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Psicanálise

A psicanálise nos mostra, em essência, a fragilidade de nossas escolhas. Somos governados por um núcleo de medos coberto por uma camada de crenças irracionais sobre as quais se assenta uma fina camada de racionalidade, quase insignificante, mas que nos oferece a ilusão de termos suplantado nossos atávicos temores. Freud nos revelou não apenas os conteúdos sexuais da vida infantil mas, além disso, a estrutura infantil da nossa sexualidade madura.

Pierre Garbois “Le jeune avenir” Ed. Roquefort, pág. 135

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Posições

Meu truque favorito: troque a palavra “parto” por “sexo” no seu texto; se continuar fazendo sentido então pode ser verdade. Você faria um “Plano de Sexo” antes de um encontro? Bem, se esse “plano de sexo” se estabelecer sobre linhas mestras como “consentimento”, “gentileza”, “carinho”, “respeito”, pode ser útil. Entretanto, se contiver detalhes como posições ou palavras a serem ditas (ou evitadas) ele provavelmente estará apenas cerceando a natural espontaneidade que deve circular neste tipo de encontro. Esse truque nunca falha, porque sexo e parto são faces da mesma moeda. Fazer planos e ter ideias prontas e acabadas sobre um parto é o mesmo que fazê-lo para o sexo. Melhor deixar de lado todas as pré-concepções e permitir-se fluir. Posição para parir se decide da mesma forma como se escolhe a posição para fazer amor.

Jeanette Morris, “The Twisted Logic of Birth”, Ed. Bantam, pag. 135

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Ódios

Existem ódios que se fortalecem com o tempo, impregnados pela escuridão do ressentimento, que não se desfazem sequer pela luz matutina da verdade.

Ngai Pan, “Que Tao o Amor?”, Ed. Lumbrusco, pág 135

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Meritocracia

E se ninguém chorar por nós? E se nossa falta não se fizer notar? E quando o manto na morte apenas aquece um corpo já frio pelo sopro gelado do esquecimento? Se a morte vier hoje te buscar estás preparado para o fato de que a vida vai vicejar mesmo na tua ausência?

Sim… envelhecer é preparar-se para ser esquecido. Muitos poucos são aqueles que deixam seu nome na história; a maioria recebe destaques e honrarias sem sequer merecer. Canalhas, mercenários, genocidas, pedófilos e escroques de todo o tipo ornamentam placas nas ruas, nomes de ruas e escolas, enquanto sujeitos de imenso valor são apagados da nossa memória, na injusta meritocracia da cultura humana.

Malcolm Hedges, “The Smart Shot”, Ed Calamar, pag 135

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Razão e emoção

Nenhuma filiação a um grupo de ideias respeita ordenação racional. Você apenas assume suas crenças mais primitivas e as veste com uma roupagem racional. Somos um núcleo de medos cobertos por crenças e envoltos em uma tênue película de razão, uma fachada intelectual, que nos confere a suprema ilusão de sermos comandantes de nossa consciência.

Almirante Henry Mulder, “Vignettes de la Voyage au Fin du Monde”, Ed. Printemps, pág 135

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Pela vida

Acho um desserviço e um erro grave continuarem chamando os defensores da legalização e da descriminalização do aborto de “Pró-aborto”, assim como os que lutam para manter a proibição e a ilegalidade de “Pró- vida”. Ninguém é pró-aborto. Somos todos “pró-vida”, a questão não é moral, maniqueísta ou uma batalha do bem contra o mal num roteiro de novela popular. Os termos mais corretos seriam “Pró-proibicão” e “Pró-legalização”. O resto é discurso moralista vazio.

Ben Carter-Smith, “Apologies, Mrs Cathy”, Ed. Baroque,  pág 135

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Tempos

No futuro, quando a sexo descompromissado exterminar todas as relações monogâmicas e o casamento, minhas ideias e meus escritos serão jogadas no lixo sob o pretexto de que eu não passava de um monogamista que defendia a escravidão sexual.

