A bondade que espera recompensa é apenas comércio. Sinto isso quando alguém diz “Preciso fazer isto, pois devo a ele um favor”. Ora, se foi um “favor” então você não deve nada. Favor vem do latim “favere“, que significa “ajudar” ou “proteger”, o que – segundo muitos pensadores contemporâneos – são ações conectadas à própria origem e essência do que significa ser humano. Desta forma, se você se sente devedor, ou se Fulano vier a te cobrar por um favor prestado, então esse gesto jamais passou de um ato meramente mercantil, desde o princípio.
Beatrix Devries, “The Green Badge”, ed. Parliament, pág. 135
Beatrix Devries, é uma jornalista nascida em 1970, na cidade de Leeuwarden, na Frísia, parte norte da Holanda. Escreve para revistas sobre ecologia, feminismo e artes. Estudou jornalismo na Universidade de Utrecht e escreve para o semanário “De beste van de Week”. Seu livro “The Green Badge” é uma coletânea de textos publicados no “Week” e sobre seu tema predileto: ecologia e proteção animal.
Aliás, Cabiria, eu sempre desconfio de gente que começa suas falas dizendo “Olha, eu sou bem sincera(o); digo mesmo, na cara.” Muitas vezes não há nada de sinceridade na fala dessas pessoas, mas tão somente um passe livre para a grosseria; uma liberação para a expressão da maldade e do ódio.
A sinceridade não precisa ser amarrada à brutalidade das palavras. É claramente possível ser justo enquanto amável, honesto e ainda assim ser doce. Mesmo diante de uma sentença dura e inexorável é possível reconhecer o crime, entender a necessidade da punição e ainda assim tratar o criminoso como alguém não muito diferente de nós, apenas inserido em um contexto doentio e vicioso que lhe deu muito poucas opções para agir na direção oposta ao seu destino.
A grosseria travestida de “verdade dura” nada mais é do que a licença que a verdade lhe oferece para deixar escapar seus verdadeiros sentimentos de desprezo, ressentimento e mágoa diante de algo ou alguém. Usar um fato verdadeiro para deixar que escapem seus piores sentimentos é prostituir sua verdadeira missão.
James Wilbur “Echoes of Cabiria”, ed. Patrus, pág. 135
James Wilbur é um jornalista canadense, nascido em Saskatoon, Saskatchewan. Escreveu vários romances, em especial romances históricos sobre a colonização do Canadá e a relação dos primeiros imigrantes com os habitantes originais, também chamados de “first nation”. Em “Ecos de Cabiria” James Wilbur presta sua homenagem ao grande diretor Federico Fellini em sua magistral obra de 1957 “Noites de Cabiria”. Neste filme, uma prostituta chamada Cabiria sonha encontrar o verdadeiro amor e uma vida plena, mas o choque com a realidade dura a faz sofrer desilusões e decepções. No romance de James Wilbur, Cabiria é uma transexual que cometeu um homicídio passional, mas é nebulosa a noção de que tenha ocorrido por legítima defesa. Na trama ela acaba se apaixonando pelo detetive que tenta investigá-la. A chocante descoberta da transexualidade de Cabiria – que de início respondeu aos seus avanços – fez com que o detetive McArthur questionasse seus sentimentos, sua própria sexualidade e, mais grave ainda, sua ética profissional. A história se desenrola através de um caleidoscópio de remorso, paixão e desejo, onde a lâmina fina da culpa aguarda qualquer mínimo desvio para cortar sem piedade.
Discordo com veemência da visão que associa dinheiro à felicidade, mas aviso que isso nada tem a ver com uma “elegia à simplicidade” ou uma objeção simplória ao consumo. Não bastassem os exemplos de ricos com vidas miseráveis e de populações inteiras que são felizes com o pouco que têm, também há que entender a diferença brutal entre “necessidades” e “desejos”. Os primeiros nos garantem a vida e são simples e finitos; já os segundos são eternos e imortais incapazes de oferecer a completude que ilusoriamente neles buscamos.
