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Bruxas e bruxarias

Bruxinha

Frase de um colega médico em um debate sobre a presença de doulas no hospital: “Quer dizer que doula agora virou curandeira? Para num passe de mágica sumir com a dor da gestante?

A resposta é: sim.

Quem já teve uma mãe (ou uma avó) que soprou seu joelho ralado numa partida de futebol sabe como isso pode ser verdade, até porque a “dor”, como a conhecemos, é muito mais do que simples emissões químicas eferentes em direção ao cérebro. A dor é um sentimento, é uma resposta global do sujeito dentro da formatação da linguagem. É por isso que o joelho para de doer depois do “sopro mágico” de uma pessoa querida, e pela mesma razão a proximidade afetiva das doulas faz com que as dores do parto adquiram SENTIDO, e como diriam os Terapeutas do Deserto, “a única dor insuportável é aquela que não tem sentido“.

As doulas, ao oferecerem esse significado às dores do nascer, estão conferindo uma visão especial a elas. Mais do que sinalizadores orgânicos importantes para – entre outras coisas – mudar a posição ou liberar endorfinas, a dor do parto produzirá uma marca importante e empoderadora para esta mulher. Como diria a antropóloga Barbara Katz Rothman, “partos não servem apenas para fazer crianças, mas para construir mulheres fortes e capazes para enfrentar os desafios da maternagem“. As dores do parto são como o cinzel a esculpir a mulher que surgirá, emergindo das profundezas de seus medos para ocupar o lugar que passará a ser dela.

As dores “insuportáveis” que obstaculizam o progresso do parto, a despeito de todo o suporte afetivo, emocional e psicológico oferecido (em especial pelas doulas) precisam ter o suporte da química através das anestesias, mas isso não significa que essa ação drogal deve ser nossa primeira escolha. Esses casos, pela sua raridade, precisam ser controlados com o que a tecnologia pode nos oferecer mas não faz sentido algum imaginar que um rito de passagem como o nascimento, que era levado a cabo com tranquilidade pelas nossas antepassadas, agora precise de recursos tecnológicos perigosos – como as drogas – para ser suportado com dignidade.

Será mesmo que as mulheres involuíram a ponto de que TODAS precisem de “muletas tecnológicas” em função da degenerescência de suas habilidades milenares de gestar e parir?

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Modelos de ativismo

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Existem, pela minha observação, dois tipos de “ativismo”, e creio que eles podem ser observados em praticamente todas as lutas sociais, do feminismo, passando pelo parto, LGBT e movimento negro.

O primeiro eu chamaria de INTRUSIVO. É o ativismo que é feito para dentro, para o núcleo de ativistas que abraçam essa causa específica. Ele se preocupa em canalizar a indignação coletiva e apontar pontos de confronto com os paradigmas e poderes hegemônicos. Seus líderes são por vezes alçados a posições mitológicas como “gurus” ou “mestres”. Sua autoridade é estimulada por si mesmos e pelos seus prosélitos como inquestionável.

A força dos modelos intrusivos está na focalização em um inimigo externo, palpável, reconhecido, essencializado (mau, egoísta, prepotente, etc) e com isso possui uma energia muito intensa de congregação. O movimento de humanização teve essa cara por muito tempo. Os médicos eram os culpados das mazelas do parto, assim como o capitalismo, a formação profissional equivocada, a academia etc. As mulheres, igualmente essencializadas, eram sempre vítimas impotentes, apáticas, frágeis e desrespeitadas.

O modelo intrusivo se fortalece pela indignação que, finalmente, se ordena em ação reivindicatória. É um movimento de lideranças fortes e bravas, de passeatas e greves. Funciona com a energia libidinal da confrontação com os opressores.

Existe, entretanto, um outro modelo que eu chamo de EXTRUSIVO.

Contrariamente ao modelo anterior, ele se propõe ao convencimento externo. Não se trata mais de “converter os convertidos”, mas de levar “a boa nova aos gentios”. Desta forma, não há como utilizar a energia fulgurante da indignação represada, pois a mensagem não é destinada aos oprimidos, mas aos indiferentes e mesmo aos opressores.

O movimento de humanização do parto e nascimento passou de uma forma muito clara por estes dois modelos. Há 16 anos, quando tive contato pela primeira vez com suas ideias e seus ativistas, tudo era inconformidade. Havia uma força, que aos poucos foi se expandindo, de questionamento àquilo que percebíamos como prática inadequada, hoje em dia referida como “violência obstétrica”. Entretanto, carecíamos de bases suficientemente firmes e abrangentes para formular o que verdadeiramente era a humanização e quais propostas desejávamos levar adiante.

