Arquivo da categoria: Política

Psicopatia

Eu acho que Bolsonaro é um psicopata e seus filhos também, mas igualmente reconheço que usar essa particularidade – um diagnóstico médico asséptico – como explicação para o que temos agora é pura tolice. Nunca é tarde para lembrar que Bolsonaro é um SINTOMA social, a agudização de uma doença crônica da sociedade, o racismo pervasivo na cultura e o preconceito de classe levando ao despertar do fascismo – que dormia silencioso desde o fracasso da ditadura.

Ao eliminar-se a figura pública do Bolsonaro NÃO decorre o fim das forças que o colocaram no poder. Surgirá a necessidade por parte dessa enorme parcela fascista e racista da sociedade para encontrar um ícone que galvanize seus ideais e sua perspectiva de mundo. E não são poucos os que desejam este posto.

Culpar Bolsonaro et caterva pelo desgoverno atual é apenas parte da solução. Mais importante é combater os golpistas que moram no condomínio, os milicos extremistas anticomunistas, os empresários que os sustentam e a parte deteriorada da sociedade que despreza a democracia e clama pela volta do horror, das torturas, da violência policial e do silenciamento das vozes dissonantes.

Estudo que rotulam o comportamento de Bolsonaro como típico de psicopatas em nada auxiliam na cura do problema social que Bolsonaro representa. Sinto que, a exemplo da Alemanha em meados do século XX, somente uma gigantesca tragédia será capaz de eliminar essa mancha escravagista da sociedade brasileira.

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Antipetismo

Qual é, afinal, o tamanho desse “antipetismo”? Lula terminou seu mandato com 87% de avaliação “bom e ótimo”. O PT produziu um candidato à galope e conseguiu 45 milhões de votos e a maior bancada do congresso. Todas as pesquisas indicavam a Vitória de Lula na eleição passada, quando foi vítima de um golpe jurídico-midiático de difamação.

O antipetismo é uma criação de mídia diante de uma real insatisfação de setores da classe média com o partido dos trabalhadores, mas com dimensões claramente infladas. Hoje sobrevive apenas com patéticos editoriais do Estadão para sobreviver. O PT é o maior partido de esquerda democrática do mundo, e tem mais seguidores do que todos os outros partidos somados. Tem diretórios em praticamente todas as cidades brasileiras e vários governadores no Nordeste.

A ideia do “antipetismo” é muito mais um desejo das classes dominantes do que o fracasso de um partido ou de suas propostas. Um partido que quebrou recordes de aprovação não poderia sucumbir em apenas uma década. Disseminar esse falso consenso sobre o PT e as esquerdas é atacar a realidade dos fatos e fazer o jogo dos conspiradores.

PS: não sou petista. Sou gremista…

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Forte Apache

Falta a nós uma verdadeira autoestima brasileira. Precisamos soterrar o espírito derrotista de Macunaíma na curva de algum rio, para que possa nascer um espírito de liberdade e autonomia destruído por presidentes entreguistas e Chicago Boys. Chega de sucumbir à propaganda americana de seu valor e sua honradez, há muito tempo denunciadas como pura publicidade enganosa.

Quando eu era pequeno adorava brincar de “Forte Apache” – que era basicamente uma fortificação de brancos que se estabelecia nas terras indígenas da América do Norte. Eram invasores e genocidas, colonizadores europeus tomando de assalto o território ocupado pelas populações originárias. Como descrito em “Enterre meu Coração na Curva do Rio”, livro de Dee Brown, milhões de Sioux, Navajos, Apaches, Comanches, Cherokees, Pueblos, Iroquois, Choctaw, Chippewa e outras nações sucumbiram no enfrentamento com os invasores.

E no entanto, o cabo Rusty, o tenente “Rip” Master e os “Pioneiros” eram nossos heróis, e os índios eram os bandidos cruéis e violentos, covardes e traiçoeiros. O genocídio das populações indígenas na América era televisada na minha infância, teatralizada e transformada em show, e nós assistíamos o massacre de milhares de indígenas num gigantesco coliseu, e torcendo apaixonadamente pelos leões..