Associar “falta de dinheiro” com infelicidade é pura tolice; confundir a escassez do dinheiro com “pobreza”, também. Privar pessoas de suas necessidades produz sofrimento e miséria humana, entretanto, tentar encher o poço sem fundo dos desejos imaginando atingir felicidade e plenitude não passa de uma ingenuidade catastrófica. É um erro “romantizar a pobreza”, por certo, até porque não há nada de moralmente elevado em ser a ponta oprimida e explorada do capitalismo. Por outro lado, imaginar que o dinheiro é capaz de produzir mais felicidade quando se ultrapassam os limites das necessidades humanas é oferecer a ele uma tarefa que é incapaz de cumprir. Para quem acumula dinheiro com o objetivo de ser feliz apenas digo que “são tão pobres que tudo o que possuem não passa de dinheiro”.
Prefiro citar o pensador romano Sêneca, quando diz que “a pobreza não se produz pela escassez de recursos, mas pela multiplicidade dos desejos”. Quanto mais se tem, mais o desejamos, e assim indefinidamente, produzindo uma reversão cruel: ultrapassado um certo volume é o dinheiro quem nos possui, e não nós a ele.
Albert Mahooney, “Ten tips for a life in the jungle”. Ed. New Frontier, pág. 135
Albert Mahooney é âncora de televisão Denver 7, no Castle Rock News nos Estados Unidos. Escreve também em jornais locais em sua cidade Natal, Castle Rock, Colorado-USA. Escreve para jornais da região, em especial sobre política e cultura. Suas colunas foram transformadas em livro com o nome de “Ten tips for a life in the jungle” (Dez dicas para a vida na Selva).
É preciso estar atento ao uso errado e ideológico do ato de perdoar. O perdão só será reacionário se forçar a confusão conceitual oportunista entre “perdão” e “absolvição”, que são processos de mobilização afetiva completamente diferentes.
Quem diz “eu lhe perdoo” está dizendo “eu entendo suas motivações”, mas não está em hipótese alguma querendo dizer “eu absolvo seus erros”. Perdoar é enxergar-se no sujeito que erra, assim humanizando-o. Perdoar é um ato pessoal e independe do outro, tão solitário que pode ser privado e silencioso. É uma forma de oferecer paz ao seu sofrimento, mas não se propõe a cristalizar erros e injustiças.
Roberto Schiffino, “Venti cupi del sud” (Ventos sombrios do sul), ed. Távora, pág 135
Roberto Schiffino nasceu em Savona, Itália em 1905, filho de uma rica família de comerciantes de Gênova. Estudou na Universidade de Milano tendo se formado em artes em 1930. Serviu no exército italiano durante a guerra e depois do seu fim com a deposição de Mussolini ingressou na Escola de Filosofia desta mesma Universidade. Escreveu muitos artigos sobre arte e filosofia, e mais dois livros além de “Venti cupi del sud”: “Dolore, seduzione e martirio a Michelangelo” de 1957 e “Niente dal niente” de 1965 sobre o sintoma depressivo como condutor das narrativas literárias. Morreu em agosto de 1985 em Roma. Foi casado com a arquiteta Hentiquetta D´Alloro e teve duas filhas, Sophia e Isabella.
O perdão nada mais é do que a capacidade de produzir empatia, e esta só ocorre quando existe identificação. Por isso vemos tantos textos que perdoam a mãe que causou a morte do filho ao esquecê-lo e quase nenhum sobre o pai que perdeu a cabeça e bateu na mulher. Não é o crime, somos nós.