O tempo fez amadurecer nosso paradigma e, por consequência, nossa postura. A visão tripartite da humanização hoje é aceita de forma quase unânime: Em primeiro lugar a garantia do protagonismo, seguida da visão interdisciplinar e, por fim, a vinculação com a saúde baseada em evidências. Com esse escopo ideológico seria possível dizer ao que viemos, e passar a usar o ativismo extrusivo como ferramenta.

Os filmes como “Orgasmic Birth” e o “Renascimento do Parto” são marcas claras de um novo direcionamento, já dentro da lógica do ativismo extrusivo. Já não nos parece mais suficiente convencer doulas, parteiras e os poucos médicos humanizados para as nossas ideias, mas ampliar o público para atingir “novos mercados” – para usar um jargão neoliberal. Queremos agora seduzir novos profissionais do parto para as nossas fileiras, para que possam oferecer uma atenção centrada no tripé que nos define: protagonismo, interdisciplinaridade e MBE.

Todavia, para atingir tais fronteiras é fundamental perceber que os adversários não podem ser destruídos, mas precisam ser seduzidos a valorizar os pressupostos que carregamos como bandeira. Não se trata mais de acabar com os “inimigos” através de táticas de guerra, mas cooptá-los com a doçura das evidências.

Espero que nossa transição possa ser entendida como um processo necessário de amadurecimento e fortalecimento dos paradigmas. Do entendimento de como funcionam essas lutas, e como elas são importantes, surgirão os próximos passos do ativismo pelo parto e nascimento.

E assim será até o dia em que o respeito à liberdade e à autonomia de uma gestante se tornar algo tão natural que qualquer ativismo será obsoleto, como o são desnecessárias hoje em dia as lutas pelo reconhecimento lei da gravidade ou a realidade do heliocentrismo.

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Fofocas

Anestesista

Estava operando uma paciente na noite de domingo quando o anestesista – um antigo e simpático colega de faculdade – interrompe minha conversa com minha auxiliar para me contar algo que havia escutado…

– No último congresso de anestesia, este ano em Florianópolis, surgiu uma grande novidade. Vocês ficariam felizes em saber…

– Diga aí qual é, disse eu, esperando uma nova técnica anestésica superior às analgesias combinadas peridural e raqui.

Ele sorriu discretamente e disse:

– A grande novidade é que… “as doulas não são inimigas dos anestesistas“. Essa foi a principal notícia do evento.

Achei que meu colega estava brincando. Afinal, não são incomuns suas tiradas irônicas. Perguntei-lhe se estava de gozação, mas ele prontamente confirmou.

– É sério, disse ele sorrindo por detrás da máscara. No congresso brasileiro de anestesia anterior a este as doulas eram as piadas certeiras nos grupinhos de anestesistas que se amontoavam nos intervalos em volta de cafés e biscoitos. Nossa visão sobre elas era de clara unanimidade: bisbilhoteiras, místicas, invasivas, briguentas e inadequadas. Bastaram poucos meses para essa ideia mudar.

Levantei o olhar por sobre o campo estéril que nos separava e perguntei:

– O que houve? O que produziu esta mudança? Meu questionamento veio ainda que um esboço de resposta já houvesse em minha mente. Ele continuou seu relato:

– Como em toda a corporação existem aquelas pessoas que detém o controle político das condutas e dos protocolos. Na anestesia este controle está no mais importante estado do país, São Paulo. Lá uma anestesista é quem “dá as cartas”. Pois ela foi fazer uma visita a um grande serviço americano que tem como rotina o atendimento de doulas. Como era de se esperar, voltou impressionada e encantada com o resultado do trabalho delas. Sua mensagem foi clara: “Elas não são inimigas dos anestesistas. Vieram para somar. E vão ficar“.

– Bem, disse eu sorrindo, para cada notícia ruim de perseguição, injustiça, ataques pessoais e violência existem notícias positivas como essas para nos oferecer o devido equilíbrio.

Meu colega continuou sua “fofoca”…

– Sempre que algum anestesista insistia em uma fala debochada ou irônica dois ou três ao seu lado lhe diziam: “Não resista. Não tem volta. O trabalho das doulas está invadindo os hospitais. E elas não estão contra nós“.

Terminei a minha cirurgia feliz com a novidade, que mais uma vez confirmou minha velha tese: as transformações NÃO ocorrem através de abordagens cognitivas, racionais, intelectivas. Elas vão se processar no terreno das emoções, dos sentimentos e dos sentidos mais epidérmicos. Foi preciso que uma figura de autoridade de uma grande corporação médica (a chefona dos anestesistas) fosse tocada pelo trabalho das doulas para que pudesse sentir – mais do que saber – o quanto a abordagem psicológica, emocional, social e espiritual das doulas podia fazer a diferença.

Não foi pela “Razão”, mas pela vivência subjetiva, pessoal e afetiva que ela mudou sua visão sobre a atuação das doulas. E por sua autoridade acabou por imprimir uma transformação na maneira como os anestesistas enxergam o trabalho sutil e delicado das doulas.

