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Representatividade

Quem é o sujeito de boné nessa reunião??? Não há um “dress code” para este tipo de encontro?

Na foto que mostra a reunião entre os representantes de Ucrânia e Rússia houve reclamações de grupos identitários de que não havia nenhuma mulher presente. A ideia é que as guerras são eventos “masculinistas” (palavra cuja definição eu desconheço) e que se houvesse mulheres a tomar as rédeas destas negociações “o resultado seria rápido, eficiente, haveria canapés deliciosos e ainda colocariam os homens para lavar a louça” (estes foram os comentários das mulheres, claro, com humor).

Há poucas horas tomei conhecimento do texto publicado na Revista Carta Capital de uma feminista chamada Esther Solano em que ela colocava a culpa da guerra não nos intrincados labirintos geopolíticos e estratégicos que se referem ao nacionalismo, fronteiras, espaços de poder, democracia, auto determinação dos povos, mas simplesmente porque esta é uma ação humana comandada por homens, e colocava a culpa desse tipo de desastre civilizatório no famigerado “homem branco de esquerda” – o “esquerdomacho”.

Não pretendo me deter no texto, que pode ser lido aqui, mas ele me parece um libelo anti masculino, uma brutal essencialização do homem como o ser que incorpora todo o mal do mundo, sendo analisado por uma mulher que não entende as razões de uma guerra e que acredita piamente que a condução de tais questões – estivessem elas nas mãos de mulheres – seria absolutamente diferente. “Mulheres jamais declarariam guerras”, pode ser a tradução de sua perspectiva.

Pois eu aconselho cuidado com a romantização e a essencialização. “As mulheres não…” geralmente é um péssimo início de frase; “os homens sempre…” também. Usando um pouco de imaginação, digam aqui como seria a delegação brasileira nessa mesa de negociações na Ucrânia objetivando acabar com a guerra? Certamente seriam enviadas as mulheres destacadas no surgimento do governo atual: Sara Winter, Joice Hasselman, Bia Kicis, Carla Zambelli… acham mesmo que fariam diferença? Seriam elas embaixadoras da paz?

A última guerra em que se meteu a América do Sul foi contra uma …. mulher, a Dama de Ferro, que sempre se mostrou tão fura e cruel quanto qualquer homem. E Hillary Clinton? Enquanto esteve à frente da Chancelaria americana 7 países foram invadidos e bombardeados. Milhares de mães no Oriente Médio foram calcinadas com seus filhos ao colo por ordem dessa mulher. E se Kamala assumir o cargo de Joe Biden, será diferente? Sim, por certo teríamos invasões e mortes no mundo inteiro, mas com um toque feminino. Entre 2010 e 2014 ela foi Procuradora-geral do Estado da Califórnia, função na qual liderou o órgão responsável por colocar centenas de negros na prisão através do doutrina da “lei e ordem”. Ou seja, uma punitivista.

Muitos enxergam diferença nos sexos que eu sou incapaz de encontrar. Mulheres são covardes e brutais…. tanto quanto homens. São geniais e nobres, tanto quanto eles. Estes podem ser tão maternais e amáveis como qualquer mulher, enquanto essa podem fazer prodígios de engenharia e ciência como qualquer varão. Falar de “essência” feminina e masculina é muito arriscado, pois estamos imersos em um oceano de patriarcado que deixa a visão inexoravelmente enevoada.

“Ahhh, mas e a representatividade?” Pois eu digo que ela é vazia se não for conectada a um propósito firme e profundo. Não nego sua relevância, mas me recuso a aceitar que a simples diversidade é a resposta para o governança ou mesmo para a solução de uma guerra. Sei o quanto ela é importante, mas veja como um parlamentar transexual famoso se São Paulo em nada melhorou a vida das pessoas desse segmento, assim como o reacionário negro e gay do MBL chegou a piorar a vida de pessoas desta cor e dessa orientação sexual na sua cidade.