Os Estados Unidos são o maior perigo terrorista do planeta. O império invadiu e destruiu todos os países que desejou, sempre em busca de seus tesouros naturais, não importando quantas mortes fossem necessárias. No entanto, continuamos a exaltar o opressor. Carregamos sua bandeira no Planalto como se eles fossem nossa verdadeira nação, e nós apenas uma filial satélite a lhe prestar contas.

Eu pergunto: A destruição de nossas nações indígenas remanescentes pelos governos da extrema-direita, um genocídio cruel anunciado, será também um joguinho de “colonos pioneiros” para nossos bisnetos brincarem?

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Felipe Neto

Vejo as reações ao Felipe “Repaginado” Neto situando-se entre o entusiasmo – afinal ele coloca Bolsonaro e Malafaia no mesmo caldeirão diabólico do fascismo – e o ressentimento – a mesma prateleira onde colocamos Lobão, Joice, Moro, Janaína, etc., aquelas figuras patéticas da história recente que montaram a festa do golpe e agora choram porque o vizinho chamou a polícia.

Sem querer inventar a roda, creio que é possível situar-se com equidistância destas posições. Sim, é verdade que é muito bom que ele cerre fileiras contra o fascismo e o atraso representados por Bolsonaro e Malafaia. Sim é bom que esteja do nosso lado, reconheça seu erro e queira ajudar. Entretanto, de bons moços já estamos saturados. Collor já fez este papel; Huck está tentando ocupar este espaço. Representantes limpinhos da burguesia sempre jogam desta forma: colocam-se como “novidade”, impolutos, sinceros, apolíticos, enojados com o “mar de lama”, etc.

Todavia, alguém que se situa entre “Amoedo e Ciro” não parece ter condições para falar em nome da esquerda, ou mesmo das forças progressistas do país. Ele parece bem sincero, mas está longe de ser um personagem inédito.

Por outro lado, um cara com quase 40 milhões de seguidores não deve ser desprezado, e fico muito feliz que um sujeito com a sua influência no mundo cibernético tenha acordado para o risco que Bolsonaro representa para o país e a nossa democracia.

Gosto dessa atitude, mas não acho ser possível nutrir muitas esperanças por um “nouveau riche” com crise de consciência.

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Cloroquina, a droga da direita

Entrei em uma conversa numa página que criticava o uso da Cloroquina com a tese de que não há evidências de que esta droga produza benefícios, além de existirem suspeitas fortes de que seus efeitos colaterais suplantariam seus possíveis efeitos benéficos. Nada a discordar deste tipo de postura, por certo.

Resolvi, entretanto, responder dizendo que o mesmo comportamento de desconfiança com a Cloroquina deveria nos nortear em relação às vacinas – que estão sendo produzidas às pressas, nas coxas, e sem qualquer garantia de eficácia “in vivo” ou de que seus efeitos colaterais suplantam seus possíveis benefícios. Para mim é fundamental cultivar a coerência diante destas soluções exógenas criadas para tratar um desequilíbrio que – ao meu ver – tem relação com nossa ação destrutiva com o meio ambiente.

Sem surpresa fui atacado por pessoas desta página porque (ahhh, a velha falta de interpretação de texto!!) acreditaram que meu comportamento cioso com relação às vacinas (que estão para ser colocadas no mercado a “toque de caixa”), significava uma defesa da Cloroquina. Em verdade, era apenas um pedido de coerência. Se ainda guardamos na memória os desastres que já aconteceram com o uso insensato de drogas, deveríamos multiplicar nosso cuidado com uma vacina sem garantias. Não esqueçam da Talidomina, dietilbestrol, Vioxx, Rx na gestação, etc…

Porém, o que mais me chama a atenção nessas manifestações é a equação simplificadora presente nas mentes mais ingênuas. Para estes – que são até da esquerda!!! – a Cloroquina é uma droga de “direita”, pois o Bolsonaro e o Trump a defendem (ok, esquecem que Maduro, o cruel comunista, também). Por seu turno, as vacinas são de “esquerda”, porque são feitas por “cientistas”, que usam a ciência como ferramenta, sendo esta filha da razão, que é claramente de “esquerda”, em contraposição ao “misticismo” e ao “obscurantismo” que são de “direita”.