Ele ainda emendou uma última frase:

– Mas lá fora elas tem código de ética, o que evita os problemas que ainda se vê por aqui com doulas que interferem em condutas médicas ou que jogam as pacientes contra seus médicos. Isso não pode acontecer.

Não pode mesmo. Um código de ética para as doulas é mais do que necessário, é mandatório. Para isso seriam necessárias etapas iniciais, como um congresso de doulas, uma associação nacional, uma diretoria, várias comissões, etc. Para aquelas que acham que as doulas deveriam ser uma profissão estas etapas iniciais deveriam ser cumpridas em primeiro lugar. Para os que acham que ser uma profissão não é essencial (nem desejável) estes passos ainda assim precisam ser perseguidos para que o trabalho das doulas seja ainda mais reconhecido e respeitado.

O caminho é longo, mas o percurso sabemos qual é. De uma fase de escárnio e desconsideração passamos para a etapa do enfrentamento e do conflito. Agora estamos inseridos em uma fase de lenta aceitação. Schoppenhauer já tinha nos avisado como isso aconteceria.

A exemplo do que vi no discurso do presidente da Febrasgo a nova postura dos anestesistas mostra um caminho que não tem saída: as doulas vieram para ficar. A abordagem delicada e carinhosa que elas trouxeram ao parto mudou a face da atenção ao nascimento. Não há como regredir, e os bons médicos já reconheceram isso.

Todavia, alguns profissionais vão continuar a criar barreiras e agredir o novo paradigma, mas suas vozes aos poucos serão cada vez mais fracas e vazias. Com o tempo as barreiras ao trabalho das doulas serão vistas como marcas de um passado distante onde o bem estar das mulheres não era nossa mais sagrada missão.

Que venha esse novo tempo…

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Autonomia e Local de Parto

Parto Domiciliar - Febrasgo

Em recente artigo intitulado “Parto Domiciliar um Direito de Escolha da Mulher” a Febrasgo mantém-se com uma postura mais ponderada em relação a este tema, até porque entre seus membros existem alguns claramente comprometidos com a Saúde Baseada em Evidências. Por outro lado, a atitude dos sindicatos da corporação continua a mesma:  unilateral e sem embasamento científico, mas… que mais se poderia esperar de um sindicato a não ser a defesa firme e concentrada na manutenção de privilégios e de poderes duramente conquistados?

Sobre o artigo, resta deixar claro que a ressalva relativa ao aumento de mortalidade neonatal não é verdadeira segundo os dados do “Birth Place” (2012), mas reflete apenas o que ocorre dentro de um subgrupo: o das primigestas (mulheres que terão seu primeiro filho). Não foi citado, entretanto, que pelo mesmo estudo uma mulher que terá seu segundo filho corre significativamente mais riscos no hospital do que em casa. Pergunto: Se fôssemos proibir partos domiciliares para primigestas deveríamos proibir os hospitalares para segundigestas?

Pense dessa maneira: Uma viagem de automóvel de São Paulo ao Rio é muito mais mortal do que uma viagem de avião. Não tenho os dados desse trecho mas normalmente a comparação é de 10x mais risco de morte para as rodovias. Diante desses dados deveríamos proibir as viagens familiares de carro por existir uma opção mais segura, o avião?

Mesmo que você acredite que essa seria uma boa solução, ainda assim fica a pergunta: e os que tem pânico de voar? E os que não tem dinheiro para pagar a passagem? E os que ADORAM viajar de carro e ir parando para curtir a paisagem?

E as mulheres que tem pânico de hospital? E aquelas que valorizam o parto como um evento íntimo e familiar e NÃO como um procedimento médico? E aquelas que desejam que seus filhos não sejam afastados de si ou que não querem correr o risco de uma cesariana por razões não médicas?

Não se trata apenas de admitir o parto domiciliar, como faz a Febrasgo, mas garantir a essas mulheres um atendimento digno, com profissionais experientes e capacitados, oferecendo suporte para as transferências e colocando um FIM a todas as retaliações, constrangimentos e ameaças às famílias que optam pelo parto domiciliar, assim como acabar de vez com as perseguições desonestas a todos os profissionais que prestam esse tipo de atenção baseada em evidência e em consonância com os sagrados direitos reprodutivos e sexuais.

As mulheres merecem mais respeito em suas escolhas, e o Brasil não pode apostar no atraso com relação aos direitos humanos.

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Break the Silence!!!

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Em recente artigo escrito para a Folha de São Paulo,  Caetano Veloso faz uma espécie de “mea culpa” pela sua ida com Gilberto Gil para Israel para a apresentação de shows comemorativos da longa parceria entre ambos. O que resta da leitura do seu texto é um constrangedor “puxa, eu não sabia“. Eu esperava mais de um ícone da cultura brasileira, cuja trajetória também foi marcada pela dor de um exílio e pela arbitrariedade de um governo perverso.