Homens não querem a paz… mas tampouco as mulheres a desejam; somos seres de conflito. A ideia de que as mulheres são mais pacíficas é ridícula. Este preconceito tem tanto valor quanto dizer que “os homens são mais inteligentes porque tem mais prêmios Nobel”. Ora, ambos os casos – o pacifismo feminino e os prêmios masculinos – são resultado do patriarcado. Ofereça poder para uma mulher – Cleópatra, Messalina, Merkel, Dilma, Thatcher, Golda Meyr, Bachelet, Indira, Cristina Kirchner e tantas outras e elas vão se comportar como qualquer outro humano carregado de poder, sofrendo as pressões que este poder determina. Aliás, coloque um bisturi na mão de uma mulher obstetra e verá a mesma violência que se observa entre os homens. Por que a entrada nas mulheres na obstetrícia não diminuiu os casos de violência obstétrica? Exatamente porque mulheres, nestas posições, se comportam como a sua função determina. Seu gênero muito pouco, ou quase nada, poderá influenciar.

Coloque homens a a maternar e cuidar e em muito pouco tempo serão tão bons cuidadores quanto as mulheres; o mesmo se puser um rifle nas mãos de uma mocinha, como Liudmila Pavlichenko, a matadora de nazistas. Coloque mulheres em qualquer posição outrora ocupada exclusivamente pelos homens e rapidamente elas os alcançam.

A falta de mulheres nesta mesa é resultado do patriarcado, mas quando Argentinos e Ingleses sentaram nas mesmas condições para discutir a paz na Guerra das Malvinas o resultado não foi amoroso e maternal para os perdedores, mesmo tendo uma mulher poderosa a comandar a cena.

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Imperialismo e Guerra na Ucrânia

Existem algumas opiniões dobre os conflitos na Ucrânia que trazem a ideia de que a Rússia estaria “agindo de forma imperialista”. Sério? Pergunto: de onde tiraram essa ideia??? Veja da seguinte maneira: o seu vizinho faz acordo com um inimigo histórico para instalação de ogivas nucleares cujos mísseis poderiam atingir Moscou em 4 minutos. Deveria a Rússia cruzar os braços e acatar uma decisão que ameaça de morte o país? Ogivas apontadas para Moscou em solo historicamente Russo? E acham mesmo que a Rússia deveria aceitar isso?

Quem não lembra da crise dos mísseis em Cuba? Lembram que Cuba ia apontar ogivas nucleares russas para o território dos Estados Unidos??? Por que os americanos impediram? Por que isso parecia – e continua parecendo – inadmissível, mas em solo ucraniano seria legítimo?

E, por favor, não entrem nessa de desmerecer o Putin. Isso é infantilidade política. Putin é um fascista, anticomunista e tem poderes ditatoriais, mas seu pleito é JUSTO, inatacável – inclusive pelo direito internacional pela assinatura dos acordos de 1997, que estão sendo repetidamente desrespeitados pela OTAN. Até mesmo a comunidade internacional está apoiando Putin na luta contra o imperialismo genocida.

Hoje um correspondente brasileiro na Alemanha disse que não há como apoiar Putin porque ele é (adivinhem) contra os gays. Meu Deus, o que fizemos de errado no mundo para produzir estes pensamentos identitários tão infantis? É a mesma turma que condena a expulsão (vexatória) dos americanos do Afeganistão porque o Talibã seria “machista”. Agora as sanções americanas ao Afeganistão estão matando essas mesmas meninas de fome, mas importante mesmo era o seu direito de frequentarem a escola. Credo… crianças mortas indo ao colégio. Quando as bombas americanas matavam seus pais e irmãos não havia problema, desde que chegasse aqui a notícia que elas podiam assistir as aulas.

Sim, o Putin é um fascista grosseirão, mas com um pleito justo. Alguém acha que, por causa dos modos e do temperamento de Putin, deveríamos apoiar um comediante fascista e um governo fruto de um golpe nazista como neste da Ucrânia? Você apoiariam um governo em que ministros são declaradamente nazistas? É possível apoiar um país abertamente nazificado?

