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Luta Insana

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Eu sei que posso incomodar algumas pessoas, inclusive algumas que gosto muito e que apoiam este tipo de “espetáculo”. Entretanto, o que mais falta acontecer para – pelo menos – pararmos de incentivar a selvageria? Não fossem as suspeitas de fraude na primeira luta (que acabou propiciando uma revanche multimilionária, com muito dinheiro rolando para todo lado), agora o pobre lutador estraçalha sua perna na frente de milhões de espectadores do mundo inteiro. Quem sabe – baseados na mesma lógica mercadológica do “tem público para isso” – não passamos a televisionar execuções, cadeira elétrica, enforcamentos e brigas de gangues. A violência explícita e crua dessas lutas é um sinal de que as nossas pulsões destrutivas mais primitivas ainda não encontraram sublimação mais elevada do que pauleira e quebra-perna.

Eu nunca consegui assistir lutas porque acabo me identificando com os lutadores e ficando tenso, raivoso e até com dor de cabeça. Mas vejam: os esportes são TODOS sublimações das pulsões agressivas. Ao invés de atacar a aldeia vizinha e roubar propriedades e mulheres nós jogamos contra o time do outro bairro. Isso produz uma vazão da agressividade sem precisar matar ou ferir, o que é inteligente e admirável. A criação das disputas propicia esse nobre desvio nas nossas mais perigosas tendências. Como pode-se ver, o impulso é o mesmo, apenas modificado pelo processo civilizatório. Pois curiosamente, o mundo atual depois de civilizar as lutas através do pugilismo, com regras, pesos, limites e – principalmente – luvas deu uma guinada em direção à selva instintual, com a brutalidade explícita testosterônica dos lutadores lesados de MMA.Parece mesmo que produzimos na cultura uma metamorfose ao contrário, como diria Geroge Galloway: passamos da borboleta à lesma, da sublimação ao enfrentamento sem limites.

Alguns filmes, como Mad Max, anunciavam um apocalipse com octógono, onde as lutas, ao estilo gladiador,  só terminavam com a morte de um dos contendores. Porque não liberamos logo este tipo de espetáculo? Público pra isso não seria difícil encontrar…

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Exercícios Natalinos

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Ok, então está combinado. Feliz Natal, abraços, tudo de bom, lembranças pra família.

Talvez. Esse Natal eu fiquei pensando em exercícios necessários. Pensei em duas coisas. Na primeira, lembrei do meu pai me perguntando a respeito do falsificacionismo. Dizia ele: “Pense nas suas convicções mais sérias e profundas, nas coisas em que você acredita com mais fervor. Pense, por exemplo, no poder da mulher de gestar e parir com dignidade, ou na sobrevivência da alma após a falência do invólucro carnal. Pense nessas “verdades” profundamente. Agora, depois de regozijar-se com o conforto que tais certezas oferecem, imagine que elas são em verdade falsas e que há como comprovar, basta que você escute os argumentos que eu lhe oferecerei em contrário. Responda com sinceridade: você os escutaria?

Será que eu os receberia como um contraponto válido ao meu modo especial de ver tais fenômenos ou fecharia meus ouvidos às coisas que não desejo escutar? Ficaria concentrado e confortado em minhas certezas ou aceitaria a relatividade das verdades que acalento? Teria a coragem de encarar a possibilidade de estar errado, ou me iludiria eternamente com a confiança em fatos que não suportam uma análise mais profunda?

A necessidade de questionar minhas certezas sempre me perseguiu, desde que escutei Raul Seixas cantando “Eu prefiro ser esta metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo“. Se aquilo que acredito não pode ser questionado é por que não passa de um dogma, e os dogmas cristalizam o pensamento e congelam a criatividade. O livre pensar não aceita a petrificação dos conceitos, pois a dinâmica do conhecimento não permite paradas. Mesmo causando dor e muito medo, questionar seus próprios valores e crenças é tão essencial quanto crescer ou respirar.

Se você acredita demais em algo, que tal questionar suas crenças mais intensas? Quem sabe não seja mais honesto relativizá-las e encará-las como o que verdadeiramente são: partes de um mosaico infinito, pedaços passageiros de um caleidoscópio que muda a cada movimento minúsculo do conhecimento, fragmentos de algo indizível e desconhecido chamado “verdade”.

A segunda coisa que pensei me serve de ideia para o segundo exercício. Então é isso aí, Feliz Natal para você e sua família, felicidades e boa sorte, um ano cheio de realizações e que o menino Jesus possa iluminar sua vida, e bla, blá, blá… Tudo bem, não há nada de mal em desejar o melhor para os que nos amam e nos querem bem. Mas e os outros? O que fazer com aqueles que nos magoaram e feriram? O que desejar a eles nesse período? Nada? Desejar o “mal”? Ignorar? Maldizer?