Ora, não se pode perdoar Caetano quando ele usa desculpa furada de não conhecer os massacres contra os Palestinos que ocorrem de forma sistemática há décadas. Caetano foi amplamente avisado, orientado – conclamado até – para conhecer a brutal violação de direitos humanos patrocinada por Israel. Mas, por medo, falta de firmeza e brio… calou-se. Mesmo depois de conhecer a realidade “in loco”, e ter a oportunidade de gritar “Break the Silence!!!” e expor publicamente sua solidariedade ao povo massacrado da Palestina, preferiu se calar.

A atitude pusilânime de Caetano – quando poderia ter feito a diferença – é o que expõe a distância entre um artista de qualidade e uma grande personalidade. Essa é a diferença entre Caetano e Roger Waters. O músico genial do Pink Floyd não se calou e tampouco usou a desculpa esfarrapada de que “não sabia como era“. Não. Munido de informações Roger postou-se com bravura contra a barbárie e lidera o mundo da arte contra o Apartheid israelense. O que sobra em Roger Waters, falta em Caetano: coragem e postura.

A velha retórica de chamar os opositores de “furiosos”, e a crítica quase infantil contra Miko Peled, o filho do general, mostram que Caetano ainda acha – em pleno século XXI – que existe espaço para um país cuja política racista e excludente destrói as esperanças de um povo e uma pátria ocupada. Não é o que a civilização e a justiça determinam, Caetano. Embora a sua tímida retratação, você continuará representando para mim um artista de segundo nível, abaixo de Luan Santana (pela sua negativa de apresentar shows no MS até acabar o massacre Kaiowá) em termos de atitude pública diante das barbáries contemporâneas.

Suas palavras ensaiando uma retratação, mesmo diante do frágil “acho que não volto mais” ao menos sinalizam que ele percebeu o quanto sua atitude fraca prejudicou o esforço mundial de bloquear Israel em sua política de limpeza étnica. A ideia de buscar informações e pesquisar vídeos explicativos sobre a Palestina no YouTube (só agora???) pode ser interpretada como uma tentativa de resgate de sua própria coerência.

Entretanto, o texto deixa a desejar quando se busca em suas palavras a solidez e a firmeza contra os abusos de Israel. Não vi solidariedade expressa e nem a adoção de uma postura de peito aberto. O que vi foi uma série de desculpas quase infantis sobre a razão de ver uma grande oportunidade passar na sua frente e ter se calado.

Penso ser inaceitável que Caetano use sua ignorância como desculpa. É como se em meados do século XIX o filho de um lorde inglês precisasse vir ao Brasil para descobrir que havia escravidão e, aqui chegando, se desculpasse dizendo “eu não fazia ideia que era assim“. Você foi avisado, Caetano, por Roger Waters e por centenas de ativistas. Foi porque quis, ganhou seu rico dinheirinho e agora se faz de “menino assustado”.

Você provavelmente tem vergonha de ter sido enganado por Israel. Eu também fui. Sartre e Jorge Amado foram enganados pelo comunismo real soviético. Todavia, seria nobre da sua parte reconhecer que a “democracia” israelense é uma FRAUDE, que a Palestina foi roubada em 1948 com terror e massacres, que o povo palestino vive em uma prisão a céu aberto e que Israel jamais pensou em um país plural, e sua perspectiva sempre foi a da limpeza étnica e da aniquilação lenta e sistemática do povo palestino.

Espero que seus fãs possam lhe perdoar, mas não acredito que os palestinos – que podiam ter recebido sua ajuda – sejam tão condescendentes com a sua fraqueza de espírito. Reconhecer seu engano, a postura preconceituosa com o mundo árabe e o islã e o entusiasmo com a falsa “modernidade” de Israel seria um excelente começo. Mas você preferiu agir como um menino medroso, e quando o mundo pedia uma voz de solidariedade a um povo que lentamente agoniza você se calou.

Por medo.

Você foi cúmplice de um massacre e um crime contra a humanidade. “O show falou por si” é uma mentira que tenta encobrir sua covardia. Podia ter falado, gritado, esbravejado mas preferiu o silêncio. E isso ficará marcado em sua trajetória. Você viveu no tempo do Apartheid israelense mas quando teve a grande oportunidade de se posicionar, foi fraco. Que Deus se apiede de sua alma.

É fácil falar quando se está distante da dor que esmaga o peito do outro.

Pense em Gaza, Caetano.
Gaza é aqui.

