Arquivo da categoria: Política

Blockbuster

Hoje eu pensei num filme que ainda não existe, mas bem que um diretor desses de Oliúde poderia se interessar por este roteiro.

Imaginem um juiz brazuca que se corrompe e ganha grana “por fora” para destruir empresas brasileiras que incomodam as suas concorrentes no exterior. E ganha muito dinheiro, porque esta empresa vale bilhões e é alvo de cobiça de construtoras de outros países. O problema é que esse dinheiro grosso não tem como simplesmente aparecer na conta do juiz, porque ficaria óbvio que esses valores só poderiam vir de algum lugar sujo. Todo mundo sabe o quanto ganha um juiz e a esposa dele, e sabe que ele não tem dinheiro de família, negócios paralelos ou qualquer outra fonte de renda. Então, como fazer essa grana ganha ficar “limpa”? Levando ela em um “lava jato”? Não, seria muita bandeira…

Solução? Sempre se acha….

Depois que este juiz se afasta da magistratura a empresa Alvaral e Marcez – a que mais lucrou com a quebradeira das empresas brasileiras contrata esse cara para ficar um ano inteiro no exterior como “aspone”, batendo ponto, indo na firma pra tomar cafezinho e ganhando um salário nababesco de mais de 3,5 milhões. Depois de um ano coçando o saco, ele volta para o Brasil, com a sua propina limpinha para depositar na sua conta no Banco do Brasil, e ainda por cima resolve entrar na política para ser o presidente do país que ele saqueou.

Não é um roteiro genial? Só não garanto que seja original….

Claro que isso nunca aconteceu, mas bem que poderia ser um roteiro muito maneiro para um filme com George Clooney no papel do juiz sacana, Julia Roberts no papel da esposa dele

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Olavão

Muitos chamam Olavão de burro, ignorante e idiota. Acusam-no de ser um embusteiro e um farsante. Acho isso bastante errado. Olavo de Carvalho escrevia muito bem – mesmo seus críticos admitem – e tinha cultura e erudição incomuns. Leu muito mais autores clássicos do que 99% dos seus críticos.

Burrice e ignorância vem da falta de conhecimento e de informação, o que não é o caso dele. Olavo tinha outros perversão do saber, um conhecimento e uma erudição a serviço de ideias fixas, controladas por uma personalidade paranoica. Isso não é burrice, é o uso doentio do conhencimento. Sua cultura era uma ferramenta de guerra, uma arma para destruir, não para iluminar. Mas, assim como inumeros outros personagens da história, está longe de ter sido um sujeito ignorante.

Agora Olavão morreu, ainda jovem (mais jovem que Lula, por exemplo). Não há como negar a importância de Olavo de Carvalho no pensamento conservador no Brasil e não se trata de execrá-lo (muito menos exaltá-lo) em sua morte. A mim interessa mais entender porque um sujeito como ele fez tanto sucesso. A extensão e o significado de suas ideias no pensamento de uma parcela da população é algo que precisa ser entendido. Conheci alguns de seus seguidores e vejo o quanto de fascinação ele exercia sobre essas pessoas.

Olavo deixa uma importante lição. Uma não, centenas. Um sujeito que elege um presidente pela força de suas ideias tem muito a ensinar. Se a gente não prestar atenção em Olavão, suas estratégias e a sedução que exerceu sobre milhões de pessoas, seremos obrigados a repetir o drama de sua influência.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Gado à esquerda

A esquerda da brasileira está cheia de democratas que gritam por “cadeia neles”, que acreditam em “chamar a polícia” e que acham que a censura é um “assunto delicado” que em certas situações – tipo, fazer perguntas incômodas sobre vacinas, questionar identitários ou tecer críticas pesadas à Suprema Corte – deve ser levada em consideração. Acreditam igualmente na lisura das instituições burguesas e aplaudem decisões tomadas por personagens claramente contrários ao ideário que defendemos.