Entenda: se os Estados Unidos atacassem o Brasil prometendo o paraíso identitário eu estaria do lado até de Bolsonaro defendendo a soberania nacional. Não existe NADA PIOR do que a escravidão de um povo. Nada é mais humilhante e destrutivo do que a invasão de um país.

Todo e qualquer apoio à Ucrânia nazista é apoio ao imperialismo americano. Todo o direito internacional dá razão à Rússia, e até a oposição, como o partido comunista da federação russa, está apoiando Putin. O pais está unido no esforço de defesa contra a OTAN e suas ameaças. A GUERRA é responsabilidade do estúpido do Biden, que insiste em aceitar a Ucrânia como parte da OTAN, ameaçando a própria existência da Rússia.

Não esqueçam… a Ucrânia é russa!!! Sua história e duas origens se confundem com a própria história da Rússia Imperial. O Império russo nasceu em Kiev. Agora Putin está protegendo as novas repúblicas que se separaram da Ucrânia dos ataques do “presidente comédia” da Ucrânia. Leiam o que disse Kissinger, Carter e Madeleine Albright sobre o tema. Não há defesa para mais essa aventura estúpida dos americanos agora associados aos nazistas ucranianos.

E a Rússia não é e nunca foi imperialista. Digam um pais europeu onde há bases mitares russas. Não lembram? Pois dos Estados Unidos há mais de 700 bases espalhadas por todo o continente. A OTAN é uma farsa e sequer deveria existir; nada mais é do que uma representante dos interesses americanos. Uma guerra contra a Rússia é uma guerra perdida e um genocídio sem igual no planeta.

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Privatizações

Vocês perceberam que as privatizações significam que as grandes empresas estruturais do Brasil saem do controle do povo e passam para a mão das elites financeiras? Isto é: se você achava que a conta da água, da luz, do gás e do transporte é alta, e o serviço é ruim, poderia entrar em um partido político, ascender ao poder e mudar as regras, melhorar o atendimento, qualificar os funcionários. Já quando a empresa é privatizada ela funciona no lucro, no dinheiro. Salário passa a ser “custo” e melhoria no atendimento será “despesa”. O cidadão deixa de ter acesso ao controle do servico; ele funciona pelos interesses do mercado e a vontade do cidadão será apenas um fator secundário.

Alguém lembra em quem votou na última eleição da Vivo? Ou da Vale? Não né….

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Democracia liberal burguesa

O partido Republicano nos Estados Unidos tornou-se um partido de extrema direita, financiado pelo lobby de Israel, conectado com grupos de supremacia branca e ligado ao meio-oeste conservador, evangélico e profundamente conectado aos valores tradicionais.

Já o partido Democrata assumiu o posto antigamente ocupado pelo partido Republicano: um partido de direita, liberal, com uma política externa violenta. Ambos são irmanados na sua postura imperialista, apesar do partido de Obama, Clinton e Biden ser muito mais agressivo em sua política externa. É como Israel, onde os partidos se odeiam em todos os temas, mas se abraçam no suporte ao apartheid sionista. Nos Estados Unidos a política imperialista une Democratas e Republicanos com paixão.

Curiosamente, as diferenças chamativas não são políticas ou econômicas, mas estão na pauta dos costumes. Os identitários estão ligados aos democratas, que por isso são chamados “liberais” – mesmo que ambos partidos assumam o liberalismo econômico. É o partido de judeus, negros, da comunidade queer e da “diversidade”. É daí que veio o identitarismo brasileiro: direto da direita americana liberal. Por isso “leftist” nos Estados Unidos não tem, via de regra, nenhuma vinculação com ideias socialistas, mas com o identitarismo.

A esquerda americana é diminuta, quase inexistente, mas ela despreza tanto republicanos quanto democratas, assim como critica incansavelmente a geração “woke”.

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Arapuca

O pessoal está se achando muito esperto ao patrocinar o linchamento sumário destas figurinhas ridículas da direita, ao mesmo tempo em que empodera liberais e identitários. A história nos mostra que essa ação – mais cedo ou mais tarde – se volta contra a classe trabalhadora. Num período muito curto vamos ver a burguesia surfando no antinazismo e acusando os representantes da classe operária. Percebam quem está por trás da “indignação” de agora: sionistas, o mesmo grupo que patrocina uma ocupação fascista e cruel contra o povo Palestino. Estão usando a conversa dos liberaloides para fortalecer o fascismo de Israel. Seria pedir que a gente, pelo menos, desconfiasse?