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Tire o teu

tiroteio

“Muda-se a forma, mantém-se o conteúdo. As manifestações da exploração do homem pelo homem se transmutam e fantasiam, exatamente para manter sua essência intocada. O homem se disfarça, muda seus rostos e jeitos, para continuar sendo o lobo do homem”. (Max)

No meio de um cochilo aguardando minha paciente chegar acordo com uma salva de estampidos. Em alguns minutos a confirmação: tiroteio no estacionamento do hospital. Um assaltante morto e dois feridos presos. Da janela basculante envidraçada que enxerga o Guaíba consigo ver o burburinho e a ação dos policiais.

Confusão, correria, curiosidade mórbida e múltiplas versões do mesmo fato. Mas o pior são os comentários. Os da Internet eu ainda posso não ler, mas os que passam ao meu lado não posso evitar de ouvir.

Da janela do centro obstétrico podemos ver o corpo estendido no chão. “Menos um” diz um passante. “Só falta a emergência atender”, indigna-se outra, negando aos feridos qualquer migalha de comiseração. Por que será que as pessoas se amarguraram tanto nos últimos tempos? A morte de um menino é realmente algo a se comemorar?

Eu me resigno e fico quieto. Se resolver questionar as comemorações pelo óbito do qual somos todos testemunhas e cúmplices, posso acabar sendo a próxima vítima.

Tristes tempos…

PS: E depois do tiroteio nasceu Beatriz… Que venha em paz. Que não se contamine com a psicosfera carregada que hoje se abateu sobre esse lugar. Siga seu caminho cheio de luz e fuja das trevas que teimam em nos perseguir.

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Uzomi

cultura-machista

Uma feminista, claramente indignada com a saída da menina do Master Chef, escreveu há algumas horas a seguinte frase: “Uzomi venceram”….

Eu sei que “uzomi” é um termo usado para identificar machistas. Sei disso… Entretanto quando um médico diz “eu fiz o parto da fulana” a gente tenta corrigir explicando que quem faz o parto é a mulher, e que essa frase carrega escondida entre as palavras uma clara expropriação de um evento sagrado como o parto por parte de quem deveria apenas garantir a sua segurança e acompanhá-lo. Pelas mesmas razões, usar “os homens” para se referir a machistas, abusadores e pedófilos nos dá a entender que a luta não é contra aqueles que naturalizam sistemas de poder e usam da força física e política para oprimir as mulheres, mas que é contra todos os homens – pelo simples fato de serem homens.

Minha crítica não tem NADA a ver com a saída dessa menina do programa, até porque eu me afasto desse assunto (abusos, pedofilia, agressões), pois me causa tristeza e raiva. A ÚNICA ressalva que faço é a generalização ofensiva com os homens, como se todos nós fôssemos parceiros de pedófilos e abusadores. Pior, como se essa fosse uma luta dos homens contra as mulheres. Isso é um erro brutal e uma suprema injustiça, que só afasta os homens que poderiam se associar nessa luta.

Se cobramos dos profissionais que parem de expropriar partos e garantam o protagonismo deste evento às mulheres, também é justo pedir a algumas feministas (não todas… as que estão ao meu redor concordaram que este termo não deve ser usado) que parem de utilizar termos ofensivos contra os homens quando, em verdade, querem se referir a um grupo extremamente minoritário de pessoas que acreditam em uma pretensa superioridade masculina ou que o corpo da mulher é um objeto que pode ser usado apenas para satisfazer seus desejos.

Se queremos um mundo livre de sexismos precisamos vigiar TODAS as falas, sob pena de perdermos cada dia mais homens interessados nessa luta e que são tratados como inimigos, pela simples razão de serem homens.

Não se trata de desmerecer as lutas feministas, mas pedir que não generalizem para fazer valer seus pontos e nem apontem suas armas contra os inimigos errados: os homens. Não somos nós os inimigos: o inimigo é o machismo e o modelo que nós todos construímos na sociedade. Ele sim deve ser trocado por algo melhor e mais justo. Essas expressões afastam aqueles que gostariam de se aproximar mas se sentem imediatamente rechaçados.

Para fazer com que uma ideia seja aceita por todos o confronto nem sempre é a melhor solução. Muitas vezes a palavra doce e a compaixão – procurando sempre entender o ponto de visto do outro – são mais efetivos, mesmo que durem mais tempo. Se as mulheres desejam uma sociedade mais justa, abandonem os termos ofensivos e agressivos que aprenderam a usar com os machistas. “Uzomi” ofende quem não merece ofensa, e afasta quem desejava se aproximar.

PS: A bem da verdade, essa moça – que se identifica como uma feminista que não tem ódio de homens – corrigiu sua expressão e escreveu “os machistas venceram“. Eu me senti satisfeito.