Do livro de Jeff Barrett, “Under my skin”, na voz do personagem Jack Menendez, ed. Parnaso, pág 135
Jeffrey Edmond Barrett é um escritor canadense, nascido em Regina no estado de Saskatchewan no Canadá em 1946. Foi amigo pessoal de Jack Kerouak e fez parte da geração de escritores de contestação surgida em meados do século passado. Homossexual assumido e panfletário, socialista e defensor dos direitos LGBT, foi preso na manifestação de 28 de junho de 1969 em Nova York, que se tornou conhecida como “Stonewall Uprising”. Ficou dois anos encarcerado, condenado por “chutar o rosto de um policial”, acusação nunca contestada e que carregou com orgulho por toda a vida. Tem uma larga produção literária na poesia, crônicas e contos. Escreveu “Under my Skin” – sua única obra de ficção – como um libelo contra a repressão sexual. Morreu de Aids em 1987.
Nikolai havia acordado mais cedo do que todos nós. Senti entrando por debaixo do lençol puído o cheiro de sopa de pacote que ele havia esquentado. Graças às mãos delicadas e ágeis de Petrov foi possível puxar dois fios da tomada acima da pequena mesa encostada na parede descascada e adaptar uma resistência, que usávamos para esquentar o chá, mas também uma sopa. Coloquei os pés para fora da cama e toquei o chão gelado da cela com as meias que Zoya havia me trazido na visita do mês anterior. O chão feria a sola dos meus pés como lanças de gelo a penetrar o espaço entre os dedos. E ainda não era o pior do inverno em Vladimirsky, onde não era incomum que os prisioneiros perdessem os dedos pelo frio. Olho para o lado e encontro Petrov dormindo envolvido em um edredom cinza, enquanto Aleksei mantinha-se sentado em sua cama olhando para um ponto perdido na parede à frente. Ninguém falava, e aos poucos a luz externa aparecia pelas aberturas superiores da parede de nossa cela.
O silêncio matutino foi quebrado pelo som metálico da porta de ferro sendo aberta. Um carcereiro apenas falou em voz alta o nome de Nikolai e colocou no chão um envelope de papel amarelo-escuro. Logo depois a porta se fechou mais uma vez, deixando o breve eco do metal chocando-se com o batente em nossos ouvidos. Nikolai deixou a sopa sobre a mesa e curvou o corpo para apanhar o envelope. Abriu-o lentamente e passeou os olhos sobre o documento. Poucos segundos depois fechou o envelope e voltou a sentar-se no banquinho tosco que puxou debaixo da mesa. Segurou a xícara com ambas as mãos e continuou captar seu calor sem dizer palavra.
– Negado?, disse eu
Ele se limitou a balançar a cabeça afirmativamente, como a dizer que nada do que se encontrava naquele papel era surpresa. Fiquei em silêncio alguns minutos e me limitei a dizer em voz baixa “bastardos” e “canalhas“.
Nikolai sorveu mais um gole de sua sopa e, sem olhar para mim, me disse:
– Sabe o que eu queria, Sergey? Nenhuma utopia política, e muito menos bens materiais. Estou velho para desejar o que sabemos ser inútil ou fugaz, como um carro, uma casa ou que o mundo seja controlado por um sistema político mais justo. Em verdade, meus sonhos são todos tolos, inocentes e de uma ingenuidade dolorida e triste.
Sorveu um gole a mais, mordiscou um pedaço de pão e continuou.
– Nós tivemos uma infância dourada, Sergey. Fomos a última geração a ter uma mãe em casa cuidando de nós. Eu era capaz de dizer o que minha mãe preparava para o almoço antes mesmo de chegar, já a meia quadra de distância, só de sentir o cheiro da comida. Éramos recebidos como heróis, recém-chegados da batalha diária da escola. Cansados, famintos e eletrizados, nossa mãe nos tratava como reis; éramos o centro de sua vida. Isso é amor Sergey.
Baixei os olhos e sacudi a cabeça afirmativamente. Ele seguiu.
