Esquina Rua da Ladeira x Rua da Praia – Porto Alegre (1941)
Nesta foto aparece uma charmosa esquina de Porto Alegre durante a famosa enchente de 1941 – Ladeira com Rua da Praia. Esse fato dramático produziu a coisa mais feia da história dessa cidade: o muro da Mauá, que separou o centro de Porto Alegre do seu rio.
Conta-se que nessa enchente algumas grávidas ficaram ilhadas pela alta das águas do Guaíba e, assim incapacitadas de chegar aos hospitais durante o trabalho de parto, tiveram seus filhos sem assistência. Daí surgiu a expressão tipicamente porto-alegrense “abobadinho da enchente”, que homenageia as crianças nascidas durante o período em que o Guaíba invadiu a cidade. Sabemos hoje o preconceito que essa expressão carrega: mulheres sem assistência de médicos (homens) não conseguem parir bebês saudáveis. O tempo mostrou que é esta assistência que, quando abusiva e despregada das evidências, resulta em violência institucional e riscos aumentados para mães e bebês.
Hoje, os “abobados da enchente” são aqueles que negam as evidências e se mantém numa prática violenta e misógina, contrariando os preceitos de uma atenção centrada na mulher e no bebê. Curiosamente, depois da construção do muro nunca mais tivemos uma enchente das proporções daquela de 1941.
Há mais de 30 anos o padrão é o mesmo. Quando alguém crítica o abuso de cesarianas e destaca a importância do parto normal a resposta nas redes sociais é fatal: alguém se ergue para dizer que “a cesariana salvou minha vida e do meu bebê, que estava se enforcando no cordão” ou ainda que “eu demorei 5 dias em trabalho de parto, pois os médicos não viram que eu não tinha passagem”, e etc. Finalizam dizendo que “no passado morriam milhares de crianças e mães porque não havia cesarianas e que parto normal – segundo seu médico – é algo antiquado e arriscado”.
Moça, acredite, não é sobre você. É a respeito de todas as mulheres. O seu caso isolado não é importante o suficiente para produzir uma regra que se ocupa de todas as mulheres grávidas. Ele é apenas o seu caso. É importante na sua história, mas não pode ser o padrão para todos os nascimentos.
Bom saber que havia cesarianas à disposição para o seu atendimento, mas isso não significa que o fato de você estar satisfeita com sua cesariana não significa que uma cirurgia como essa não seja frustrante para muitas outras mulheres. Também não há provas de que, mesmo que sua cesariana tenha sido realmente necessária, milhares de outras não tenham sido indicadas por razões sem embasamento científico algum.
Nós respeitamos sua ideia e sua escolha sobre a via de parto. Pedimos apenas que tenha a mesma consideração e empatia com a dor e a frustração de quem sofreu uma cesariana desnecessária.
Não se trata de uma questão de evidências científicas, observação e mensuração de resultados e análises racionais sobre o parto. A mudança não se dá lá em cima, na cabeça, mas uns 30 cm mais para baixo.
Tenham em mente que evidências e ciência não abrem a cabeça das pessoas!!! Esse mito caiu de forma retumbante nos últimos tempos, onde o terraplanismo e o bolsonarismo são exemplos suficientes. O que muda nossa percepção do mundo são os sentidos, as emoções, os sentimentos. Por isso é que hoje se dá tanta importância à sensibilizar, pois só depois de estar aberto às informações é que a ciência e as evidências farão sentido para o sujeito. A evidência funciona para quem desenvolve por ela a necessária transferência.
Não importam quantas provas da eficiência de partos domiciliares, Casa de Parto ou da assistência ao parto por enfermeiras e obstetrizes forem oferecidas aos profissionais médicos; sem que estejam sensibilizados para absorver estas informações elas jamais encontrarão terreno fértil. As provas e os estudos são ferramentas insuficientes para mudar atitudes.
Funciona como uma intervenção em análise; o analista até pode falar, mas só quando o analisando está pronto para dizer por si mesmo a sua verdade. Da mesma forma, a verdade científica só fará sentido quando já estivermos preparados para recebê-la. .