Ok, este é o exercício. Pense nas pessoas que lhe fizeram mal, que falaram mal de você, que lhe agrediram, que ignoraram, que caluniaram ou perseguiram, que se ocuparam de denegrir a sua imagem perante os outros, que mentiram para tirar vantagens e com isso te prejudicaram. Feche os olhos e pense nessas pessoas.

De novo. Olhe no rosto dele(s). Olhe profundamente nos seus olhos. Imagine cada detalhe de sua face.

Pronto…

Agora imagine que ele é seu filho ou sua filha. Que por mais que tenha feito coisas erradas você jamais deixará de perdoar, pois que suas almas foram conectadas até antes mesmo dela nascer. Olhe para seu inimigo como se ele fosse da sua carne, tão próximo que você pode até sentir o que ele sente.

Pensou? Percebeu que, assim tornados próximos, os inimigos se humanizam? Desta maneira fica mais fácil entender a sua mágoa e o que os fez atacar e agredir. Quem sabe entender e perdoar seus desafetos seja o maior presente de Natal possível de ser oferecido.

Podemos tentar, ao menos…

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Tempos Modernos

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Se há uma coisa que me arrependo na juventude é não ter investido pesadamente nos momentos de lazer e alegria com meus filhos. Eu era muito jovem quando fui pai, e o acúmulo de atividades (faculdade de medicina e sete empregos simultâneos) aliada à escassez de recursos me dificultavam o convívio com os pequenos. Eu sei, são desculpas, mas é o que me resta e me dá conforto. As férias eram sempre entremeadas com trabalhos fora de hora, plantões que pagavam bem mas que ninguém queria fazer (carnaval, Natal, etc..), e eu sempre me sentia compelido a aceitá-los. Hoje em dia eu tenho um remorso danado dos momentos que poderia ter usufruído, mas que deixei passar por me preocupar com coisas menores e muito menos importantes do que estar ao lado dos filhos.

Vivemos em um mundo em que o trabalho desempenha um papel central em nossas vidas. Era assim que eu o via. Estudar para me qualificar, me qualificar para trabalhar, e trabalhar para “ser alguém na vida”. O trabalho define e mostra quem a pessoa é, e como se situa no mapa social. Entretanto, eu vejo com preocupação na sociedade contemporânea uma supervalorização do trabalho como tendo o “sentido mais importante na vida de um sujeito”.

Eu creio que esta questão é complexa, e não pretendo esgotá-la em meia dúzia de frases. Se posso entender o significado da função social do trabalho, também posso entender que as relações afetivas e as responsabilidades que temos com aqueles que por nós se afeiçoam não podem ser desprezadas. E na sociedade em que vivemos, trabalhar de forma ininterrupta tornou-se uma meta acima de todas as outras. Não só trabalhar, mas ser fanático pelo trabalho, doente por ele, obcecado pela produtividade e pela excelência, mesmo que esta função social assuma a posição de destaque, acima dos outros objetivos de nossa vida. No mundo atual “workaholic” – aquele que trabalha em excesso e de forma insana – passou a ser um elogio, uma marca indefectível oferecida para os “vencedores”.

Pois eu vejo de forma diferente. Acredito que trabalhar demais é para os pobres de espírito. A cultura do “workaholic” é uma mitologia para burros de carga, que valoriza e coloca em um pedestal o indivíduo que situa seu trabalho acima das relações pessoais ou de seus afetos. É uma forma sutil de escravidão moderna, onde os grilhões não são mais de ferro, mas de mitos e preconceitos urbanos. “Fulano é espetacular, um workaholic obstinado, determinado e incansável” Não, em verdade ele não passa de um tolo!!! Trabalhar acima da conta é um desrespeito consigo mesmo e com a família. Trabalhar acima do que é razoável é para trouxas ou escravos. O trabalho deve ser gratificante e produtivo, lúdico e desafiador. Ele não pode ser um FIM, mas um meio para ser útil ao mundo que nos cerca. O dinheiro que dele advém deve servir apenas para oferecer segurança, tranquilidade e conforto, e não para ser um brinquedo perverso de colecionadores de moedas.

Adrenalina sim, mas jamais sem o contraponto da ocitocina. Se é importante a influência fálica e desafiadora no mundo, onde o trabalho o esforço e a criatividade terão destaque, também serão fundamentais a placidez, o compartilhar, o descanso e o prazer. Sem essa dualidade, em que ambos os aspectos de nossa vida tem espaço para se expressar, seremos autômatos infelizes, semelhantes ao pobre operário de Chaplin em Tempos Modernos.

