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CPFs “cancelados”

Nada me fará pensar diferente: uma sociedade está muito doente quando celebramos a morte de quem quer que seja.

Eu entendo a indignação com os assaltantes e outros criminosos. Ninguém é obrigado a ficar impassível diante da violência. Entretanto, a solução NUNCA será o extermínio simples. Para cada criminoso morto outros mais surgem para ocupar essa vaga. A sociedade não fica mais segura apenas porque matamos estas pessoas. Vivemos em uma sociedade que PRODUZ criminosos de forma industrial por causa de um modelo econômico excludente e cruel. Matar gente, usando uma lógica higienista, não produz benefício algum.

Isso explica porque um país rico e excludente como os Estados Unidos têm mais de 2 milhões de pessoas presas enquanto a Suécia – inclusiva e igualitária – está fechando suas prisões por falta de demanda. Isso também fica óbvio ao vermos que a aceleração do encarceramento promovida nos últimos governos não foi capaz de diminuir a criminalidade e nem a sensação de insegurança.

Criar um estado policial – mortal e matador – só piora a indignação e o ressentimento dos excluídos. E não esqueça… quem morre é SEMPRE o pessoal preto e pobre das vilas e periferias, e nunca o branco criminoso de sapatênis dos bairros ricos.

Nosso sistema jurídico faz parte desse apartheid social que criminaliza e extermina os pobres

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O Experimento

Apesar dos inúmeros convites eu nunca entrei no Twitter. Também nunca frequentei Instagram e sempre escrevi apenas no Facebook. Se há uma coisa para mim espantosa é a violência e a ferocidade que o anonimato – e/ou a distância física – confere ao cidadão comum. O Twitter, segundo me dizem, é “terra de ninguém” onde a difamação e a calúnia são os idiomas oficiais, e o Instagram é a vaidade na potência infinita. Enquanto isso, a brutalidade inédita – em sua abrangência – das agressões nas redes sociais faz lembrar um pouco o experimento em Yale de Stanley Milgram com os choques elétricos. Mas lembra também Star Wars, onde a Estrela da Morte destrói o planeta Alderan inteiro com a leve pressão do dedo de um comandante.

Parece que, se o seu “inimigo” – por ser de outro partido, outra ideologia, outra religião, outra orientação sexual, outra opinião, outra perspectiva de mundo, etc – estiver distante o suficiente você pode apertar repetidas vezes o botão da ofensa e da violência que isso não será sentido. A distância e a invisibilidade alheia confirmam a noção de “quem não vê cara, não verá o coração destroçado”.

Já fui vítima de agressões de pessoas (até então) amigas pelo crime de pensar diferente e de expressar publicamente opiniões controversas, mas por certo que já estive na outra ponta do espectro ao escrever críticas duras sem levar em consideração o impacto que poderia causar nas pessoas atingidas. Isso me fez repensar os limites de nossa atuação e ação públicas. Por certo que verdades inconvenientes precisarão sempre da nossa voz (e nossa escrita), mas as críticas direcionadas às pessoas precisam um cuidado muito maior do que este que agora temos.

A violência virtual cresceu de forma exponencial nos últimos anos. A ruptura de antigas amizades e as ofensas desmedidas igualmente, talvez porque ainda não percebemos o quanto de nós mesmos aparece em cada palavra destrutiva que escrevemos. Mas também é possível que o prazer de ver alguém sofrer com o simples toque em uma tecla – como no experimento Milgram – nunca tenha sido avaliado em sua amplitude.

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Drogas

Sempre foi minha ideia de que não se faz bom combate ao uso de drogas com proibição. Isso se chama “proibicionismo” e não funciona no nível subjetivo. Não funciona agora – mesmo com todo dinheiro investido – assim como não funcionou há 100 anos com a “lei seca” nos Estados Unidos, que só criou “mercado paralelo” e produziu milionários (como os Kennedy) que exploravam o tráfico. Teve que ser abandonada logo depois. Da mesma forma proibir maconha é inútil e só serve para eliminar pretos e pobres e para enriquecer traficantes e políticos corruptos.

Outra coisa: não é a droga que vai fazer uma criança fracassar na vida, é o contrário. É uma vida fracassada e cheia de dores morais que vai levar um sujeito às drogas. Droga não é a origem do mal… É CONSEQUÊNCIA. A guerra às drogas é o ato desesperado de “tirar o sofá da sala”, trocando o resultado por sua causa. Este tipo de ato não produz nenhum benefício social. Não interrompe o uso e só coloca jovens pobres na cadeia onde farão a faculdade do crime. Em suma: uma perda de tempo e recursos que poderiam ser usados na prevenção.