Daniel Silveira

Sim, a esquerda também tem seu gado, e ela está recheada de punitivistas e autoritários que andam por aí achando que basta usar a sua camiseta “Lula Livre” para torná-los automaticamente membros da vanguarda revolucionária. Agora vemos estes mesmos esquerdistas comemorando a prisão do fascista com esteroides aplaudindo figuras golpistas e macabras como Alexandre de Morais. Para se vingar dos personagens mais mesquinhos da política nacional aceitam exaltar um STF cheio de golpistas e reacionários. É muito triste ver a “Esquerda Cirandeira” batendo palmas pro Ministro que cortava pé de maconha com facão e que foi indicado para Ministro pelo golpista Temer…

Estamos cavando nossa própria cova. A sentença de 9 anos de prisão é absurda e claramente um exagero, tornando o caso do Daniel em um ato emblemático da arrogância do STF. Quem agora comemora este tipo de ação autoritária que brota de uma suprema corte reacionária deve pensar que muito em breve estas sentenças abusivas dos Ministros que julgam em causa própria vão se voltar contra a esquerda. Da mesma forma como cruzaram os braços diante do golpe parlamentar contra a presidente Dilma, agora igualmente cancelam os votos de milhares de votantes, apenas porque tiveram seu orgulho ferido.

Alexandre de Morais

Não esqueçam que estes mesmos Ministros foram os responsáveis não apenas pelo golpe contra Dilma, mas principalmente pela prisão do Lula – ambas ações criminosas e ilegais, afrontosas à constituição. Aplaudir Alexandre de Moraes agora é pura estupidez, comparável a alegria que estes ingênuos esquerdistas têm com os editoriais lidos pelo porta voz da Rede Globo – William Bonner – atacando Bolsonaro. Exaltar uma força reacionária para atacar outra é um erro estratégico que a esquerda não pode se dar ao luxo de cometer. Não importa que os personagens da bolha fascista sejam idiotas e golpistas, precisamos pensar adiante, tendo como norte os princípios que defendemos, e não ações oportunistas desprovidas de uma visão em longo prazo.

Estamos abrindo uma porta que não seremos capazes de fechar. Muitos desses esquerdistas que agora aplaudem a Suprema Corte por suas atitudes abusivas são apenas direitistas com distúrbio de lateralidade.

Steve Bannon

Por causa dessa ação Bolsonaro emitiu uma nota concedendo perdão para o “halterofascista”. Até nisso o Bolsonaro é um “Trump Genérico”. Fez para o Daniel o mesmo que o ex-presidente americano fez com Steve Bannon – outro notável bandido, personagem dos mais nefastos da política direitista internacional. Esses presidentes da direita adoram ter os seus bandidões de estimação e, pelo que se pode ver, sentem-se acima da justiça e da lei. Imagina agora como está se sentindo o tal bombadinho. “Quem se meter comigo eu mando chamar o Bolsonaro“. Mais capítulos dessa novela estão por vir, e ainda não se sabe qual a reação do STF com essa guerra aberta do executivo contra o judiciário, mas é certo que os verdadeiros marxistas não devem se associar a nenhuma dessas forças retrógradas sob pena de sermos as vítimas em um futuro próximo.

Deixe um comentário

Arquivado em Causa Operária, Política

Gravidez e Desejo

Não existe gravidez indesejada.

Ok, aquelas gestações resultando de estupro poderiam ser as exceções, mas são estatisticamente insignificantes. O que existem são gestações onde o desejo não é reconhecido ou explícito. Eu, por exemplo, tive dois filhos de duas gravidezes não planejadas, mas plenas de desejo, um elemento sorrateiro, caótico e inconsciente – como haveria de ser.

A ideia de centrar esforços sobre “gestações conscientes” sempre me pareceu um delírio racionalista. Escuto isso desde os bancos escolares, antes ainda da escola de Medicina. Passa pela ideia de que, mais bem informadas e “orientadas” as meninas teriam uma capacidade maior de evitar gestações inadequadas, fora de hora, prematuras, indesejadas ou inconvenientes.

Eu rejeito a ideia de que esta ação poderia trazer benefícios para além de mudanças marginais, locais, pontuais e absolutamente pouco significativas. E digo isso porque não acredito que estas escolhas sejam majoritariamente controladas por elementos conscientes, os únicos que poderiam ser transformados pela educação e a informação. Ou seja, não se transforma racionalmente uma pulsão de origem irracional.

Minha namorada engravidou aos 22 anos, em plena faculdade de enfermagem, e seu namorado (eu) era estudante de medicina, ambos de classe média. A gestação, como eu disse, não foi planejada. Aliás quem planejaria ter um filho aos 21 anos, sem emprego, morando na casa dos pais? Pois mesmo assim, com toda a informação possível, com toda a educação necessária, uma gestação ocorreu – e logo depois outra.

Por quê? Ora… porque a informação não é capaz de mudar o desejo. Havia um desejo que transitava por detrás das palavras e gestos, como uma sombra, percorrendo caminhos para se expressar. Afinal, ele está onde não devia estar, ele “desacata a gente que é revelia, pois é feito estar doente de uma folia, como uma aguardente que não sacia, e nem dez mandamentos vão conciliar”, e nem todas as aulas, palestras, desenhos, gráficos, filmes vão tornar o sagrado em profano ou transformar o quente no frio.