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Viagens e Sonhos

Paris - Eiffel

Quando eu tinha 14 para 15 anos minha mãe fez a viagem dos seus sonhos para a França. Como boa “francófila” passou a vida inteira sonhando com as ruas, os cafés, os “boulevards”, os museus, as estações de “metropolitain” e o ar que se respira na “cidade luz”. Pois, aproveitando que meu pai foi estudar na França, ela juntou-se a ele no final da sua viagem e passou um mês em pleno sonho, caminhando por cada ruela, cada praça e cada edificação resplandecente. Talvez este tenha sido o maior exemplo que tive na vida de um sonho a se cumprir…

Na volta ela nos trouxe presentes simples, que eram revestidos de um simbolismo especial. Um chaveiro, bugigangas do avião, imagens da cidade e coisas comuns que turistas compram. Entretanto, muito mais do que o valor de qualquer objeto, estava a impregnação que eles traziam de uma viagem de sonhos e de um projeto criado havia muitos anos em sua mente cheia de fantasias sobre a onírica e romântica cidade de Paris. Entre estes presentes estava um “blusão“, que hoje chamaríamos de “moletom”, em que se lia, em letras estilizadas, “Saint Michel et Saint Germain“.

Perguntei a ela do que se tratava, se eram apenas os nomes de dois santos especiais da cidade, ao que ela me respondeu, com um sorriso maternal, que estes nomes se referiam a um cruzamento de duas avenidas de Paris. “Nada de mais, meu filho, apenas um cruzamento por onde passei”. Imediatamente a minha cabeça de menino criou uma esquina cuja atmosfera era de magia palpável, um ar de sonho respirável e adocicado, um local onde as fantasias mais profundas se realizavam. Minha mãe havia cumprido o maior sonho de sua vida na esquina das ruas que eu carregava no peito. Por muitos anos, até ela ficar puída e pequena demais para um adolescente que se espichava, eu usei o blusão da cidade dos sonhos, a Paris que minha mãe amava e por quem ela tanto sonhou.

Hoje, passeando pelas ruas de Paris, tomei uma sopa de cebola em um pequeno restaurante próximo da Rue du Louvre, acompanhado de uma cerveja Leffe. Levantei-me e segui para a próxima esquina onde fica uma praça, chamada de Saint Michel. Ao lado dela a rua com o mesmo nome. Surpreso pela coincidência inesperada, continuei por ela, magnetizado ela possibilidade de encontrar o cruzamento que habita minha mente há quase 40 anos. Poucos metros adiante, próximo do Panteão, chego ao mítico encontro das ruas Saint Michel e Saint Germain. Como todo encontro por muito tempo esperado, ele nos deixa com a sensação de que algo falta. “Onde estão os fogos de artifício, as dançarinas de can-can, as luzes, os cantores de rua tocando acordeon? Ora, pensei, nenhuma realidade seria capaz de acompanhar a fértil imaginação de um menino“. Entretanto, ali estava a esquina misteriosa, o encontro das ruas que povoaram minhas fantasias infantis. Queria muito que minha mãe pudesse estar aqui comigo para poder me contar como era Paris há 40 anos, o que ela pensou quando aqui realizou seu grande sonho e o que isso significou para sua vida.

Talvez seja melhor assim. O sonho ficou apenas para ela mesma. É bem provável que ela fosse absolutamente incapaz de traduzir em palavras o sentimento que teve ao visitar a cidade. É possível também que tais emoções só existam em um terreno em que as palavras não fazem sentido algum. Além disso, outra mera suposição, a minha emoção ao encontrar essa esquina talvez não tenha tradução, e tudo o que está escrito aqui é uma tola e ridícula aproximação dos sentimentos de um menino de 14 anos ao escutar as palavras de sua mãe, cheias de afeto, esperança e carinho.

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Cyberbullying

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Quando o Orkut era o canal mais popular de conversas on line no Brasil eu criei a comunidade “Parto Humanizado”, exatamente para debater as questões relacionadas à humanização do nascimento no Brasil (e posteriormente de outras partes do mundo). De uma hora para outra a comunidade encheu, inflou-se e chegou a ter 5 mil pessoas inscritas. O sucesso dos participantes acabou atraindo pessoas contrárias à causa da humanização, que infiltravam-se nas conversas para agredir os interlocutores. Assim, o caráter anônimo destes participantes fazia com que a comunidade fosse recheada de “stalkers” e “trolls”, sujeitos interessados apenas em participar de uma recém criada modalidade de ação perversa: o “cyberbullying” (perdão pelo excesso de estrangeirismos – espero que encontremos em breve palavras em português que definam estes atores sociais e estes comportamentos perversos).

Atuando escondidos na multidão e com sua identidade escondida, a exemplo dos “bravos e corajosos” anônimos dos estádios de futebol, estes indivíduos entravam nas comunidades e despejavam ódio, rancor, ressentimento, ignorância e violência verbal de todo o tipo. A atitude era sempre provocativa, ácida e maldosa. Muitas vezes fui chamado – por ser o moderador – para acalmar (e até expulsar) pessoas cujo comportamento era absolutamente abusivo com os demais, muito além do que se admitiria perante um contraditório, uma diferença de opinião ou ponto de vista.