Quando essa maré mudar e os ataques forem contra membros da esquerda…. daí, meu irmão, de nada vai adiantar dizer que “é diferente” ou “não é nada disso”. Os linchamentos – como estes que agora são feitos contra figurinhas reacionárias da moda – atropelam o bom senso e a própria razão; só o que se vê é oportunismo e vingança. A esquerda verdadeira deveria perceber que por trás desse movimentos de “defesa dos oprimidos” existe uma arapuca. Muitas vezes, para não cair nela e se manter fiel aos princípios, é preciso defender até os nossos adversários.

Escrevam aí: a esquerda vai se arrepender amargamente de ter usado as ferramentas da mentira, da interpretação viciosa e dos ataques cruéis contra seus inimigos e de ter esquecido os valores da liberdade e livre expressão que deveriam norteá-la.

PS: gente da esquerda usando Karl Popper para sustentar seus argumentos expõe nossa fragilidade conceitual.

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Escolha parir…

Hoje deu saudade do meu pai falando:

“Gosto quando você escreve sobre parto. Deixe a política de lado…”

Não dá pai… tudo é político, em especial ousar nascer livre em um mundo que adora correntes. Poucas coisas são mais desafiadoras e perigosas para a estrutura social do que uma mulher parindo em liberdade. “Um parto sem amarras é um liquidificador ligado às 3 da madrugada no condomínio”. Não há como se manter dormindo diante dessa potência.

Parir em paz, liberando as forças selvagens do nascimento, é uma decisão política. Não afeta apenas esta mãe e seu bebê, mas todo o entorno. Sua família, seu bairro, sua cidade e o planeta inteiro. Parir sem medo é desafiar a ordem patriarcal e buscar um novo mundo possível.

Escolha parir…

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Iluminismo, onde andas?

Pessoal da humanização do nascimento que festeja censura do Estado sobre a livre manifestação de ideias ainda não percebeu que a censura quase sempre atinge os grupos marginalizados e quase nunca os poderosos. Para cada Monark atingido existem 10 parteiras urbanas que serão massacradas por censura ou impedidos de manifestar sua opinião sobre temas controversos. Quem pode garantir que, diante do poder de cercear “más ideias”, não seremos as próximas vítimas? Quem define o que é uma “ideia perigosa”? O congresso? Este STF? Ficaremos na mão deles de novo?

Glenn Greenwald – judeu e homossexual, pertencente a dois grupos historicamente vilipendiados – deixa clara nesta entrevista à Carta Capital a importância da livre expressão das ideias como uma conquista iluminista – e não um modernismo americano. Abrir mão dela, mesmo que eivado das melhores intenções, é oferecer ao Estado o direito e o poder de controlar o que é debatido em uma sociedade. A isto se chama censura, um medievalismo. Foi o próprio nazismo quem determinou censura sobre pensamentos divergentes tão logo chegou ao poder.

Mais ainda, Glenn explica que esses movimentos que obstruem a livre expressão, mesmo quando bem intencionados, são inúteis e contraproducentes. Tanto ele quanto Chomsky lutaram contra a transformação de homofobia e do racismo em crimes exatamente por ser esta uma medida inócua, sem efeito e sem benefício para as comunidades a quem desejava proteger. Estas leis no Brasil não deixaram o país menos homofóbico e menos racista, apenas mais falso e dissimulado.

Por mais duro que possa parecer, a liberdade ainda é o caminho mais seguro. Oferecer o poder de controlar a narrativa a sujeitos como Alexandre de Morais – um nazista típico – para combater ideias ruins é um erro que poderemos pagar muito caro. Aceitar o direito de organização pode ser algo difícil de engolir, mas ainda É o mais justo e mais correto.

