempre como algo absolutamente pessoal, escondida nas minhas lembranças e reminiscências.

Assim, quando o adeus e a saudade se aproximarem de minha breve existência, poderei de me agarrar a esta certeza pessoal – a vívida experiência mística da imortalidade – para que os meus últimos anos não sejam marcados pela tristeza e pela desesperança.

“Senhor, se tens algo a me dizer, que o diga agora. Estou pronto a receber sua mensagem. Tudo o que desejo é um aviso, uma prova, um sinal”

Silêncio.

O telefone toca. Assustado atendo. Uma voz de criança me diz:

– Vovô, posso ir na tua casa ver Peppa?

Obrigado, senhor. Obrigado.

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As Cores do Nascer

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Com o seu bebê ainda manchado com as cores do nascer, aconchegado em seus braços, recém inflando de ar os pulmões úmidos, ela tem o gosto doce de um parto veloz nos lábios. Atônita, ela se vira para mim e fala, entre confusa e incrédula:

– É muito louco, sabe. Quando sai a cabeça do bebê e parece um boneco, mas é um ser humano. E aí vem o resto e é vivo, se mexe e respira. É uma pessoa!!Tudo isso é muito maluco. É incrível…

Sorri da sua surpresa. Para ela uma aventura inesquecível e uma emoção corporificada, marcada no corpo; uma agitação dos sentidos. Para mim a reafirmação do mistério, do inacessível e do oculto.

– Se para você é “muito louco”, imagine o que eu sinto. Loucura é a mais suave das definições. Viagem, barato, êxtase… não importa; qualquer palavra será sempre insuficiente para descrever o indescritível.

Benditos sejam os misteriosos desígnios da vida.

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Parto e Animalidade

Sobre o texto que andou rolando pela Internet a respeito de “partos animalizados”…

Primeiramente o nome já demonstra o preconceito tolo e infantil com a nossa condição animal. Talvez para o autor suas cesarianas sejam “partos angelicais”, feitas em uma espécie que transcendeu sua essência biológica e que não necessita mais passar pela “brutalidade” de contrações e dilatações. Acho apenas que tal ideia entraria em discordância com uma dupla de pesquisadores chamados Darwin e Wallace no que diz respeito à nossa hereditariedade animal. Aqui, no próprio título, faltou estudo e deixou-se de oferecer uma visão mais ampla do nascimento, além de desmerecer a importância de respeitar a nossa fisiologia, sim, “animal”.

Quanto ao texto eu consegui ler até a metade… parei quando li a defesa da episiotomia. Eu acho que existem muitos argumentos razoáveis para combater a humanização do nascimento, principalmente em relação ao ativismo. Não somos anjos e muito menos infensos a falhas e equívocos. Entretanto este texto tem erros lógicos muito grosseiros, por demais primários, que demonstram um desleixo importante com o estudo da matéria.

Este é mais um artigo escrito com 15 anos de atraso. Essa era a retórica de quando começamos a debater humanização do nascimento nos congressos do final do século XX. Falávamos do termo “humanização” e da sua conexão com o movimento chamado “humanismo”, que se inicia a partir do século XIV, que coloca o “homem no centro de todas as decisões“, além de reconhecer os valores greco-romanos de beleza e “perfeição” humanas, em oposição ao pessimismo das teocracias. Entretanto, o autor se mantém fixado na taxonomia, com mais de uma década e meia de atraso, ao acreditar que “humanização” é uma “obviedade” porque se refere ao gênero “humano”. Este é um erro que não se justifica mais. Talvez ele precise avisar o “HumanizaSus” para trocar de nome também.

As críticas à humanização existentes no artigo são primárias demais para receberem respostas. Como eu já disse, existem críticas pertinentes e debates em aberto, mas não cabe mais questionar o nome do movimento ou fazer apologia a cirurgias ritualísticas e mutilatórias como as episiotomias. Isso já foi deixado de lado, já viramos esta página, e os articulistas precisam estudar antes de se manifestarem. É preciso conhecer o assunto antes de produzir uma opinião, caso contrário teremos apenas leviandades e irresponsabilidades.

Tudo o que vejo é um franco atirador disparando de uma sacada com balas de festim. Não acerta nada, não fere os princípios norteadores de nossa causa, mas fica fazendo barulho. Os desavisados, ao escutarem os estopins, pensam se tratar de uma batalha. Todavia, com o tempo perceberão que para enfrentar um movimento baseado em provas e ciência precisarão ter muito mais “balas na agulha”.

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Trotes

Quando nós questionamos as razões para a existência de lugares sombrios como o “dignidade médica” que tanto produziu de discurso de ódio, racismo e intolerância é importante entender que tipo de maquinário produz os médicos deste país e qual a matéria prima do qual são feitos. O “trote” universitário talvez seja apenas o plano visível de uma estrutura gigantesca cuja finalidade é manter e disseminar os valores mais conservadores de uma sociedade.

Como um gigantesco e penoso “moedor de carne” – no dizer do meu colega Max – a universidade destrói os alicerces que sustentavam o(a) menino(a) que emerge perdido(a) e temeroso(a) nos caminhos tortuosos do campus. Infelizmente, para uma enorme parcela dos estudantes, a rebeldia juvenil dá lugar a um conformismo e a uma postura altiva e pedante, apenas alguns anos passados do ingresso na escola médica. O que era inquietude vira certeza, o que um dia foi cooperação vira disputa e os sentimentos mais nobres que nos impulsionaram um dia a instrumentalizar a fraternidade se transformam em exercício de poder e preconceito de classe.

O trote serve como ritual de passagem para o convívio na universidade. Como bem nos esclareceu Robbie eles são repetitivos, padronizados e simbólicos e nos levam direto aos códigos valorativos profundos da cultura. Neste caso eles mostram a face mais feia e distorcida de uma sociedade excludente, racista, homofóbica, preconceituosa e alienada dos valores mais nobres da arte de curar.

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