É como convencer alguém de algo que seu coração não aceita. Quantas mulheres e homens já nos contaram histórias assim: “Muita gente me falava que ele(a) não tinha caráter, mas eu não conseguia enxergar. Estava cego(a).” Como explicar o fato de que tantas provas foram inúteis? Ora… a razão obliterada pelas emoções produz este fechamento dos sentidos.
A tecnocracia impede os profissionais do parto de enxergar as múltiplas dimensões deste evento. Para além disso, os profissionais têm um medo profundo de perder o respeito e a consideração de seus pares. Aqueles que se permitiram enxergar o parto humano em todas as suas perspectivas descobrem também o preço imenso que este saber lhes custa. Por isso mesmo, muitos fogem das evidências exatamente para escapar da angústia que tal conhecimento inevitavelmente lhes causará.
Sejamos justos: criar a imagem do cesarista oportunista e antiético é um erro. Não é isso que move estes profissionais, mas elementos inconscientes e mesmo inconfessos.
É claro que existem profissionais que são comandados pela ambição e falta de escrúpulos, mas não são a maioria. A maior parte dos cesarianas tem fé no seu trabalho. Acreditam mesmo na superioridade da tecnologia sobre a natureza. Acreditam piamente na defectividade do corpo feminino e na sua excelsa tarefa de salvar as mulheres da crueldade de uma natureza injusta. Medicina funciona como uma religião e para exercê-la é necessário acreditar em seus postulados. Como qualquer religião tem os seus oportunistas, enganadores e perversos, mas eles são minoria. A grande parte se associa a ela pela fé.
O que comanda as ações destes profissionais é o MEDO e o despreparo para atender partos em toda a sua complexidade bio-psico-social. Médicos absorvem parto com a mesma lógica que assimilam todos os outros dilemas médicos: a escolha do procedimento mais simples, mais fácil e com menores riscos PARA SI MESMOS. A cesariana é a solução rápida, mágica e tecnológica para as angústias do nascimento.
Repito o que já disse anteriormente: o maior erro da medicina no século XX foi a expropriação do parto normal das parteiras. Milênios de experiência acumulada jogados ao lixo em nome de uma experiência cientificista e intervencionista sobre um evento fisiológico. O desaparecimento do parto normal nas sociedades ocidentais, em especial no Brasil – onde menos de 5% das mulheres têm acesso a um parto sem intervenções – nos cria, pela primeira vez na história, um estranhamento com a própria essência natural deste evento. Este, subjugado à visão artificial criada há pouco mais de um século, só pode ser conhecido através do mapa desenhado pela obstetrícia. Tão distante está da realidade e da essência do parto que este mapa em nada mais se assemelha ao caminho percorrido por tantos milênios.
O PARTO em sua plena capacidade transformativa, só pode ser visto e sentido na marginalidade, nos partos domiciliares, na assistência das parteiras e no suporte das doulas. O resto da população precisa se subjugar a um modelo centrado no médico e nas instituições, objetualizando a mulher e deixando esse evento cada vez mais longe de sua essência feminina e sexual.
Quando o pessoal faz “chá de revelação” a mãe também não sabe o sexo do bebê ou ela já sabe e só finge surpresa? Caso seja surpresa também para ela, como faz isso? Combina com o ecografista para avisar apenas ao confeiteiro?
Minha curiosidade vem do fato de que meus filhos nasceram exatamente na época da introdução das ecografias na prática obstétrica. Não foram realizados estes exames durante as gestações de Zeza, mas também não havia nenhuma curiosidade sobre o sexo dos bebês que justificasse a invasão da intimidade do ventre materno. O sexo era uma descoberta emocionante, mas o que havia era o “parto revelação”. O parto revelava tudo: peso, cara, cabelos e o sexo de nascimento.