Se é importante combater a chaga do negacionismo – na história, na política e nas ciências – também é essencial entender como esta colocação de antípodas é absurda. A ciência NÃO é de esquerda, e nem de direita. Ela é apenas uma ferramenta para solucionar problemas. As vacinas, por exemplo, são medicamentos produzidos pelas indústrias mais poderosas do mundo capitalista, tanto do ponto de vista do imaginário popular quanto dos poderes sobre os governos. Achar que as vacinas – ou qualquer outra droga – representam a “Ciência” é uma conclusão tosca, em especial num planeta em que o sistema capitalista é dominante. Vacinas são drogas como quaisquer outras e sobre elas devemos ter a mesma exigência de segurança e eficácia.

A retórica das esquerdas precisa se aprimorar. A Cloroquina não é uma droga do “mal”, ou “conservadora”. Ela apenas é inútil para o uso nesta pandemia, pelo menos até onde os estudos recentes comprovam – o que pode até mudar. Para as vacinas, o mesmo raciocínio isento e equilibrado deve ser utilizado: tudo bem, desde que sejam adequadamente testadas e comprovadamente eficientes para oferecer proteção à população (tarefa que dura muitos anos para se alcançar), mas enquanto isso teremos apenas um remédio “mágico”, sem comprovação – como a Cloroquina.

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O Corona e os direitos humanos – edição bilíngue

Quando eu iniciei a atender partos, há 37 anos, a presença do pai – ou de qualquer acompanhante – era uma concessão do “chefe de plantão”, aquele médico que, por antiguidade ou posição formal, determinava as regras dentro do centro obstétrico. Não havia a compreensão de que, a entrada no recinto do centro obstétrico ao lado de seu marido ou de uma pessoa de sua confiança, era um direito das mulheres. Entretanto, no nascimento dos meus filhos eu fui agraciado com a possibilidade de estar presente, mas apenas por ser estudante de medicina no mesmo hospital onde eles nasceram. Essa experiência acabou moldando minha escolha posterior pela ginecologia e, em especial, pela obstetrícia.

Minha atuação como obstetra se iniciou exatamente nessa virada de ciclo. Em meados dos anos 80 já chegavam a nós matérias jornalísticas dos Estados Unidos e da Europa em que o marido aparecia ladeando sua esposa no momento do nascimento. Essas imagens mostravam homens se desmanchando em pranto e emoção diante da maravilha do nascimento, novamente revelado aos olhos masculinos depois de centenas de anos escondidas – seja no ambiente doméstico exclusivo das mulheres, seja dentro dos hospitais sob os cuidados dos profissionais de saúde. Para mim, essa pequena revolução na estética dos partos foi um dos mais importantes fatos ocorridos durante a minha formação.

Assim, após ter passado pelos partos dos meus filhos como acompanhante, se tornou impossível impedir a presença de outros pais nesse momento. Todavia, eu esbarrava muitas vezes nos protocolos rígidos e nas rotinas dos hospitais onde trabalhei, desde a mais simples proibição determinada pelo diretor da maternidade, até o impedimento de amigas, mãe ou companheira, com a desculpa de que apenas o marido poderia ser admitido. Fui obrigado – desde cedo – a enfrentar o conservadorismo da obstetrícia para garantir a estas mulheres a presença apaziguadora de um olhar amigo, e para os maridos uma experiência transformadora. Nunca foi bem aceito pelos meus pares, fui atacado e tratado com escárnio, porque viam nessa iniciativa uma interferência no seu trabalho e, acima de tudo, uma ameaça aos poderes instituídos na atenção ao parto.