Mas o Orkut desapareceu, e com ele estas personalidades destrutivas e anônimas, certo? Só que não….

Elas continuam povoando os debates e as conversas. Podem ser facilmente encontradas na seção “comente a notícia” dos jornais, onde despejam, o fel de sua amargura contra os criminosos, os gays, os pobres, os políticos, os exóticos e todos aqueles que são diferentes de si mesmos. Procuram avidamente qualquer iniciativa honesta e caridosa para tratá-la como mentira, engodo ou falsidade. Pisoteiam a dor alheia, desrespeitando os mais nobres sentimentos humanos, como o sofrimento por uma perda.

Para estas pessoas, anônimas, acovardadas em seu pequeno mundo cibernético, eu recomendo que tenham responsabilidade sobre o que falam e dizem. O Bullying entre adolescentes, na sua modalidade “internet”, passou a ser um assunto de polícia e de saúde pública, em vista de tantos acontecimentos dramáticos e trágicos que acontecem ultimamente, como suicídios e assassinatos. E para os adolescentes que sofrem este tipo de agressão o conselho é que NÃO REVIDEM! Não participem do círculo vicioso de rancor, mágoa, agressão. Não retaliem, porque o ódio de quem os ataca é muito maior. Peçam ajuda – família, autoridades ou polícia – compreendam a dor de quem os ataca mas não participem desta doença.

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Parto e Sexualidade

Tais

Há algum tempo uma pessoa me perguntou “afinal, qual a diferença entre parir em um hospital e em casa“, querendo me dizer que não havia razão para ter um filho na segurança de um domicílio já que os hospitais poderiam proporcionar o mesmo cuidado ali prestado associado ao uso de tecnologia mais sofisticada.

Diante dessa pergunta eu respondi: “E difícil explicar esta questão sem uma compreensão mais ampla da transcendência desse evento, que em muito ultrapassa os valores físicos, biológicos, mecânicos e hormonais. Para usar uma comparação grosseira, a diferença entre estas duas experiência seria semelhante àquela de ter uma relação sexual com uma desconhecida e fazer amor com o grande amor da sua vida. Do ponto de vista biológico, hormonal e mecânico os dois eventos são parecidos, para não dizer iguais. Movimentos semelhantes, alterações hormonais, excitação, orgasmo e período refratário. Entretanto, qualquer pessoa que não seja absolutamente desprovida de sentimentos percebe a distância abissal entre estes dois eventos”.

Sem a dimensão do amor, da paixão e da espiritualidade (num sentido amplo) não há como a ciência contemplar os significados infinitos de um nascimento em paz. Tentar traduzir matematicamente um parto, imaginando esgotar-lhe as possibilidades de entendimento, é perder a essência e a magia incomensurável do que significa ser humano.

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Sobre “selinhos” e Pentelhos

Selinhos-Pentelhos

Primeiramente, o “selinho” do jogador Sheik não tem nada a ver com um exercício de liberdade sexual, ou uma demonstração de apoio à causa dos homossexuais. O jogador em questão é tosco demais para ter este tipo de refinamento intelectual e postura ideológica em favor da livre expressão da orientação sexual. Mais ainda: mesmo que fosse homossexual não admitiria publicamente exatamente porque seria refém de uma cultura machista (o futebol) que não admite qualquer desvio da sexualidade “normal”. Outro jogador, do citado clube São Paulo, até tentou romper a fechadura do armário da sua sexualidade, mas foi duramente ameaçado pelo presidente do clube e foi obrigado a voltar atrás. O caso do Sheik foi um golpe publicitário, nada mais. Ele beijou o dono do restaurante do qual ela acabava de virar sócio. “Como podemos chamar a atenção para o nosso negócio?

Ora, simples… todo publicitário sabe como armar um factoide. O jogador e seu sócio fizeram isso exatamente para serem comentados, discutidos, e acabássemos procurando saber quem é o outro personagem e em qual restaurante isso ocorreu. Posteriormente, com a repercussão do caso, as declarações do jogador acabaram desnudando sua óbvia incapacidade defender a causa da igualdade. Ele é tão preconceituoso e limitado quanto todas as outras pessoas que fizeram críticas à sua atitude. Ao fazer piadinhas com o rival São Paulo trouxe seu preconceito à tona. Portanto, o “caso do selinho” deve ser entendido como um “teaser comercial”, uma propaganda em que dois atores contracenam para vender um produto. Nada tem a ver com a postura de ambos quanto à temática da homossexualidade.

