Arquivo da categoria: Pensamentos

Segurança Afetiva

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Conversa com um senhor no shopping hoje à tarde. Disse-me ele:

“Nos dias atuais talvez seja justo dizer que uma criança adotada por um casal gay tenha um risco menor de sofrer por desamor e desamparo do que por um casal “comum”, numa relação heterossexual. Digo isso porque esta criança será necessariamente adotada, fruto da vontade expressa e de uma longa preparação emocional do casal. Em contrapartida, na ausência em nosso meio de interrupções voluntárias da gravidez, muitos filhos de casais heterossexuais chegam a esse mundo contra a vontade e o desejo de seus pais. São concebidos muitas vezes por um arroubo emocional, uma noite “caliente“, um destempero, um ato impensado. A gestação é, com frequência, seguida por culpas e remorsos.

É claro que muitos bebês assim concebidos serão bem recebidos e amados, mas uma parcela muito grande cai na vala dos que jamais serão bem aceitos. Esse problema é muito mais raro entre casais gays em que a adoção parte de um planejamento conjugal associado a um forte desejo de amar e cuidar de uma criança.

Portanto, do ponto de vista de “segurança afetiva”, estas crianças estão – na média – mais amparadas do que as crianças trazidas à vida do modo tradicional. Não quero dizer que esta opção seja isenta de riscos, e o preconceito de ter dois pais ou duas mães pode persegui-la por toda a infância – ou mesmo pela vida afora – mas pelo menos elas terão a garantia de que foram muito desejadas por quem as cuidará.”

Quem disse isso foi um senhor de 85 anos.
Meu pai.

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Novo Amor

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Esta semana uma paciente veio me contar de um novo amor.

Novo, recém parido. A descrição que ela me fez da novidade foi muito interessante, instigante e curiosa. Por instantes pude reviver as sensações inebriantes de sentir-se vivamente apaixonado. A perda no espaço e no tempo, a angústia, a saudade, o medo, a cegueira, a surdez, a impulsividade e a deliciosa sensação de estar se incinerando nas chamas da paixão. Se algo existe que pode nos tirar do prumo, esta é a sensação de estar sendo consumido pelo desejo.

É algo que “dá dentro da gente e que não devia, que desacata a gente, que é revelia, que é feito uma aguardente que não sacia, que é feito estar doente de uma folia, que nem dez mandamentos vão conciliar, nem todos os unguentos vão aliviar e nem todos os quebrantos, toda alquimia“.

Feliz daquele que se permite desmanchar nestas chamas, queimar nestas labaredas, sentir na pele o sopro gélido de um olhar fugidio e banhar-se na lava incandescente de um beijo.

Quem dera a vida, por curta que fosse, pudesse oferecer àqueles que por ela passaram, um pedaço desse paraíso, uma fatia desse calabouço e uma dose dessa aguardente.

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Horda de Imbecis

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Sim, eu concordo com a frase de Umberto Eco de que “As redes sociais deram voz a uma legião de imbecis“. Uma rápida leitura de comentários de leitores feitos após notícias da política, futebol ou polícia mostra que a imbecilidade, a perversidade e a pura maldade estão à solta, correndo livres pelo espaço cibernético.

Todavia, não é a primeira vez que um fenômeno como esse ocorre. Talvez o principal culpado por ele nem seja americano ou brasileiro, mas grego.

Clístenes, que viveu na Grécia cinco séculos antes da era cristã estabeleceu o que se poderia chamar de primeira experiência humana em que a voz dos cidadãos era levada em consideração na administração da “res publica“, as coisas de todos. A este tipo de processo chamamos democracia – governo do povo – que tem múltiplas faces e expressões, mas se caracteriza por uma tentativa de olhar a todos de forma igualitária, sem diferenças artificiais de ordem étnica, social, econômica e religiosa. Seu maior objetivo é a igualdade entre os homens, a responsabilidade repartida pelo sucesso ou fracasso dos governos e suas ações.

Por outro lado, ninguém há de negar que a experiência de Clístenes deu voz a imbecis e idiotas, sem dúvida. A democracia ofereceu milhares de votos a “cacarecos”, e todos sofremos as repercussões das más escolhas feitas por este sistema. Ela iguala seres com visões diferentes e desejos díspares, e dá voz até a quem deseja suprimi-la.

Entretanto, mesmo com todos seus problemas e males, ainda é melhor a liberdade de cometer erros (e aprender com eles) do que sermos amordaçados e ter nossa voz contida. A pior democracia é sempre melhor do que a mais benevolente e bem intencionada das ditaduras.