Foi com muita luta que estabeleci um protocolo pessoal que incluía o marido na sala de parto. Foi necessário romper as barreiras do preconceito, os mitos da “fragilidade dos homens com o sangue” e a falsa ideia de que os acompanhantes “tocam” em material estéril nas salas de parto e, assim, colocam em risco biológico – tanto as mães quanto os bebês. Nada disso era baseado em evidências científicas; não havia qualquer prova de que acompanhantes prejudicavam o atendimento, mas todos sabiam – por um saber inconfesso – que esta presença ameaçava diretamente a onipotência do profissional médico, cujas ações seriam agora testemunhadas por pessoas da família.

Não foi fácil estabelecer esta norma, mas foi necessário fazer uso da lei para que esta medida, que pode ser facilmente entendida como um direito humano natural e óbvio, fosse cumprida na íntegra. No Brasil, no ano de 2005, por iniciativa de ReHuNa – Rede pela Humanização do Parto e Nascimento – foi assinada a “lei do Acompanhante”, que garantia às mulheres do sistema público e privado a presença de um acompanhante de livre escolha para todas as gestantes atendidas em hospitais de todo o país. Foi uma grande vitória da humanização do nascimento pela autonomia das mulheres sobre seus corpos.

A crise do Corona vírus agora nos apresenta um novo desafio. As conquistas de décadas de luta podem ser colocadas de lado em nome da segurança biológica. Certamente que não podemos colocar a vida das pacientes em risco, mas isso não nos permite retirar delas direitos humanos duramente conquistados. Segundo as palavras do colega obstetra brasileiro Edson Souza a “Conferência de Siracusa estabeleceu uma categoria de direitos humanos que jamais são derrogáveis, não importa o quanto o estado de emergência ou calamidade ameacem a vida de uma nação. São aqueles que garantem o direito à vida e à dignidade humana, ou seja, uma vida livre de tratamento desumano, cruel ou degradante. Assim sendo, a exclusão do acompanhante durante o trabalho de parto poderá se associar a sentimentos de medo, desconforto, solidão, ansiedade e stress pela parturiente, e tem sido interpretada como uma forma de tratamento desumano, degradante e violento”.

O momento é delicado e especial. Uma pandemia associada ao modo de vida capitalista produz uma encruzilhada. Podemos reforçar os laços que desde a mais remota ancestralidade foram essenciais para o sucesso de nossa empreitada humana, como a comunicação, a fraternidade e a solidariedade. Temos a chance de estreitar os laços que nos fazem humanos e criar uma nova humanidade a partir dessa experiência. Podemos, entretanto, manter a rota destrutiva do egoísmo, da iniquidade, da exploração e do afastamento entre os seres humanos. Essa escolha é nossa. Cada ser que entra neste mundo será marcado por nossas escolhas. Mas é certo dizer que aqueles que entram pelo carinho da família, do aconchego e da presença amorosa terão uma chance muito maior de se tornarem verdadeiros cidadãos.

Não esqueçam que “Para mudar o mundo é necessário mudar a forma de nascer”, como diria Michel Odent.

Espanhol

Cuando comencé a asistir a partos hace 37 años, la presencia del padre, o de cualquier compañero, era una concesión del “jefe de la guardia”, ese médico que por antigüedad o posición formal determinaba las reglas dentro del centro obstétrico. No se entendía el derecho de las mujeres a ingresar al recinto del centro obstétrico junto a su esposo o una persona de su confianza. Cuando nacieron mis hijos, tuve la oportunidad de estar presente, pero solo por ser estudiante de medicina en el mismo hospital donde nacieron. Esta experiencia terminó dando forma a mi elección posterior para la ginecología y, especialmente, para la obstetricia.