Os pentelhos de Nanda Costa são um outro assunto. É claro, pelo menos para mim, que ela fez aquilo de propósito, ou pelo menos com o óbvio interesse em gerar comentários. Posso acreditar até que depilou-se – de forma mais vigorosa – imediatamente após a sessão de fotos. Também podia ela estar atuando (ou não), mas isso pouco importa. O que eu acho digno de debater (porque a questão “higiene e saúde” é tão ridícula que eu me nego a abordar) é o olhar censurador da sociedade sobre a volúpia capilar genital das mulheres e as razões pelas quais entendemos os pelos revoltos como formas ameaçadoras.

Há algo no olhar contemporâneo que criminaliza os enfeites pubianos, a ponto de aceitarmos apenas aqueles milimetricamente recortados e “aparados”. Parece a nós que eles precisam ser delimitados e “controlados”. Uma vulva despudoradamente “cabeluda” parece fora de controle, selvagem, indômita. Cortar pentelhos é uma ação cerceadora, limitadora.

O medo que a sociedade patriarcal tem do desvario sexual feminino faz com que seja necessário manter esta força sob estrito controle. Nossa censura explícita aos pelos pubianos livres parece mesmo a expressão de um desejo de apoderamento sobre a sexualidade feminina. “Tirar o pelo pubiano de uma mulher é tirar sua força, já dizia Freud, em 1932.” Como de costume o velhinho se mantém atual.

Não é a toa que fazem isso, ou “pelo menos” – trocadilho proposital – faziam, em todas as mulheres grávidas que adentram o espaço de um centro obstétrico. Tal qual contrapontos femininos do herói Sansão, raspam-se as forças femininas retirando delas o que resta de poder. Assim é que se expressa o patriarcado falocrata; pelos (de novo) detalhes.

Pelos pubianos são cortados para que assim, curtinhos e comportados, não ameacem a ordem vigente.

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Archie Cochrane e a Revolução das Evidências

Nos últimos anos, ao combinarmos pela primeira vez na história da humanidade a capacidade de produção de ciência experimental e a disseminação quase instantânea de seus resultados, chegamos à possibilidade de tratar os assuntos relacionados aos tratamentos com um embasamento inédito nas provas de sua eficiência. Isso foi a revolução da “Saúde Baseada em Provas”, que teve um marcador importante com a criação da Biblioteca Cochrane em Oxford, Reino Unido. A Biblioteca Cochrane, criada em 1996 a partir da Cochrane Collaboration, é um dos principais, mais antigos e mais valiosos recursos de investigação em Ciências da Saúde, especialmente porque fornece sínteses de conhecimentos derivados de pesquisas rigorosas.

Archibald Leman Cochrane foi um médico escocês, nascido em 1909 na cidade de Galashiels. Ele se tornou um dos grandes revolucionários da medicina do século XX ao perceber, num movimento semelhante ao que Ignaz Phillip Semmelweis havia feito na Áustria quase 100 anos antes, que a medicina sofria de uma carência crônica de coerência, método e lógica aplicada aos tratamentos aplicados aos pacientes. Ao invés de mandar seus colegas lavarem as mãos, como o fez o mestre húngaro, Archie exigiu que eles estabelecessem protocolos racionais para as condutas médicas, baseados em provas concretas experimentais e estudos abrangentes de aplicabilidade, segurança, eficácia e eficiência dos tratamentos. Muito do que aprendeu na medicina, a exemplo de Teofrastus Bombastus Von Hohenheim (Paracelso), foi ao lado dos pacientes, sentado ao pé do leito, durante as guerras em que serviu como médico.

Em uma passagem brilhante de sua história, durante seu período como prisioneiro na Grécia na II Guerra Mundial, ele solicitou ao oficial alemão que conseguisse mais médicos para ajudá-lo na enfermaria de feridos, pois ele era o único em serviço para o atendimento a um campo de detenção de guerra que à época contava com mais de 20 mil prisioneiros. Ao ouvir o pedido de Archie o oficial respondeu, indignado e com rispidez: “Nein! Aerzt sind ueberfluessig!” (Não!! Os médicos são supérfluos!). Quando escutou estas palavras o oficial médico Archibald Cochrane ficou furioso e transtornado, e por isso chegou até a escrever um poema sobre sua indignação. Todavia, Archie era dotado de um excepcional senso crítico, e ficou tentando analisar com profundidade as palavras do oficial alemão. Teria sido ele sábio ou cruel? Algum tempo depois, depois de avaliar o resultado das intervenções realizadas em sua enfermaria, ele chegou à terrível conclusão de que o comandante alemão…. estava correto. Não havia na Medicina do seu tempo protocolos eficazes e baseados em evidências para o tratamento das inúmeras afecções que ceifavam a vida dos prisioneiros que a ele eram entregues. As condutas variavam de país, de estado, de cada um dos hospitais de campanha e até entre os médicos de uma mesma enfermaria, pois que estavam baseadas em percepções pessoais, experiências únicas, crenças, perspectivas subjetivas, e não na solidez de experimentos de larga abrangência. Para alguns médicos as feridas precisavam se manter abertas, pois a “aeração” ajudaria a saída do pus. Para outros, bandagens que eram mantidas até por uma semana, que apodreciam coladas à pele dos pacientes. Para os tuberculosos, calor, chás e o pneumotórax, em casos avançados. Nada tinha consistência; os resultados não eram agrupados e analisados para se encontrar uma rota mais segura – ou menos danosa.