Nas comunidades mais pobres as meninas não engravidam por serem burras ou pouco educadas nas questões do sexo. Ora, que ingenuidade. Elas sabem como evitar uma gestação, e desde muito cedo na vida. Aprendem nas quebradas e nos cochichos, encostadas no muro da escola. Aprendem da mãe, e até do pai. Ensinam-se uns aos outros na escola da vida cotidiana. A questão da gestação na adolescência passa longe de uma abordagem cognitiva, apesar desta não ser uma perspectiva desprezível; ela é apenas insuficiente e não produz efeitos consideráveis.

A questão passa pelo reconhecimento das pulsões sexuais como forças propulsoras da criatividade humana, muito mais fortes e potentes do que qualquer abordagem racional e educativa, mas também pela percepção da questão social que subjaz, muito mais significativa e que regula a política dos corpos nas estruturas sociais exploradas, como as comunidades onde a gestação na adolescência é prevalente.

Lá, nas quebradas, a gestação da menina de 15 anos tem uma repercussão completamente diferente da garota burguesa grávida nessa idade e que mora na zona sul. A ausência de perspectivas de crescimento pessoal que caracteriza a primeira se choca com as inúmeras portas que se fecham à segunda diante de uma gestação “fora de hora”. São realidades sociais extremamente díspares, criadas por contextos diferentes e produzindo consequências divergentes.

Por isso, não há como uma abordagem autoritária (na minha época se planejou dar injeções de progesterona em meninas de vilas populares) ou meramente educativa produzir resultados relevantes. Por mais que os ginecologistas se sintam desprestigiados a realidade é que a diminuição de casos de gestação na adolescência quase nada tem a ver com a ação médica que eles poderiam produzir. A solução – atenção para o spoiler – é política, e tem a ver com a superação do capitalismo, em direção à construção de uma estrutura social igualitária. Enquanto não houver uma transformação social, através de uma nova forma de organização das cidades, da renda, da moradia, da educação e do emprego, continuaremos a ver gestações que ocorrem em épocas muito precoces, o que acarreta um custo social e familiar muito grande.

Uma percentagem ínfima de gestações são planejadas, no sentido racional do termo. Quando uma mulher diz “não foi planejado” fica explícito para mim que ela apenas permitiu que seu desejo tomasse as rédeas do processo, sem a interferência da razão.

“Quem pensa não casa”, já dizia o velho adágio. Já pensou nesse ditado de forma mais profunda, tentando encontrar o que está escrito por detrás das palavras? Se você puder entender “casar” como um conceito amplo – que inclui amar alguém e ter filhos – a frase fica ainda mais interessante. Assim, para casar – amar, procriar, cuidar – é necessário não pensar, não racionalizar e permitir-se desejar. O amor é exatamente isso, uma perda do controle, uma submissão ao desejo.

Por certo que faz sentido orientar meninas sobre anticoncepção, gestação na adolescência, métodos alternativos, drogas para evitar, riscos e benefícios. Médicos deveriam ser essencialmente pedagogos (e não meros despachantes de drogas). Entretanto, para mim é evidente que essa estratégia é incapaz de mudar a situação porque se baseia numa ilusão racionalista. Parte do princípio que o sexo e a própria reprodução podem ser controlados – ou domesticados – pela informação. Isso é puro delírio médico, uma onipotência de controle.

Eu escuto essa queixa sobre a gestação na adolescência há 40 anos e sempre do mesmo jeito. Não muda uma vírgula do que os médicos dizem há 4 décadas, apesar de todas as evidências mostrarem que a abordagem usada por todo esse tempo está apenas equivocada. É duro aceitar, mas os médicos não tem quase nenhuma importância nessa equação, porque gestação na adolescência não é um problema médico, é um sintoma social – mesmo que, por certo, produza repercussões médicas.

A ideia de campanhas, injeções compulsórias em populações vulneráveis, educação nas escolas e distribuição de anticoncepcionais jamais solucionaram o problema. E a razão é simples: gestação na adolescência se adapta ao microcosmo das populações exploradas. Para que essa escolha inconsciente desapareça do horizonte das meninas é preciso transformar a própria sociedade e a cultura onde elas estão inseridas. Quando a pobreza for exterminada a gestação “não planejada” cairá vertiginosamente sem qualquer campanha, exatamente porque estas meninas, historicamente roubadas em suas alternativas, verão o futuro de si mesmas com outros olhos.