Mi trabajo como obstetra comenzó exactamente en este giro del ciclo. A mediados de la década de 1980, nos llegaron artículos periodísticos de Estados Unidos y Europa cuando por primera vez el esposo apareció junto a su esposa en el momento del nacimiento. Estas imágenes mostraban a los hombres rompiendo en llanto y emoción ante la maravilla del nacimiento, nuevamente revelados a los ojos masculinos después de cientos de años ocultos, ya sea en el exclusivo entorno familiar de las mujeres o en hospitales bajo el cuidado de profesionales de la salud. Para mí, esta pequeña revolución en la estética del parto fue uno de los eventos más importantes que ocurrieron durante mi entrenamiento.

Para mí, después de pasar por los nacimientos de mis hijos como acompañante, era imposible evitar la presencia de otros padres en ese momento, pero a menudo me topé con los protocolos y las rutinas de los hospitales donde trabajaba. Desde la prohibición más simple determinada por el director de maternidad, hasta el impedimento de amigos, madre o pareja, ya que sólo el esposo podría ser admitido. Desde muy temprana edad, me vi obligado a enfrentar el conservadurismo de la obstetricia para garantizar a estas mujeres una presencia calmante y para sus esposos una experiencia transformadora. Nunca fue bien aceptado por mis compañeros, quienes vieron en esta iniciativa una interferencia en su trabajo y, sobre todo, una amenaza para los poderes instituidos en el cuidado del parto.

Con mucha lucha establecí un protocolo personal que incluía al esposo en la sala de partos. Era necesario romper las barreras del prejuicio, los mitos de la “fragilidad de los hombres con sangre”, la falsa idea de que los compañeros “tocan” material estéril en las salas de partos y, por lo tanto, ponen a las madres y a los bebés en riesgo biológico. Nada de esto se basó en evidencia científica, nunca hubo demostración de que los compañeros perjudicaran el servicio, pero todos sabían, por un conocimiento incierto, que esta presencia amenazaba directamente la omnipotencia del profesional médico, cuyas acciones ahora serían presenciadas por miembros de la familia.

No fue fácil establecer esta regla, pero fue necesario hacer uso de la ley para que esta medida, que puede entenderse fácilmente como un derecho humano natural y obvio, se cumpla por completo. En Brasil, en 2005, firmamos la “Ley de Acompañantes” que garantiza a las mujeres en el sistema público y privado la presencia de un compañero de libre elección para todas las mujeres atendidas en hospitales del país. Fue una gran victoria para la humanización del nacimiento y la autonomía de las mujeres sobre sus cuerpos.

La crisis del virus Corona ahora nos presenta un nuevo desafío. Los logros de décadas de lucha pueden dejarse de lado en nombre de la seguridad biológica. Seguramente no podemos poner en riesgo la vida de los pacientes, pero eso no nos permite quitarles los derechos humanos que tanto les costó ganar. En palabras del colega obstetra brasileño Edson Souza, la “Conferencia de Syracuse estableció una categoría de derechos humanos que nunca son derogables, sin importar cuánto amenace el estado de emergencia o la calamidad a la vida de una nación. Son aquellos que garantizan el derecho a la vida y la dignidad humana, es decir, una vida libre de tratos inhumanos, crueles o degradantes. Por lo tanto, la exclusión de un compañero durante el trabajo de parto puede estar asociada con sentimientos de miedo, incomodidad, soledad, ansiedad y estrés por parte de la parturienta, y ha sido interpretada como una forma de trato inhumano, degradante y violento”.