Entretanto, esse “modismo”de descobertas precoces seguidas de um espetáculo de revelação enseja uma série de perguntas: por que exatamente no momento histórico onde o sexo biológico é tão desprezado como “determinante de gênero” essa comemoração é mais intensa, espetacularizada e pervasiva? Afinal, aqueles pequenos detalhes têm ou não importância? Qual o significado último dessas cerimônias de “revelação”? O que essa aparente contradição tem a nos “revelar”?
Para além dessas preocupações sobre os sentidos da revelação, muitas vezes estas festas se transformam em espetáculos de grosseria explícita. Há inúmeros exemplos de como a revelação extemporânea do sexo de uma criança pode ser tratada de forma abusiva, fazendo do momento um Fla-Flu grotesco e sem graça. Pior: a criança enquanto sujeito não vale nada, resumida ao valor das apostas sobre qual sexo pertence. Um objeto de brincadeira entre os adultos.
Fica claro que no mundo atual os eventos precisam ser espetacularizados, e parece que ser reservado significa abdicar do protagonismo. Hoje mesmo vi alguém reivindicando o direito das mulheres em fazer “topless”. Eu acho que esse direito deve ser garantido, mas deixar de cobrir o corpo tem muitos outros significados para além de evitar o calor e proteger-se do fio. O principal deles é a perda insidiosa da intimidade. O corpo deixa de ser algo privado e se torna público.
Assim, tudo o que é seu é exposto, passa a ser de todos, e a noção de pudor ou intimidade se desfaz como um anacronismo sem sentido. Tudo, inclusive sua sexualidade mais pessoal, precisa ser exposto, aberto e iluminado pelos holofotes das redes sociais. O que vejo acontecer, como era de esperar, é um questionamento cada vez mais intenso sobre esse modelo de auto exaltação. Eu, pessoalmente, acho muito bom que haja esta revisão.
Minha inquietude se mantém, e minha pergunta é honesta: Por que logo agora a descoberta do sexo passa a ser valorizada e espetacularizada, exatamente quando aquilo que por milênios definiu nosso sexo está caindo por terra, em nome de uma identidade de gênero muito mais fluida – mais da palavra e menos do corpo?
Médicos podem até matar seus pacientes se o fizerem dentro do modelo médico intervencionista, pois a medicina se assenta exatamente sobre o “controle e manipulação da tecnologia”. Quem respeita essa normativa está seguro. Cesarianas oferecem total segurança; partos normais serão sempre arriscados para quem os atende.
Tipo, você pode até matar um paciente durante uma cirurgia de ponte safena, mas se ele morrer porque você o estimulou a comer melhor e mudar seu estilo de vida será tratado como um “negligente”. E de nada adianta mostrar evidencias; medicina não se move por elas, mas por interesses corporativos. Aliás, como toda corporação.
Qualquer médico cujo paciente for a óbito obedecendo a estes cânones sagrados estará protegido pelos seus pares. Toda a corporação promoverá um círculo de proteção a este profissional, porque assim estará protegendo a SI MESMA.
Todavia, qualquer profissional que desafie a ideia de supremacia médica sobre a saúde questionando seus pilares de sustentação, será execrado, perseguido e, por fim, eliminado.
Desta forma, questionar a atenção cirúrgica, hospitalar e médica ao parto cabe exatamente na definição de “heresia”, por desafiar a crença da superioridade do conhecimento médico sobre o nascimento. Vi isso muito de perto; o pior crime sequer é o local extra-hospitalar do nascimento, mas reconhecer o conhecimento autoritativo das parteiras profissionais como válido.
Todo aquele que assim proceder será tratado como traidor.
É possível ser a favor da Humanização do Nascimento e ser “fascista”?