Muitas vezes reclamamos das gestações precoces como o faz um médico indignado com as verminoses no posto de saúde. Sua inquietude e sua legítima angústia diante dos casos que se avolumam o faz cobrar uma ação médica, imaginando que a verminose é um problema que pode ser medicamente solucionado.

Agora imagine ele passar 40 anos exigindo novas drogas, lutando para educar crianças a lavar as mãos e as frutas que vão comer, dando palestras na escola do bairro etc. e sem jamais perceber qualquer diminuição nos casos, porque nunca se dispôs a visitar a casa desses pacientes situadas à beira do valão imundo que os circunda. Verminose é um problema médico como a desnutrição, mas nenhuma destas doenças tem uma solução médica. Pois só no dia em que ele enxergar a questão social que produz há décadas essas enfermidades ele poderá abandonar seu discurso ingênuo e sua crença racionalista inocente.

Eu, pessoalmente, cansei desses discursos médicos que estão apartados da sociologia e da politica. São palavras vazias que nada acrescentam ao tema, pois as soluções apontadas são comprovadamente inúteis por colocarem nas mãos dos médicos uma solução que lhes é impossível. Isso apenas alimenta a frustração, causada pela onipotência da corporação.

Os nossos esforços deveriam estar direcionados muito mais à luta política para a erradicação da pobreza do que ficar tapando seus furos, tal como fazem os médicos abnegados que oferecem vermífugos às toneladas para crianças que moram em situação de miséria, excluídos da sociedade. Melhor fariam oferecendo injeções de indignação e pílulas de consciência de classe para que, desta forma, pudessem combater em conjunto as verdadeiras enfermidades: a iniquidade e a injustiça social.

Deixe um comentário

Arquivado em Parto, Política

Vai pra Cuba…

Vocês que ainda apoiam um sujeito como Bolsonaro na presidência jamais vão entender que o capitalismo brasileiro pode ser bom, mas apenas para uns 50 milhões de cidadãos – nossa classe média. O resto é tratado como massa de manobra, escravos modernos do neofeudalismo corporativo, pobres carregadores de carga numa divisão perversa de classes. Para eles os deveres, para nós os direitos.

O que vocês não perceberam é que qualquer miserável americano, que mora numa “maloca” de lona das ruas de Detroit, Seattle ou Los Angeles adoraria se mudar para Cuba para ter assistência médica, segurança e educação de qualidade para os seus filhos.

Portanto, essa história de “ninguém vai para lá” é uma meia verdade. Ninguém da burguesia dos países com classes opressoras vai para um lugar de justiça social; sempre vão procurar um lugar onde seus privilégios de classe serão mantidos e exaltados. Procurarão sempre um sistema que lhes proverá vantagens indevidas e que lhes garantirá um sentimento de superioridade.

Desta forma, aqueles que pertencem à classe média vão preferir ir para o centro do império, onde haverá gente pobre para lhes servir. O drama é que vocês não conseguem olhar para NADA longe dos vossos radiantes umbigos. Não conseguem perceber o sofrimento de milhões de brasileiros esquecidos, maltratados, mal pagos, espoliados, explorados e muitos passando fome. Essas pessoas são desumanizadas ao extremo, enquanto são desconsideradas ao seu olhar.

A questão central é que quando vocês são assaltados, ou quando seu pequeno negócio vai à falência, vocês culpam o governo, o “socialismo”, o Lula, a lei Rouanet, a polícia “frouxa”, os direitos humanos, as esquerdas, a falta de presídios ou a impunidade (como se a pobreza já não fosse uma punição eterna para esses grupos) ao invés de perceber que a culpa é do sistema perverso, de um capitalismo desumano, da sociedade de classes e da resistência produzida por uma classe média tola e racista que teima em não aceitar a necessidade de mudanças profundas e sistêmicas.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Não olhe para o lado…

Assisti “Don’t look up” porque não resisti à pressão. Todavia, pude entender como é possível enxergar os dois polos do espectro político tentando se apoderar da narrativa. Os complacentes, pró BigPharma, admiradores do Bill Gates podem se ver na história como “mocinhos”, da mesma forma como a extrema direita, anti globalista que admira o Steve Bannon, pode se enxergar na pele daqueles que “avisaram desde o princípio” a intenção dos poderosos. E todos falam em nome da (sua) ciência, cada qual olhando o livro sagrado pela sua própria perspectiva.