É qual a prevenção? A resposta curta é acabar com o capitalismo, um sistema econômico que sobrevive do consumo de inutilidades (ou produtos para o desejo infinito, e não para reais necessidades) e que torna doentes e fracassados aqueles que não podem consumir. A droga se torna uma válvula de escape natural.

A resposta mais longa é parar com o estímulo à todas as drogas – sim, os remédios inclusive – dos quais as sociedades atuais se tornaram dependentes. Hoje se morre MUITO mais de ansiolíticos e antidepressivos do que de maconha e cocaína. MUITO MAIS. Por ano são 200 mil pacientes que morrem pelos efeitos colaterais de remédios prescritos, apenas nos Estados Unidos, e isso é muita gente!!! Essa medicina tecnocrática, drogal e intervencionista já é a terceira causa de morte entre os americanos, atrás apenas de doenças cardíacas e câncer.

Precisamos combater a CULTURA DA DROGA, que nos faz acreditar que a cura da angústia se vende em pílulas ou injeções. Qual a possibilidade de um adolescente não se drogar se desde a mais tenra infância ele é ensinado de que “para cada sintoma corresponde uma droga que se compra na farmácia”?

Ora… quando a adolescência e suas dúvidas e angústias começarem a doer de verdade (quem já não sentiu na pele essas dores?) ele vai procurar uma droga que lhe produza alívio; na farmácia ou na esquina. Como convencê-lo a não se drogar se a sua vida inteira houve estímulo para colocar nas drogas a solução dos dilemas????

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Imprensa Livre

Ah, a “imprensa livre”…

Hoje (mais) duas empresas romperam o patrocínio com a rádio Gaúcha aqui de Porto Alegre em razão dos comentários no programa Timeline de um formador de opinião que se chama Davi Coimbra.

Eu acho o Davi Coimbra um desastre comentando futebol, e seus comentários sobre política são conhecidos como “a voz do patrão”, sempre à direita, contra Lula, contra o PT e com ataques frequentes à esquerda. Eu jamais o assisto desde um famigerado posicionamento seu – sem provas e sem evidências – contra Lula para impedi-lo de concorrer à presidência. Também não assisto o Timeline, mas sei que a entrevista com Lula foi desrespeitosa e grosseira, assim como uma realizada com o senador Requião na qual ele bateu com o telefone de tão furioso ficou com o tratamento jocoso e debochado dos jornalistas do programa.

Posso não gostar nada do que estes comunicadores falam ou escrevem, mas esse é um problema de quem os assiste, não meu. Faço o meu boicote pessoal e acho justo que assim se faça. Se não houver abuso da lei digam o que quiserem em seus veículos. Entretanto, o que vemos agora é que os patrocinadores retiram os contratos diante das discordâncias de opinião. Tudo para não manchar sua imagem diante de opiniões controversas.

Atentem para a situação: hoje em dia, o que você escuta e assiste em uma rádio e também em outros meios fica por conta da régua moral de um fabricante de bolachas que, por discordar do chato do Davi, resolve retirar o seu patrocínio. Foi exatamente o que aconteceu…

Entretanto, “imprensa é dizer aquilo que alguém não quer ouvir”. Essa é a frase do imperador do jornalismo americano, William Hearst, que inspirou Orson Welles em Cidadão Kane. Dizer grosserias pode ser jornalismo, assim como destratar pessoas. O jornalista anda no fio da navalha, pois para trazer a verdade sempre corre o risco de ser ofensivo. Minhas grosserias contra Bolsonaro precisam ser toleradas assim como aquelas ditas contra Lula. Se estiver dentro da LEI está valendo. Retire-se dessa pauta difamação e calúnia e o resto precisa ser protegido. Todos fazemos críticas e elas também precisam de proteção. Se nós admitirmos esse tipo de patrulha sobre a opinião alheia então seremos reféns desse tipo de controle corporativo sobre o que pode ou não ser dito.

E quem disse que empresas de bolacha tem o direito de decidir que tipo de notícia será dada? Ou a perspectiva a ser utilizada? O que eu digo é que esse tipo de controle da notícia pelo capitalismo pode ser qualquer coisa, menos imprensa livre. Prefiro a opinião ridícula de um bolsonarista que fala para quem quer lhe escutar do que o controle feito por algum capitalista (ou pelo Estado) do que seja justo noticiar.

Jornalismo é falar algo que alguém não quer ouvir, mas racismo, machismo, difamações ou mentiras não são cobertas por esta análise, exatamente porque há LEI para coibir este tipo de manifestação.

Para mim fica evidente e translúcido o ocaso da imprensa corporativa. Uma imprensa que precisa agradar seus patrocinadores produz um jornalismo vendido, amarrado, preso. Pode ser tudo, menos imprensa livre.