Acho que não, mas é melhor só usar a palavra “fascista” com respeito adequado ao seu conceito. Talvez melhor seria perguntar se é possível ser a favor da Humanização e ser de direita. Existem milhões de matizes que exigem avaliação bem minuciosa. Não se trata de uma postura do “Bem contra o Mal”. A realidade é bem mais complicada do que qualquer limite estabelecido pelas simplificações maniqueístas. Por exemplo, nos Estados Unidos a situação dos humanistas no espectro político é bem interessante no que diz respeito às suas origens no início dos anos 70, onde seu aparecimento esteve ligado aos movimentos “new age” e “espiritualista”. Por esta origem atraiu muitas parteiras “espirituais”, ou “spiritual midwives”. Isso lembra alguma coisa? Pois é…
Além disso, essa fonte atraiu parteiras cristãs, que se opõem ao aborto de forma muito intensa. Algumas criaram o mais importante jornal de humanização do nascimento nos EUA. Outra curiosidade: muitas parteiras espirituais, oriundas dos movimentos “beatnik” e “hippie” são brancas, e foram recentemente atacadas pelas parteiras e doulas negras, que se sentem agredidas pelo seu “racismo estrutural”.
Com isso houve uma cisão entre os movimentos de humanização liderados pela MANA e os fortes grupos identitários de parteria negra. Como é bem sabido, os movimentos contrários ao identitarismo nos Estados Unidos se situam à direita do espectro político.
Conheço mulheres que são favoráveis à humanização do nascimento exatamente porque desejam garantir seu direito de parir em casa, um direito individual mais afeito aos propósitos da direita, já dentro do espectro liberal. O mesmo com o desejo de “homeschooling” ou contra a “obrigatoriedade de vacinas”. Nos meus grupos da Internet existe muito desse discurso que se poderia chamar “libertário”. O mais chamativo dessas comunidades é “Separation of Birth and State”.
Sim, humanização e de direita, contra a ação do Estado nos nascimentos. Assim, é razoável imaginar que pessoas que enxergam o mundo pela perspectiva da liberdade, da autonomia e da livre determinação estejam à direita, contra o reforço do controle estatal e à favor da desregulamentação.
(Uma manifestação de contrariedade com o texto que escrevi sobre o parto normal e a humanização do nascimento – feita por uma mulher).
“…mulher nenhuma deveria ter parto normal na atualidade, para que serve a medicina? Para evitar dores e mutilação no corpo das pacientes. Hoje parto normal só para animais, e olha que os domesticados já estão passando por cesárea para não sofrer. Mas enfim, vá ter um filho em parto normal, depois a gente se fala, ok?”
Diante dessa manifestação fica muito difícil responder. Estou estupefato. Inquieto e atônito, mas com uma clareza súbita sobre estes temas. Sua mensagem me deixou perturbado a ponto de abrir um portal de iluminação sobre minha cabeça. Na luz que se produziu eu percebi a verdade de suas palavras e, mais ainda, o fato de que não só o parto normal poderia ser considerado obsoleto, mas que o próprio sexo deveria ser, com o tempo, descartado como desiderato máximo do prazer humano. Como você disse, depois do acesso aos recursos tecnológicos, o mundo “natural” deveria ser reservado apenas aos animais. Afinal, se já é possível fazer fertilização “in vitro” por que ainda insistimos nesse modelo ultrapassado de reprodução?
E veja bem…. além de ser cansativa e desagradável essa “troca de odores e fluidos”, o que dizer dos riscos? Doenças sexualmente transmitidas, infarto agudo, torcicolo, arritmias, hemorragias e gravidezes não planejadas, entre outros dissabores, poderiam ser evitados. Sexo é cansativo e pode ser dolorido, enquanto uma inseminação pode ser feita num laboratório de qualidade com toda a segurança e limpeza, enquanto o casal poderá estar viajando para a praia ou desfrutando dos verdadeiros prazeres da vida: pedir comida pelo IFood e ver séries da Netflix.
Não há como deixar de reconhecer seu acerto em decretar o fim do parto normal diante de tantas evidências científicas de sua obsolescência. Todavia, eu reconheço que, sendo o parto uma parte da vida sexual da mulher, melhor seria que todos os aspectos da sua sexualidade – e não apenas o parto – fossem relegados ao esquecimento e trocados pelas suas variantes tecnológicas. Assim, por que não banco de esperma no lugar de marido, fecundação artificial no lugar de sexo, cesariana no lugar do parto, fórmula láctea no lugar da amamentação, babás e creches no lugar da maternagem? Por que ainda insistimos nesses anacronismos que só atrapalham nosso conforto e nossa alegria?