* Acho, aliás, bem ridículas essas gravurinhas que colocam algumas figuras nacionais ao lado dos seus respectivos representantes na história. A vida é mais complexa que esses clichês cafonas. *

Também não acho que seja comédia, apesar de ser paródia. A parte final do filme, inclusive, onde se tentou oferecer humor, não ficou legal e pareceu forçado. O que sobrou para mim foi o tema que sempre tentei debater: não existe ciência isenta no capitalismo. Não existe conhecimento infenso às influências do seu tempo e do capital. A verdadeira pandemia é o capitalismo, sua concentração obscena de poder, a divisão de classes e a manipulação das mentes em nível global para evitar a convulsão social que se aproxima.

Sabe o que mais? Na minha perspectiva o filme é de um otimismo irreparável. O cometa não é o fim do mundo (assim como aquele dos dinossauros também não foi) mas a sua restauração. O cometa é a revolução dos desvalidos, dos excluídos, dos descamisados, dos sem terra e dos sem teto. A bola de fogo que se aproxima vai varrer o velho modelo que está destruindo o planeta – e nos levando junto. O capitalismo pode enviar quantos foguetes quiser, quantas bombas desejar, mas não vai impedir que a história siga seu caminho; o cometa manterá seu rumo. Afinal,

“Quem vai evitar que os ventos
Batam portas mal fechadas
Revirem terras mal socadas
E espalhem nossos lamentos
E enfim quem paga o pesar
Do tempo que se gastou
De las vidas que costó
De las que puede costar?”

(Pablo Milanez & Chico Buarque)

O filme é uma razoável imagem dos nossos tempos, mas não é uma receita para o que devemos fazer…

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos, Política

Esquerda, volver

Por tudo que estamos passando que eu não posso perdoar essa esquerda conformista, que torce pelo Alexandre “Temer” de Morais, que adora decisão do Gilmar Mendes (que foi o responsável pelo impedimento de Lula), que admira o STF (!!!!), que adora a turma identitária sectária, que aplaude Bill Gates, Jeff Bezos, Koch, Soros e Zuckerberg, que chorou pelo frouxo identitário “nova esquerda” imperialista do Boric (anti Cuba, anti Venezuela), que adora empresas farmacêuticas bandidas (com um imenso histórico de fraudes, crimes, mortes, manipulações e corrupção), que respeita um criminoso de guerra como Joe Biden e que não enxerga como estamos sendo dominados pelo grande capital, pelo sistema financeiro transnacional, pelas BigTech e BigPharma e pela manipulação midiática dominada hoje pelo Vale do Silício.

É com tristeza que vejo uma boa parte do pensamento de esquerda se curvando ao liberalismo sem perceber que o desastre que hoje enfrentamos se deu também pela frouxidão de nossas posturas diante do monstro que se formava. Temos uma esquerda cooptada pela mídia monopolista, que precisa reinventar-se com urgência para retomar sua destinação revolucionária e contra hegemônica.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Esquerda compra…

Esses grupos que apostam no sectarismo sempre acabam produzindo o fortalecimento de sentimentos de exclusão. O “Esquerda compra de Esquerda” começou com a ideia de união de gente de esquerda para o consumo de serviços, mas muito rapidamente se tornou um grupo com os mesmos vícios dos grupos marcadamente sectários. Tornou-se um grupo de viés identitário e com uma visão moralista da sociedade, onde a esquerda repete os mesmos preconceitos que vemos nos grupos bolsonaristas.

No fim sobra uma ação de marketing que não ajuda a consolidação de uma visão holística da sociedade. Apregoa uma divisão entre “o bem e o mal”, não toca no ponto nevrálgico da luta de classes e cria uma separação artificial entre “nós e eles”, imaginando haver um muro ético a nos separar. Não passa de pura ilusão.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Boric

Boric tem uma posição bem progressista quanto à Palestina, o que é algo positivo. Uma frente internacional para barrar os crimes contra a humanidade produzidos pelo apartheid israelense é obrigação das democracias ocidentais. Boric também venceu o nazipinochetismo da classe média reacionária chilena, o que dá a nós, democratas de esquerda, um alívio diante da alternativa trágica. Sua eleição ajudará na eleição de progressistas da América Latina nas próximas eleições.

Entretanto, mal foi reconhecida sua vitória já fez o velho discurso manjado da esquerda liberal atacando Cuba e Venezuela, dois países covardemente embargados pelo Império. Parece que passadas 48h após sua eleição já foi pressionado a mandar uma mensagem ao centro do governo imperial para deixar bem claro “Olha, sou de esquerda mas amo vocês. Não estou aqui para confrontar patrão”.