Jornalista fazendo publicidade de produtos – como garotos propaganda – é o fim da várzea. Sou do tempo em que se dizia “jornalista não tem amigo”, para mostrar que o profissional da imprensa íntegro deveria estar na linha de frente para ACUSAR as empresas que ferem a ética, políticos que agem de forma corrupta e até empresas que atentam contra a saúde pública. Mas, para serem silenciados, são comprados com patrocínios em seus programas. “Não disse o que queremos ouvir? Então tiramos o seu salário”.

É preciso criar um novo modelo, sem as amarras da publicidade corporativa, sem as chantagens e pressões do capital. Sem isso não temos imprensa, no máximo “relações públicas” empresariais.

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Tô nem aí

“Vejo muitas manifestações agressivas nas redes sociais clamando aos 4 ventos o quanto não se importam com a opinião dos outros. O nome disso é “denegação”, que é quando suas palavras traem seu conteúdo profundo e subconsciente.

Quem precisa deixar claro que “não estou nem aí para o que falam”, na verdade está “MUITO aí” para a opinião alheia. A verdadeira indignação se traduz em atos ou silêncio. A exaltação da desimportância é a prova mais óbvia da relevância.”

James Cobburn, “Voyage to the Wild West”, ed Barroque, pag 135.

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Pelé…. e Maradona

Até quando o Maradona morre o foco volta a ser o Pelé e de novo aparece a nossa incapacidade de aceitar um ídolo e herói negro para um país racista. É difícil aceitar o Pelé, não?

Acho curioso que o Pelé não pode ser referência por causa de seus erros humanos, mas a madame branca que apoiou a pedofilia pode…

Nada a ver com drogas ou “vidaloka” de um ou pela postura política à direita do outro. Pelé é criticado porque ousou ser um Rei preto num pais racista. Maradona pôde fazer filhos com todo mundo e dar porrada na mulher, mas não é negro. Aqui falam exaustivamente do “reconhecimento da filha” apenas para facilitar o ódio que sempre tiveram do Pelé pela cor da sua pele. Preto desaforado, metido…

Pelé deu declarações à esquerda no passado, mas assina camisas para presidentes de direita hoje, e por isso não é perdoado. Toda a cocaína e o álcool de Maradona, assim como as violências domésticas, recebem nosso perdão porque, afinal, ele “parece” ser um rei, e não alguém que algumas poucas décadas atrás era açoitado por um deslize qualquer.

Pelé nunca será perdoado pelo crime de ser negro.

Maradona não foi nem uma quarta parte do que Pelé foi em campo, não teve metade da sua genialidade com a bola nos pés, mas teve muito mais consciência social e muito mais engajamento nas lutas pelo povo da América Latina, e por isso merece também estar no Panteão dos gênios da raça.

Salve Maradona, salve Pelé, salve Fidel e Simón. Viva Che, viva Rosa e Ataualpa… e longa vida à unidade Latinoamericana.

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Racismo invisível

“PM nega motivação racista ao espancar o sujeito no Carrefour”.

O grande erro das análises sobre a morte no Carrefour continua sendo achar que a motivação racista se refere somente aos possíveis conteúdos CONSCIENTES, quando em verdade tem a ver com a estrutura social que INCONSCIENTEMENTE direciona nossas ações.

É exatamente por isso que temos um racismo invisível, até com aparência de cordialidade – ou democracia racial – porque ele está embebido na arquitetura social mais profunda, longe das luzes da consciência. Mas o fato de ser inconsciente o torna ainda mais difícil de combater. Como a violência obstétrica: quanto mais invisível, mais poderosa.

É muito difícil para muitos entender como funciona o racismo estrutural porque não percebem que nossas decisões percorrem um caminho que se situa abaixo da linha do consciente. É ali no breu do inconsciente, no escuro dos sentimentos mais primitivos e onde a luz da razão não encontra espaço, que estas escolhas são feitas.

Para entender o racismo estrutural é importante despir-se da arrogância racionalista e reconhecer a origem das nossas decisões. Somente esse mergulho nas emoções mais ancestrais nos permitirá entender porque os negros morrem nas mãos da polícia ou de seguranças enquanto aos brancos é reservado um espaço de civilidade protetiva. Os corpos negros, como se diz, são corpos “castigáveis”; violar e maltratar as carnes pretas ainda é um ato impune.

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O Bagaceiro Reaça

Depois de velho eu fui obrigado a testemunhar o nascimento de um personagem que poderia ter sido descrito por Nelson Rodrigues: o “bagaceiro reaça”.