Certamente que este futuro utópico que você imagina para todos será, por certo, mais seguro, mais feliz e indolor. Haldous Huxley e Margaret Atwood ficariam corados de vergonha de não terem pensado em todos estes detalhes.
A respeito de uma cena de cesariana realizada de forma delicada – com nascimento empelicado – e o debate que se seguiu, onde alguns participantes afirmavam que se tratava de uma “cesariana humanizada”, uma discussão que acompanho há mais de 20 anos.
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“Uma cesariana pode ser delicada, humana e respeitosa, mas jamais “humanizada”.
Vejamos porque não aceito essa definição para estas cirurgias. Faço, já há muitos anos, esta diferença porque o conceito que utilizamos é de que a humanização do nascimento se apoia em três elementos constitutivos:
a atenção baseada em evidências
o enfoque interdisciplinar
o protagonismo do evento garantido à mulher
Não é difícil de entender que em uma cesariana o protagonista do evento é o médico e suas habilidades cirúrgicas. Portanto, uma cesariana – mesmo escolhida pela mulher ou com indicações médicas claras – não pode ser “humanizada” por não possuir um dos elementos basilares da humanização: o protagonismo garantido à gestante. Na cesariana, como em qualquer cirurgia, o paciente será sempre objeto da arte médica e não sujeito do processo.
Não se trata de um julgamento de mérito, mas uma questão semântica, de conceito. Como eu defino a humanização como sendo uma estrutura suportada por três pontas (protagonismo, Saúde Baseada em Evidencias e a interdisciplina) eu não posso considerar uma cesariana como humanizada – mesmo quando ela for útil, delicada, humana, bem indicada e até salvadora – pela falta de um dos elementos estruturantes.
Além disso, sabemos que existe uma questão semiótica neste rótulo reivindicado pelos propagadores das “cesarianas humanizadas”. Essa demanda serve para criar confusão entre uma cesariana – que é uma intervenção cruenta e artificial – e os mecanismos fisiológicos e naturais do corpo, chamando ambos os procedimentos de “humanizados”. Assim, para muitos fica a mensagem de que “tanto faz a via de nascimento se ambas as formas de nascer forem humanizadas“, certo?
Não, cesariana é cirurgia, parto é parto, assim como fórmula láctea é uma coisa e leite materno é outra. A superioridade em termos de riscos diminuídos e promoção da saúde do leite materno e do parto normal sobre suas variantes artificiais sequer precisa ser discutida.
Todo nascimento tem sua beleza. Mesmo a cesariana, que é uma cirurgia de grande porte, pode ser realizada com delicadeza e respeito, fazendo do nascimento pela via cirúrgica um evento igualmente belo e significativo. Não se trata de desmerecer esta cirurgia e muito menos quem porventura precisou se submeter a ela, mas é um cuidado para resguardar o conceito de humanização para os processos naturais e fisiológicos, onde a própria mulher mantém o controle dos tempos, das presenças, das posições e dos ambientes.”
Quando vejo “certos e errados” na atenção ao parto sinto arrepios. Sem dúvida que a experiência e os estudos podem nos oferecer guias, mas é fundamental entender que qualquer patologia ou mecanismo fisiológico é uma abstração, e só se torna real quando inserido no corpo de uma mulher. É ali, e somente nesse terreno, que o universo agirá para manter a vida, e sabemos o quanto a individualidade pode modificar estas rotas.
Ainda hoje a maioria dos atendentes de parto prefere se guiar por manuais rígidos, protocolos, rotinas, fluxogramas e “camas de Procusto”, mesmo quando a manifestação do sujeito lhe cospe na cara todos os dias a diversidade infinita da alma humana.