Apesar de concordar com Umberto Eco ainda acho que a assombrosa idiotice e perversidade das redes sociais, onde a democratização da tolice alcança seus mais altos níveis, apenas desnuda o que sempre fomos. Nada disso foi “criado” pela Internet e seus tentáculos: o que ela fez foi apenas desnudar a violência, a grosseria e a estupidez humanas. As redes sociais são uma janela para o calabouço da alma, onde escondemos nossos monstrengos mais primitivos.

Ainda prefiro saber que vivemos em um mundo cheio de brutamontes que pregam ditaduras militares em pleno século XXI do que ignorar esta realidade e achar que a democracia é um conceito tão firme em nossa cultura quanto a lei da gravidade.

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Garotinhos inocentes

Futebol local

Você aí garotinho inocente, criado a leite de pera, com ovomaltino, na geladeira…

Você que torceu pro Barcelona ou pra Juventus na final da xêmpions. Você que compra camisa importada de time europeu para se fazer de chique. Você aí que despreza o que é do Brasil porque sofre de “xenofilia” e complexo de Macunaíma. Você que curte times comprados por mafiosos do leste europeu ou do oriente, que usam o futebol para lavar o dinheiro sujo do tráfico, venda de armas e da prostituição. Você aí que exalta o que é dos outros e despreza o que é seu….

Comece a valorizar os clubes locais, da sua cidade em especial. Isso demonstra grandeza e amor ao lugar que lhe acolhe.

Abaixo o futebol ovomaltino!!!!!!

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Padon pou mallonèt nou an

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Há alguns dias apareceu nas redes sociais um vídeo sobre o encontro com um representante dos “Revoltados on Line” que humilhava um trabalhador negro haitiano em um posto de gasolina. Muitas reações negativas àquele abuso foram postadas, principalmente porque o próprio autor do ataque é obviamente descendente de imigrantes europeus que chegaram a este país em condições tão miseráveis e difíceis quanto estes haitianos que desembarcaram no país em busca de esperança para suas famílias.

Mais do que ressaltar o absurdo e a violência inaceitáveis neste comportamento, eu quero dizer que existem pessoas no mundo inteiro que abominam o racismo, o sexismo e a xenofobia. Existem, sim, pessoas espalhadas por este planeta que não aceitam estas barreiras artificiais, e que rejeitam ver seus semelhantes pela diferença da língua, da cor, do gênero ou da filiação religiosa. Eu ainda prefiro acreditar como verdadeiras as palavras de Max: “Se o visitante de um planeta distante alcançasse nossa pequena e tímida esfera de água e aqui encontrasse o bicho-homem em todas as suas variedades, muito mais se assombraria com as semelhanças do que com as diferenças”.

Ouso dizer que somos a maioria silenciosa, mas os brutamontes e suas atitudes violentas sempre recebem mais atenção. A guerra é sempre mais notícia do que a paz.

Esse vídeo, produzido na Lituânia, expressa em imagens o que senti vendo o haitiano humilhado por um brasileiro que não honra a delicadeza, a gentileza e a fraternidade do nosso povo. Em nome dos humanistas brasileiros eu digo aos irmãos do Haiti: “Padon pou malonnèt nou an” – Perdão pela nossa grosseria.

Sobre a fraternidade – Video da Lituânia

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Aventurar-se

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Muitas pessoas que conheço fizeram o árduo percurso de abandonar suas vidas insossas em busca do prazer e da realização pessoal. Largaram facilidades ou carreiras para se dedicarem a uma grande paixão. E isso não é uma opção de “riquinhos” ou “playboys“, mas de pessoas que valorizam suas experiências pessoais acima dos valores mundanos, como dinheiro ou “sucesso”.

Eu fiz esse caminho, mas o desaconselho a todos os desavisados que me perguntam se vale a pena segui-lo. Não estimulo que ninguém embarque nessa trajetória, até porque “quem disse que a chegada é o prêmio maior, e não o próprio caminhar?“. Uso dessa estratégia porque buscar sua própria realização só tem sentido se for natural, e quando essa for a única saída nobre para quem se aventura na busca pelos altos fins de sua existência. Não se força uma opção radical como essa; ela precisa ser livre e espontânea.

O que é preciso entender é o tipo de “escolha” que foi realizada pelo sujeito. Podemos pensar, erradamente, que todos os que escolhem a paixão e a realização pessoal tem “fontes alternativas de renda“, ou um “lugar quentinho para voltar“. Para isso precisamos acreditar, como única possibilidade, o estereótipo do playboy que ganha mesada e cria uma banda de rock para “fazer o que ama”.