Jeffrey Doll, “Sexual Boredom”, Ed Fishbone, pag 135

Jeffrey Edmund Doll é um escritor nascido em Tulare, Califórnia, em 1930. Parceiro de aventuras de Jack Kerouak, homossexual assumido e usuário de drogas, Jeffrey cursou o caminho dos heróis da contracultura. Escreveu uma literatura agressiva e que visava abalar as estruturas da sociedade capitalista, hipócrita, heteronormativa e castradora em que vivia. Seus livros são maravilhosos exemplos de violência contracultural, em especial “Epiphany of a Dreaded Civilization”. Nessa passagem de “Sexual Boredom” ele questiona os anacronismos sobre a sexualidade, em especial quando o comportamento do sujeito de um determinado tempo é julgado pelos padrões morais de séculos à sua frente. No caso do livro, esta conversa ocorre entre o almirante Sebastián e o capitão LaCrosse e se refere a paixão fulminante deste último pela bela escrava nigeriana Latiffa; o romance tórrido entre um marinheiro cinquentão e uma menina de 16 anos. Sebastián, um cristão convicto e temente a Deus, defendia LaCrosse da acusação de adultério feita por seus colegas oficiais. Ao ser confrontado com as sagradas escrituras deixou claro que um homem só podia ser julgado fora de seu tempo e de suas circunstâncias. Apontou para o corpo semi-despido da menina e arrematou dizendo não haver uma linha sequer nas palavras de Deus que condenasse o amor de um homem por uma mulher. Apesar da defesa irretocável, o capitão LaCrosse foi condenado ao desterro no Haiti, o que o deixou humilhado e destroçado, a ponto de cometer o suicídio pouco após ter sido deixado na ilha caribenha. O livro então passa a se concentrar na dualidade dos sentimentos de Latiffa e questiona as noções de contemporâneas de liberdade, amor e desejo. Jeffrey E. Doll faleceu em 1980, em Los Angeles, por uma overdose de heroína.

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Vento

Passam-se os anos e os ventos não mudam. O mesmo disco quebrado repete o enfadonho réquiem de uma alma que se foi, condenada pelo desejo. “Assassina, assassina”, vociferam as consciências silenciosas da turba em êxtase ao ver o cortejo. Enquanto isso, na procissão macabra a jovem mulher canta sozinha a marcha fúnebre em seu esquife, calada, pálida e impedida de oferecer seu testemunho. “Fez-se a vontade de Deus”, diz a moça branca, enquanto do outro lado da rua, de dentro de um carro a voz rouca de um homem apressado grita “Saiam da frente”. Pobre anjo, diz a senhora idosa ao seu lado, mas engana-se quem pensou na falecida. Era para o embrião que se escondia em seu ventre o lamento da velha. Para ele as homenagens; para sua mãe o inferno.

Kathy McGuire-Daniels, “The Hell of Ourselves”, Ed. Printemps, pag 135

Kathy McGuire-Daniels é uma escritora estadunidense nascida em Bayard, Novo México. Estudou letras e literatura na Universidade do Novo México e passou a lecionar inglês em escolas de sua cidade natal. Em seu romance “The Hell of Ourselves” ela descreve o drama de Cynthia, uma mulher que mora em um acampamento de trailers junto com sua irmã Sylvia. Esta, se envolve com Gregory, um jovem bonito e inescrupuloso que trabalhava numa lanchonete próxima ao acampamento. Desse encontro ela engravida, mas vem a falecer em decorrência de uma tentativa frustrada de produzir um aborto em si mesma. A falta de empatia de seus companheiros de comunidade com a morte da irmã, e a solidão que lhe é imposta pela sua partida abrupta, a fazem abandonar a comunidade e cruzar os Estados Unidos – de baixo para cima – para reencontrar a mãe em Cleveland-Ohio, a quem não vê a mais de 20 anos e que está à beira da morte. Sua viagem de retorno, e a verdade terrível que precisará contar sobre a ausência da irmã, fazem desta trajetória uma intensa experiência de resgate, dor e renascimento. Kathy Daniels é casada com o advogado especializado em defesa de minorias e imigração Albert Lavalle, mora em Albuquerque e tem dois filhos Jessica e Rolland.

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Gênios

Todos os grandes gênios da humanidade mostraram a pequenez do ser humano, e por isso não podiam ser perdoados. Atacar nossa autoestima é um crime grave. Copérnico o fez ao mostrar que não somos o centro do universo, Darwin por provar que não somos o centro da natureza e Freud por mostrar que não somos guiados pela razão, mas por uma constituição psíquica tripartite, onde os motores principais de nossas ações se encontram nos calabouços do inconsciente. Já Marx mostrou que somos governados pela história e pelas forças de choque entre as classes, as quais produzem mais efeitos na sociedade e na cultura do que os avanços científicos.

Os grandes gênios são necessariamente incompreendidos, atacados, segregados e difamados. Portanto, como regra geral, se as suas ideias fazem muito sucesso é apenas porque suprem necessidades momentâneas. Como diria Nietzsche, “um gênio verdadeiro só é compreendido após a passagem de um século”, e não há como fugir muito dessa regra”.

Rudolph Schlitzer, “The Quantum of Transformation”, Ed. Borromeo, pag. 135

Rudolph Schlitzer é um físico, professor universitário e escritor austríaco, nascido em Viena em 1932.

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Concessões

Uma lição de gente mais velha: nunca comemore as concessões dos opressores. Não existe avanço sem conquista e não existe conquista sem luta. Dádivas são efêmeras e dependem do outro; já as vitórias só se constroem com sacrifício e coragem.

Bertrand Huffington, “Maximus”, Ed. Principle, pag. 135

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