El momento es delicado y especial. Una pandemia asociada con el estilo de vida capitalista produce una encrucijada. Podemos reforzar los lazos que fueran esenciales para el éxito de nuestro esfuerzo humano, como la comunicación, la fraternidad y la solidaridad. Tenemos la oportunidad de fortalecer los vínculos que nos hacen humanos y crear una nueva humanidad a partir de esa experiencia. Sin embargo, podemos mantener el camino destructivo del egoísmo, la iniquidad, la explotación y la distancia entre los seres humanos. Esa elección es nuestra. Cada ser que entre en este mundo estará marcado por nuestras elecciones. Sin embargo, es posible decir que aquellos que ingresen en este mudo través el cuidado de la familia, el calor y la presencia amorosa tendrán muchas más posibilidades de convertirse en verdaderos ciudadanos.

No se olviden qué, “Para cambiar el mundo es necesario cambiar la forma de nacer”, como dice Michel Odent.

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Algo precisa ser feito

Então, diante da incompetência inconteste de um governo de perversidades alguém se ergue e, movido por genuína indignação, questiona aos gritos…

“Precisamos fazer algo!! Onde estão as esquerdas para reagir?”

Quando me defronto com estas questões eu respondo:

“Quantas unidades de infantaria o sr já conta para sua investida? Sim, porque sua proposta é de golpe, mesmo que a intenção seja de salvar o país. Pelas vias democráticas e republicanas NÃO há (pelo menos ainda) maioria no congresso para a ação extrema de sacar um presidente. Pela via judiciária menos ainda, pois o judiciário brasileiro é vil, covarde, corporativista e corrompido por vaidades, privilégios e interesses.”

Cobrar da esquerda o quê? Sair às ruas? Se unir? Mas nem a união de todas as esquerdas conseguiria tirar um presidente com 30% de aprovação dada pelos fanáticos que seguem o atual mandatário, alguém que se comporta como um líder religioso, e não como chefe de uma nação.

É justo pedir Impeachment para depois pagarmos mico como aconteceu com Trump?

Estamos encurralados. Não há via simples. Bolsonaro continua dizendo o que seus seguidores querem ouvir, e por isso não perdeu apoio significativo com a saída de Moro.

Não se trata de republicanismo. Digo mais: para mim FODA-SE a institucionalidade quando temos cadáveres se acumulando nos hospitais e nas casas. Todavia, para romper a situação FORA da institucionalidade, com quantos tanques poderíamos contar? Quantas unidades de infantaria? E, se a proposta ainda se encontra dentro das leis, quais congressistas do “centrão” (a direita de banho tomado) estariam interessados em mudar de lado? Quais ministros do STF tem REAL compromisso com a constituição a ponto de “matar no peito” uma ação firme contra Bolsonaro?

Além disso, qual setor do exército aceitaria um compromisso com as INSTITUIÇÕES e a salvação do Brasil arriscando-se a colocar um “comunista” de novo no poder? Para um golpe é preciso muito mais do que indignação e prova de crimes; é necessário conhecer o terreno dos poderosos…

Sim, estamos encurralados por um presidente que mantém – apesar da defecção do Moro – seus 20% de fiéis. Nenhum presidente sofre um impeachment com uma avaliação de 30% de bom e ótimo e, portanto, não se trata de um “clamor popular”.

Isso não significa um chamado à imobilidade ou ao conformismo, mas o reconhecimento de que gritar “alguém precisa fazer alguma coisa” é inútil e não nos ajuda.

Vejam a entrevista do Roberto Jefferson sobre os bombeiros, a polícia civil, o exército e todo o aparato de força do Brasil e respondam minha simples pergunta: fora das instituições, qual a proposta?

Enquanto esta proposta não aparece ainda prefiro me espelhar no comportamento reservado de Lula, um conhecedor da podridão do congresso e que entende as fragilidades e os suportes que (ainda) garantem esse governo.

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Moro e o espetáculo sobre nada

Talvez Moro tenha calculado tudo isso que agora acontece com ele. Pode ser, mas subestimar a inteligência dessa gente (Moro, Bolsonaro e seus seguidores verde-amarelistas) é tão errado quanto superestimá-la.