Não é verdade, e esta generalização é pobre e injusta; muitos visionários arriscaram TUDO pelos seus sonhos. Albert Schweitzer é um bom exemplo, Nietszche também. Freud abandonou a “medicina” (queria se dedicar à neurologia), e a possibilidade de um trabalho tranquilo e estável com seu mentor Breuer, para se aventurar na Salpetriére com Charcot e estudar as histéricas. Dessa opção pela aventura no desconhecido pariu-se a psicanálise, e descortinou à humanidade os mistérios do inconsciente. Entretanto, Freud com 40 anos não tinha um mísero tostão no bolso, e apesar disso apostou na força que o impulsionava a seguir suas ideias.

Acreditar que é preciso aceitar a mediocridade de seus horizontes é um péssimo guia para a vida. Somos feito da poeira multimilenar das estrelas, e por isso mesmo fomos criados para brilhar. Se é preciso adaptar-se às contas, impostos, dívidas e dias de chuva, mais necessário ainda é exigir de si um compromisso com a paixão e o sonho.

Sem isso somos apenas corpos caminhantes, desprovidos de alma.

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Tsunami

Nos poucos segundos que se seguem às emoções tsunâmicas de um nascimento a lente capta uma fatia de luz, um fragmento de instante que se insere nas fissuras do tempo. Ali condensados, as esperanças, os desejos, as promessas e as expectativas de uma vida que brota se expressam de forma crua, expondo a nudez da alma humana em sua forma mais verdadeira. Naqueles poucos segundos encontram-se condensadas as dores, as alegrias, as frustrações e as esperanças, como de um átomo que explode em um big bang multicolorido de energia criativa. Poucos segundos depois, o olhar vívido e faminto já percorre o ambiente para consumir o mundo, deglutindo todas as suas cores, aromas e amores. Seja bem vinda Ava. Aqui está o mundo que tanto querias ver.

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Solilóquio

Concha Caracol

Fico nervoso ao debater com pessoas que tem uma carga muito violenta de ódio e que tem feridas difíceis de cicatrizar. Mas, aprendi com meu pai que “só me fazes mal se me fazes mau“. Assim sendo, a resposta a este tipo de agressão não pode jamais ser na mesma moeda. Não há sentido em devolver essa energia com a mesma direção…

Todavia, em alguns debates virtuais a máscara cai rapidamente.

Tem uma bela frase que diz que “um liberal é um fascista que ainda não foi assaltado“, e eu complemento dizendo que “um moralista é um grosseirão que ainda não foi contrariado“. A prova do democrata repousa no desafio do contraditório. Mandou tomar no fiofó? Perdeu, playboy, perdeu…

Se não sabe debater escutando a opinião do outro, grite dentro de uma concha e tenha orgasmos auditivos ouvindo sua própria voz“.

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Boxe

Boxe

Um fato interessante aconteceu no mundo das lutas, em especial no Boxe, mas que pode produzir uma reflexão interessante sobre parto, e em especial a segurança relacionada à sua condução. A Federação de Boxe deliberou que a partir da próxima Olimpíada não mais serão usados os capacetes especiais acolchoados dos lutadores. A razão? Boxeadores com capacetes tinham o DOBRO (ou mais, me corrijam) de lesões cerebrais quando comparados àqueles que lutavam sem capacete.

Como? Não entendi…

Exato. O uso do capacete estava relacionado com muito mais lesões pois o capacete oferece uma falsa sensação de segurança. Desta forma os lutadores usavam menos técnicas de autoproteção. Isto é: eles levam mais socos e trombadas pois se preocupam menos em proteger a cabeça. Os pequenos traumatismos constantes acabavam por produzir lesões em maior quantidade do que quando o capacete não era usado.

Retirar algo que aparentemente protege gera mais segurança e proteção!!!

Pense agora nos hospitais e o abuso de cesarianas. O hospital parece proteger, mas quando se “retira” o hospital da assistência não aumentam drasticamente os problemas, na medida em que as pessoas passam a não se comportar de forma temerária (ocitocina exógena, confinamento ao leito, analgesia, amniotomias, monitorização eletrônica, etc.). Isso ficou muito claro no “Place of Birth” (Inglaterra, 2012) e suas repercussões no NICE (National Institute of Care Excellence) e no último estudo da MANA (Midwives Alliance of North America).

O resultado é que sem o “capacete institucional” altera-se o comportamento dos atendentes. Mudam os valores, muda a “psicosfera” e modificam-se as condutas. E os resultados são igualmente bons, mas com maior satisfação por parte das mulheres.

Faz sentido para vocês?

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Escolha difícil

Perucas

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1 de junho de 2015 · 23:29