A partir de sua experiência traumática com a falta de protocolos bem estudados Archie Cochrane decidiu-se por dedicar sua vida ao estudo sistematizado de modelos de tratamento, embasados em uma visão científica e experimental. Daí surgiram inúmeros protocolos e tratamentos, e por seu pioneirismo foi criado um instituto na Inglaterra que até hoje carrega seu nome.

Porém, o mais emocionante na história de Archie Cochrane é a sua vívida e intensa conexão com seus pacientes, mostrando que a ciência não precisa ser afastada da vida das relações, formada por carne, osso, fibras e lágrimas. Sua visão cristalina e abrangente das práticas médicas não exclui as emoções e o trato direto com os doentes. Sua descrição do trabalho nos campos de concentração nazistas mostra a determinação que ele possuía de oferecer aos doentes o melhor que sua capacidade era capaz, a despeito da falta absoluta de recursos e das condições terríveis que seus pacientes se encontravam, egressos dos campos de batalha e trincheiras infectas da I Guerra Mundial. Mesmo diante das piores adversidades e dramas sempre havia a possibilidade de um auxílio real e humano. O relato abaixo mostra que os eventos do nascer e morrer são pontas que se tocam. A mesma lógica de carinho, afeto e amor que ele demonstra por aquele que se vai, nós precisamos oferecer àqueles que chegam; amor e compaixão pelo semelhante são as únicas respostas.

(Fragmentos do livro “Effectiveness and Eficiency: Random Reflections on Health Services“, de Archie Cochrane)

“Outro evento em Elsterhorst teve um efeito marcante em mim. Os alemães haviam despejado um jovem prisioneiro soviético em minha ala, tarde da noite. A ala estava cheia, então eu o coloquei em meu próprio quarto porque ele parecia estar moribundo e gritando, e eu não queria acordar toda a enfermaria. Examinei-o e percebi que ele tinha uma brutal e óbvia cavitação bilateral , além de um atrito pleural grave. Imaginei que o atrito era a causa da dor e dos gritos. Eu não tinha morfina, apenas a aspirina, que não produziu nenhum efeito. Senti-me desesperado. Eu sabia muito pouco de russo na época da guerra e não havia ninguém na enfermaria que o soubesse. Finalmente, eu me sentei instintivamente em minha cama e levei-o aos meus braços. Os gritos pararam quase que de imediato e ele morreu pacificamente em meus braços algumas horas mais tarde. Não foi a pleurisia o que causou os gritos e o desespero, mas a solidão. Esta foi uma lição maravilhosa sobre o cuidado com os moribundos. Eu tive vergonha do meu erro de diagnóstico e mantive esta história em segredo”

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União e Luta

Zeza Parteira
Protegendo e respeitando o momento sagrado do nascimento

Hoje fomos assistir “Iron and Wine”, no Teatro Paramount, na esquina da sexta com Congress Avenue, em Austin. A apresentação principal foi de um compositor e cantor local bastante conhecido chamado Sam Beam. Eu adorei a apresentação. O estilo é “folk music”, mas de uma forma que se afasta um pouco da música “western” e se aproxima da “world music”. Lembra, é claro, James Taylor, e talvez por isso o meu coração brega e romântico não pôde deixar de gostar.

Mas não foi essa a questão que me fez relatar o acontecido. Esse show acontece todos os anos em Austin no verão, e serve como uma fonte de arrecadação para a MANA – Midwives Alliance of North America (Aliança das Parteiras Norte Americanas). Os ingressos vendidos vão para os cofres desta instituição que conta com milhares de parteiras espalhadas por México, Canadá e Estados Unidos. Fiquei muito feliz de ver Deja, a filha de Robin Lim (parteira em Bali – Indonésia, que recentemente ganhou o prêmio da CNN “Heroína do Ano” entre as mulheres), apresentar o show de Sam, acompanhada de – nada menos que – Robbie Davis-Floyd. Robbie estava nervosa e excitada com o convite, mas saiu-se muito bem. Foi direta, concisa, simpática e trouxe novas estatísticas sobre os 40 mil partos catalogados por MANA nos últimos anos. Apesar da taxa de cesarianas ter aumentado quase 1% (passou de 4 para 5%) a taxa de transferências diminuiu de 12 para 10%. Os valores mostram de uma forma inequívoca que as CPMs – Certified Professional Midwives (Parteiras de entrada direta, tal como as obstetrizes brasileiras) apresentam um trabalho exemplar e digno de aplausos. No fim de sua breve exposição, Robbie pediu que todas as parteiras na plateia se levantassem e fossem aplaudidas (entre elas uma tímida Zeza) para receberem a justa homenagem de todos os presentes ao show. Estava verdadeiramente muito emocionante. Foi uma bela homenagem às parteiras americanas. Uma pena que ainda não chegamos a este momento. O que mais me emocionou no depoimento de Deja, filha de Robin Lim, é a ideia de que as parteiras são as guardiãs de um segredo, de um momento sagrado, que a tecnocracia (e NÃO a tecnologia) está afastando das mulheres, empobrecendo nossa experiência humana. O trabalho das parteiras é a de proteger as mulheres e seus partos, enaltecendo suas virtudes, garantindo-lhes segurança e honrando seus corpos.