Ele é pobre, muitas vezes desempregado e faz bicos ocasionais. Vive da pensão da mãe, com quem mora, mesmo tendo mais de 40 anos. Já teve algumas mulheres, mas abandonou a todas. É grosso, machista, misógino e, mesmo tendo aquela pele mais escura adora fazer piadas racistas (jura que é branco e que seu avô era alemão), porque são “brincadeiras entre amigos”.

É bolsonarista raiz. Mesmo já tendo várias entradas na chefatura por pequenos delitos – como punga, furto, violência doméstica e desordem – acredita que bandido bom é “bandido morto”. Adora a polícia batendo – nos outros – e faz o mesmo com os filhos pequenos. Acha que o comunismo é coisa do diabo. Vai na Igreja, paga dízimo quando tem algum, faz promessa prá Santo, toma passe no terreiro, vota sempre em empresários e gente rica, pois eles sabem como “cuidar de nós”.

Esse personagem apareceu de forma resplandecente nas últimas eleições. A mídia conseguiu convencer esse sujeito de que a sua miséria é fruto de sua falta de ambição ou de fé, e não de uma conjuntura que o maltrata desde o berço. Não há consciência alguma de classe: acredita ser um um ente sem vínculos; o que vale é o “cada um por si”.

A esquerda precisa voltar a falar com esse sujeito. Ele foi entregue para a direita mais atrasada e alienada. Usaram sua frustração para alavancar uma utopia neoliberal que se mostrou fracassada, mas que aqui ainda embala os sonhos de popular através da religião exploradora da fé e da propaganda massiva contra qualquer modelo meramente justo e distributivo.

Acredito que a tarefa da esquerda é ali, no seio do proletariado mais abandonado, para resgatar nestes o sonho de uma sociedade mais equilibrada e justa.

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Gente tóxica

A dura verdade é que “afastar-se das pessoas tóxicas” passa a falsa mensagem de que somos carneirinhos mansos e ingênuos de quem lobos tóxicos se aproximam, produzem transtornos e causam dor. Ou seja: o problema não somos nós, são os outros.

Mentira. Somos todos tóxicos, egoístas, interesseiros ao mesmo tempo em que somos fontes de luz e afeto. Não há ser humano sem sombra. Somos feitos de “silêncio e som”, como diria Lulu Santos.

Muito ouvi falar na minha infância da lenda “um bom rapaz que se envolveu com más companhias”, como se não houvesse sintonia entre aqueles que se encontram. A história era contada como “uma alma pura maculada pela influência maléfica de espíritos primitivos”. Pura fantasia indulgente.

Ora, é fácil entender que se as companhias tóxicas desaparecessem como por encanto, em poucos minutos outras apareceriam por pura atração. Como aquele casal que se separa e depois cada um encontra alguém parecido com seu antigo amor… em seus piores defeitos.

Sempre erra quem acha que resolve os seus problemas ajustando ou eliminando os outros. Não, o único modo de mudar o mundo ao seu redor é transformando a si mesmo para, com isso, mudar também os que lhe seguem.

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Voltar ao passado

Penso muito em voltar no tempo. Fico imaginando às vezes me concentrar até entrar em transe, aparecer em uma data do passado e mergulhar nela, como no filme “Somewhere in Time”. O problema é pensar em qual data eu gostaria de chegar.

Algumas vezes penso em retornar instantes antes de fatos traumáticos, mas outras vezes volto à escola, à infância, à minha casa no interior. Tipo, para falar com meu avô que morreu quando eu tinha três anos, ou reencontrar minha mãe e minha avó Irma. Também para rever a turma da rua ou os amigos da escola. Voltar naquele momento especial e ter coragem de dizer algo que não falei – por medo. Mas também voltar para ficar calado quando disse alguma bobagem que magoou alguém.

Essas viagens sempre me oportunizam pensar “como seria se…”, mas, mesmo que fosse possível ajeitar alguns erros do passado, uma viagem no tempo seria uma angústia brutal. Fico imaginando encontrar a mulher da minha vida e dizer a ela as palavras que sempre achei que deveria ter dito, só para depois perceber que o segredo de sua paixão foi mesmo ter sido bobo, tolo e desajeitado. E se dessa vez ela não me quisesse? Perderia instantaneamente meus filhos e netos e passaria a eternidade imaginando em que outra barriga teriam nascido.

Eu seria um perdido, vagando pelas ruas, imaginando encontrar em outros corpos as almas que perdi. A volta ao passado seria um martírio infinito, uma coleção de dores e tristezas. Uma “saudade do que nem cheguei a ser“. Talvez sejamos feitos dos próprios erros que cometemos, e mesmo os piores deles constroem o que somos hoje. Perdê-los talvez signifique retirar de nós a nossa própria essência.

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