– Elas se sacrificaram por nós, camarada. Hoje as mulheres têm vida própria, para além de sua família. São empresárias, médicas, engenheiras, advogadas e – apontando para o documento – juízas. Não há nada que seja interdito a elas, e bem sei não há como retroceder, resgatando nossa infância idílica. A nós resta apenas a saudade de um mundo construído para sermos felizes. Suspirou olhando para a fumaça que saía de sua caneca de metal e continuou com seu desabafo.
– Pois eu queria apenas cinco minutos daquela vida, camarada. Sentir o cheiro da comida de minha mãe e encontrar seu sorriso na porta de casa. Nada mais. Eu respondi, mas com cuidado, pois sabia que seu mundo havia desmoronado há apenas alguns poucos segundos.
– Sua vida foi digna, Nikolai. Nossas mães nos prepararam para a felicidade, mas nós escolhemos uma vida de luta e valor. Mais importante do que ser feliz é dar sentido a esta breve existência na terra.
– Não tentem descobrir sentido algum para a vida, camaradas. Se há um sentido, ele nunca se mostrou para nós. Somos os que perderam, os derrotados, os desvalidos. Não haverá história a contar.
Era Petrov a falar, ainda de olhos fechados e envolto em seu cobertor cinza. Aleksei, por sua vez, se mantinha observando o ponto fixo no meio da parede descascada. Talvez ali estivesse escondido algum sentido para a vida, que a nós todos escapava.
Genny Sidorov, batizado Gennady Sidorov, nasceu na cidade russa de Leningrado (atual São Petersburgo) e fez seus estudos na tradicional Universidade Estatal de São Petersburgo, onde cursou engenharia de minas. Após trabalhar durante 15 anos como engenheiro abandonou a profissão depois do acidente na mina de Osinniki, em 2004 na Sibéria. Escreveu um livro contando os detalhes da tragédia, onde morreram 28 mineiros – entre eles seu amigo e protagonista no livro, Rodion. “O último suspiro”, seu livro de estreia, lhe rendeu o prêmio de jovem escritor e o impulsionou a abandonar a engenharia para se dedicar à literatura. Ainda nessa década escreveu 2 livros de ficção (“No fundo do Neva” e “Sob o olhar de Yekaterina”) e um de ensaios (“Galina e outras histórias frias”). Hoje tem mais de 20 livros publicados e escreve em colunas de jornais por todo o país. É casado com Yelena Pavlova e tem dois filhos, Natalya e Mikhail. É filiado ao Partido Comunista da Federação Russa.
Costumo avaliar a inteligência de um sujeito pela capacidade de formular uma piada, e a genialidade de alguém pela habilidade de escrevê-la. Uma piada é feita de tempo, ritmo, fluxo, contexto e circunstância. Uma piada tem a ver com frações de milésimos de segundos na espera precisa entre seus tempos. As piadas e gracejos brincam com os sons, as rimas, os sentidos múltiplos, as confluências e o distanciamento dos conceitos.
Um chiste se estabelece nas entonações de voz, na mudança acertada dos personagens, nas supressões de termos e pela notável simplificação necessária, pois que se relaciona à contenção e ao minimalismo. A piada é uma prece em louvor à nossa grandiosa pequenez, um ode à maravilhosa falibilidade humana. O humor é sagrado e imortal.
Jonathan Harris-Walker, “Laugh or Death – The Biography of Googa, the Clown”, ed. Parnell, pág 13
Jonathan “Googa the Clown” Walker nasceu no Brooklin em 1916 de uma família de palhaços. Judeu de origem ucraniana, seu nome de batismo era Hrihoryi Kredzierski, filho de Aleksei e Martina Kredzierski, trapezistas do “Gran Circus Anatoli”. Atuou no circo em que os pais trabalhavam desde os 5 anos de idade e depois circulou pelos Estados Unidos como comediante, garçom, estafeta, cozinheiro, trapezista, malabarista e principalmente como palhaço. Chegou a participar de dois filmes de Buster Keaton e fez alguns episódios de “Lauren & Hardy” (O gordo e o magro). Suas memórias foram publicadas após sua morte por pneumonia em 1986 quando seu filho Jason descobriu vários cadernos de apontamentos, onde constavam piadas, chistes, truques e pensamentos que foram recolhidos em mais de 60 anos de profissão. Foi enterrado no cemitério de Cypress Hills, no Brooklin.