A esposa de Sam Beam teve seus filhos em casa e, por esta razão, eles se tornaram grandes apoiadores da causa. Esta é uma história que nós, humanistas do nascimento, conhecemos muito bem: Depois de nascimentos transformadores os novos pais percebem que precisam dar a sua contribuição para que outros possam ter a mesma experiência positiva que tiveram. Mary Barnett, parteira local, atendeu estes partos, e muitos outros entre as famílias que deixaram o Paramount lotado nesta noite de sábado, e por esta razão recebeu uma ovação emocionada de Sam e de muitos na plateia. Fiquei feliz de ter encontrado nesta viagem duas amigas que são símbolos da atuação da parteria livre nos Estados Unidos: Mary Barnett e Marymikel.

Mas o que me deixa preocupado é o fato que ainda não conseguimos reproduzir no Brasil instituições como a MANA. A ABENFO é a instituição mais parecida com a MANA que temos, mas com muito menos poder e influência. Por outro lado, Max me dizia, há mais de duas décadas, que “as ideias devem ser mais importantes que os ideólogos”. Portanto, mais do que fortalecer egos e pessoas, precisamos incentivar o fortalecimento das instituições que lutam pela humanização do nascimento no Brasil. Passamos por uma fase de grandes lutas e dificuldades na consolidação de um ideário de projetos e lutas pela implantação de nossas propostas, e só agora começamos – muito lentamente – a colher os primeiros frutos. A ReHuNa continua sendo o grande carro chefe em nível político e estratégico, mas ainda somos muito desunidos e “feudais”. Nossos grupos, tal como as organizações feudais japonesas lideradas pelos Daimyos, conquistam valor e importância local, mas ainda carecemos de grandes lideranças nacionais, alicerçadas em estruturas e instituições sólidas, que sobrevivam e se sobreponham as personalidades que, momentaneamente, as liderem. A desunião nas propostas atrasa a execução de nossos projetos.

Precisamos de uma organização nacional de doulas, como uma rede, que possa ter uma representação em nível governamental, além de oferecer suporte científico e organizacional, a exemplo do que ocorre com a DONA aqui nos Estados Unidos. Precisamos uma instituição de “parteiras profissionais” (nome que Robbie usa para diferenciá-las das parteiras tradicionais, que já tem seus instrumentos específicos de representação), forte, atuante, arrojada e corajosa, para fortalecer a expressão cultural e científica da parteria urbana. Estas instituições precisam ser criadas e/ou fortalecidas, para que nossos sonhos se tornem realidade.

Precisamos nos unir pois ainda somos poucos e esparsos, e o poder dos que preferem que as coisas fiquem como estão ainda é mais forte do que a nossa vontade de mudar.

Mas não para sempre.

Aqui fica, como presente, um pouco da música de Iron & Wine:

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Sobre as Parterias

PARTEIRA DA ETNIA TUKANO

Não se pode confundir a preservação dos saberes tradicionais, que precisam ser preservados com a NECESSÁRIA inserção formal das parteiras nas sociedades complexas. Esse processo de reconhecimento, controle e avaliação profissional acontece em TODAS as áreas, não só na medicina. Não existe mais necessidade para algo que eu via na minha infância (e que é até personagem de Dias Gomes) o chamado “prático licenciado”.

Ora, o que vem a ser o tal “prático licenciado”?

Era o sujeito que dominava uma prática qualquer, como por exemplo, alguns  dentistas até o início do século XX. Sempre existiram pessoas que arrancavam dentes na comunidade, faziam pequenos reparos, ajudavam nas dores excruciantes e que foram sofisticando as suas práticas, até serem conhecidos como “dentistas”. É notório que a alcunha de “Tiradentes”, recebida pelo personagem histórico e alferes José Joaquim, lhe foi oferecida porque trabalhava como um “dentista sem diploma”.