Talvez Moro seja mesmo um jeca subletrado interiorano e arrogante como parece ser. Pode ser mesmo um sujeito levado a uma posição de destaque por ser o “idiota necessário” naquele momento histórico. O ex juiz traiu a confiança do presidente e mostra que durante todo esse tempo o espionava. Agora apresenta “evidências”, que ao mesmo tempo o incriminam. Depois do espetáculo (que superou o ridículo das “provas” que Collor apresentou contra Sarney) constrangedor do seu depoimento na Polícia federal, resta a Moro pedir para ser esquecido, o melhor que poderia fazer com o que resta de sua figura pública.

Moro já perdeu a magistratura, perdeu qualquer admiração dos juristas, perdeu respeitabilidade internacional, perdeu a indicação sonhada ao STF, perdeu o Ministério da Justiça, perdeu a confiança do chefe e perdeu boa parte dos políticos que o apoiavam. Quem teria coragem de abrigar Moro em um partido sabendo que terá suas conversas gravadas e que o ex ministro joga somente para si? Quem se atreve a confiar em alguém que trai seus pares quando se sente acuado?

Terá Moro uma carta na manga para usar até 2022? Será o conluio frutífero com a Globo seu pulo do gato? E a Vênus Platinada se manterá fiel ao seu funcionário ou teme ser delatada também por ele?

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Deixem o Lula…

Deixem Lula em paz…

Todo texto que começa esculachando o Lula para forjar credibilidade é no mínimo isentão. Lula é um perseguido político, como foram Mandela e Luther King. Vocês podem concordar ou discordar, mas desprezar e odiar é fazer o jogo do opressor. Atacar o Lula para se sentir autorizado a questionar psicopatas como Moro ou Bolsonaro é seguir a trilha marcada no chão pela elite perversa que criamos no Brasil, que tenta de todas as formas sufocar as lideranças populares.

Além disso, colocar Lula e Bolsonaro na mesma frase é uma ofensa para um líder reconhecido no mundo inteiro por seu combate à iniquidade e por sua luta contra a fome. Ninguém jamais diminuiu tanto as distâncias que separam os brasileiros como ele – mesmo sendo pouco diante do que precisa ser feito. Comparar políticos tão díspares é um desaforo e uma injustiça contra alguém que saiu da presidência com 87% de aprovação (um recorde mundial entre as democracias) e fez o maior governo da história da república.

Ahhh, e não sou petista nem lulista. Estou à esquerda de Lula. Sou anticapitalista, abolicionista penal, humanista, ecosocialista, marxista e comuna. Lula é um social democrata de centro esquerda.

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Inveja

Vadzê que você não morre de inveja de alguém que ultrapassa os limites todos os dias e cada vez que o faz se sente mais poderoso? Imagine se você pudesse mentir indefinidamente e ninguém pudesse lhe contestar. Pense o gozo espetacular de ofender, atacar, burlar, manipular, perseguir seus desafetos, sabendo que os que possuem a competência de lhe vigiar se limitam a fazer muxoxos ou escrever notas de repúdio. E se todos os seus adversários se acovardam diante dos cães que lhe circundam?

Deve ser uma sensação especial poder fazer tudo o que quiser, cometer dezenas de crimes de responsabilidade, além de vários crimes comuns e nada lhe acontecer, porque você tem os guardas ao seu lado.

Para um poder extremo uma tensão igualmente intensa. O poder extremado enlouquece e mata. Gore Vidal no seu livro sobre os césares – os homens com maior concentração de poder da nossa civilização – mostrou que dos doze que assumiram o poder em Roma apenas dois não sucumbiram à loucura e à perversão.

Assim como ocorreu com outros tiranos e inimigos da vida, esse que ora nos aflige um dia passará. Assim como Hitler, Mussolini e Pol Pot este também verá que o abuso de poder cobra um preço bem alto.

Eu aposto como ainda veremos nossos projetos de ditador virados de cabeça para baixo….

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