A maturidade apenas suaviza os jogos que fazemos e o teatro de nossas ações. Não há vida humana sem que nossas atitudes sejam apenas um pálido e distorcido espelho de nossos sentimentos. E, de uma certa forma, isso é o que nos torna humanos; sem essa distância nossas ações seriam enfadonhas e previsíveis. Mentir e mentir-se é tão essencial à alma quanto respirar.
Jeanne Woolworth-Beek é uma jornalista inglesa nascida em Brighton em 1949, filha de um pastor anglicano e uma professora primária. Sua infância foi toda dedicada à escola dominical, passeios à praia e o relações com os personagens de East Sussex, como o barqueiro Mortimer, a cozinheira Molly, o bêbado e mulherengo Oliver, e muitos outros que constam de seus livros, que misturam ficção com suas vivências na costa sul da Inglaterra, que ainda se curava das feridas da guerra. Mora em Londres com seu marido James.
Identitários pegam uma boa causa – o anti racismo, o orgulho LGBTQ+ ou o feminismo – e a transformam num discurso arrogante, chato, presunçoso, violento e agressivo. Esse modelo individualista – de viés americano e liberal – é um dos principais fatores para o afastamento dos aliados. Fácil entender porque nenhum branco, homem, cis e hétero vai aceitar apoiar um movimento que o trata com tanto desprezo e prepotência. Essas meninas e meninos são os responsáveis pelo atraso dessas ideias, em especial ao tentar estabelecer uma posição de superioridade moral na condição de oprimido, o que é tão somente um absurdo; você não é moralmente melhor por ser socialmente explorado.
Jeanette Wilkins nasceu em Glasgow, na Escócia, em 1975. Socióloga, comunista, membro de movimentos de libertação feminina, tem uma postura crítica em relação aos modelos de luta liberais importados da América. Publica no Glasgow Herald todas as semanas.
Terêncio nos deixou como seu maior legado a ideia, profundamente humanista de que “O que é humano não me é estranho”. Ali na solidão dos meus pensamentos, olhando a imagem refletida no espelho, vejo todo horror e toda a transcendência. Em mim habita a escuridão e a luz do que nos faz humanos. Em cada célula do meu corpo dorme a poeira das estrelas, a qual divido com todos os meus irmãos. O que é do homem a mim pertence.
Jean de la Meirie, “Ettoiles”, Ed. Printemps, pag 135
Jean de la Meirie foi um escritor francês nascido em 1717 na cidade de Avignon – França, que já foi a capital da Igreja católica na idade medieval. Jean cresceu entre as muralhas medievais que protegiam o papado e que ainda cercam o antigo centro, onde ficam bons restaurantes e hotéis. Filho de comerciantes de carne defumada, ele frequentou o seminário mas desistiu da vida eclesiástica. Conheceu o matemático e físico francês Jean Le Rond d´Alambert que desenvolveu as primeiras fases do cálculo, formalizou a nova ciência da mecânica, e foi o editor de ciência da Enciclopédia de Diderot, e junto com Voltaire eles foram personagens centrais no iluminismo na França. Esse encontro foi um divisor de águas na vida de Jean de la Meirie, e o fez se dedicar à teologia e à filosofia. Escreveu “Quatuor gradus angelicorum” (As Quatro fases Angelicais) e “Amorem, ac in Deum pœnitentiam” (Amor, Deus e a vida em penitência) e livros de poesia sacra em francês, como “Ettoiles”. Morreu em Rocamadour em 1780