Boric não representa uma vitória da esquerda, mas uma derrota brutal que deixamos de ter.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Luis Inácio avisou…

Lula tinha razão; toda a instabilidade política que hoje estamos atravessando poderia ser abortada se os ministros do STF tivessem mantido a espinha ereta. Mas não; estavam empenhados nesse mesmo propósito de criminalizar a esquerda aceitando pela via da mentira e da fraude uma agenda neoliberal. A ação pusilânime da alta corte ofereceu espaço para que a escória autoritária alcançasse o poder. Deltan Dalanhol, Sérgio Moro e o próprio Bolsonaro são o resultado das ações de uma corte que jamais pensa na justiça ou na proteção da constituição, mas nas suas próprias convicções políticas e interesses corporativos.

E o golpe já estava anunciado para 2022; entretanto, as últimas pesquisas (que em 28 de julho prevê a vitória de Lula em primeiro turno) e o “Manifesto da Burguesia” que alcançou números recordes em muito pouco tempo significam um balde de água fria nas intenções golpistas. Bolsonaro não sabe para onde correr. Parece mirar na mobilização popular de 7 de setembro como derradeira tentativa de galvanizar forças para a luta eleitoral. Os números da eleição, todavia, parecem ser tremendamente desfavoráveis para ele. Uma das perguntas feitas era qual a chance de trocar de voto até o final da eleição e, entre os dois candidatos que pontuam a pesquisa, apenas 18% dizem que ainda poderiam trocar de candidato.

Mas vejam: nesta pesquisa a diferença entre Lula e Bolsonaro é de exatamente 18 pontos percentuais, o que significa que para uma reversão eleitoral todos os “indecisos” (em verdade aqueles que ainda poderiam trocar se algo grave ocorresse) precisariam votar no atual presidente, o que é impensável nas condições atuais. Não há dúvida de que a situação de Bolsonaro é dramática, o que aumenta consideravelmente o perigo; sabemos que as bestas acuadas se tornam violentas por acionarem os seus instintos mais básicos de sobrevivência,

Entretanto, mesmo aceitando de forma otimista o melhor dos cenários, ainda teremos algumas tarefas importantes para a reconstrução do Brasil. Existem tarefas urgentes, como a questão militar e a tarefa de enterrar o golpismo das forças armadas, cuja anistia nunca permitiu que se punissem adequadamente os crimes da caserna. Não menos importante é a questão política e a estrutura parlamentar brasileira frágil, que permite o golpismo, como o que foi feito contra a presidente Dilma. Sem a segurança de que não será golpeado – sem provas!! – por um parlamento oportunista e vendido nenhum governante poderá ter tranquilidade para exercer o poder sabendo que o congresso está tramando contra seu governo.

E, por fim, há a questão jurídica e o protagonismo criado pelo STF, que encampou os poderes legislativos em seu rol de ações. A ação do Ministro Alexandre de Moraes contra o PCO vai entrar para a lista dos mais graves ataques à constituição e à própria estrutura ética do Direito. Um ministro que age de ofício numa ação em que ele próprio se considera vítima é uma profunda aberração jurídica, mas que não recebeu o escândalo que merece pela inação da esquerda liberal – que enxerga nesse personagem uma proteção contra as diatribes de Bolsonaro. Os atuais ministros (mas os anteriores não merecem elogio algum) são reconhecidamente covardes, agem conforme os ventos da política e de seus compromissos anteriormente firmados. O próprio STF protagonizou momentos vergonhosos nos últimos anos, e por isso o ex-presidente Lula não titubeou em afirmar que se tratava de um poder “acovardado”.

No Brasil o STF aceita que existam leis para Dilma (pedaladas como crime de responsabilidade), outras exclusivas para Zé Dirceu (“não tenho provas mas a literatura me permite“) e algumas só aplicáveis à Lula (atos de ofício indeterminados, prisão em segunda instância). Manter o Brasil refém de um judiciário pusilânime e reacionário significa oferecer a estes atores sociais, que não são eleitos, um poder superior ao de todos os outros poderes. Sem que se faça uma revisão no judiciário brasileiro – que teve na ação corrupta do ex-juiz Moro apenas a ponta do iceberg – jamais teremos uma justiça isenta. E sem justiça temos o império da barbárie.

Deixe um comentário

Arquivado em Causa Operária, Política