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Equívocos

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Não faz sentido comparar os equívocos cometidos pelos governos militares com os de agora. Os erros do governo militar são comprovados: sequestros, mortes, torturas, perseguições, falta de liberdade, mordaças, maquiagens econômicas, endividamento externo e interno, etc. Também não faz sentido achar que a liberdade oferecida por este governo às instituições que combatem a corrupção foram “concessões pela governabilidade”. Não se trata disso: é um projeto claro de cortar a pele a abrir o abscesso da corrupção.

Contra o governo de Lula e Dilma, por enquanto apenas apareceram boatos (no que diz respeito à corrupção). Os erros na questão econômica poderão ser julgados no futuro, quando forem avaliados dentro dos contextos a que pertenceram. O que Dilma fez não foi algo “ao apagar das luzes do seu governo“. NÃO: foi um política clara desde o primeiro dia do seu primeiro mandato de oferecer garantias à Policia Federal e ao Ministério Público para investigarem tudo e a todos. NÃO FOI uma atitude desesperada, e nem uma “saída honrosa”; foi uma atitude do governo de curar a ferida da corrupção acabando com seu principal agente: a IMPUNIDADE. Por esta razão até mesmo José Dirceu foi condenado de forma irregular e SEM PROVAS, num escândalo jurídico (e que ainda não acabou, posto que irá para as cortes superiores da OEA). Mesmo cortando na própria carne este governo GARANTIU a continuidade do projeto de combate incessante à corrupção, e por esta razão, apesar das mentiras e das falsidades de inimigos ideológicos, é o governo mais HONESTO que tivemos neste país.

Que ainda há muito a fazer, não resta dúvida. Mas olhe bem para os partidos que são acusados de corrupção: o PT é o NONO (9º colocado). Tudo isso nos deixa claro que existe uma manipulação extensiva para culpabilizar o PT naquilo que ele faz de BOM, como o combate à corrupção. As críticas falsas, daninhas, sem provas, sem embasamento são usadas pelos mesmos grupos poderosos que agem desde 1954 para que as reformas (como o combate à corrupção hoje, ou a reforma agrária em 64) sejam interrompidas em nome da “moralidade”, ou para punir os “ladrões”.

O que me dói é ver gente pobre ou da classe média trabalhadora servir de massa de manobra para estes mesmos grupos que há séculos comandam os fios invisíveis de onde pendem nossos corpos. Não se trata de obstruir a crítica SEVERA aos erros MÚLTIPLOS que este governo cometeu e ainda vai cometer, mas de perceber que as críticas à HONRA só proliferam quando existe algo mais do que elementos de macroeconomia e políticas estruturais a combater. Nesse caso, o interesse é barrar as investigações, impedir que se chegue ao Cunha, ao Aécio, ao Nardes, à RBS, à cúpula do PP, ao PMDB (o mais corrupto de todos). É essa a luta para derrubar Dilma, que acaba sendo orquestrada pelos tolos da vez, pessoas que acham que atacando o bisturi poderão melhorar o abscesso.

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ATAME!

The Collector

Pedro Almodóvar, em seu filme “Ata-Me!”, desenvolve um instigante tema que já havia sido abordado no filme “O Colecionador” (The Collector, de William Wyler) de 1965. Nesta obra o genial diretor espanhol discorre sobre o amor como produto objetivo da procura amorosa. Em verdade, sob um ponto de vista filosófico, o filme do espanhol poderia ser analisado como um “remake” do filme de Wyler. Em ambas as películas um jovem, obcecado por uma paixão, sequestra sua vítima, foco de seu amor desmesurado, mantendo-a trancafiada e aguardando que ela um dia venha a se apaixonar por seu raptor. Após tal desesperada atitude, os sequestradores de ambos os filmes se esforçam em demonstrar – de variadas maneiras – a sua dedicação e desvelo com as vítimas, dizendo amar-lhes com devoção e respeito. Refreiam até seus impulsos sexuais, fazendo da contenção uma prova adicional do respeito que nutrem por suas adoradas cativas. Em “O Colecionador” a tragédia é o desenlace fatal, pela impossibilidade de sustentar-se a absoluta assimetria da relação. Vitimada pela penúria psicológica e física, a protagonista vem a morrer de pneumonia, nos braços de seu algoz.

Almodóvar, em seu filme de 1989, resolveu aplicar ao seu final uma solução mais otimista: o amor descoberto por detrás das capas de violência.