Nesta entrevista de Glenn Greenwald à Carta Capital eu não gostei da atitude da entrevistadora, que parece achar válido que empresários usem o poder do Capital para calar a boca de quem faz perguntas incômodas e traz convidados que atrapalham seus negócios, mas de resto Glenn deixou bem clara sua posição.

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PT 42 anos

Eu estava na Faculdade de medicina quando o PT foi fundado. Comentei com um colega “comunista” presidente do nosso centro acadêmico e sua resposta foi: “o que significa essa estrelinha vermelha na bandeira do PT?”.

Sua pergunta visava desmerecer a essência do PT, dizer que na verdade era de esquerda apenas na fachada, mas no fundo era um partido igual a qualquer outro. Curiosamente, anos depois encontro esse colega transformado num liberal de direita, um burguês típico.

Estive presente na eleição de Olívio Dutra à prefeitura de Porto Alegre, um momento histórico para a democracia. Um operário no poder!!! Saí às ruas com o bigodão do Olívio pela cidade agitando as bandeiras rubras do partido. Foi uma festa enorme da cidadania.

Sofri nas derrotas de Lula e vibrei com a vitória do partido em nível nacional em 2002. Vi as conquistas sociais, a volta da auto estima do povo e o retorno da esperança com os governos petistas. Junto com minha família chorei com a vitória do inominável em 2018.

Não sou filiado ao PT porque me situo à esquerda de suas ideias, mas reconheço no partido a potência transformadora de que precisamos agora, mais do que nunca.

Parabéns ao Partido dos Trabalhadores que hoje completa 42 anos de vida, sendo hoje o maior partido de esquerda do Ocidente, farol de liberdade e da democracia.

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Monark

Curiosos os argumentos; parece que as pessoas acreditam mesmo que proibindo os nazistas de terem um partido vão fazer com que os nazistas do Brasil desapareçam. Os nazistas estão entre nós, e faz tempo.

Lógica contemporânea:

“Eu acho preferível que os nazis saiam do porão e abram seu partido para serem combatidos à luz do dia”.

Saquei, tu é nazi

“Eu também acho que gays têm o direito de sair do armário e se casarem”.

Saquei, tu é gay que eu sei…

Para mim a ideia de que a legalização do partido nazista faria todo mundo virar nazi (ou aumentaria perigosamente seu número) brota do mesmo lugar que que criou a tese de que permitir beijo gay em novela transforma todo mundo em homossexual. Acordem… os nazistas sequer precisam de partido pois que já estão entre nós!!!!

No final, deste episódio patético ganharam os poderosos de sempre. Monark está proibido de abrir um Canal no Youtube. Já pensou se fosse o Estado autoritário e malvadão a fazer isso? Comunismo!!! Autoritarismo!!! Ditadura!!!

Pois não foi… foi o livre mercado, a tal da “iniciativa privada”. Os mesmos poderosos que estimulam guerras, disseminam fake news, produzem monopólios criminosos e patrocinam milícias digitais de direita acham que tem o direito de proibir a livre expressão de um sujeito. O bloqueio ao Monark é criminoso e ilegal. A esquerda que aplaude isso é BURRA, OTÁRIA, e está aplaudindo a tirania do capital para silenciar vozes dissidentes.

Não esqueçam que más ideias devem ser combatidas com boas ideias, e não com bloqueios e censuras.

Monark foi demitido do Flow por ousar dizer que abrir um partido nazista seria lícito (e não por defender o nazismo), e que o debate sobre suas práticas deveria ocorrer no terreno das ideias. Foi expulso pelos capitalistas que controlam a grana do programa e que aplicaram CENSURA sobre uma postura que, pode estar errada, mas deveria ser amplamente debatida.

Mas essa não é a pior notícia. O que me entristece é ver a esquerda aplaudindo as imposições do capitalismo sobre o debate das ideias, exaltando a censura, aplaudindo a tirania do dinheiro e aceitando a dominação do capital – através do torniquete econômico – sobre o pensamento nacional.