“Não fez estudos regulares e ficou sob a tutela de seu tio e padrinho Sebastião Ferreira Leitão, que era cirurgião dentista. Trabalhou como mascate e minerador, tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido (alcunha) de Tiradentes.” (Wikipedia)

O que são as parteiras tradicionais se não “práticas licenciadas”? São aquelas remanescentes de uma época em que não havia estudo formal ou quando este aprimoramento era tão distante das comunidades que alguns integrantes desta se prestavam a fazer trabalhos indispensáveis nestas áreas. Havia engenheiros, contadores, médicos, dentistas, causídicos, farmacêuticos, todos eles “populares”, sem formação acadêmica (e as vezes sem formação escolar, pois muitos eram analfabetos). Com a popularização dos cursos superiores, principalmente na segunda metade do século XX, muitos profissionais universitários entraram no mercado e houve a necessidade de regulamentar a prática destes.

Afinal, quem poderia ser dizer engenheiro, médico, advogado ou dentista?

Uma forma de organizar tal demanda foi através do DIPLOMA de uma universidade, que garantia que aquele sujeito havia cursado adequadamente as disciplinas fundamentais para a prática de uma profissão. Entretanto, um contingente enorme de trabalhadores desta área, sem diplomação alguma, ficaram considerados “fora da lei”, em função de uma regra imposta pelos egressos da universidade. Para solucionar esta injustiça com aqueles que já se encontravam há décadas no mercado foram criadas normas que garantiam o trabalho para os antigos profissionais sem diploma, que aprenderam com a prática diária, longe dos bancos universitários, mas perto da vida e dos pacientes. Eram os práticos licenciados, alguns dos quais ainda conheci quando menino.

O tempo fez com que os últimos “práticos” viessem a falecer, e hoje em dia exige-se dos profissionais uma graduação acadêmica para as profissões que citei acima. Entretanto, na parteria ainda não ocorreu esta migração absoluta e total. Ainda temos muitas, milhares dirão alguns, parteiras “populares”, principalmente no nordeste brasileiro. Como agir em relação a elas?

Pode-se admitir que uma mulher, apenas por dizer-se parteira, possa atender um momento crítico (mesmo sendo fisiológico) de uma mulher nos dias atuais?

Minha resposta é: sim. Podemos aceitar o trabalho das “práticas licenciadas em parteria”, desde que estas mulheres, aos poucos, comecem a se adaptar às modificações de suas próprias comunidades.

Na minha opinião nossa ação deve-se dar em duas frentes: A primeira seria o suporte às parteiras tradicionais que ainda existem, com capacitação, interlocução, troca de experiências, ajuda material (medicamentos básicos, transporte, etc.). Isso é algo que eu acredito seja feito por várias Organizações Não Governamentais (como o grupo Curumim, entre outras). Outra ponta de atuação deve ser o incentivo à formalização. Experiências como esta foram realizadas no México, e com sucesso. Trazer estas parteiras para o mundo formal, respeitar suas práticas, oferecer informação básica sobre práticas baseadas em evidências, combater procedimentos reconhecidamente lesivos ou perigosos (barro no coto, teia de aranha, corte nos mamilos do RN para retirada do leite das bruxas, desmame precoce, etc.) e incorporá-las ao SUS (com PAGAMENTO pelo seu importante trabalho) devem ser ações prioritárias.

Mas para isso é importante definir quem são estas parteiras, e isso eu já tratei em outros textos. Para resumir, são de dois tipos: as parteiras “informais”, tradicionais e que se situam em locais de baixos recursos e/ou de um grupamento cultural onde suas práticas são reconhecidas por suas iguais e valorizadas socialmente. Como exemplo temos as parteiras ribeirinhas da Amazônia ou as parteiras Guarani M’bias no Rio Grande do Sul, entre centenas de outros exemplos que poderíamos utilizar sobre parteria tradicional no Brasil e que tem estas características essenciais.

O outro tipo são as(os) parteiras(os) urbanas(os), que são os profissionais egressos de uma formação universitária, regulados por seus conselhos específicos, com conhecimentos acadêmicos e científicos sobre práticas de atenção ao parto e que se originam dos cursos de Medicina, Enfermagem e Obstetrícia, os dois primeiros com a possibilidade de qualificação em obstetrícia.

Os profissionais que não se enquadram nessas categorias não são reconhecidos como “skilled attendants” e não podem ser regulamentados, orientados e/ou punidos por organização alguma e estão, portanto, à margem da formalização. Tais profissionais, via de regra, não tem protocolos bem definidos, registros de casos ou maneiras de aferir suas práticas. Isso, ao meu ver, é um problema para o sistema de saúde, e a formalização de todos os atores sociais que atendem nascimento precisa ser uma meta de todos os países que desejam diminuir as taxas de morbi-mortalidade materna e perinatal.

Ric Jones
ReHuNa

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