Atame

Em ambos os filmes a temática é clara: a possibilidade de criar-se o amor como fim, e não como meio. A ideia que perpassa é a tentativa de criar-se o afeto como o “produto” de um encontro. Forçadamente os protagonistas procuravam constranger a afeição de suas eleitas como se esta fosse uma conquista típica do universo masculino: “subjugue e imponha”. Entretanto, o afeto nunca é produto: oferece-se sempre como acessório, ou subproduto de uma relação. “Os subprodutos põem em xeque a soberba racionalista de que podemos conseguir moldar tanto o mundo exterior como o nosso próprio meio intra psíquico, fixando nossas metas e pondo imediatamente em ação os meios ou recursos adequados(*). Podemos impor o medo e o terror; jamais o respeito, o amor e a confiança. Estas aparecem como que “magicamente”, no transcorrer de um processo. Surgem quando menos se espera, e revoltam-se contra as determinações externas. As relações amorosas carregam sempre esta marca de imprevisibilidade: nunca seremos capazes de reconhecer e vislumbrar os encontros adequados, posto que apenas o engajamento de um no desejo do outro é capaz de produzir o florescimento do amor. E, como bem o sabemos, não temos como prever tal acontecimento, pois que escapa ao controle do racional.

“Mesmo sendo o Antônio Banderas! Que mais poderiam desejar?”, perguntava eu às minhas amigas, ao que elas respondiam que, não sendo do seu agrado, nenhum homem poderia dispor de sua afeição ou de seu corpo. Como na fábula de princesa monstruosa de dia e linda à noite, o segredo estava na possibilidade de escolher.

“Acontece que a donzela,
e isso era segredo dela,
Também tinha seus caprichos.
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e cobre
Preferia amar os bichos”.

(Chico Buarque, Geni e o Zeppelin)

Mesmo Geni, que representa o “esgoto social”, (**) sabia destas imponderáveis características do desejo. Os encontros de amor trazem sempre seus caprichos. Acima de tudo, o que todos queremos é o protagonismo de nossas vidas. Oferecer a elas um Banderas, sem que isso passe por sua decisão, não é capaz de produzir o amor como produto.

Marina, a heroína pornô do diretor Máximo, acaba resgatando na sexualidade desperta, o amor por Ricky. Ali encontrou Almodóvar a possibilidade redentora de seus personagens. O sexo selvagem entre eles (que tanta celeuma produziu na época) acendeu a chama que os capturou, um ao outro. O contrário se observou no filme de William Wyler, onde nada conseguiu produzir a ligação entre a dupla, e a morte tornou-se o único desfecho possível. Não havia, imagino eu, nos anos 60, essa via de redenção. Seria demais pedir que as mulheres, há quase 40 anos, buscassem na sexualidade desperta uma possibilidade transformadora. Pelo menos não no imaginário social.

Prefiro analisar a modificação temática ocorrida nos mais de três decênios que separam as películas como a possibilidade de conquista de um amor mais livre e mais justo. O filme dos anos 60 nos mostra que o inconsciente social recém despertava para a necessidade de uma maior liberdade para as mulheres, mas não traçava um horizonte mais claro pela impossibilidade de compreensão das alternativas que produziriam tal revolução. O resultado só poderia ser sombrio e lúgubre. As mulheres ainda estavam numa total subserviência ao controle patriarcal, mas o romance de Freddie e Miranda em “O Colecionador” apontava para a ideia de que, se não lhes fosse oferecida a possibilidade de escolha, o resultado para a sociedade só poderia ser funesto. Em “Ata-Me!”, Almodóvar acena com a redenção: o protagonismo conquistado, e só ele, como capaz de reverter a submissão humilhante e degradante. Marina desperta seu desejo e, na cama, como metáfora de sua opção, troca de posição com Ricky. Sobre o corpo de seu amante, acena com a subversão da dominação, impondo sobre a violência a vitória imperiosa dos seus desejos e direitos. Ali se estabelece a mudança, o corte profundo, a guinada em direção ao “amor conquistado”, em substituição ao “amor imposto”.

Quando vi o filme de Almodóvar, e fazendo a conexão imediata e natural com o drama de Wyler, foi para mim impossível não traçar um paralelo com a humanização do nascimento. Nos filmes, como na trajetória de qualquer mulher, surgirá o tema das escolhas e da autonomia. O encontro médico-paciente é um encontro entre pessoas, onde fluem energias afetivas que compõe o cenário terapêutico. Negar esse fenômeno é cegar-se à própria essência do processo de cura onde, muito mais do que drogas e intervenções, operam os processos afetivos que permeiam este encontro. Médicos podem “atar” seus pacientes em transferências sadomasoquistas, ou aprisioná-los em medicamentos e terapias, mas somente quando estes se sentem livres é que a cura pode ocorrer. Não existe terapia verdadeiramente frutuosa que não remeta o paciente a libertar-se do seu egoísmo, de suas dores, culpas, ódios e rancores. A medicina, tal qual ocorreu com os desesperados protagonistas, por vezes procura forçar o bem-estar, a despeito da autonomia, da vontade e do desejo de quem se serve dela, desconsiderando o paciente como legítimo condutor de seus desígnios.