Monark é um garoto, um ancap – até reaça – um jovem defensor de ideias de direita, mas foi exatamente aqueles que ele tanto defendia que puxaram seu tapete. Foram os empresários, a “livre iniciativa”, a elite brasileira e os donos do Brasil que o mandaram calar a boca. Espero que ele aprenda com essa queda.

Monark se ferrou pela ditadura do capital. Os patrocinadores deixaram claro: “quem manda somos nós, e você só fala o que a gente permite”.

Mas… adivinhem quem ficou do seu lado, defendendo seu direito de dizer qualquer coisa – inclusive besteiras – por não aceitar que se obstrua a liberdade de expressão?

Os comunas… logo por quem tinha tanto desprezo.

Uma empresa de “acompanhantes” chamada Fatal Model foi uma das financiadoras que cancelou o Monark, levando-o a sair do Flow. Sim, uma empresa que explora a prostituição. Cafetões gourmet, exploradores do lenocínio com grife. Gente de família; homens e mulheres de bem. Afinal, eles não poderiam aceitar essa pouca vergonha que se tornou o Flow. Pega mal pro negócio deles…

Outra empresa foi a Puma, uma empresa criada na década de 20 na Alemanha e que se tornou apoiadora dos nazistas. Essa empresa acabou sendo julgada e condenada por crimes de guerra e da briga dos irmãos depois do fim da segunda guerra mundial surgiram as empresas Adidas e a Puma. Gente pura, empresários que pensam apenas no bem das pessoas.

Outra patrocinadora do linchamento ao garoto ancap foi a Globo, essa sim, empresa impoluta que esteve à frente de todos os golpes contra a democracia nos últimos 60 anos. Casa dos Marinho, central do PIG, apoiadores da candidatura do ladrão de toga, ex-juiz Moro, o destruidor do Brasil a soldo dos americanos.

Enquanto isso a esquerda liberal acéfala aplaude a atitude correta dessa turma…

E não esqueçam que na Alemanha o nazismo é proibido, mas pode-se encontrar uma organização nazi em cada cidade. Os nazistas de lá, exatamente como os daqui, se reproduzem e multiplicam no escuro, infiltrados nos partidos de direita. No Brasil são 530 células disseminadas pelo Brasil racista. Onde estão escondidos esses fascistas todos? Ora… no DEM, PP, União Brasil, Podemos, etc. Acham mesmo que tirar o sofá da sala e proibi-lo de ser colocado de volta poderia acabar com a sacanagem?

No meu modesto ver os nazis são como bactérias anaeróbicas que proliferam onde não circula o oxigênio; quando expostos à luz e ao ar corrente definham, enfraquecem e morrem. Censurá-los só serve para fortalecê-los.

Triste espetáculo de prepotência travestido de amor ao próximo…

PS: espero que meus patrocinadores não leiam isso

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Cosplay de pobre

Uma caricatura perversa do proletário precarizado.

Quando eu estava entrando na adolescência visitava famílias muito pobres na vila Restinga ou no morro Santa Teresa em Porto Alegre. As pessoas nos esperavam com a casa arrumada para receber algum auxílio para si e para os filhos, além de fazermos juntos uma oração. Era a chamada “Caravana Auta de Souza”. Quando chegávamos à casa delas era visível a precariedade e a falta de recursos, mas igualmente notável o capricho, o asseio, o cuidado e o respeito que tinham pelas suas poucas posses, e a preocupação com a nossa presença. A ideia que tenta associar pobreza com porquice é apenas uma mentira, uma jogada oportunista e tosca para gerar identificação.

Bolsonaro cria uma “ficção de pobre”, uma alegoria caricatural criada pelo seu preconceito com as camadas proletárias da sociedade brasileira. Aquele sujeito sujo, descuidado e emporcalhado é a imagem que ele próprio tem dos pobres, que confunde com vagabundos, descuidados e sem higiene.

O retrato triste que celebra o ocaso da tragédia bolsonarista diz muito mais do Bolsonaro, sua família, seus preconceitos de classe e sua ignorância sobre o proletariado brasileiro do que sua descrição dos pobres de quem ele, ingenuamente, tenta se aproximar.

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