“Liberdade é nossa meta última”, repetia-me Max. “O seu amor, ame-o e deixe-o livre para amar”, cantavam os doces bárbaros. Não existe relação verdadeira sem a liberdade de escolher.

Não existe verdadeira humanização do nascimento sem protagonismo. Entretanto, cabe dizer, o que fazer daqueles que optam pelo cativeiro por se julgarem inaptos para a liberdade, e que se jogam nas mãos dos algozes para, abrindo mão da autonomia, encontrarem pelo menos a segurança que almejam? Esta é uma questão que se responde através da educação e da informação, pois só elas levam à descoberta das alternativas para a alienação.

Ata-me

Ricky, assim como Freddie, esmerou-se em oferecer tudo o que estava ao seu alcance para proteger, ajudar e cuidar de sua amada. Ambos fizeram sacrifícios, arriscaram-se, quase morreram. Entretanto, não conseguiram oferecer aquilo que de mais valioso era possível ofertar: a liberdade. Travados por um modelo de controle e dominação, não conseguiam entender um processo que não fosse pela coerção e através do medo. Ambos foram pródigos em “sofisticar a tutela”, dando às suas amadas o que de mais rico eram capazes de oferecer: sua devoção sincera; porém, também sabiam que, se a liberdade fosse oferecida, elas poderiam ir embora. Temiam o resultado dessa atitude, pela possibilidade da perda do seu amor. Entretanto, esse amor nunca floresceria, em “O Colecionador”, e só ocorreria em “Ata-Me!” quando a própria estrutura autoritária da relação foi subvertida, o que não pôde ocorrer na relação doentia de Freddie e Miranda. Note-se que a morte da protagonista nesta película pode ser lida, simbolicamente, como a “desistência da vida”, causada pela falta de liberdade a ela imposta.

No cenário do nascimento humano, apenas a possibilidade de oferecer às mulheres o controle sobre seus corpos poderá lhes “salvar” da tragédia da sua anulação enquanto sujeitos. Nenhuma “sofisticação de tutela”, por mais dedicada que seja (como fizeram Ricky e Freddie), será capaz de resgatar as mulheres da “inanição” de um cárcere de si mesmas.

A estrutura social, com o qual convivemos, precisa descobrir as alternativas (como Marina) para resgatar a essência profunda das relações, nem que para isso precise rever os próprios alicerces que a sustentam. Uma sociedade em que se busque incansavelmente a liberdade e a justiça como metas é o destino que nós mesmos precisamos construir.

Talvez estejamos mesmo vislumbrando o ocaso de um modelo baseado na conquista e na submissão, assim como nas ilusões racionalista e positivista que permeiam tanto as relações pessoais quanto a nossa medicina autoritária. Certamente que muito ainda há que ser construído, mas não acredito em nenhum direcionamento que nos afaste do necessário rebentar de grilhões e do indispensável arrancar de mordaças.

Porque não há futuro sem liberdade, e esta jamais é oferecida ou imposta, pois que é da sua essência ser conquistada.

Referências:

* “O que Sócrates Diria a Woody Allen” – Juan Antonia Rivera – Ed Planeta

** “Violência e Homossexualismo”, Valéria Amim – Univ. Estadual de Santa Cruz/UESC – Ilhéus/BA

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Muro

Muro Berlim

Quando escrevo que percebe-se ao longe uma luz no fim do túnel sou – com frequência – metralhado virtualmente. Sei que é uma luzinha tênue, como uma lâmpada de árvore de Natal. Mesmo assim, algo aos poucos está acontecendo. A truculência típica da corporação está lentamente cedendo espaço para a aceitação de postulados mais modernos e alinhados aos direitos humanos reprodutivos e sexuais. Acredito que, com o tempo, os “caciques” fixados no biopoder e na manutenção de privilégios se sintam cada dia mais constrangidos e isolados.

Todavia, eu também acho difícil poder testemunhar uma verdadeira revolução no sentido da plena humanização do nascimento ainda em vida. Sei que as transformações que tratam de valores profundamente inseridos na rocha das culturas só produzem efeito após uma lenta erosão. Por outro lado, quando eu era residente no hospital escola da universidade no final dos anos 80, um colega me disse:

Ricardo, essa sua história de parto de cócoras, parto fisiológico, parto humanizado – apesar de estar absolutamente correta por qualquer ponto de vista – jamais vai “colar” pois está ligada ao poder. O poder é o motor do mundo e fazemos qualquer coisa para, depois de conquistado, mantê-lo conosco. E ninguém abre mão do poder sem luta ferrenha. Olhe ao redor e veja o mundo em que estamos. Os poderosos vencedores da segunda guerra mundial ergueram um muro separando a Alemanha há 40 anos que ainda está de pé. E eu te afirmo que ele jamais cairá“.

Nunca esqueci de suas palavras “proféticas”…

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